Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Borussia Dortmund

Cidade: Dortmund, na Renânia do Norte-Vestfália (586 mil habitantes)
Estádio: Signal Iduna Park (81,3 mil espectadores)
Técnico: Lucien Favre (desde julho de 2018)
Posição em 2019/20: 2°
Participações na Bundesliga: 54
Projeção: briga pelo título
Principais contratações: Jude Bellingham (M, Birmingham), Emre Can (M, Juventus), Thomas Meunier (D, Paris Saint-Germain), Reinier (M, Real Madrid), Felix Passlack (D, Fortuna Düsseldorf), Marius Wolf (A, Hertha Berlim)
Principais saídas: Ömer Toprak (D, Werder Bremen), Leonardo Balerdi (D, Olympique de Marseille), Mario Götze (M, sem clube), André Schürrle (A, aposentado), Achraf Hakimi (D, Real Madrid)
Brasileiros no elenco: Reinier (meia)
Time na estreia da Pokal: Hitz, Can, Akanji, Hummels; Meunier, Bellingham, Witsel, Hazard; Reyna; Haaland, Sancho.

Individualmente, o Borussia Dortmund fez uma boa temporada. Alguns jogadores aurinegros repercutiram bastante e certamente atrairão mais holofotes nos próximos meses. No entanto, futebol é um esporte coletivo. E, no conjunto, o BVB deixou a desejar. Olhando friamente aos resultados, não dá para considerar a temporada desastrosa, com a campanha até as oitavas de final da Champions e o vice-campeonato na Bundesliga. Mas, pelos valores individuais, esperava-se um time mais constante e que somasse mais pontos no Campeonato Alemão. Isso não aconteceu, e as críticas recaem sobre o trabalho de Lucien Favre.

Contratado como um treinador que sabe acertar defesas e armar equipes eficientes, Favre não realizou isso em seus dois primeiros anos no Signal Iduna Park. Até por isso, dá para considerar que a paciência da diretoria é grande. O segundo turno da Bundesliga foi superior ao primeiro, também por correções na equipe e pontos de evolução. Mas nada que servisse para equiparar a arrancada do Bayern de Munique, que conseguiu resolver seus problemas com muito mais rapidez – com um elenco superior, é claro.

O Dortmund da temporada passada variou demais no primeiro turno. Teve empates aos montes e impressionou pela maneira como deixou vitórias certas escaparem. Era um time que dependia muito do talento para abrir caminho aos gols, mas não sustentava as vantagens no placar pela fragilidade defensiva e fez partidas bem malucas. A goleada por 4 a 0 do Bayern em Munique e o empate por 3 a 3 contra o Paderborn despertaram o BVB em novembro. E o equilíbrio na tabela permitiu que o time voltasse à corrida pelas primeiras colocações.

O segundo turno do Dortmund marcou a ascensão. Afinal, se o time ainda sofria muitos gols, agora marcava muitos mais com a adição providencial de Erling Braut Haaland. Além disso, Favre deu um jeito na defesa ao liberar os alas no 3-4-3, bem como ao ganhar também Emre Can à proteção. Foi quando a equipe disparou e conseguiu nove vitórias em dez rodadas. O único tropeço? A derrota para o Bayern no Signal Iduna Park, cabal para tirar os aurinegros da briga pela Salva de Prata. No fim, vieram as derrotas para Mainz e Hoffenheim, mas num momento sem grandes objetivos.

Muito forte em seus domínios, o Dortmund teve uma produção ofensiva e defensiva superiores no Signal Iduna Park, apesar de certos tropeços. Fora de casa, os aurinegros iam para a trocação e acabavam bem mais suscetíveis aos gols contra adversários que saíam mais ao ataque. E no fim das contas, a maneira como o BVB não soube se impor dentro de campo prejudicou na busca pelo troféu. Não dá para ser campeão variando tanto seu comportamento e se expondo tanto.

Por isso mesmo, as chances reais de título do Dortmund passam por uma melhora do coletivo. Diante da forma como o Bayern terminou a temporada, os aurinegros precisam rezar para que o time de Hansi Flick perca o fôlego. Mas isso não é suficiente se os perseguidores não mantiverem a consistência. Foi um time menos exposto no segundo turno, ainda que se valesse muito dos destaques individuais. Os sonhos no Signal Iduna Park passam, necessariamente, por um treinador que não é dos sonhos à maioria absoluta dos torcedores.

Favre depende de um sistema. Não dá para encher o meio-campo de jogadores ofensivos, quando os defensores são muito propensos às falhas individuais. Desta maneira, o mercado de transferências parece favorecer o time. Thomas Meunier não vai bombar à linha de fundo como Achraf Hakimi, mas é um jogador bem mais equilibrado. Jude Bellingham precisou de um jogo oficial para demonstrar como o meio-campo ganhar presença física de área a área com o novato de 17 anos. Já Reinier entra para a rotação ofensiva podendo se encaixar em diferentes posições. E isso numa janela em que ninguém relevante saiu, apesar do adeus ao ídolo Mario Götze, em sua busca insistente por recuperar a forma.

Neste sentido, o Dortmund tem um elenco mais completo. E aí recaem maiores cobranças a Lucien Favre, que precisará elevar o aproveitamento. Roman Bürki é um goleiro que gosta de pixotadas, mas acumula mais milagres e foi importante na temporada passada. Na zaga, que Mats Hummels seja batido na velocidade, voltou a imperar na linha defensiva e foi fantástico na distribuição de jogo. Precisa de companheiros que cubram suas costas e ajudem em suas carências, o que Dan-Axel Zagadou e Manuel Akanji nem sempre conseguem. Emre Can ficará em definitivo e pode ajudar com sua leitura de jogo, por vezes na cabeça de área. Ainda há Lukasz Piszczek por ali, ainda muito útil, mas igualmente exposto e já no último ano da carreira.

As alas foram um ponto focal no jogo do Dortmund e continuam assim, com Meunier e também Raphaël Guerreiro, em sua melhor temporada no Signal Iduna Park. Que Hakimi fosse mais explosivo, a técnica do português garantiu muitos gols. Na cabeça de área, Axel Witsel é quem carrega o piano e muitas vezes precisa limpar os trilhos sozinho. Jude Bellingham vai auxiliá-lo, assim como um Thomas Delaney com menos lesões ou o próprio Emre Can. E no setor, vale prestar atenção em como será o encaixe de Julian Brandt. Embora não seja um jogador de marcação, o jovem se saiu bem quando pôde criar mais recuado ao lado de Witsel. Seu uso é um mistério, mas é um jogador que garante vitórias.

Já na frente, uma abundância de talento. Que Reinier tenha chegado para se desenvolver no Signal Iduna Park, quem realmente pede passagem é Giovanni Reyna. O garoto terminou a temporada em alta e já brilhou como titular na Copa da Alemanha. Não tem medo de arriscar e criar muitas jogadas de gol. Neste quesito, não é nem preciso falar sobre Jadon Sancho. Após as pequenas crises da temporada passada e do risco de ser vendido nesta janela de transferências, o inglês deve seguir mais um ano em Dortmund para distribuir presentes que se convertem em assistências aos companheiros. Thorgan Hazard, mesmo com altos e baixos em seu primeiro ano, possui habilidade e permite diferentes formas de montar um trio ou um quarteto ofensivo. E vale lembrar que, além de tudo, o BVB conta com Marco Reus. É uma pena ver um jogador de tamanho talento passar tanto tempo lesionado. Todavia, este início de temporada promete-se inteiro ao capitão e nenhum outro jogador do elenco possui tanta capacidade para chamar a responsabilidade. É um dos poucos que favorecem a permanência de Lucien Favre, até pelo rendimento centralizado.

Por fim, as atenções estarão voltadas ao que fará Erling Braut Haaland em sua primeira temporada completa no Borussia Dortmund. É até natural que seus números caiam um pouco, considerando a média assustadora de gols que teve em seus primeiros meses com os aurinegros, sobretudo antes da pandemia. Tão letal ou um pouco menos, é muito difícil imaginar que não continue preponderante ao BVB. A velocidade, o senso de posicionamento e a precisão nas finalizações o transformam no centroavante perfeito – mas também num centroavante sobrecarregado, considerando a falta de alternativas do ofício para suplantá-lo, com Reus ou Reinier devendo se alternar por ali.

Vai ser uma temporada definitiva ao Dortmund, diante do risco de perder alguns dos protagonistas em breve e pelo próprio clima ao redor do comando de Lucien Favre. A possibilidade de melhorar é concreta, pelas adições e pelo que vinha se sinalizando desde o primeiro semestre de 2020. Só não é tão simples querer competir com um Bayern de Munique que, ao contrário das últimas temporadas, começa a Bundesliga sem dar margem aos erros. Os aurinegros precisarão se superar antes de tudo.

O treinador

Aos 62 anos, Lucien Favre tem mais experiência que qualquer outro treinador da Bundesliga. O suíço fez trabalhos marcantes em seu país, especialmente no Zurique, onde permaneceu por quatro anos. Chegou à Alemanha através do Hertha Berlim e ficou duas temporadas na capital, embora seu melhor trabalho tenha acontecido no Borussia Mönchengladbach. Fez um time que flertava com o rebaixamento disputar as copas europeias e frequentar a parte de cima da tabela. Além disso, revelou um fenômeno chamado Marco Reus. De saída, assumiu o Nice e também deixou sua marca com boas campanhas no Campeonato Francês. Foi o que o levou ao Borussia Dortmund. Lá se vão dois anos com um aproveitamento próximo aos 70% dos pontos, mas sem a consistência e os títulos que se cobram.

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A referência

Jadon Sancho tem 20 anos e uma coleção de grandes momentos pelo Borussia Dortmund. Sem ver perspectivas de ascender no Manchester City, chegou à base do BVB, mas na primeira temporada subiu aos profissionais e teve atuações encantadoras. Arrebentou em sua primeira campanha completa na Bundesliga e conseguiu ser ainda melhor na última edição, mesmo com acusações de que não estava comprometido e de aparições no banco de reservas. Poucos jogadores no mundo tem sua capacidade de quebrar defesas e encontrar espaços. Não à toa, tem um prazer imenso em dar assistências. E isso sem contar nos belos gols que coleciona. Deve ganhar mais liberdade e mais protagonismo em 2020/21 – seu provável último ano antes de voltar à Premier League como astro.

O reforço

Thomas Meunier não terá a margem de progressão de Jude Bellingham ou do emprestado Reinier, mas o valor de sua contratação é muito grande. O Borussia Dortmund conseguiu acertar com o belga de graça, em fim de contrato com o PSG. Mesmo como coadjuvante, teve alguns bons momentos na França, que o credenciam como dono da lateral direita. E, mais importante, o defensor resolve um problema. Não deve fazer a torcida sentir falta de Achraf Hakimi, além de ser mais funcional que o marroquino. Depois de sair magoado do Parc des Princes, poderá ganhar mais consideração na Alemanha.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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