Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Bayer Leverkusen

Cidade: Leverkusen, na Renânia do Norte-Vestfália (163 mil habitantes)
Estádio: BayArena (30,2 mil espectadores)
Técnico: Peter Bosz (desde dezembro de 2018)
Posição em 2019/20: 5°
Participações na Bundesliga: 42
Projeção: briga por Champions
Principais contratações: Patrik Schick (A, Roma), Lennart Grill (G, Kaiserslautern), Tin Jedvaj (D, Augsburg), Joel Pohjanpalo (A, Hamburgo), Panagiotis Retsos (D, Sheffield United)
Principais saídas: Kai Havertz (M, Chelsea), Kevin Volland (A, Monaco), Adrian Stanilewicz (M, Darmstadt), Ayman Azhil (M, RKC Waalwijk), Ramazan Özcan (G, aposentado)
Brasileiros no elenco: Wendell (lateral esquerdo), Paulinho (ponta)
Time na estreia da Pokal: Hradecky, Lars Bender, Tapsoba, Sven Bender, Sinkgraven; Demirbay, Aránguiz; Bellarabi, Wirtz, Amiri; Alario.

O Bayer Leverkusen inicia a temporada com uma grande questão a responder: como será o futuro do clube sem Kai Havertz? Os Aspirinas, sem dúvidas, aproveitaram muito bem o talento e a visibilidade de seu prodígio para conseguir um bom contrato. Ainda que as expectativas não tenham sido completamente cumpridas, receber pelo menos €80 milhões do Chelsea é uma belíssima grana. O dinheiro garante estabilidade ao clube em meio ao momento de crise geral e também compensa a ausência na Champions League. De qualquer maneira, há outras tantas consequências.

A quinta colocação corresponde um pouco à perda de Havertz, o melhor jogador do Leverkusen nas duas últimas temporadas. Que o garoto já manifestasse seu desejo de atuar em uma equipe de maiores ambições, não estar na principal competição continental ajudou a acelerar sua saída. Encontrar um substituto ao meia não é missão tão simples, considerando suas múltiplas virtudes e a própria maneira como poderia ser encaixado de diferentes maneiras no ataque. Até por isso, o Leverkusen tem calma com o dinheiro e não parece disposto a gastar em qualquer um.

Havertz atravessou uma temporada de transformação. Por aquilo que jogou em 2018/19, havia expectativas ainda maiores sobre o meia, e ele não começou bem a Bundesliga passada. Todavia, aos poucos recuperou sua melhor forma e passou a ser adaptado de outra maneira, jogando mais adiantado no ataque. Contribuiu com uma ótima sequência de gols neste novo encaixe e também liderou a classificação dos Aspirinas à decisão da Copa da Alemanha. Então, ficou claro que deveria buscar novos ares e o Chelsea compensou as pedidas financeiras da diretoria.

O Leverkusen, no entanto, não sentirá falta apenas de Havertz nesta temporada. O clube também vendeu Kevin Volland – sem ganhar tanto dinheiro por isso, em negócio de €15 milhões. Depois de quatro temporadas sendo um dos atacantes mais dinâmicos na BayArena, também por suas assistências, o alemão aceitou um novo desafio ao seguir para o Monaco. Patrik Schick vem para comandar o ataque como um jogador de mais futuro e de mais presença de área, após um empréstimo razoável ao RB Leipzig, mas não é que a linha ofensiva dos Aspirinas funcionará da mesma maneira sem os dois.

Assim, o Bayer Leverkusen permanece com uma equipe recheada de opções, mas sem dois jogadores que realmente faziam diferença aos resultados. É ver como será o comportamento da equipe de Peter Bosz, na terceira temporada do treinador na BayArena. O holandês teve um impacto grande em seu primeiro ano, sobretudo pela maneira como os Aspirinas cresceram de produção na metade final da Bundesliga. Já na temporada passada, viu-se um time ainda bastante ofensivo, mas com mais recursos e variações para aproveitar suas peças. Tentará seguir nesta evolução agora dependendo mais do trabalho coletivo e não tanto da capacidade individual, sem dois dos nomes mais refinados à disposição.

Ao longo da última campanha, o Leverkusen se manteve como um time altamente competitivo, mas que não suportou as diferentes frentes de disputa. Na Bundesliga, as derrotas nos confrontos diretos no primeiro turno afastaram os Aspirinas do G-4 e o time só se colocaria na briga pela vaga à Champions na virada dos turnos. Passou quase toda a metade final da competição na quinta colocação, até vencendo jogos importantes, mas com dificuldades para tirar a diferença estabelecida por RB Leipzig e Borussia Mönchengladbach. Já na volta da pandemia, o time entrou na zona de classificação, mas os pontos perdidos contra Schalke 04 e Hertha Berlim nas quatro últimas rodadas tiveram um preço alto ao deixarem os rubro-negros de fora da principal competição continental.

Ter apenas a Liga Europa pela frente não é positivo do ponto de vista financeiro, mas pode ajudar Peter Bosz a manejar melhor o elenco. O Leverkusen manterá sua proposta de jogo, entre um ataque ultraofensivo e uma defesa que acabará mais exposta e, por isso, tomará mais gols. Para atenuar as consequências, há talentos também atrás que nem sempre acabam mencionados da maneira devida. Lukas Hradecky foi ainda mais consistente em seu segundo ano em Leverkusen e acabou apontado pela revista Kicker como o melhor goleiro da temporada. Já no sistema defensivo, os irmãos Lars e Sven Bender também vêm de uma excelente campanha e ajudam não apenas pela experiência, mas pela forma como podem ser usados em diferentes posições e diferentes sistemas. Mitchell Weiser, Jonathan Tah, Aleksandar Dragovic e Wendell complementam o setor, com destaque ainda à ascensão do jovem Edmond Tapsoba.

Na cabeça de área, outro jogador fundamental ao Bayer Leverkusen é Charles Aránguiz. O chileno permanece como um dos jogadores mais influentes dos Aspirinas pela maneira como conduz a construção de jogo e possibilita a dinâmica ofensiva. E ganhou boas companhias na faixa central durante o último ano. Exequiel Palacios pode ganhar sequência, depois de desembarcar na Alemanha durante a metade final da temporada. Kerem Demirbay e Nadiem Amiri são outros dois que podem ser mais influentes por ali. Assim, muitas vezes Peter Bosz recorre a Julian Baumgartlinger, mais limitado tecnicamente, mas regular na cabeça de área.

O grande candidato a substituir Havertz já está no elenco e possui uma trajetória parecida: o prodígio Florian Wirtz, de 17 anos. Trazido da base do Colônia, o ponta direita não demorou a ganhar suas primeiras chances e até marcou gol. Colocá-lo o fardo de atuar no mesmo nível de Havertz é pesado, mas, com o tempo, parece capaz de suprir a lacuna. E o quarteto ofensivo tem muitas possibilidades de encaixe. Moussa Diaby é um ponta criativo, Karim Bellarabi contribui bastante em suas chegadas, Leon Bailey tem mais futebol a recuperar. Paulinho, que vinha correspondendo bem às chances no segundo turno, infelizmente se machucou e precisará aguardar um pouco mais. A questão aos jogadores de ataque do Leverkusen é chamar mais a responsabilidade e aumentar a eficiência, como aconteceu com Havertz. E nisso a cobrança também passa por Lucas Alario ou Patrik Schick, a depender de quem for o responsável pelo comando da área.

No papel, o Bayer Leverkusen ainda tem time para se colocar no G-4 e brigar pela vaga na Champions League. O crescimento passa por elevar mais jogadores ao poder de decisão de Havertz ou Volland. O começo da temporada cumpriu as expectativas, com a goleada por 7 a 0 sobre o nanico Eintracht Norderstedt na Copa da Alemanha. E um fator fundamental já está na BayArena: um treinador que conhece muito bem os seus atletas e poderá conduzir este trabalho de maneira segura, com um futebol que atenderá um padrão de qualidade.

O treinador

Peter Bosz tem uma experiência considerável, especialmente se comparado a outros comandantes da Bundesliga. Aos 56 anos, já acumula duas décadas na casamata, sobretudo na Eredivisie. Seu trabalho mais relevante aconteceu no Ajax finalista da Liga Europa, embora tenha ficado mais tempo no Vitesse e no Heracles. E depois de ter uma passagem frustrante pelo Borussia Dortmund, que foi de mais a menos, parece ter se encontrado no Bayer Leverkusen. Possui uma mentalidade que se casa com o projeto do clube e aproveita o potencial dos jovens à sua disposição.

A referência

Lukas Hradecky tinha se indicado um baita negócio do Leverkusen logo quando chegou, vindo de graça do Eintracht Frankfurt após o término de seu contrato. E o goleiro segue em alta na BayArena, provando como foi uma contratação cirúrgica. Em uma equipe tão exposta, o arqueiro se agiganta em diferentes momentos e é o tipo de jogador que garante pontos em uma competição longa como a Bundesliga. Não à toa, deixou para trás nomes como Manuel Neuer e outros destaques da posição para ser apontado como o melhor goleiro da Bundesliga 2019/20. A ótima fase ainda ajuda a seleção finlandesa.

O reforço

Num mercado ainda modesto do Bayer Leverkusen, considerando o dinheiro que entrou pela venda de Kai Havertz, Patik Schick é quem desembarca como principal reforço. O atacante não foi barato, considerando os €26,5 milhões pagos à Roma. É um jogador com presença de área, mas também uma qualidade técnica acima da média para a posição, apesar da inconstância. Sem ser titular absoluto do RB Leipzig na última temporada, anotou dez gols – um número que interessou os Aspirinas, onde os demais atacantes não tiveram tal nível de eficiência. Considerando as carências da equipe, o negócio faz sentido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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