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Mais novo embaixador da Agência da ONU para Refugiados, Davies quer usar sua plataforma para promover mudanças

Alphonso Davies tornou-se na quarta-feira (24) o primeiro jogador de futebol embaixador da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Na ocasião da parceria, o lateral esquerdo do Bayern de Munique se sentou com o New York Times para uma entrevista sobre o significado do momento, sua vontade de utilizar a plataforma que tem para promover mudanças e seu passado em um campo de refugiados em Gana, onde nasceu e viveu até os cinco anos de idade. Conforme revelado pelo próprio Davies, sua descoberta dos detalhes de como foi aquele período para sua família aconteceu ao mesmo tempo em que o mundo conheceu a sua história.

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Davies contou ao jornal norte-americano que suas primeiras memórias da infância datam já de seu início de vida no Canadá, para onde seus pais se mudaram quando ele tinha cinco anos e onde tiveram a ajuda justamente da ACNUR para se estabelecer. O lateral esquerdo lembra-se do início da vida escolar em Ontário e da importância do futebol para a sua adaptação em um novo país e revela que, durante o restante de sua infância, seus pais o protegeram das memórias do campo de refugiados.

“Eles não me explicaram de verdade (como foi o período vivendo no campo de refugiados). Não é algo de que eles falavam muito, eles não queriam falar disso. Foi um período sombrio na história deles. Eles só queriam que nós curtíssemos nossa vida no Canadá, que fôssemos felizes em um lugar seguro, em que pudéssemos ser o que quiséssemos”, explicou ao New York Times.

Davies estreou profissionalmente pelo Vancouver Whitecaps em 2016, ainda com 15 anos, e foi só em 2017, ao obter oficialmente a cidadania canadense, que foi conhecer mais os pormenores de sua experiência e de seus pais nos anos vividos no campo de refugiados. Isso porque, para marcar a ocasião, o seu então clube, os Whitecaps, produziu um curta recontando sua história, com depoimentos de seus pais. Na produção, eles falavam sobre a decisão de deixar a Libéria para fugir da violência e das situações cotidianas no campo de refugiados em que foram viver em Buduburam, em Gana.

“Eles disseram que era como estar em um contêiner do qual você não podia sair, porque não sabia o que aconteceria com você. Era difícil encontrar comida e água. Você não sabia o que vinha por aí no dia seguinte. Minha mãe não sabia como iria me alimentar, cuidar de mim. Ela chorava. Eles estavam passando por dificuldades, por eles mesmos e por mim. Eu não sabia de nada disso até eles fazerem aquela entrevista.”

Nos últimos anos, dando-se conta da oportunidade que tinha de servir de figura representativa aos refugiados, Alphonso Davies passou a se engajar mais no assunto. Concedeu diversas entrevistas e, a partir do início do primeiro lockdown na Alemanha no ano passado, começou a usar sua plataforma para virar uma bandeira dos refugiados, servindo de inspiração para aqueles que hoje vivem em situações parecidas com as que ele e sua família enfrentaram no passado.

“Muita gente entra em contato comigo nas redes sociais para dizer o que aquilo (sua história) significa para elas. Eu comecei a dar entrevistas sobre isso e recebi bastante retorno. Isso te desperta. Foi fantástico ver que as pessoas ficaram inspiradas por minha história”, descreveu ao NY Times, acrescentando: “Eu queria dizer às pessoas que elas não estão sozinhas, que há pessoas por aí que estiveram na mesma situação”.

Como mais novo embaixador da ACNUR, Davies deseja utilizar sua voz e a atenção inerente que uma estrela de um dos maiores clubes do mundo recebe para ajudar a angariar fundos para a renovação de campos de futebol em campos de refugiados. Suas atividades, no entanto, não se resumem e não se resumirão apenas a isso. Desde 2020, o jogador já apoia a ACNUR, e em fevereiro deste ano ajudou o governo canadense a lançar uma campanha chamada Juntos pelo Aprendizado, promovendo acesso a educação de qualidade para refugiados no mundo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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