Bundesliga

Mais de 800 jogadores do futebol alemão prometem apoio a colegas que quiserem se revelar homossexuais

Em uma campanha publicada na revista 11Freunde, mais de 800 jogadores do futebol alemão, representados ou por seus clubes ou por um ou mais porta-vozes de dentro do vestiário, se juntaram para oferecer solidariedade a jogadores homossexuais que hoje se veem forçados a esconder sua orientação sexual por medo de repercussões negativas.

A publicação contou com diversos depoimentos e jogadores, entre eles Christoph Baumgartner, Max Kruse, Christian Gentner, Niklas Stark, Dedryck Boyata, Christoph Kramer e Jonas Hector, e apoio dos elencos completos de Borussia Mönchengladbach, Borussia Dortmund, Hoffenheim, Schalke 04, Werder Bremen e Freiburg, entre outros, segundo a ESPN.

Em um comunicado que antecede os depoimentos e é assinado por todos os mais de 800 jogadores, os atletas reafirmam seu compromisso de suporte a qualquer atleta que deseje se revelar publicamente homossexual: “Nós o apoiaremos e o encorajaremos e, se necessário, o defenderemos contra a hostilidade. Pois você está fazendo a coisa certa, e nós estamos do seu lado”.

Embora não seja citado pela ESPN ou publicado no excerto disponível online, o Bayern de Munique recentemente se posicionou em favor da causa LGBTQ+ quando foi a campo no fim de janeiro de 2021 com uma braçadeira com as cores do movimento, em homenagem àqueles que foram perseguidos pelo regime nazista por sua orientação sexual ou seu gênero.

Confira abaixo o comunicado e alguns dos depoimentos publicados no site da 11Freunde:

“Mesmo em 2021, não há um único jogador abertamente homossexual nas ligas profissionais masculinas alemãs. O medo de ser atacado e ostracizado depois de se revelar homossexual e de comprometer a carreira como jogador de futebol profissional ainda é aparentemente tão grande que os jogadores gays acreditam que têm que esconder sua sexualidade.

Ninguém deve ser pressionado a se revelar homossexual. Essa é a livre decisão de cada indivíduo. Mas queremos que todos que decidirem fazê-lo tenham certeza de nosso total apoio e solidariedade. Porque é uma das liberdades elementares de todo ser humano poder professar sua orientação sexual. E porque somente aqueles que não têm que esconder uma parte importante de sua personalidade dos outros podem exercer sua profissão com alegria.

E é por isso que dizemos a todos aqueles que estão lutando com esta decisão: Nós o apoiaremos e o encorajaremos e, se necessário, o defenderemos contra a hostilidade. Pois você está fazendo a coisa certa, e nós estamos do seu lado.

Declaração de futebolistas na Alemanha.”

Domink Kaiser, Mike Frantz, Timo Hübers, Hendrik Weydandt, Marvin Ducksch e Michael Ratajczak, em nome do Hannover:

“Estamos no ano de 2021! Todos deveriam poder amar quem quer que seja. Isso deveria ser algo completamente normal. No fim, todos nos beneficiamos de uma união aberta em uma sociedade diversa. Mas esta abertura não deve ser apenas uma palavra, precisa também ser vivida por todos nós. Nós, em nossa equipe e como um todo no Hannover 96, somos responsáveis por isso.”

Sebastian Ohlsson, do St. Pauli:

“Faria alguma diferença se um dos meus companheiros de time se revelasse homossexual? Não! Nossos torcedores, nosso clube e nossa equipe sempre deixamos claro que aceitamos todos por quem eles são. Acho que dificilmente você vai encontrar um lugar mais seguro para um jogador homossexual do que no St. Pauli. Mas também precisamos pensar fora da caixinha e, como jogadores, fazer nossa parte para garantir que todos possam ser quem quiserem ser, sem medo de discriminação. Não apenas aqui no clube, mas em toda parte. Precisamos trabalhar para garantir que aquilo que já é visto como normal em várias partes da sociedade seja finalmente considerado pelo esporte profissional. Não deixaremos sozinhos aqueles que são discriminados.”

Christoph Kramer, do Borussia Mönchengladbach:

“Se um dos meus companheiros se revelasse homossexual, eu acharia isso corajoso, mas também não ficaria impressionado. Estamos vivendo em 2021, e a minha geração certamente é a mais tolerante de homossexuais que a Alemanha já teve. É assim no meu círculo de amigos que não têm nada a ver com futebol, e é a mesma coisa entre os jogadores profissionais. De qualquer modo, ao longo da minha carreira, eu nunca vi um vestiário que eu presumiria que teria problemas com alguém se revelando homossexual. Algo que também não está muito claro para quem está de fora: havia funcionários nos clubes em que joguei que eram abertamente homossexuais, e eu nunca notei que isso fosse um problema. Eu acharia corajoso (algum jogador se revelar homossexual) mais pela reação esperada do público. O tom nas arquibancadas é muito duro.”

Christopher Trimmel, do Union Berlim:

“Nós, jogadores profissionais, temos que jogar bem e, como figuras públicas, estamos constantemente sendo observados. Claro, você aprende a lidar com isso, mas é extremamente exaustivo, de qualquer forma. Com um jogador se declarando homossexual, uma tempestade midiática seria criada, o que seria também muito forte. O jogador em questão precisaria ser forte para processar tudo que viria em sua direção. Idealmente, a mídia precisaria não superdimensionar isso com sensacionalismo, deixando que a vida privada seja o que ela é: privada. Porque é precisamente neste sensacionalismo que está o principal problema para mim. Infelizmente, essa é a realidade da integração da minoria gay em nossa sociedade. Se um companheiro se revelasse homossexual, de qualquer forma, ele teria todo o apoio que precisa de mim. Não nos importamos com a sexualidade da pessoa, contanto que não infrinja a lei. Por sorte, este não é mais o caso da homossexualidade.”

Max Kruse, Union Berlim:

“Para mim, não só no futebol, todas as pessoas são iguais, independentemente da cor de sua pele, de sua religião ou de sua orientação sexual. E se um dos meus colegas se revelasse gay, eu o protegeria dos idiotas por aí que ainda se sentem perturbados ou mesmo ameaçados por homossexuais. Essa é também a razão pela qual isso ainda não aconteceu (um jogador profissional de renome se revelar gay). Se um jogador profissional comenta algo, o mundo inteiro sabe disso imediatamente. E se um jogador se revelasse homossexual, a reação seria simplesmente enorme. Então, eu entendo qualquer um que não queira se expor.”

Jonas Hector, do Colônia:

“Nosso lema diz: ‘Bem-vindo à mais bonita cidade da Alemanha – independentemente de onde você venha, daquilo em que você acredita, de quem você tenha ou seja, de como você viva e de quem você ama’. Vivemos isso no Colônia e, como equipe, apoiamos isso completamente.”

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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