Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Freiburg

Cidade: Freiburg im Breisgau, em Baden-Württemberg (229 mil habitantes)
Estádio: Schwarzwald (24 mil espectadores)
Técnico: Christian Streich (desde dezembro de 2011)
Posição em 2019/20: 8°
Participações na Bundesliga: 21
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Baptiste Santamaria (M, Angers), Ermedin Demirovic (A, Alavés), Guus Til (M, Spartak Moscou), Florian Müller (G, Mainz), Benjamin Uphoff (G, Karlsruher), Mohamed Dräger (D, Paderborn), Constantin Frommarin (G, Sonnenhof-Grossaspach), Keven Schlotterbeck (D, Union Berlim), Marco Terazzino (A, Dynamo Dresden), Jeong Woo-yeong (A, Bayern II)
Principais saídas: Luca Waldschmidt (A, Benfica), Robin Koch (D, Leeds), Alexander Schwolow (G, Hertha), Pascal Stenzel (D, Stuttgart), Jérôme Gondorf (M, Karlsruher), Yoric Ravet (A, Grenoble), Mike Frantz (M, Hannover), Christoph Daferner (A, Dynamo Dresden), Nico Schlotterbeck (D, Union Berlim), Chima Okoroji (D, Paderborn), Brandon Borrello (A, Fortuna Düsseldorf)
Brasileiros no elenco: Nenhum
Time na estreia da Pokal: Uphoff, Schmid, Lienhart, Heintz, Günter; Kwon, Keitel, Höfler, Grifo; Jeong, Petersen.

O Freiburg é um clube que geralmente passa abaixo do radar e não é cotado entre os candidatos a encerrar a temporada na parte de cima da tabela. Entretanto, os alvirrubros fazem um trabalho excelente não é de hoje e, na temporada passada, mais uma vez rondaram a classificação à Liga Europa. O grande responsável por este sucesso, sem dúvidas, é Christian Streich. O treinador mais longevo da Bundesliga completará nove anos na equipe profissional em dezembro e quase sempre faz os comandados excederem as expectativas. Não seria diferente na última campanha.

O Freiburg começou muito bem a Bundesliga 2019/20, passando algumas rodadas na zona de classificação à Champions até perder fôlego no final do primeiro turno. A recuperação demorou a acontecer e até se esperava que o time não aguentasse o tranco após a volta da pandemia, considerando a tabela dificílima. Pegando vários adversários da metade de cima da tabela, os alvirrubros conseguiram um aproveitamento alto pelo nível de exigência, mas ficaram a um ponto da Liga Europa.

O sistema do Freiburg é bastante simples. O clube conta com uma defesa forte e um jogo direto no ataque, que busca seus homens de frente e aproveita as bolas paradas. Colocando o coletivo acima das individualidades, Streich conseguiu grandes temporadas no clube, especialmente depois de seu retorno recente da segunda divisão. Todavia, a atual temporada tem mais desafios. O sucesso torna o Freiburg mais visado e, desta vez, o mercado de transferências resultou na saída de jogadores fundamentais.

A perda mais sentida é a de Alexander Schwolow, um ótimo goleiro, que garantia pontos ao Freiburg por suas grandes atuações. Preferiu assinar com o Hertha Berlim. Gian Luca Waldschmidt não rendeu tudo o que se apostava na temporada passada, após brilhar no Europeu Sub-21, atrapalhado pelas lesões. Mesmo assim, é um jogador promissor e aceitaria a proposta do Benfica. Por fim, a zaga perdeu Robin Koch, zagueiro visto como ótimo acréscimo por Marcelo Bielsa no Leeds. Que as outras saídas não façam tanta falta, o peso dessas três perdas é algo que ainda será sentido.

Até pela situação de crise, o Freiburg não realizou tantas compras. O clube resgatou alguns bons jogadores que estavam emprestados a outros clubes e trouxe outras peças pontuais. O holandês Mark Flekken parecia pronto para ser o novo goleiro titular, mas se lesionou na pré-temporada e a diretoria buscou Florian Müller, jovem que fechou a última edição da liga em alta no Mainz 05. A zaga recebe de volta Keven Schlotterbeck, que foi um dos melhores do Union Berlim durante seu empréstimo na capital. O meio-campo ganha as alternativas de Baptiste Santamaria e Guus Til – com destaque ao segundo, que brilhou no AZ, embora não tenha se adaptado ao Spartak Moscou. No ataque, além da volta de Jeong Woo-yeong após se sair bem na conquista da terceirona com o Bayern II, Ermedin Demirovic chega bem cotado após ser um dos artilheiros do Campeonato Suíço pelo St. Gallen.

Nenhum dos novatos gera comoção, considerando a reputação anterior. E aí está um dos méritos de Streich, ao fazer muitos jogadores despontarem. Os protagonistas que seguem na equipe entram nessa ideia. A construção de jogo do Freiburg depende muito de seus laterais. Por isso mesmo, Christian Günter e Jonathan Schmid são jogadores imprescindíveis pelos lados, contribuindo com gols e assistências. Dominique Heintz é outro que se destaca pelo papel no miolo de zaga e será mais exigido sem Koch. No meio, com a lesão de Janik Haberer, quem deve aparecer mais é Yannik Keitel, volante de 19 anos que já ganhou minutos no último ano. Nicolas Höfler é outro titularíssimo.

Já o talento no Freiburg fica por conta de Vincenzo Grifo, ponta italiano que ajuda bastante nos passes e nas finalizações. O armador passou pelo Hoffenheim, mas voltou à Floresta Negra para contribuiu à boa temporada. No comando do ataque, enquanto Lucas Höler foi até mais efetivo que Waldschmidt no último ano, também por suas assistências, o homem-gol é Nils Petersen. Aos 31 anos, o centroavante anotou 87 gols em suas seis temporadas com o Freiburg. É um número expressivo e se coloca na galeria de lendas da agremiação. Até por sua idade, é difícil imaginá-lo em outro lugar.

Christian Streich precisará ainda mais do enorme empenho coletivo de seus homens e do espírito de não desistir jamais. Essa consciência de grupo leva o Freiburg além de seus limites. E que o voo não seja tão alto nesta campanha, nem de longe parece time para brigar contra o rebaixamento, mesmo com um elenco sem grandes nomes. Diante das mostras sucessivas de força, os alvirrubros merecem mais respeito. E é possível que o crescimento seja maior nos próximos anos, com o novo estádio do clube para ser inaugurado ainda nesta temporada. O sucesso não é por acaso.

O treinador

Quando era jogador, Christian Streich teve uma passagem curta pelo Freiburg, de uma temporada. Atuou por mais tempo no Freiburger FC, o clube secundário da cidade, que até chegou a conquistar o título alemão em 1907. Ao pendurar as chuteiras, Streich assumiria os juvenis do Freiburg. E seria uma linda história no clube. Foram 15 anos dirigindo o sub-19 e ajudando a agremiação a revelar talentos. Em parte desse tempo, também foi assistente da equipe principal. Ganhou a merecida chance no time de cima em 2011. Ao todo, completa 25 anos nos corredores do clube da Floresta Negra. É uma instituição.

A referência

Revelado pelo Carl Zeiss Jena, Nils Petersen atuou no Energie Cottbus e empilhou gols na segundona, até virar alternativa ao ataque do Bayern. O atacante fazia parte dos bávaros na temporada do tri vice, sem muito espaço nas escalações de Jupp Heynckes. Seria vendido ao Werder Bremen e viveria temporadas razoáveis, mas não com a dimensão do que produz em Freiburg. A média de gols do centroavante para a sua realidade é excelente e o clube o ajudou até a compor a seleção alemã que levou a prata olímpica em 2016, como um dos atletas acima do limite de idade.

O reforço

Apesar da venda de Alexander Schwolow, o Freiburg tinha muitas esperanças de que Mark Flekken preenchesse a posição sem significar uma queda. O holandês foi um dos melhores goleiros das divisões de acesso nos últimos, sobretudo na época em que defendia o Duisburg, e se destacou quando Schwolow estava lesionado no primeiro turno. Para sua infelicidade, o arqueiro sofreu uma séria lesão no cotovelo. E seu lugar não é mais garantido, com a compra de Florian Müller. Aos 22 anos, o alemão é mais um goleiro a surgir bem no Mainz e faz parte da seleção sub-21. Voltaria à reserva em seu clube, depois de substituir com competência o lesionado Robin Zentner. Emprestado, pode até se valorizar para um salto maior no próximo ano.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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