Bundesliga

Guia da Bundesliga 2020/21: Augsburg

Cidade: Augsburg, na Baviera (292 mil habitantes)
Estádio: WWK Arena (30,6 mil espectadores)
Técnico: Heiko Herrlich (desde março de 2020)
Posição em 2019/20: 15°
Participações na Bundesliga: 10
Projeção: luta contra o rebaixamento
Principais contratações: Felix Uduokhai (D, Wolfsburg), Robert Gumny (D, Lech Poznan), Rafal Gikiewicz (G, Union Berlim), Tobias Strobl (M, Borussia Mönchengladbach), Daniel Caligiuri (M, Schalke 04)
Principais saídas: Philipp Max (D, PSV), Kevin Danso (D, Fortuna Düsseldorf), Maurice Malone (A, Wehen Wiesbaden), Tim Rieder (M, Kaiserslautern), Fabian Giefer (G, Würzburger Kickers), Andreas Luthe (G, Union Berlim), Jozo Stanic (D, Zwickau), Georg Teigl (M, Austria Viena), Sergio Córdova (A, Arminia Bielefeld), Stephan Lichtsteiner (D, aposentado), Daniel Baier (M, aposentado), Tin Jedvaj (D, Bayer Leverkusen)
Brasileiros no elenco: Iago (lateral esquerdo)
Time na estreia da Pokal: Gikiewicz, Framberger, Gouweleeuw, Uduokhai e Iago; Caligiuri, Gruezo, Khedira e Vargas; Gregoritsch e Niederlechner.

O Augsburg sustenta o status de “incaível” na Bundesliga. Lá se vão dez temporadas consecutivas na primeira divisão, desde que os bávaros conquistaram o acesso inédito em 2011. Mas se o clube chegou a disputar a Liga Europa na metade inicial da década, após uma excelente quinta colocação, nos últimos anos tornou-se um mero figurante. Geralmente ocupa a metade inferior da tabela e precisa lutar para evitar os riscos de rebaixamento. Não deve ser diferente em 2020/21, mesmo com o elenco parecendo mais encorpado desta vez.

O Augsburg costuma fazer movimentações intensas no mercado de transferências, que fogem um pouco do padrão que se vê na Bundesliga. A estratégia adotada na temporada passada se repetiu na atual janela, mesmo que a crise econômica imponha suas restrições. Os bávaros não gastaram tanto assim, com grande parte dos €9 milhões desembolsados servindo para garantir a permanência de Felix Uduokhai – zagueiro que já estava no plantel, emprestado pelo Wolfsburg. Apesar disso, a diretoria conseguiu ótimos achados, especialmente entre jogadores sem contrato.

Uma dessas novidades é o goleiro Rafal Gikiewicz, ídolo do Union Berlim e um dos principais responsáveis pela ascensão do clube da capital. O polonês não chegou a um acordo para sua renovação com os Eisernen e fechou com o Augsburg. Outro bom acerto veio com Tobias Strobl, meio-campista que lidou com problemas físicos na última temporada, mas teve bons momentos no Borussia Mönchengladbach. E a ligação ainda ganhou Daniel Caligiuri, que resolveu deixar o Schalke 04 após ser um dos protagonistas da equipe durante as últimas temporadas. Aos 32 anos, pode render bem.

Se muita gente chegou, o Augsburg também perdeu nomes relevantes. E nenhum deles mais decisivo que Philipp Max. O ala era uma das principais peças ofensivas dos bávaros, com gols e assistências. Acabou acertando com o PSV e deixa o time órfão de sua qualidade para bater na bola. Outra perda significativa é a do volante Daniel Baier, capitão do Augsburg e presente desde a conquista do acesso em 2010/11. A saída do ídolo, aliás, gerou controvérsia. A diretoria preferiu encerrar o contrato de seu símbolo e, aos 36 anos, Baier acabou pendurando as chuteiras.

No balanço entre quem veio e quem foi, ainda parece que o Augsburg está mais forte. A construção do time titular, apesar disso, deve dar certo trabalho a Heiko Herrlich. O treinador assumiu o comando da equipe em março, diante da péssima sequência de Martin Schmidt no início do segundo turno. O novo chefe contou com a paralisação para incutir suas ideias e conhecer os jogadores. Mas não que isso tenha gerado muitos efeitos, com apenas duas vitórias nas nove rodadas finais. O técnico ganha um voto de confiança da diretoria, mas as cobranças se tornam maiores com os reforços e a pré-temporada.

Em 2019/20, o Augsburg acumulou uma distância razoável de cinco pontos em relação à zona de rebaixamento, mas teve uma defesa frágil e algumas séries de resultados ruins. Botar ordem na proteção defensiva deverá ser a prioridade de Herrlich, até pelas alternativas que surgem. Enquanto Gikiewicz deve ganhar a posição de Tomas Koubek, a zaga tem uma dupla interessante com Uduokhai e o novo capitão Jeffrey Gouweleeuw. Na lateral esquerda, o ex-colorado Iago deve ganhar sequência, após sofrer com as lesões em sua primeira temporada na Baviera e também com a concorrência de Phillip Max.

Rani Khedira, Tobias Strobl, Carlos Gruezo e Felix Götze dão opções na montagem da cabeça de área, mas é no ataque que estão os melhores nomes do Augsburg. Caligiuri e André Hahn são dois pontas experientes, que se revezarão com os jovens Ruben Vargas, Marco Richter e Fredrik Jensen. Por fim, a dupla de ataque no 4-4-2 pode se dar ao luxo de não ter dois nomes intocáveis, considerando o nível elevado a um clube de meio de tabela. Alfred Finnbogason e Florian Niederlechner já foram artilheiros dos bávaros em temporadas distintas, enquanto Michael Gregoritsch volta de empréstimo do Schalke e está nos planos.

A questão ao Augsburg é fazer esse elenco, de um nível satisfatório para escapar do rebaixamento, render o suficiente. As oscilações nas temporadas recentes pesaram contra, assim como a dependência de alguns jogadores. Herrlich também precisará apresentar seus recursos como treinador, após não dar certo no Bayer Leverkusen em sua primeira incursão na primeira divisão. A estreia na Copa da Alemanha, com uma goleada por 7 a 0 sobre o inexpressivo Celle, da quinta divisão, diz menos que os torcedores gostariam sobre como será a temporada dos bávaros.

O treinador

Heiko Herrlich teve uma carreira notável como jogador. Foi importante principalmente no Borussia Dortmund, com o qual conquistou a Champions, e fez cinco partidas pela seleção. Como treinador, ainda tenta se afirmar. Seu trabalho mais reconhecido é na base, dirigindo Bayern e Dortmund, além das seleções menores. Foi bem no Jahn Regensburg, o que o levou ao Leverkusen, mas sem agradar no clube. O Augsburg é um passo para trás, mas talvez mais condizente ao seu talento. Só que ainda precisa conquistar respaldo, depois de um final de temporada ruim.

A referência

Florian Niederlechner deixou o Freiburg depois de alguns bons momentos, para ocupar o ataque do Augsburg diante dos recorrentes problemas de lesão de Alfred Finnbogason. E o novo contratado virou o melhor jogador dos bávaros em sua temporada de estreia. Foram 13 gols e oito assistências, responsável direto por quase metade dos tentos do clube na campanha. Sabe segurar a bola na frente e pode se combinar muito bem com as outras opções à disposição do clube.

O reforço

Koubek não é um mau goleiro, mas fez uma temporada fraca, perdendo a posição. E, diante da brecha que surgiu, o Augsburg levou um dos melhores goleiros da Bundesliga em 2019/20. Gikiewicz chegou à Alemanha através do Eintracht Braunschweig e conseguiu um contrato com o Freiburg, mas esquentou o banco. O Union Berlim deu a chance e o polonês mostrou como poderia brilhar. Fez toda a diferença para o acesso do clube da capital, inclusive com gol anotado, e também seria um dos heróis da permanência na primeira divisão. Tinha grande consideração com a torcida, mas preferiu aproveitar o momento para buscar um contrato melhor. Aos 32 anos, já chega como uma liderança na Baviera.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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