Lahm: “Refleti por muito tempo, me aposento sentindo que este é o momento certo”
A imagem persistirá na Allianz Arena por décadas. O lateral extremamente técnico e incansável, que podia ocupar os dois lados do campo. Aquele que liderava o seu time na bola e na garra. Que eclodiu para o mundo ali mesmo, no próprio estádio, o seu quintal, durante a abertura da Copa 2006. E que, ironicamente, viveu também em sua casa a maior decepção da carreira, com a derrota para o Chelsea na decisão da Liga dos Campeões de 2012. Contudo, a volta por cima viria em dois templos: o Wembley, na final da Champions de 2013, e o Maracanã, na Copa de 2014. Para retornar ao seu lar e empilhar mais algumas taças, até dar o adeus ante os seus. Neste sábado, Philipp Lahm encerra a carreira. Faz sua última partida na Allianz Arena, contra o Freiburg. De vez, termina de se tornar lenda.
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O clima de despedida no Bayern de Munique é óbvio. E não deveria ser diferente com aquele que se criou no clube, que entregou tanto, que conquistou tanto. Em nenhum momento Lahm perde a sobriedade em relação à sua decisão, um tanto quanto surpreendente para alguns, considerando os seus 33 anos e o alto nível que ainda mantém. De qualquer maneira, o veterano vislumbra uma nova vida além do futebol. O fim da história que carregará sempre consigo, e milhões de torcedores também carregarão.
Nesta quinta, Lahm participou da coletiva de imprensa na Baviera. E abordou diversos tópicos sobre o seu adeus dos gramados. Abaixo, destacamos alguns pontos. E é interessante perceber a visão do capitão, olhando para frente, degustando os últimos momentos. A Allianz Arena certamente proporcionará cenas inigualáveis.
Sobre a decisão
“A decisão não é tomada do dia para noite, é um processo que leva um longo período. Eu sempre estou refletindo e observando se ainda posso manter o nível. Assim que aconteceu. Eu me aposentei da seleção com o sentimento que aquele era o momento certo, um dia depois da Copa do Mundo. É o mesmo agora”.
As percepções de que a carreira chegou ao fim
“São pequenas coisas que você sente. Eventualmente torna-se mais duro aguentar os jogos no meio da semana, se recuperar e ficar bem para o próximo compromisso. Levantar de manhã depois de uma partida também fica mais difícil do que antes. Há coisas que você sente todos os dias nos treinamentos. Como capitão, eu quero ser exemplo, quero que todos os jogadores me vejam e saibam que estou dando 100%. Eu sinto que não posso mais fazer isso sempre, entretanto. Por exemplo, sou uma pessoa ambiciosa e sempre fico incomodado quando perco um rachão. Sempre fui assim. Mas isso não acontece mais, e isso é um sinal que eu estava indo para uma direção errada”.
As lacunas que ficarão
“Uma coisa que definitivamente sentirei falta é estar com o grupo todos os dias. Há uma atmosfera única e uma linguagem nos vestiários. Sentirei falta da comissão técnica, de todo o time. Eu me acostumei a estar em uma equipe desde os cinco anos de idade, então é algo que realmente terei saudades. E as brincadeiras nos vestiários. Eu sempre curti isso”.
Como será o futuro
“Veremos o que acontecerá adiante. Estou ansioso para coisas simples, como tomar café junto com a família no final de semana, sentar na mesa durante o domingo e começar o dia juntos. É algo que eu não tive na maior parte do tempo porque estava viajando ou no treino de recuperação. Preciso ver como meus compromissos familiares se darão e o que acontecerá semana após semanas. Antes de tudo, quero viajar com minha família e aproveitar o momento. Mas um dia eu me sentarei e decidirei como vou começar o próximo capítulo da minha vida. Então, os dias se preencherão de novo. Há muitas coisas diferentes. Quero aprender e estar envolvido, seja em marketing, digitalização ou vendas. Uma das razões pelas quais eu me envolvi com negócios era porque não queria ficar perdido com minha aposentadoria, tinha algo significativo para fazer. Eu quero estar envolvido com isso e também doar mais tempo em meu projeto de caridade”.
Os jogos, além das grandes finais, mais marcantes
“Muitas vezes eu penso em meu primeiro título, pelo sub-19, em 2001. Éramos os azarões contra o Leverkusen, mas ganhamos por 3 a 2 e nos sagramos campeões alemães. Isso foi especial. Há também minha primeira aparição na Champions, contra o Lens, que foi minha estreia como profissional. Foi fantástico. Eu poderia listar mais: o jogo contra o Manchester United, pelo Stuttgart. Ganhamos por 2 a 1 em casa, fui titular. E, obviamente, não posso me esquecer da minha estreia pela seleção, em fevereiro de 2004. Poderia listar muitos outros…”.
Os maiores desafios como capitão
“Há duas fases cruciais em minha passagem como capitão. A primeira foi em 2012, depois de perder a final da Champions. Reerguer o time foi extremamente difícil e demorou um pouco. Já em 2013, depois de ganhar a tríplice coroa foi precisamente o oposto. Depois da mudança de técnico, precisávamos apoiar Pep e deixar claro que uma mudança era necessária se quiséssemos continuar tendo sucesso. Também não foi fácil”.
A relação com a torcida
“Para mim, é claro que as pessoas vão ao estádio porque querem ver um espetáculo, e não um empate por 0 a 0 entediante. Quando eu for à arena como torcedor no futuro, vou querer ver ação, então para mim parece perfeitamente normal que os jogadores de ataque sejam mais celebrados. Mas, como eu disse, sempre senti um grande respeito dos torcedores e isso foi muito importante para mim. A primeira partida desde que anunciei minha aposentadoria foi em fevereiro. Quando ouvi a torcida cantando meu nome, não posso te explicar o quão feliz e grato eu fiquei. Eu me arrepiei como nunca antes. Isso é especial”.