Bundesliga

Novas contratações e gigantes que retornam à elite irão impulsionar novamente a Bundesliga, diz dirigente

Em entrevista, Hans-Joachim Watzke, diretor da DFL, afirmou que futebol alemão voltará aos holofotes em 2022-23

O futebol alemão vem sendo alvo de constantes críticas por conta de seu desequilíbrio na última década. Com os 10 títulos seguidos do Bayern de Munique, fica difícil enxergar alguma margem para que outras equipes surjam fortes no horizonte. Entretanto, para Hans-Joachim Watzke, diretor do Borussia Dortmund e da DFL, entidade gestora do Campeonato Alemão, a Bundesliga terá diversos impulsos para alavancar a próxima temporada, entre reforços e clubes que retornam à elite.

Para começo de conversa, é difícil traçar um futuro para a liga local sem falar do Bayern. Em um momento de transição, apesar de continuar empilhando títulos, a potência bávara caprichou no seu primeiro movimento de mercado, se reforçando com o atacante Sadio Mané, do Liverpool, e a dupla do Ajax, o volante Ryan Gravenberch e o lateral Noussair Mazraoui.

Por si só, essas transferências já agitariam o país, mas outros jogadores de grande relevância desembarcarão na Bundesliga em breve. São os casos de Sebastian Haller, que assinou pelo Borussia Dortmund, e o campeão mundial de 2014, Mario Götze, que fechou com o Eintracht Frankfurt. O Eintracht, aliás, chega bastante motivado pelo título na Liga Europa diante do Rangers, o que também mostra que a Alemanha voltou a ter força no continente sem depender do Bayern para tal.

Nesse contexto de novidades e de retorno do Schalke e do Werder Bremen à elite, Watzke fez algumas ponderações otimistas acerca do cenário local. em entrevista ao jornal alemão Bild. E bateu com veemência nos críticos à Mané. Nos últimos dias, o ex-jogador e comentarista Dean Saunders afirmou que o senegalês iria para a Alemanha para relaxar. Watzke discordou e não poupou palavras duras a Saunders: “Sempre teremos idiotas arrogantes para dizer esse tipo de coisa, mas acredito que estamos no caminho certo. Se a Bundesliga estourar nessa temporada, teremos muitos ganhos de marketing e ações internacionais”, frisou o dirigente.

“Como membro da ECA (Associação dos Clubes Europeus), posso dizer que o futebol alemão ainda tem uma boa reputação. Estou ciente de que não podemos nos conformar apenas com isso, e precisamos trabalhar duro para fazer com que a competição se mantenha financeiramente forte no exterior. Acredito que as contratações de Mané e Götze são muito boas, mas a liga precisa pensar em criar suas próprias estrelas novamente”, acrescentou Watzke, aludindo o momento à geração que conquistou o tetracampeonato mundial com a Alemanha em 2014, no Brasil.

O domínio do Bayern não parece preocupar Watzke, que apontou Dortmund, Leipzig e Leverkusen como oponentes dos bávaros na próxima campanha: “O que posso prometer é que mais clubes farão de tudo para aquecer a disputa do título em 2022-23”. Outro tema polêmico abordado pelo dirigente é a regra do 50+1, que impede que grupos ou donos estrangeiros assumam a maioria das ações dos clubes.

O modelo é vigente desde 1998 e prevê que cada um dos times nas divisões da Bundesliga tenha obrigatoriamente 51% das ações divididas entre a associação, o que dá aos alemães um poder maior de decisão do que os acionistas. “Não é mais necessário discutir isso. Não haverá mudanças nessa regra enquanto eu estiver comandando a diretoria da DFL. Estou 100% certo disso. Existe um argumento de que o 50+1 faz com que clubes sejam fracos no continente, mas há provas contrárias a isso. Cito o Frankfurt (campeão da Liga Europa) e o Real Madrid, vencedor da Liga dos Campeões. Ambos possuem modelo 50+1, são equipes nas quais o presidente é eleito pelos sócios”, arrematou Watzke.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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