Kahn, CEO do Bayern: “O futebol poderia ter um controle de custos e limites para salários”
Kahn defendeu a existência de um teto salarial para o futebol, assim como regras mais claras para os investidores
O contexto do futebol durante a pandemia, diante de uma crise econômica mundial, aumentou as atenções para a bolha de valores envolvendo o esporte. E, ainda que o volume de negócios tenha se reduzido nos últimos meses, alguns clubes “bem apadrinhados” continuaram surfando na onda. Não à toa, também crescem vozes para que existam mecanismos maiores de controle de gastos e limites dentro do esporte. Chefe-executivo do Bayern de Munique, Oliver Kahn defendeu a criação de um teto salarial e até mesmo de limites de investimentos. Na visão do ex-goleiro, assim seria possível atrair mais investidores e reduzir desigualdades entre equipes.
“Há alguns anos, a Premier League estava 10 ou 20 milhões de euros à nossa frente. Agora isso se multiplicou. Queremos que exista uma contenção de salários, e também seria desejável que os preços no mercado de transferências caíssem. O futebol poderia ter um controle de custos e limites para salários”, afirmou Kahn, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung. “Existem investidores muito sensatos que também têm interesse em garantir que os salários não aumentem vertiginosamente. Isso faz o investimento deles ser mais fácil de planejar”.
O ex-goleiro também pede que as regras sejam cumpridas, depois de diferentes golpes sobre o Fair Play Financeiro nos últimos anos: “Deveriam existir limites claros para quanto os investidores podem colocar em um clube e quanta perda podem compensar. Mas esses dois pontos seriam inúteis sem um terceiro: punições que realmente sejam cumpridas, mesmo nos grandes clubes. No fim das contas, não queremos nada mais do que o controle de custos no futebol”.
Outro assunto importante abordado pelo CEO foram os contratos do Bayern com o Catar, que geraram grandes protestos na última assembleia do clube. A decisão da diretoria em não abrir para votação a relação com os catarianos gerou revolta nos associados. E, pelas palavras de Kahn, tal relação não deve mudar até 2023 – quando o contrato com a Qatar Airways permanece em vigor.
“Quanto mais tempo se passou desde então, mais me incomoda que aquela noite tenha se transformado numa reunião com um único item na agenda. Vamos cumprir o contrato e, enquanto isso, vamos ficar de olho na maneira como as coisas evoluem. O Bayern analisará isso para decidir como proceder depois”, afirmou Kahn. “O critério econômico também terá um papel importante. É claro que o contrato com a Qatar Airways é lucrativo. Mas isso não significa que não tenhamos analisado outros aspectos também. Não pode ser uma solução condenar esse contrato ao ostracismo ou não dialogar”.
Sobre a gestão do elenco, Kahn preferiu deixar de lado um possível interesse em Erling Braut Haaland: “O Bayern não entra nesses jogos no mercado, mas, economicamente, temos capacidade para fazer grandes investimentos. Neste momento, também sofremos algumas consequências da pandemia de Covid-19. Ainda assim, temos conosco o Lewandowski e estou certo de que ele vai continuar a marcar 30, 40 gols por ano durante mais algum tempo”.
Por fim, o veterano também fez questão de ressaltar a mentalidade que o time apresenta em campo: “Fico sempre impressionado com a mentalidade do nosso time. Pegue o jogo em casa contra o Barcelona por exemplo. Antes, poderíamos ter dito que já éramos líderes e deveríamos relaxar. Mas o que os rapazes fizeram? Simplesmente acabaram com o Barcelona. Eles querem mostrar em todos os jogos que são os melhores. Essa vontade de vencer é transmitida a todos”.
O Bayern fechou o primeiro turno da Bundesliga com uma vantagem de nove pontos na primeira colocação. Já na Champions, os bávaros sustentaram os 100% de aproveitamento na fase de grupos. O time volta a campo em 7 de janeiro, quando recebe o Borussia Mönchengladbach na reabertura da Bundesliga.



