Guia da Bundesliga 2020/21: RB Leipzig
Cidade: Leipzig, na Saxônia (582 mil habitantes)
Estádio: Red Bull Arena (43 mil espectadores)
Técnico: Julian Nagelsmann (desde julho de 2019)
Posição em 2019/20: 3°
Participações na Bundesliga: 5
Projeção: briga por Champions
Principais contratações: Hwang Hee-chan (A, Red Bull Salzburg), Josep Martínez (G, Las Palmas), Benjamin Henrichs (D, Monaco), Jean-Kévin Augustin (A, Leeds)
Principais saídas: Timo Werner (A, Chelsea), Hannes Wolf (M, Borussia Mönchengladbach), Frederik Jäkel (D, Oostende), Tom Krauss (M, Nuremberg), Yvon Mvogo (G, PSV), Ethan Ampadu (D, Chelsea), Patrik Schick (A, Roma)
Brasileiros no elenco: Nenhum
Time na estreia da Pokal: Gulácsi, Adams, Halstenberg, Upamecano; Klostermann, Haidara, Sabitzer, Angeliño; Nkunku, Hwang, Olmo.
Em suas três primeiras temporadas na Bundesliga, o Leipzig se firmou como um time para frequentar a parte de cima da tabela e já fez campanhas memoráveis. A chegada de Julian Nagelsmann, ainda assim, abriu uma nova era em que os Touros Vermelhos esperam realmente almejar títulos. E no que se aguardava ser um ano de transição com o novo treinador, os resultados dos Touros Vermelhos já foram excelentes. Mesmo sem fôlego para competir com o Bayern, a equipe dominou a liderança em parte da Bundesliga e alcançou as semifinais da Champions. Até por isso, deve-se ir com calma ao se pensar que o clube da Red Bull irá superar este sarrafo alto de 2019/20.
Nagelsmann chegou para iniciar seu trabalho, mas tinha bases bastante sólidas depois da temporada anterior em que Ralf Rangnick preparou o terreno. O Leipzig não teria problemas para assimilar as ideias de jogo do jovem treinador, com uma variação tática absurda e inteligência para pressionar lá no alto. Isso aconteceu, conforme o esperado. Os principais jogadores do elenco também foram mantidos e Nagelsmann conseguiu elevar a reputação de alguns deles. Ninguém se beneficiou mais por esta temporada que Timo Werner, que renovou seu contrato para seguir por apenas alguns meses na Red Bull Arena e correspondeu com muitos gols.
Em sua segunda temporada, Nagelsmann terá um elenco mais preparado para seguir em evolução. Mas também precisará lidar com a perda de seu principal jogador, após a transferência de Werner ao Chelsea. Em conjunto, o Leipzig parece até mais forte, considerando os demais jogadores que chegaram meses atrás e também as contratações pontuais das semanas recentes. Hwang Hee-chan parece o substituto perfeito ao atacante alemão, muito embora a saída de Patrik Schick deixe a linha de frente um pouco mais desguarnecida. Mas também é importante notar como o Leipzig não dependeu necessariamente de individualidades, como bem mostrou na histórica caminhada até as semifinais da Champions.
Eliminar Tottenham e Atlético de Madrid nos mata-matas continentais com grandes atuações, sem dúvidas, foi o ponto alto do RB Leipzig. O clube não esteve no nível do Paris Saint-Germain nas semifinais, mas nada para render grandes críticas. Talvez os principais pontos a melhorar tenham sido percebidos mesmo na Bundesliga. Depois de um início de temporada abaixo do radar, os Touros Vermelhos emendaram seis vitórias para terminar o primeiro turno na liderança. Mas não corresponderam da mesma forma na metade final da competição. Tudo bem, foram apenas duas derrotas neste período, mas também excessivos oito empates, que não só privaram o time de acompanhar o Bayern, como colocam em risco a própria posição no G-4.
O Leipzig precisa ser mais competitivo nos confrontos diretos e, até por isso, a campanha na Champions pode ajudar na mentalidade da equipe. Foram apenas quatro vitórias contra adversários que terminaram na metade de cima da tabela, duas delas contra o Hoffenheim. O excesso de empates e alguns deslizes em vitórias na mão mostram como os Touros Vermelhos por vezes não souberam segurar os resultados ou arrematar os placares. Criar vitórias a partir dos 12 empates de 2019/20 é a diferença para uma equipe que deseja erguer a Salva de Prata – especialmente se alavancando dentro da Red Bull Arena, onde teve um aproveitamento inferior em relação aos compromissos fora de casa.
Por mais um ano, o Leipzig contou com uma das defesas mais sólidas da Bundesliga. E isso não foi atrapalhado pelo estilo de jogo agressivo de Nagelsmann ou mesmo pelos sucessivos desfalques na retaguarda. Os Touros Vermelhos se viraram bem com as longas ausências de Ibrahima Konaté ou Willi Orban. Neste sentido, Dayot Upamecano transcendeu seu alto nível e fez uma temporada gigantesca, até pelo destaque na Champions. Aos 20 anos, não deve ficar muito em Leipzig, mas o clube aproveitará bem o seu talento. Também vale destacar Lukas Klostermann e Marcel Halstenberg, laterais de origem que funcionam muito bem como zagueiros de lado, dando versatilidade e qualidade ao time. Além, é claro, da segurança e da liderança de Péter Gulácsi na meta.
Com Nagelsmann, o papel dos alas é fundamental para dar amplitude ao time e garantir mais opções no ataque. Neste sentido, a permanência de Angeliño por mais uma temporada emprestado é excelente. O ala vindo do City caiu uma luva. Para a direita, Benjamin Henrichs vem para recuperar a bola dos tempos de Leverkusen, embora o posto seja de Nordi Mukiele.
O meio-campo, mesmo perdendo Diego Demme ao Napoli no início do ano, recorre à regularidade de Konrad Laimer e à engenhosidade de Kevin Kampl na construção. Amadou Haidara, depois de meses de adaptação, é outro que deve crescer na cotação – assim como o iluminado Tyler Adams. E o principal homem do time está por ali, com Marcel Sabitzer vivendo uma temporada gigantesca. Que Werner tenha recebido mais aplausos, não se menospreza o papel do capitão na construção e na definição.
Também na criação ofensiva, Dani Olmo até levou algum tempo para se adaptar, mas a reta final da temporada deixou bem claro como o espanhol pode render. É um jogador habilidoso e preciso, que até superou Emil Forsberg – o sueco, aliás, é um desafio a Nagelsmann para recuperar o futebol que já exibiu em outros tempos. Outro nome a fazer barulho foi Christopher Nkunku, que não se cansou de deixar os companheiros em condições de balançar as redes e de puxar os contra-ataques.
Já na frente, é possível que Jean-Kévin Augustin apareça mais ao voltar de empréstimo, diante das sucessivas perdas. Yussuf Poulsen é um jogador de muita entrega e de momentos importantes, mas que dificilmente vai assumir o posto de protagonista. Por isso mesmo o Leipzig investiu na contratação de Hwang. O sul-coreano vem de grandes momentos com o Salzburg, inclusive na Champions. Talvez leve um tempo para se adaptar na Bundesliga, mas o histórico na Áustria e os 24 anos de idade facilitam o processo. Embora possa atuar aberto pelos lados, deve ser um ponta de lança com muita velocidade e habilidade, para acelerar os contragolpes assim como fazia Werner. Seu desafio será suprir a alta demanda por gols no Leipzig.
Até pela maneira como o Bayern de Munique vinha cambaleante, o Leipzig parecia ter mais chances de título na temporada passada. Mesmo amadurecido, o time perdeu seu principal jogador e viu o principal concorrente deslanchar, o que torna a Salva de Prata um pouco mais distante. Apesar disso, espera-se outra temporada marcante de Nagelsmann na Red Bull Arena. Superar o Borussia Dortmund na tabela é completamente factível. Além do mais, conquistar a Copa da Alemanha ou até uma Liga Europa poderia ser a ignição por essa ambição de troféus que existe nos Touros Vermelhos.
O treinador
Julian Nagelsmann é um dos técnicos mais incensados do futebol europeu, pela maneira como transformou o Hoffenheim em pouco tempo. O ex-jogador do Mainz que precisou pendurar as chuteiras cedo por causa dos problemas físicos virou um fenômeno na casamata, desde a base dos alviazuis. Assumiu a equipe principal para salvá-la do rebaixamento e não só cumpriu a missão, como a levou duas vezes à Champions League, fato inédito até então. Por esse impacto, especulava-se que Nagelsmann assumisse um clube maior no cenário europeu. Preferiu ir a Leipzig, onde pode crescer junto com o RasenBallsport e produzir uma metamorfose mais profunda. Ir a uma semifinal de Champions no primeiro ano é o suficiente para acreditar nisso.
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A referência
Marcel Sabitzer é um dos jogadores mais antigos do elenco do RB Leipzig, trazido ao clube ainda na segunda divisão. Já vinha de grandes temporadas no Rapid Viena e no Red Bull Salzburg, apesar da pouca idade. Mesmo assim, os cinco anos na Alemanha o provam como um grande valor. Pode se encaixar em diferentes posições do meio-campo, sempre entregando intensidade e qualidade técnica. Nagelsmann ainda conseguiu tirar ainda mais do austríaco, transformado em matador, com muitos gols de fora da área, além das assistências. Capitão do time, pode ser considerado o melhor da temporada, já que liderou a campanha na Champions diante da transferência de Werner.
O reforço
Hwang Hee-chan trocou a Coreia do Sul pela Áustria ainda na base, juntando-se inicialmente ao Liefering, a filial do Red Bull Salzburg. O atacante não demorou a se destacar, até ser aproveitado na primeira equipe e virar um jogador importante, sobretudo em 2016/17. Perdeu espaço na temporada seguinte e passou um ano com o Hamburgo na segunda divisão. A mudança serviu para que voltasse com a faca entre os dentes e voasse baixo na temporada passada em Salzburg. Vai dar trabalho aos marcadores por sua eletricidade, oferecendo gols e assistências à equipe



