Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Hoffenheim

Cidade: Sinsheim, em Baden-Württemberg (35 mil habitantes)
Estádio: PreZero Arena (30,1 mil espectadores)
Técnico: Sebastian Hoeness (desde agosto de 2020)
Posição em 2019/20: 6°
Participações na Bundesliga: 13
Projeção: briga por Liga Europa
Principais contratações: Mijat Gacinovic (M, Eintracht Frankfurt), Kasim Adams (D, Fortuna Düsseldorf), Kevin Vogt (D, Werder Bremen), Joshua Brenet (D, Vitesse)
Principais saídas: Leonardo Bittencourt (M, Werder Bremen), Gregor Kobel (G, Stuttgart), Steven Zuber (M, Eintracht Frankfurt), Michael Esser (G, Hannover), Lucas Ribeiro (D, Internacional), Felipe Pires (A, Moreirense), Sebastian Rudy (M, Schalke), Alexander Stolz (G, aposentado)
Brasileiros no elenco: Klauss (atacante)
Time na estreia da Pokal: Baumann, Bicakcic, Posch, Vogt; Akpoguma, Grillitsch, Geiger, Kaderabek; Baumgartner; Kramaric, Bebou.

Após se despedir de Julian Nagelsmann, o Hoffenheim passaria por mudanças internas sensíveis e sabia que a temporada passada serviria para uma transição. Olhando para trás, a sexta colocação e a classificação à Liga Europa são um grande lucro aos alviazuis. O clube não abraçou uma nova ideia e Alfred Schreuder, o escolhido para assumir o comando técnico, sequer terminou a Bundesliga por divergências com a diretoria. O Hoffe também havia perdido jogadores importantes e oscilou ao longo das rodadas. Mas fez o suficiente para aparecer numa boa colocação e renovar o passaporte – o que não ocorrera no último ano de Nagelsmann na PreZero Arena, aliás.

O momento mais marcante do Hoffenheim na temporada passada não foi nada agradável: a partida contra o Bayern de Munique, em que os insultos dos torcedores bávaros ao presidente Dietmar Hopp culminaram no encerramento precoce do jogo. Foi também a pior atuação dos alviazuis na campanha, totalmente dilacerados pela goleada por 6 a 0. As 12 derrotas no total representam um número alto, especialmente pelas nove dentro de casa. Mas uma das chaves do sucesso ao Hoffe foi o desempenho como visitante, somando 30 de seus 52 pontos totais.

Até pelo estilo de jogo mais propositivo, tentando administrar a posse de bola, o Hoffenheim se deu melhor quando não pegava adversários tão enclausurados. O time encontrou dificuldades contra oponentes que contragolpeavam em velocidade e isso explica a campanha na gangorra. Depois de um início morno, o Hoffe se segurou na parte de cima da tabela a partir de meados do primeiro turno. E a sequência mais tranquila na reta final ajudou na classificação à Liga Europa. Foram cinco vitórias nos últimos sete jogos, em que o Borussia Dortmund foi o único adversário derrotado em uma posição acima. Neste momento, Alfred Schreuder já tinha pedido o boné e uma junta interina liderada pelo assistente Marcel Rapp conseguiu as três vitórias finais.

Apesar do desfecho positivo na temporada, mesmo com a demissão repentina, o Hoffenheim preferiu escolher um técnico de fora do clube para construir a nova etapa de seu projeto. Elegeu bem, ao convidar Sebastian Hoeness. Como o sobrenome entrega, o jovem de 38 anos está ligado ao Bayern de Munique em seu DNA. Trabalhando no time B dos bávaros, conquistou a terceira divisão da Bundesliga, em feito emblemático ao grupo recheado de jovens. Logo ficou claro que mereceria uma chance maior e o Hoffe marca o seu salto à primeira divisão. Além de valorizar a prospecção de talentos, Hoeness é mais um comandante para tentar jogar no ataque.

Para tanto, Hoeness terá que aproveitar o plantel praticamente mantido em relação à campanha passada. Apesar de sua fortuna, Dietmar Hopp gere os alviazuis de maneira responsável e a crise também significou cintos apertados em Sinsheim. O único novato a vir de fora até o momento é Mijat Gacinovic, meia que veio em troca com o Eintracht Frankfurt por Steven Zuber. Também voltaram alguns jogadores de empréstimo, como o zagueiro Kevin Vogt, e subiram jovens atrelados ao time B – incluindo o atacante brasileiro Klauss, de 23 anos, que estava emprestado ao LASK Linz e terminou a temporada na Áustria com 18 gols. Por outro lado, o Hoffe não teve muitas perdas além da volta de Sebastian Rudy ao Schalke no final de seu empréstimo.

O desafio do Hoffenheim será conciliar a temporada entre Bundesliga e Liga Europa com um elenco que não é tão numeroso. Os alviazuis se garantem com um bom goleiro, diante da experiência de Oliver Baumann na meta do clube. A defesa também está bem servida com uma vastidão de zagueiros à disposição – como o capitão Benjamin Hübner e o ascendente Stefan Posch. Hoeness, entretanto, começará a Bundesliga com jogadores lesionados no setor, incluindo os dois supracitados.

No meio, o gargalo é mais apertado. Florian Grillitsch, Diadie Samassékou e Dennis Geiger podem dar conta do recado na cabeça de área, mas sem muita margem aos desfalques. Na armação, Gacinovic vem para dividir o fardo com Christoph Baumgartner, meia de 21 anos que foi a grande revelação do Hoffe, autor de seis gols e três assistências apenas no segundo turno da Bundesliga. Outro jogador importante, mas que precisa se encontrar, é Robert Skov. O dinamarquês experimentou seus momentos de brilho e teve participação direta em 13 gols, incluindo nove assistências, mas nem de longe repetiu a efetividade dos tempos de Copenhague e até na lateral atuou.

Hoeness começou escalando a equipe num 3-4-1-2. Assim, Deverá rodar sua dupla de ataque. Andrej Kramaric é o nome intocável. Apesar das lesões, o croata anotou 12 gols em 19 partidas na Bundesliga, incluindo os quatro tentos em cima do Borussia Dortmund na rodada final. A questão é encontrar o parceiro ideal, entre muitos jogadores na disputa, mas ninguém inquestionável. Ilhas Bebou e Munas Dabbur são os mais cotados, embora Sargis Adamyan possa ser adaptado por ali, caso o Hoffe não utilize pontas de ofício.

O Hoffenheim não tem um elenco de encher os olhos, mas superou os prognósticos na temporada passada sem nem convencer internamente. Com um bom trabalho do novo treinador, quem sabe, poderá aparecer mais e receber os créditos nesta era pós-Nagelsmann. Achar o equilíbrio será necessário, não só no próprio acerto do time, como também na maneira como os alviazuis lidarão com as diferentes competições. A classificação sofrida contra o Chemnitzer na Copa da Alemanha, só garantida na disputa por pênaltis, sugere que Hoeness precisará arregaçar as mangas para construir a equipe.

O treinador

O nome mais famoso da família Hoeness é Uli, ex-presidente do Bayern, mas também atacante do timaço tricampeão europeu nos anos 1970 e presente também na conquista da Copa de 1974 com a seleção alemã. Uli tem um irmão mais novo, Dieter, que também foi jogador de sucesso. Esteve no vice-mundial de 1986, além de ser importante no Bayern tricampeão da Bundesliga nos anos 1980. Pois o novo técnico do Hoffenheim é filho de Dieter. Sebastian não fez muito sucesso como meia, limitado ao segundo quadro de Hoffenheim e Hertha Berlim. Deslanchou mesmo como treinador, ainda jovem, primeiro na base do RB Leipzig, antes de ampliar o legado da família no Bayern. Foram duas temporadas no sub-19, antes de ser campeão logo no primeiro ano com o time B. No Hoffenheim, tem um reencontro com sua própria história. Atuou no clube em 2006/07, ainda nas divisões regionais. Ralf Rangnick era seu comandante na época.

A referência

Pouca gente se lembra, mas Andrej Kramaric fez parte do Leicester campeão da Premier League em 2015/16. Após estourar no Rijeka, o atacante foi levado pelas Raposas na volta à primeira divisão. Acabou ofuscado por Jamie Vardy e mal atuou na temporada do título. Foi emprestado ao Hoffenheim e, na Alemanha, viu os ex-companheiros erguerem a milagrosa taça. Se não vingou no Estádio King Power, Kramaric reescreveu seu nome na Bundesliga. São 62 gols em quatro temporadas e meia, sempre registrando dois dígitos de gols e também acumulando 28 assistências. Alavancou o time quando voltou de lesão na temporada passada e, na reta final, contribuiu à vaga na Liga Europa.

O reforço

Mijat Gacinovic despontou no Vojvodina, mas sua carreira em alto nível se desenrolou no Eintracht Frankfurt. Foram cinco temporadas com as Águias, sem acumular números tão impressionantes, mas sendo importante ao estilo de jogo veloz de sua equipe. Além do mais, deixou seu nome na história com a atuação decisiva na final da Copa da Alemanha de 2018. Depois de tanto tempo, a carreira do sérvio parecia estagnada em Frankfurt. Capaz de jogar em diferentes posições do meio para frente, será útil ao Hoffenheim pelos dribles e pela combatividade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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