Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Stuttgart

Cidade: Stuttgart, em Baden-Württemberg (634 mil habitantes)
Estádio: Mercedes-Benz Arena (60,4 mil espectadores)
Técnico: Pellegrino Matarazzo (desde dezembro de 2019)
Posição em 2019/20: Vice da segundona
Participações na Bundesliga: 53
Projeção: luta contra o rebaixamento
Principais contratações: Waldemar Anton (D, Hannover), Gregor Kobel (G, Hoffenheim), Wataru Endo (M, St. Truiden), Pascal Stenzel (D, Freiburg), Konstantinos Mavropanos (D, Arsenal), Momo Cissé (A, Le Havre B)
Principais saídas: Anastasios Donis (A, Stade de Reims), Chadrac Akolo (A, Amiens), David Kopacz (M, Würzburger Kickers), Nikolas Nartey (M, Sandhausen), Pablo Maffeo (D, Huesca), Mario Gómez (A, aposentado), Holger Badstuber (D, Stuttgart)
Brasileiros no elenco: Aílton (lateral esquerdo)
Time na estreia da Pokal: Kobel, Anton, Kempf, Kaminski; Massimo, Mangala, Endo, Wamagituka; Didavi, Castro; Kalajdzic.

O último elo do Stuttgart com seu elenco campeão da Bundesliga em 2006/07 se despediu do clube ao final da temporada passada. Os suábios passaram aperto, mas conquistaram o acesso e Mario Gómez pôde se aposentar com a sensação de dever cumprido. A grandeza dos alvirrubros parece cada vez mais restrita ao passado, depois de uma década com dois rebaixamentos e raros momentos de alívio à torcida. A expectativa é pequena, de que pelo menos desta vez o clube dê o passo certo para se reconstruir de maneira sustentável na primeira divisão.

O Stuttgart, vale lembrar, até deu falsas esperanças depois de seu acesso anterior. O clube conquistou a segundona em 2016/17 e emendou uma boa temporada na sequência, terminando na sétima colocação da Bundesliga. Entretanto, a consistência não se manteve e, logo na campanha seguinte, os suábios caíram após a derrota nos playoffs de acesso contra o Union Berlim. A promoção desta vez veio a duras penas, com os recorrentes tropeços que deixaram os alvirrubros por um fio na reta final. Apesar da derrota para o Darmstadt na última rodada, o triunfo do Arminia Bielefeld sobre o Heidenheim permitiu que o clube não morresse na praia.

Apesar das oscilações, o Stuttgart aposta na continuidade e segue sob as ordens do técnico Pellegrino Matarazzo, que chegou no meio da temporada passada para suplantar Tim Walter. O ítalo-americano de 42 anos faz o seu primeiro trabalho como treinador principal, após começar na base do Nuremberg e também de atuar como assistente de Julian Nagelsmann no Hoffenheim. Alguns pontos em seu estilo se assemelham ao do alemão, como as variações táticas e a busca por um jogo mais agressivo. A campanha na segundona sob as suas ordens foi uma montanha-russa e aguarda-se uma sequência mais linear em 2020/21.

Além de Mario Gómez, a única perda do Stuttgart nesta temporada foi Holger Badstuber, relegado ao segundo quadro por Matarazzo por razões técnicas. As demais vendas foram de jogadores que já não faziam mais parte da equipe. Em compensação, os suábios acertaram a permanência de vários jogadores que estavam emprestados na segundona – como o goleiro Gregor Kobel, o lateral Pascal Stenzel e o volante Wataru Endo. E o foco neste mercado foi reforçar o sistema defensivo, também com o empréstimo de Konstantinos Mavropanos junto ao Arsenal e a contratação de Waldemar Anton, que estava no Hannover.

Assim, o Stuttgart parece focar no básico, que é montar uma defesa segura para garantir a permanência na primeira divisão. Marc Oliver Kempf é uma liderança no setor e poderá exibir uma qualidade valorizada desde as seleções alemãs de base. Os maiores valores dos suábios, todavia, se concentram do meio para frente. Gonzalo Castro usa a braçadeira de capitão e foi pau pra toda obra nos últimos meses, atuando em várias posições. Endo é outro que merece ser valorizado na cabeça de área, por ser muito regular. Mais à frente, a rodagem de Daniel Didavi na Bundesliga é valiosa.

O Stuttgart também tem a seu favor a boa quantidade de promessas que podem deslanchar na primeira divisão, com vários talentos na casa dos 20 anos. O volante Orel Mangala foi um nome importante na segundona e agora pode construir sua reputação na elite. O mesmo vale para o ponta Silas Wamagituka, autor de sete gols na campanha do acesso e que também deixou sua marca na Copa da Alemanha garantindo a vitória por 1 a 0 sobre o Hansa Rostock. Há ainda os adolescentes Mateo Klimowicz e Lilian Egloff, dois meias que ganharam seus minutos com Matarazzo. O prodígio de ouro dos suábios, de qualquer forma, é o atacante Nicolás González.

Nico já tinha aparecido bem na temporada do rebaixamento, após ser trazido do Argentinos Juniors, e carregou o Stuttgart em vários momentos na segundona. O ataque alvirrubro, inclusive, é um tanto quanto dependente de seu poder de fogo. Aos 21 anos, o atacante deixa claro que tem ambições maiores no futebol europeu. Só que o argentino pretende sair o quanto antes e o desafio dos suábios é segurá-lo, para conseguir uma valorização maior na primeira divisão. Machucado, o artilheiro talvez nem estreie na Bundesliga antes do fechamento da janela. O departamento médico, aliás, está cheio e isso talvez atrapalhe o reinício do clube na elite.

Pensar no sétimo lugar de 2017/18 é um salto e tanto para o Stuttgart. Mas também não é time para sofrer tanto neste retorno à Bundesliga, pensando nas possibilidades à disposição do elenco e na própria tradição da instituição. Para que isso prepondere, contudo, os suábios necessitam de confiança e continuidade. O trabalho nos bastidores se sugere mais bem feito desta vez. Depende ainda de Matarazzo, provando que a decisão do clube em lhe dar a primeira chance foi acertada. Um ano sem pesadelos, mesmo no meio da tabela, é o suficiente para garantir sua permanência.

O treinador

Pellegrino Matarazzo tem uma história bastante curiosa. Filho de imigrantes italianos, atuava no futebol universitário dos Estados Unidos. Jogava como zagueiro ou volante pela Universidade de Columbia, enquanto estudava matemática em uma das instituições de ensino mais respeitadas do mundo. Porém, preferiu a bola aos números e mudou-se para jogar nas ligas regionais da Alemanha após se formar – recusando uma proposta de emprego no setor de investimentos. A carreira dentro de campo não prosperou muito, mas Matarazzo se aposentou no Nuremberg II e logo virou assistente, também treinando equipes de base. Ganharia uma oferta do Hoffenheim e, depois de alguns meses no sub-17, virou o braço direito de Nagelsmann.

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A referência

A permanência de Nico González é uma questão chave para o Stuttgart. E não seria diferente, pela maneira como o argentino despontou com os suábios. O atacante é pupilo de Gabriel Heinze, virando uma peça importante do Argentinos Juniors que precisou buscar o acesso à Superliga. O garoto também se saiu bem no ano de estreia na primeira divisão e, por isso, os alemães pagaram €8,5 milhões em sua transferência. Os dois gols na Bundesliga 2018/19 não dimensionam as atuações interessantes que teve em seu primeiro ano. Então, ele voou baixo na segundona com 14 gols e grande poder de fogo. Combina boa finalização com habilidade aos dribles.

O reforço

Aos 22 anos, Konstantinos Mavropanos dá a impressão de que talvez não seja aproveitado pelo Arsenal. O grego, em compensação, pode trilhar seu futuro no futebol alemão. Durante a última temporada, o zagueiro foi emprestado ao Nuremberg e disputou a metade final da segunda divisão. Seria um dos grandes responsáveis por evitar o descenso à terceirona. Chamou atenção e sobe um degrau rumo ao Stuttgart. A concorrência é grande na defesa dos suábios, mas o esquema com três homens, utilizado algumas vezes por Matarazzo, pode auxiliá-lo a se firmar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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