Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Mainz 05

Cidade: Mainz, na Renânia-Palatinado (217 mil habitantes)
Estádio: Opel Arena (34 mil torcedores)
Técnico: Achim Beierlorzer (desde novembro de 2019)
Posição em 2019/20: 13°
Participações na Bundesliga: 14
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Luca Kilian (D, Paderborn), Dimitri Lavalée (D, Standard Liège), Abass Issah (A, Utrecht)
Principais saídas: Florian Müller (G, Freiburg), Ronaël Pierre-Gabriel (D, Brest), Aaron Seydel (A, Darmstadt), Alexandru Maxim (M, Gaziantep), Gerrit Holtmann (A, Bochum), Jonathan Meier (D, Dynamo Dresden), Jeffrey Bruma (D, Wolfsburg)
Brasileiros no elenco: Nenhum
Time na estreia da Pokal: Zentner, Baku, St. Juste, Niakhaté, Brosinski; Burkardt, Boëtius, Latza, Öztunali; Issah, Mateta.

O Mainz completa 14 temporadas na Bundesliga, 11 delas consecutivas, em uma estabilidade louvável e até inesperada para um clube de seu porte. Os alvirrubros não são de fazer grandes investimentos e, até por isso, se mantêm distantes da parte superior da tabela – apesar de algumas surpresas por ali. Em compensação, costumam escolher muito bem seus treinadores e pontualmente descobrem bons talentos. Esta será a fórmula para tentar, mais uma vez, passar a salvo dos riscos de rebaixamento – como ocorreu na campanha passada.

O começo ruim em 2019/20 levou o Mainz à zona da degola e custou logo o emprego de Sandro Schwarz, que estava no clube desde 2017. A goleada do RB Leipzig por 8 a 0 na Red Bull Arena foi uma compreensível gota d’água. Achim Beierlorzer não era a solução para o Colônia, mas chegou a Mainz com vitórias importantes e logo aliviou a pressão sobre o time. Após um início de segundo turno sem vitórias, o Mainz faria o suficiente para se manter acima do Z-3. E ainda terminou o torneio com boas perspectivas, ao acumular três vitórias de peso nas últimas cinco rodadas – contra Eintracht Frankfurt, Borussia Dortmund e Werder Bremen. Assim, afastou-se definitivamente dos riscos.

Apesar do bom desfecho na Bundesliga, não é que o Mainz transmita uma sensação de que pode ascender. Mas é importante ao clube segurar seus principais destaques no mercado de transferências. Dos jogadores vendidos, apenas o goleiro Florian Müller teve um pouco mais de minutos na última temporada, mas porque Robin Zentner estava machucado. Com a volta do titular, o jovem aceitou uma proposta do Freiburg. Por outro lado, os alvirrubros também não se mexeram muito em busca de contratações. Revelação do Paderborn, Luca Kilian pode ser útil à rotação da zaga. Já no ataque, Abass Issah voltou com moral de empréstimo ao Utrecht.

Um motivo de preocupação ao Mainz foi a pré-temporada acidentada. Por conta de casos de coronavírus, o clube precisou cancelar alguns de seus amistosos. Além disso, os resultados não foram muito animadores, em confrontos contra rivais domésticos. A vitória na Copa da Alemanha, com goleada por 5 a 1 sobre o irrisório Havelse, valeu para evitar o medo de um vexame. Mas a capacidade de seguir na elite precisará ser provada com o passar das rodadas na Bundesliga. Achim Beierlorzer é um treinador que atravessa um período probatório na primeira divisão. Seu trabalho no Colônia não durou mais do que 13 jogos e ele ainda necessita de uma continuidade maior no Mainz, mas aponta uma direção.

Defensivamente, o Mainz não foi uma equipe confiável na última temporada. Tomou algumas goleadas acachapantes e deixou escapar resultados importantes, com uma média de quase dois tentos sofridos por partida. A volta de Zentner é importante nesse sentido, por mais que Müller tenha mantido um bom nível. E há jogadores valorizados no setor defensivo, como os zagueiros Moussa Niakhaté e Jeremiah St. Juste. Precisam de um sistema que os proteja melhor. Já na lateral, Daniel Brosinski se coloca entre os bons nomes da Bundesliga e é uma frequente fonte de criatividade.

O meio-campo do Mainz possui bons jogadores à disposição, com força física e velocidade para impor um jogo mais direto. Pierre Kunde Malong tomou conta da cabeça de área na última temporada, também com boa contribuição ofensiva, e há outros jogadores de chegada para se projetarem nas transições – como Jean-Paul Boëtius ou Levin Öztunali. Vale mencionar ainda Jonathan Burkardt, jovem de 18 anos que devem ganhar mais chances nesta temporada.

E o ataque, que não tenha ninguém imprescindível, possui vários jogadores capazes para entrar na rotação. Robin Quaison chegou na temporada passada e agradou de imediato, com grande poder de finalização e versatilidade para atuar de diferentes maneiras. O sueco ajudou a ocupar a lacuna deixada por Jean-Philippe Mateta, que passou parte do tempo no departamento médico e não recuperou a melhor forma. Karim Onisiwo e Ádám Szalai são outros dois atletas com boa tarimba para assumirem a missão de balançar as redes. E a manutenção dessas alternativas é importante para a sequência do trabalho.

Que não seja um elenco claramente superior ao dos outros candidatos ao rebaixamento, o Mainz é bem servido em todos os setores e pode aproveitar a valorização desses jogadores para continuar seu ciclo na primeira divisão. Garantir os pontos nos confrontos diretos e manter uma distância segura do Z-3 são os objetivos dos alvirrubros. Ano após ano, eles têm conseguido cumprir com êxito.

O treinador

Achim Beierlorzer é mais um treinador forjado no RB Leipzig. Passou por diferentes níveis nas categorias de base e também trabalhou como assistente de Ralf Rangnick, quando os Touros Vermelhos conquistaram o acesso à primeira divisão. Pouco depois assumiria o Jahn Regensburg e levou os novatos a bons desempenhos na segundona, aparecendo na parte superior da tabela. Foi a chave para que o Colônia percebesse sua capacidade e o contratasse. Não ficou mais do que alguns meses com os Bodes, mas o Mainz garante outra chance de trabalhar na primeira divisão. Começou a encontrar a consistência do time na reta final da temporada, mais sólido e competitivo.

A referência

O Mainz costuma olhar bastante ao mercado francês e foi por lá que descobriu Jean-Philippe Mateta. O atacante começou no Châteauroux e depois passou pelo Lyon, sem espaço. Seu melhor momento veio na Ligue 2, quando quase conquistou o acesso com o Le Havre, fechando com os alemães em 2018. Foram 14 gols em sua temporada de estreia, vitais à permanência do Mainz. E ainda que uma ruptura no menisco tenha o tirado da metade inicial da temporada passada, voltou como titular. Plenamente recuperado, espera-se que alavanque seus números e que possa render um bom dinheiro no mercado.

O reforço

Sem muitas opções por aqui, Luca Kilian entra por osmose. Cria da base do Borussia Dortmund, o zagueiro não via muitas perspectivas no clube e decidiu fechar com o Paderborn para disputar a Bundesliga passada. Seria muito difícil evitar o rebaixamento e isso logo ficou expresso, mas o jovem defensor se salvou durante a campanha. Por isso mesmo, descolou um contrato com o Mainz e deve ser uma opção ao miolo de zaga, apesar da consolidação da dupla formada por St. Juste e Niakhaté.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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