Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Hertha Berlim

Cidade: Berlim, em Brandemburgo (3,7 milhões de habitantes)
Estádio: Estádio Olímpico (74,6 mil espectadores)
Técnico: Bruno Labbadia (desde abril de 2020)
Posição em 2019/20: 10°
Participações na Bundesliga: 38
Projeção: brigar pela Liga Europa
Principais contratações: Jhon Córdoba (A, Colônia), Alexander Schwolow (G, Freiburg), Deyovaisio Zeefuik (D, Groningen), Lucas Tousart (M, Lyon)
Principais saídas: Ondrej Duda (M, Colônia), Per Ciljan Skjelbred (M, Rosenberg), Salomon Kalou (A, Botafogo), Vedad Ibisevic (A, Schalke), Thomas Kraft (G, aposentado), Alexander Esswein (A, sem clube), Marko Grujic (M, Liverpool), Marius Wolf (A, Borussia Dortmund)
Brasileiros no elenco: Matheus Cunha (atacante)
Time na estreia da Pokal: Schwolow, Pekarik, Stark, Rekik, Plattenhardt; Tousart, Mittelstädt, Darida; Lukebakio, Matheus Cunha, Leckie.

O Hertha Berlim certamente é o time da Bundesliga com melhores condições de viver um salto de rendimento nos próximos anos. Lars Windhorst chegou ao Estádio Olímpico quebrando a banca e, com a injeção de dinheiro proporcionada por seu novo investidor, a Velha Senhora gastou mais do que qualquer outro clube europeu na janela de transferências de inverno. Os milhões e os novos jogadores, entretanto, não se transformaram imediatamente em sucesso. E o desafio dos berlinenses nesta nova temporada será justamente encontrar um rumo, depois de meses tão intensos.

Windhorst é um magnata prodígio, que logo começou a fazer fortuna na área de informática, mas expandiu seus negócios e atua em várias frentes. O futebol virou seu novo alvo e o alemão não esconde que seu objetivo é ganhar dinheiro com o Hertha Berlim. Porém, sabe que esse processo leva tempo e paciência. Precisará melhorar o desempenho da equipe para colocá-la na Champions League (seu principal objetivo) e então vender suas ações a um novo ricaço dentro de alguns anos. Sabe que há potencial, até pelo mercado que circunda a Velha Senhora na capital.

O dinheiro despejado por Windhorst está dentro do Fair Play Financeiro, assim como não fere a regra do 50+1. Por mais que já tenha superado metade do capital investido no Hertha, permite que o poder decisório não esteja sob seu controle – e isso faz toda a diferença a respeitar a regulamentação. Para fazer seu projeto decolar, Windhorst se cercou de nomes tarimbados no futebol alemão. E talvez esse tenha sido o seu maior erro, ao não avaliar o risco que Jürgen Klinsmann poderia representar, por sua personalidade explosiva.

O começo da temporada passada sugeria uma transição tranquila ao Hertha. Ante Covic assumiu como treinador no lugar de Pál Dárdai, que via o seu fim de ciclo e resolveu voltar ao time B dos berlinenses – de onde vinha seu substituto. Entretanto, a calmaria não durou muito no Estádio Olímpico, a começar pelos resultados ruins. Tirando uma série de três vitórias, a Velha Senhora só apanhou no começo do primeiro turno e rondou a zona de rebaixamento. A demissão de Covic seria um passo natural. Então, Klinsmann entrou na história.

Enquanto Windhorst aumentava seus investimentos e exercia sua influência, Klinsi chegou para ser um consultor na diretoria do Hertha. Ao vagar o cargo de treinador, se ofereceu para assumir a bronca e parecia disposto a liderar a prometida revolução em Berlim. E aí veio o conflito, com o treinador batendo de frente com o magnata e até ignorando a ideia de que deveria ficar apenas interinamente à beira do campo. Os resultados oscilavam, mas as contratações de peso no inverno prometiam uma ascensão na tabela. Isso não aconteceu e, quando Klinsmann se encheu, deixou a Velha Senhora na mão. Entre outros problemas nos bastidores, o clima era péssimo.

O assistente Alexander Nouri evitou que a bomba fizesse mais estrago até março, quando a pausa da pandemia teve sua valia ao Hertha. O clube elegeu Bruno Labbadia como seu novo treinador e o comandante pôde encaixar melhor os novos reforços. Os alviazuis recomeçaram bem e esboçaram se aproximar da zona de classificação à Liga Europa, mas perderam confrontos diretos importantes nas últimas cinco rodadas e acabaram mesmo na zona intermediária da tabela.

Bruno Labbadia deu motivos para ganhar um voto de confiança da diretoria e continuar em seu cargo. Já conhecia os jogadores e, além de aprimorar este início de trabalho, também poderia fazer uma limpa no elenco. Foi o que aconteceu nesta janela de transferências, com o adeus a Salomon Kalou, Per Ciljan Skjelbred, Vedad Ibisevic e outros jogadores que remetiam a outros tempos no Estádio Olímpico. Como não deixaria de ser, com dinheiro em caixa, a Velha Senhora gastou um pouco. Trouxe um bom goleiro, ao tirar Alexander Schwolow do Freiburg, e também contratou um dos melhores atacantes da Bundesliga passada ao buscar Jhon Córdoba no Colônia. A tarefa de Labbadia, ainda assim, passa muito mais por dar liga à base que tinha em mãos antes.

O Hertha Berlim foi um time muito instável na última temporada, especialmente pelo baixo rendimento no Estádio Olímpico, onde chegou a ter um saldo de gols negativo e sofreu mais derrotas do que como visitante. Que o ataque tenha jogadores que podem desequilibrar, a defesa entrou em colapso algumas vezes mesmo sob as ordens de Labbadia. E entraria novamente neste início de temporada. Os alviazuis colecionaram derrotas em seus amistosos preparatórios e já foram eliminados na primeira rodada da Copa da Alemanha, derrotados num eletrizante 5 a 4 contra o Eintracht Braunschweig – quando, no entanto, não estiveram uma só vez em vantagem no placar contra um oponente da segundona.

Essa estreia na temporada deixou bem claro como, mais uma vez, Matheus Cunha deve ser a referência técnica da equipe. O atacante fez de tudo um pouco para manter o Hertha vivo na partida, até exagerando no individualismo. Ainda assim, dá sequência ao bom semestre que fez na capital, após deixar o RB Leipzig na janela de inverno. Outro reforço do período que precisa corresponder mais é Krzysztof Piatek, até encoberto por Ibisevic, e que neste momento se recupera da COVID-19. Santiago Ascacíbar é uma alternativa no meio-campo, enquanto Lucas Tousart finalmente chega após ser comprado junto ao Lyon em janeiro. A equipe deve girar ao seu redor na intermediária.

O Hertha precisa corresponder coletivamente, quando há uma série de nomes interessantes no papel que não se notam necessariamente em campo. A defesa teve atuação desastrosa contra o Braunschweig, mesmo bem servida. Schwolow foi um dos melhores goleiros da liga nos últimos anos e elevou o desempenho do Freiburg, mas estreou mal. Na defesa, Jordan Torunarigha e Dedryck Boyata podem formar uma dupla de zaga imponente, enquanto Marvin Plattenhardt é um lateral de boa reputação. E no meio, enquanto Tousart e Ascacíbar representam essa fase endinheirada, há ainda alternativas como Arne Maier, Maximilian Mittelstädt e Vladimir Darida.

Bruno Labbadia será cobrado por montar uma equipe propositiva e técnica, mas as escolhas de reforços não tornam necessariamente o Hertha capaz de apresentar um bom futebol. Há meio-campistas bons no combate e nos lançamentos longos, mas não necessariamente num jogo mais cadenciado. E a linha de frente também contraria esse pensamento. Dodi Lukebakio e Matheus Cunha são dois jogadores que partem para cima da defesa, enquanto Jhon Córdoba e Krzysztof Piatek contribuem numa proposta mais direta. O treinador terá que adaptar características e encontrar um melhor encaixe do que tem à disposição – o que não é tão simples, apesar da qualidade. Além do mais, é uma equipe bastante jovem, que precisa de paciência ao amadurecimento de vários atletas.

Logicamente, o projeto do Hertha é brigar pelas copas europeias e a capacidade individual torna esse objetivo possível nesta temporada, pelo menos com uma classificação à Liga Europa. O elenco vasto dá opções à maratona de jogos, mesmo se rolarem desfalques. Mas não é que isso virá por osmose, em um campeonato equilibrado e de bom nível técnico como o Alemão. Deixar para trás as picuinhas que tanto atrapalharam a Velha Senhora na temporada passada é algo vital. A tranquilidade é necessária para construir, ainda que os holofotes apontados exponham as mínimas falhas.

O treinador

Bruno Labbadia é um dos treinadores mais experientes desta Bundesliga. Seu currículo inclui trabalhos iniciais no Darmstadt e no Greuther Fürth, antes de assumir equipes de mais peso na Bundesliga. Dirigiu Leverkusen, Hamburgo, Stuttgart e Werder Bremen, sem realizar trabalhos tão longos, mas com direito até a algumas campanhas internacionais. Chegou a ser semifinalista da Liga Europa com o Hamburgo, assim como bateu nas oitavas de final da mesma competição com o Stuttgart. Não é um treinador que enche os olhos à primeira vista, mas parece um bom nome diante da pressão que se vive em Berlim.

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A referência

Matheus Cunha chegou ao Hertha Berlim no início do ano, só depois de representar a seleção brasileira no Pré-Olímpico, e precisou de pouquíssimo tempo para se transformar no jogador mais importante do time. O brasileiro provou como estava subaproveitado no RB Leipzig, com uma série de boas atuações pela Velha Senhora no segundo turno e também muitos lances decisivos. Combina velocidade e habilidade, características importantes a um atacante que também sabe finalizar bem. Aos 21 anos, é uma esperança dessa escalada que se almeja na capital.

O reforço

Lucas Tousart assinou com o Hertha Berlim no início do ano, mas o clube permitiu que o meio-campista terminasse a temporada com o Lyon. Assim, apenas agora se junta aos alviazuis, embora não tenha ficado para a reta final da Champions. É um atleta que vai bem tanto na proteção defensiva quanto na construção de jogo, podendo acelerar a saída de bola com sua visão e seus lançamentos. Será exigido num time que precisa acertar a marcação e ser mais criativo, mas é outro nome para fazer parte do projeto berlinense por muitos anos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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