Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Union Berlim

Cidade: Berlim, em Brandemburgo (3,7 milhões de habitantes)
Estádio: An der Alten Försterei (22 mil espectadores)
Técnico: Urs Fischer (desde julho de 2018)
Posição em 2019/20: 11°
Participações na Bundesliga: 2
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Marius Bülter (A, Magdeburgo), Sebastian Griesbeck (M, Heidenheim), Niko Giesselmann (D, Fortuna Düsseldorf), Robin Knoche (D, Wolfsburg), Andreas Luthe (G, Augsburg), Nico Schlotterbeck (D, Freiburg), Keita Endo (A, Yokohama Marinos), Cedric Teuchert (A, Schalke), Max Kruse (A, sem clube)
Principais saídas: Sebastian Andersson (A, Colônia), Felix Kroos (M, Eintracht Braunschweig), Ken Reichel (D, Osnabrück), Keven Schlotterbeck (D, Freiburg), Sebastian Polter (A, Fortuna Sittard), Rafal Gikiewicz (G, Augsburg), Suleiman Abdullahi (A, Eintracht Braunschweig), Nicolai Rapp (D, Darmstadt), Michael Parensen (D, aposentado), Manuel Schmiedebach (M, sem clube), Yunus Malli (M, Wolfsburg), Neven Subotic (D, Denizlispor)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Luthe, Schlotterbeck, Friedrich, Knoche; Trimmel, Prômel, Gentner, Giesselmann; Ingvartsen, Bülter; Teuchert.

A estreia do Union Berlim na Bundesliga foi histórica. Muitos poderiam imaginar que o terceiro colocado da segundona em 2018/19, capaz de rebaixar o Stuttgart nos playoffs de acesso, não teria força para uma jornada de 34 rodadas contra os melhores times do país. Os Eisernen, então, tiveram o prazer de provar o contrário. A equipe foi extremamente competitiva, ainda mais levando em conta o elenco limitado e a falta de recursos. Conquistou vitórias inesquecíveis, sobretudo no primeiro clássico contra o Hertha Berlim. E passou muito distante de qualquer ameaça da degola. Repetir o impacto é um desafio gigantesco, mas a manutenção na elite é bastante factível.

As próprias consequências que envolvem a pandemia fazem o Union Berlim se questionar. Não é um clube rico como outros concorrentes e, pelo contrário, prefere adotar uma política popular para criar laços profundos com a torcida. Isso não deve mudar e ter o Estádio An der Alten Försterei novamente cheio é um dos objetivos dos berlinenses. O clube chegou a lançar um plano antes de todos os concorrentes para reabrir os portões no início da temporada e a flexibilização da situação na Alemanha aumenta a confiança quanto ao apoio total dentro de casa em breve. Foi como mandante, afinal, que o Union conquistou 8 de suas 12 vitórias na campanha – em aproveitamento que até caiu no segundo turno, com as tribunas às moscas.

Outro ponto essencial ao Union Berlim, agora dentro de campo, é manter seu jogo produtivo sem se tornar manjado pelos rivais. Durante o segundo turno, a equipe chegou a sofrer uma sequência em jejum, o que não comprometeu necessariamente a situação na tabela. Mas está bastante clara a fórmula de jogo do técnico Urs Fischer: os Eisernen se valem de muito contato físico e jogo aéreo para se impor. Possuem uma defesa forte, além de serem sempre perigosos nas bolas paradas e nas ligações diretas. Foi assim que os berlinenses derrotaram até mesmo algumas das forças da Bundesliga, incluindo Dortmund e Gladbach.

É bem possível que o jogo do Union Berlim se modifique e ganhe recursos. Afinal, uma peça essencial para tal estratégia anterior não estará mais lá: o centroavante Sebastian Andersson, exímio nas cabeçadas e no pivô. Em contrapartida, os Eisernen abrem os braços a um dos melhores atacantes da Bundesliga na última década: Max Kruse, que estava sem clube após deixar o Fenerbahçe e resolveu se mudar à capital. O veterano não é um jogador fixo como Andersson, mas garante bem mais recursos e pode se combinar com outros homens de área – como Anthony Ujah e o recém-contratado Cedric Teuchert.

A base de Urs Fischer na temporada passada foi montada num 3-4-3 e é possível que o Union Berlim redesenhe sua maneira de atuar com o novo protagonista. E também é importante frisar que outros jogadores vitais seguem em Köpenick. O ponta Marius Bülter foi contratado em definitivo e pode alimentar Max Kruse ao lado de Marcus Ingvartsen, outro que se valoriza na capital. O meio-campo segue com o veterano Christian Gentner formando uma boa parceria com Robert Andrich, além dos cruzamentos do capitão Christopher Tremmel alimentando o ataque a partir da ala. Já na defesa, Marvin Friedrich é peça central por sua combatividade e por seus lançamentos. Neven Subotic, que adicionou tarimba no último ano, acabou fazendo as malas ao futebol turco – mas nada que seja insubstituível.

Talvez a perda mais difícil de suprir seja mesmo do goleiro Rafal Gikiewicz, um dos maiores símbolos da ascensão do Union Berlim. Decisivo ao acesso, também foi um dos principais jogadores na estreia na Bundesliga, com uma série de grandes atuações. Não renovou seu contrato e aceitou uma proposta do Augsburg. Seu substituto será justamente Andreas Luthe, que estava no Augsburg. Não era titular absoluto, mas ganhou a posição na reta final da temporada e vem respaldado. De qualquer maneira, dentro desta troca, os berlinenses parecem ter perdido. Luthe precisará demonstrar liderança e estrela.

Mesmo com as finanças apertadas pela pandemia, o Union Berlim fez vários negócios a baixo custo ou por empréstimo. A zaga ganha o experimentado Robin Knoche do Wolfsburg, além do promissor Nico Schlotterbeck, emprestado pelo Freiburg – ocupando a vaga do irmão mais velho Keven Schlotterbeck, que voltou à Floresta Negra. Niko Giesselmann chegou do Fortuna Düsseldorf e já virou titular na lateral esquerda. Sebastian Griesbeck é uma alternativa ao meio-campo depois de sair do Heidenheim. E o ataque terá uma aposta em Keita Endo, ponta arisco que foi um dos principais nomes no título do Yokohama F. Marinos na última J-League. No balanço geral da janela, mesmo sem duas figuras centrais, os Eisernen levam a melhor.

A confluência de fatores para levar o Union Berlim a uma campanha tão boa novamente é difícil. Porém, os Eisernen trabalharam para melhorar as suas condições, ainda mais com receitas importantes prejudicadas pela pandemia. É um clube consciente de seu tamanho e que, dentro desse pensamento, fez o possível para seguir sua margem de evolução na primeira divisão. Max Kruse e seus companheiros precisarão dar as respostas, mas a estreia na Copa da Alemanha já foi positiva: a vitória por 1 a 0 sobre o Karlsruher, um adversário mais duro que a maioria dos encarados pelos times da primeira divisão.

Vale salientar, ainda, como a mudança de patamar do Union Berlim não colocou em xeque sua identidade. Havia um temor de que o acesso inédito na Bundesliga poderia distanciar o clube de sua torcida ou mesmo fazer os valores da agremiação se perderem em meio a acordos comerciais para bancar as contas mais caras. Com muitos jogadores das divisões de acesso e alguns medalhões, os Eisernen encontraram uma solução barata ao elenco. E, dentro de campo, dá até para dizer que a ligação com os torcedores se fortaleceu.

O Union Berlim que se nota dentro de campo não é muito diferente daquilo que a torcida espera. Não, os berlinenses não darão show em suas partidas – muito pelo contrário. Mas exibem um nível de empenho acima da média, para buscar os resultados através da intensidade e de algumas jogadas bem preparadas. Dentro do que há à disposição em Köpenick, é um caminho inteligente a adotar. E certamente deu muito orgulho, ao ver o clube modesto conseguir um resultado final muito próximo ao que teve o rival Hertha, mesmo com este gastando milhões e realizando promessas furadas.

O treinador

Urs Fischer chegou ao Union Berlim em 2018, com um currículo até recheado ao que se espera à segunda divisão alemã. O suíço trabalhou em clubes tradicionais de seu país, incluindo o Basel, no qual ficou dois anos e faturou a liga nacional. O que parecia ser um passo para trás à sua trajetória, no fim, garantiu um reconhecimento enorme. Montou equipes muito funcionais e tirou o melhor de vários jogadores. Precisa apenas tornar os berlinenses menos dependentes de algumas jogadas padrão.

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A referência

Christopher Trimmel era titular e importante no Rapid Viena, quando mudou-se para Berlim e juntou-se ao Union, então um clube que fazia campanhas intermediárias na segundona alemã. O lateral logo virou uma referência técnica da equipe e um diferencial na ascensão dos Eisernen. Seus cruzamentos e suas cobranças de falta renderam muitos gols na segundona, inclusive o que valeu o acesso à Bundesliga em 2018/19. Pois o capitão fez sua melhor temporada no clube justamente na primeira divisão, com 11 assistências e a certeza da salvação. É um jogador histórico em Köpenick.

O reforço

Com as contratações de Neven Subotic, Christian Gentner e Anthony Ujah, o Union Berlim montou uma espinha dorsal de veteranos em sua estreia na Bundesliga. Nem todos renderam o esperado, mas o clube repete a fórmula ao contratar Max Kruse. O tamanho do reforço a um clube do porte dos Eisernen é imensurável. Kruse estava sem clube, o que facilitou o acesso dos berlinenses. Aos 32 anos, carrega consigo uma história que incluiu diversas convocações à seleção e muitos gols por quase todos os clubes que defendeu – por mais que as mudanças fossem constantes. Chega para logo ser ídolo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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