Hoeness: “Sou totalmente a favor do fim do 50+1, estamos ficando para trás internacionalmente”
Ex-presidente do Bayern de Munique, Hoeness defendeu o fim da regra que limita a chegada de acionistas majoritários na Bundesliga
A discussão sobre a manutenção da regra 50+1, que limita a chegada de acionistas majoritários, é recorrente no futebol alemão. Porém, enquanto alguns dirigentes defendem que os clubes se abram à chegada de proprietários e a investimentos estrangeiros, os próprios torcedores mantêm a resistência ao redor da legislação, que preserva o poder nas mãos dos associados. Em meio a esse debate, o Bayern de Munique fica no meio do fogo cruzado. As condições financeiras dos bávaros são muito melhores que as dos concorrentes na Bundesliga, o que alimenta a hegemonia atual. Entretanto, os oponentes da Champions ganham injeções de dinheiro e são mais fortes no mercado. Assim, não surpreende que gente ligada ao clube apoie o fim do 50+1. Ex-presidente do Bayern, Uli Hoeness defendeu isso.
“Sou totalmente a favor do fim da regra 50+1, porque estamos ficando para trás internacionalmente. Na Inglaterra, todo clube da primeira ou da segunda divisão está associado a uma grande empresa, um país, um oligarca ou qualquer coisa. É por isso que eles estão muito à frente da gente internacionalmente. Sou a favor de cada clube decidir por si mesmo, através de seus membros. Isso não tem nada a ver com o Bayern. Trata-se de dar aos outros clubes a oportunidade de competirem com o Bayern, eles deveriam ter apoio de algumas companhias”, afirmou Hoeness.
O ex-dirigente do Bayern de Munique inclusive criticou o Borussia Dortmund, ao dizer que Hans-Joachim Watzke, chefe-executivo dos aurinegros e também presidente do conselho da DFL (a liga alemã), age com dois pesos e duas medidas: “Watzke pensa muito diferente. O Borussia Dortmund é o único clube listado como corporação no futebol alemão, 96% das ações são distribuídas no mercado de capitais. Então, é uma típica empresa comercial. Mas eles fabulam sobre o 50+1, algo que eles mesmo não mantêm”.
Hoeness ainda apontou que o Bayern tem menos força nos bastidores do que deveria no atual momento. O ex-presidente atribui isso à chegada de novos dirigentes nos últimos anos, o que abriu mais espaço a veteranos como Watzke. Hoeness inclusive sugere que, com uma posição melhor nos organismos, os bávaros poderiam liderar novos rumos no esporte local.
“A influência do Bayern no futebol alemão, através da DFB e da DFL, não é suficiente para mim. O clube alemão mais importante não pode ser tão pouco representado. Isso não tem a ver apenas com Watzke, mas também com o fato que nosso pessoal é muito reservado”, apontou. “Há um novo começo no Bayern, com Oliver Kahn e Herbert Hainer. Karl-Heinz Rummenigge, em particular, tinha forte representação nos organismos internacionais. Acho que a vantagem do Dortmund será menor a partir do momento em que nosso pessoal estiver mais familiarizado”.



