Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Wolfsburg

Cidade: Wolfsburg, na Baixa Saxônia (123 mil habitantes)
Estádio: Volkswagen Arena (30 mil espectadores)
Técnico: Oliver Glasner (desde julho de 2019)
Posição em 2019/20: 7°
Participações na Bundesliga: 23
Projeção: briga pela Liga Europa
Principais contratações: Bartosz Bialek (A, Zaglebie Lubin), Maxence Lacroix (D, Sochaux), Yunus Malli (M, Union Berlim), Jeffrey Bruma (D, Mainz)
Principais saídas: Felix Uduokhai (D, Augsburg), Marcel Tisserand (D, Fenerbahçe), Robin Knoch (D, Union Berlim), Phillip Menzel (G, Klagenfurt), John Yeboah (A, Willem II), Ismail Azzaoui (A, sem clube), Ignacio Camacho (M, aposentado)
Brasileiros no elenco: Paulo Otávio, William, João Victor
Time na estreia da Pokal: Pervan, Klaus, Guilavogui, Lacroix, Paulo Otávio; Gerhardt, Arnold; Steffen, Mehmedi, João Victor; Weghorst.

O Wolfsburg não recebe a atenção que teve há alguns anos, quando ameaçou a hegemonia do Bayern e tinha Kevin de Bruyne em seu elenco. Os Lobos atravessaram temporadas difíceis depois disso e se reconstruíram com os pés no chão. Durante as últimas temporadas, o time sem grandes estrelas emendou classificações consecutivas na Liga Europa. De novo, não é um elenco que possua grandes astros ou jogadores que se prometam estrelas internacionais dentro de algum tempo. Mas pode brigar, mais uma vez, por objetivos importantes ao clube.

Depois de muito se frustrar com treinadores, o Wolfsburg parece ter encontrado um bom nome em Oliver Glasner. O austríaco não garantiu tantos recursos para que os Lobos trabalhassem com a bola, mas solidificou a defesa e garantiu períodos longos de invencibilidade na última temporada. Os alviverdes passaram as nove primeiras rodadas sem perder e também teriam algumas boas sequências no segundo turno. A pedra no sapato ficou para o excesso de empates, bem como ao péssimo rendimento na Volkswagen Arena. Foram apenas quatro vitórias como mandantes, o que custou ambições maiores.

Depois do bom início de campanha, o Wolfsburg caiu no fim do primeiro turno, mas se recuperou pouco antes da paralisação pela pandemia. Neste momento, o time entrou na zona de classificação à Liga Europa e não saiu mais. Os Lobos alternaram vitórias e derrotas nesta reta final, sucumbindo aos principais oponentes do campeonato, mas não foi um clube que desperdiçou tantos pontos contra adversários em situação inferior. Valeu para manter a posição e escapar da ameaça do Freiburg.

Um questionamento que perseguiu o Wolfsburg na temporada passada e volta a bater à porta é a profundidade do elenco para conciliar a Bundesliga com a Liga Europa. Os Lobos conseguiram lidar bem com as duas frentes, chegando as oitavas de final do torneio continental. O problema é que a jornada além das fronteiras começa mais cedo desta vez, nas preliminares, e o mercado de transferências não trouxe tantas opções a Glasner para variar suas escalações.

Jeffrey Bruma e Yunus Malli, que estavam emprestados, engrossam o plantel. Além deles, só mais duas contratações do Wolfsburg. Bartosz Bialek tem apenas 18 anos e foi um acerto bastante interessante, depois de uma temporada promissora na Polônia. Anotou nove gols e deu quatro assistências em 19 partidas pelo Zaglebie Lubin. Será tratado com esmero na Volkswagen Arena. O mesmo deverá acontecer com Maxence Lacroix, zagueiro de 20 anos que atraía o interesse de outros clubes pelo trabalho no Sochaux. O francês, todavia, deve jogar mais vezes após as saídas de Robin Knoche e Marcel Tisserand no miolo de zaga.

De resto, é basicamente o mesmo Wolfsburg que fechou a última temporada. A segurança defensiva começa com Koen Casteels, um goleiro confiável há anos e de ótima envergadura. A zaga permanece com John Anthony Brooks como seu principal homem, um jogador de muita imponência física. Os laterais dos Lobos têm um nível alto, com os brasileiros William e Paulo Otávio à disposição, embora a maior dose de talento fique por conta do suíço Kevin Mbabu – um desfalque sentido por lesão. O escape pelos lados do campo foram essenciais ao time.

O meio-campo é o setor mais bem resguardado do Wolfsburg e nele está o segredo para a boa proteção. Josuha Guilavogui, Yannick Gerhardt, Xaver Schlager e Maximilian Arnold permitem diferentes combinações por ali, com poder de marcação e firmeza na saída de bola. Arnold se destaca por ser ainda um dos jogadores mais criativos do elenco, decisivo pelos chutes de longe e pelas chances criadas aos companheiros. Por vezes capitão, é um jogador até subestimado por sua influência nos Lobos.

A preocupação mesmo fica no ataque, onde há Wout Weghorst sempre decisivo, mas não muito mais. O centroavante mostrou que sua excelente temporada de estreia na Bundesliga não foi caso isolado, praticamente repetindo os números no segundo ano. Tem uma excelente estatura e resolve pelo alto, embora também crie espaços aos companheiros. O problema é que não tem muita gente pra aproveitar isso. Os pontas Josip Brekalo e Renato Steffen até tiveram seus lampejos na temporada passada, mas nada que satisfizesse. O brasileiro João Victor também não encantou em seu primeiro ano na Alemanha. Enquanto isso, Admir Mehmedi e Daniel Ginczek podem formar uma dupla de atacantes com o holandês, mas entregam pouco. Criar repertório além da “bola no centroavante” é urgente.

Numa temporada tão equilibrada como a passada, as deficiências não impediram o Wolfsburg de cumprir seu objetivo. Mas falta alguma coisa para acreditar que os Lobos poderão repetir a colocação se mantiverem o mesmo nível de desempenho. O salto passa pela consolidação do trabalho de Oliver Glasner. Se existe já um sistema consolidado na marcação, o próximo passo é na construção. E criar essa qualidade nem sempre é simples.

O treinador

Oliver Glasner passou dois anos como assistente de Roger Schmidt no Red Bull Salzburg, trabalhando rapidamente no Ried depois disso. O grande período de sua carreira aconteceu no LASK Linz, onde acumulava a posição de treinador e a de gestor esportivo. Os resultados foram excelentes, ao levar o clube à Liga Europa e fazê-lo almejar a conquista do título na Áustria. Glasner não ficaria para tentar atingir o feito, mas deixou um bom legado aos sucessores e abraçou a proposta do Wolfsburg. Com uma proposta dinâmica e agressiva, justificou a escolha.

A referência

Wout Weghorst é o jogador mais relevante à produção ofensiva do Wolfsburg, até pela dependência que o ataque tem de seu centroavante. Mesmo assim, a referência técnica dos Lobos é Maximilian Arnold. O meio-campista chegou ao clube ainda na base e virou titular em 2013/14, participando da conquista da Copa da Alemanha e do vice na Bundesliga. Por sua badalação neste surgimento, com histórico em várias categorias nas seleções menores, dá até para dizer que o camisa 27 não cumpriu todas as expectativas a seu redor. Mas virou um nome imprescindível na Volkswagen Arena, se reinventando para atuar mais recuado. Foram nove assistências na última campanha, seu recorde pessoal.

O reforço

Nos últimos anos, o Wolfsburg se notabilizou por pinçar bons jogadores no mercado, sem precisar gastar caminhões de dinheiro. Maxence Lacroix parece se encaixar neste perfil, ao ser trazido da segunda divisão francesa e já ganhar espaço como titular. O zagueiro custou €5 milhões, um preço alto se for considerada sua origem, mas o interesse de outros clubes e a passagem pelas seleções de base explicam a valorização. E, ao que parece, os Lobos esperam fazer valer o investimento rapidamente

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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