Bundesliga

Horizontalidade na comunicação e reforço de identidade: os pilares do Bayern que Flick quer construir

Os primeiros sinais dados por Hans-Dieter Flick no comando do Bayern de Munique foram promissores. Dentro de campo, vimos nos meses seguintes à demissão de Niko Kovac uma equipe mais criativa, com maior movimentação, mais estável defensivamente e efetiva no ataque. Os bons indícios, no entanto, não se resumem ao produto final visto no gramado. As premissas do trabalho de Hansi Flick parecem também levar o clube bávaro ao caminho certo. É o que se pode depreender de sua entrevista ao site oficial do Bayern, publicada nesta quarta-feira (29).

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Flick acertou sua renovação de contrato com o Bayern de Munique no início do mês, tornando-se treinador efetivo depois de assumir como interino após demissão de Niko Kovac. No entanto, pela situação atual de isolamento social, só assinou seu contrato nesta semana, com o anúncio oficial sendo feito nesta quinta-feira (30). Aparentemente, o site dos bávaros aproveitou a presença de Flick por lá para conseguir uma entrevista, e ela acabou sendo bem interessante. No papo, o técnico delineia alguns de seus princípios como líder: comunicação aberta e busca pelo reforço da identidade do clube.

Desde 2006, Flick vinha acumulando experiência como assistente técnico. Durante oito anos, completou um ciclo ao lado de Joachim Löw que culminou na conquista da Copa do Mundo de 2014. Neste tempo, o principal que ele aprendeu foi que, “sem lealdade, apreço e respeito um pelo outro, é difícil se desenvolver com sucesso e significado”.

“É importante para mim confiar nas pessoas, ter um nível alto de comunicação e transmitir a apreciação para cada um. E é preciso gostar do que você faz. Só se pode ser bem-sucedido junto dos outros. E digo sempre: estou muito satisfeito, por exemplo, com a maneira como nossa comissão técnica está estabelecida no Bayern. A maneira como trocamos ideia e o nível de confiança que temos é o ideal para mim, pessoalmente”, explicou o treinador.

Flick acredita que um treinador precisa ouvir a todos e que o ambiente precisa incentivar cada um dos membros de uma comissão técnica ou elenco a se sentir seguro e confiante em se expressar.

“Gostei de trabalhar nos bastidores por um bom tempo, mas sempre tive a permissão de dar minha opinião. Acho que não vale de nada ter uma reunião em que todos ficam sentados, de braços cruzados, sem dizer nada. A troca cria conhecimento. No passado, se nos dissessem de vez em quando que ‘isso não é possível, não podemos fazer desse jeito’, eu diria: ‘Tudo bem, então precisamos de outra abordagem’. A meu ver, se trata de ver o que podemos fazer. Sejamos abertos e inquisitivos.”

Com contrato agora até 2023, Hansi Flick tem também que pensar no futuro a médio e longo prazos de sua equipe, e isso inclui ter uma ideia de jogo que se deseja perseguir, desenvolvendo, assim, uma identidade. Para ele, em um mundo de superpotências e dinheiro espalhado por vários cantos, as equipes precisam oferecer mais aos jogadores do que apenas as cifras.

“Devemos sempre pensar em qual jogador se encaixa na nossa mentalidade. Este clube é especial. E quando essa sensação de ‘Mia san mia’ (‘Somos quem somos’)permanece visível para o mundo exterior, isso é um crédito que você pode usar nas negociações com jogadores que também poderiam ir a outro lugar. O que é fundamental hoje em dia é que um clube desenvolva algo, ofereça algo com o qual um jogador possa se identificar. A cultura do clube e a filosofia de jogo de um clube como o Bayern são registradas com muita precisão”, orgulhou-se.

Para Flick, antes de mais nada, o importante é que o clube pergunte a si mesmo o que quer. Em sua época de jogador, diz ele, o objetivo era ganhar de 1 a 0 do jeito que fosse possível. Hoje isso não basta, e Flick gosta da nova abordagem.

“Acho que isso está certo. Claro que, no final das contas, se trata de troféus. Mas me identifico plenamente com o fato de que o Bayern agora tem a ambição de encantar seus torcedores com mais do que uma vitória por 1 a 0.”

Em campo, Flick mostrou-se comprometido com isso, e os resultados têm sido fantásticos: em 21 jogos, são 18 vitórias, um empate e apenas duas derrotas. Incríveis 67 gols foram marcados neste período, uma média de 3,19 por jogo.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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