Bundesliga

James teve uma atuação mágica para destruir o Schalke e mostrar ao Bayern a que veio

James Rodríguez sabe o tamanho da oportunidade que o Bayern de Munique representa para a sua carreira. Depois de não emplacar no Real Madrid da maneira que se esperava, o colombiano ganhou espaço em outro gigante continental. E provavelmente não quer que o empréstimo de dois anos pela Baviera seja apenas passageiro. Nesta terça, o camisa 11 disputou sua segunda partida completa pelos bávaros, a primeira pela Bundesliga. Também teve sua primeira grande atuação no novo clube, comandando a equipe de Carlo Ancelotti na vitória por 3 a 0 sobre o Schalke 04, dentro da Veltins Arena. James participou dos três tentos, inclusive marcando um e dando assistência para outro.

Uma das indagações sobre James Rodríguez é sua capacidade de realmente jogar em diferentes funções no setor ofensivo. Durante sua estadia no Santiago Bernabéu, muitas vezes se discutiu a “falta de encaixe” do colombiano. Em Gelsenkirchen, ele não teve qualquer problema em atuar aberto pela meia direita, por vezes centralizando e aproveitando a qualidade de seu pé esquerdo para avançar em diagonal. Finalizou e, principalmente, criou ocasiões para os seus companheiros concluírem. Foi decisivo como nenhum outro em campo.

Não era uma partida tão fácil ao Bayern. Os visitantes paravam na boa atuação do goleiro Ralf Fährmann e viam o Schalke sair com perigo ao ataque em algumas oportunidades, apostando nas transições rápidas. Os Azuis Reais chegaram até mesmo a balançar as redes, em tento anulado por impedimento. Aos 25 minutos, entretanto, os bávaros puderam abrir o placar. James fez a jogada pela linha de fundo e Naldo bloqueou seu cruzamento com o braço. Após a conferência no VAR, o árbitro assinalou o pênalti. Robert Lewandowski converteu, sob fortes reclamações dos anfitriões.

Quatro minutos depois, o Bayern ampliou. Roubada de bola no campo de ataque, para Corentin Tolisso servir James Rodríguez. Sem qualquer marcação, o camisa 11 não teve dificuldades para vencer Fährmann. O Schalke tentou diminuir o prejuízo ainda na primeira etapa, mas parou no goleiro Sven Ulreich, substituindo muito bem Manuel Neuer desta vez.

O segundo tempo começou bastante intenso. Os bávaros chegaram a acertar a trave com Thomas Müller, mas os Azuis Reais ameaçavam bem mais, especialmente após a entrada de Yevhen Konoplyanka. Ulreich segurava as pontas. E os erros nas conclusões custaram caro ao Schalke, quando o Bayern fechou a conta aos 30. James deu um passe de mágica, enfiando a bola por cima da defesa, para Arturo Vidal bater de primeira. Por fim, Fährmann ainda evitaria o quarto nos instantes finais.

Talvez a maior carência do Bayern não se concentre em uma posição específica, mas sim no jogador que chegue por trás, no apoio a Robert Lewandowski, e chame a responsabilidade – como por anos fizeram Arjen Robben e Franck Ribéry, hoje sem a mesma capacidade física para desequilibrar com a frequência necessária. Neste sentido, James Rodríguez pode ser muito útil. É um jogador com características diferentes dos veteranos, que consegue muito bem atuar junto a eles, assim como ocupar suas posições. E que, por seu chute ou por sua criação, também conta com um poder de fogo inegável. A indagação fica sobre a capacidade do colombiano em atuar neste alto nível de exigência por várias rodadas, sem as suas costumeiras oscilações. Se conseguir manter a regularidade, provavelmente emplacará.

Além do mais, o próprio Bayern está em xeque, diante da falta de consistência recente. James Rodríguez pode ser uma boa resposta neste sentido. E os três pontos conquistados nesta terça revigoram a confiança sobre o time de Carlo Ancelotti. Além de brecar o Schalke na quinta colocação, com nove pontos, o triunfo também coloca os bávaros momentaneamente na liderança da Bundesliga, com 12 – embora ainda possam ser ultrapassados por Borussia Dortmund e Hannover 96 no encerramento da rodada, nesta quarta. O resultado na Veltins Arena foi bastante importante, e em diferentes sentidos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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