Bundesliga

Clube a clube, este é o Guia Trivela da Bundesliga 2023/24

Depois da loucura que foi a rodada final da Bundesliga passada, os olhares se tornam maiores para os rumos da nova edição do Campeonato Alemão

Responder quem será o campeão da Bundesliga não costuma ser uma tarefa difícil. Lá se vão 11 edições que o Bayern de Munique renova sua hegemonia na Alemanha. E o favoritismo, inescapavelmente, segue com os bávaros – ainda mais depois da chegada de Harry Kane. No entanto, o momento parece mais aberto às reviravoltas. Depois de toda a insanidade ocorrida na última rodada passada, e do rendimento baixo dos multicampeões com Thomas Tuchel, dá para acreditar na quebra da dinastia. O Borussia Dortmund precisaria se recuperar do próprio trauma, enquanto o RB Leipzig se sugere até mais leve para a missão.

Será uma edição especial da Bundesliga, que comemora 60 anos de sua criação, e também por tudo o que o campeonato oferece em campo. A monotonia do Bayern no topo da tabela costuma ser mesmo o grande problema de uma competição que garante estádios vibrantes, boas histórias, ótimo nível técnico, várias revelações e partidas parelhas. Deverá ser assim mais uma vez, com o cenário aberto ao menos na briga pelas copas europeias e também uma luta interessante contra o rebaixamento. Do novato Heidenheim ao meteórico Union Berlim, são vários os times para ficar de olho.

Abaixo, o nosso Guia da Bundesliga 2023/24, clube a clube. Apresentamos cada um dos 18 times que disputarão o certame nessa edição. Será uma boa competição para acompanhar também pelas ofertas de transmissão: vários canais passarão os jogos no Brasil, com o One Football ganhando a companhia de Sportv, Cazé TV, Cultura, Canal GOAT e Nosso Futebol.

Bayern de Munique

Harry Kane, novo atacante do Bayern (Divulgação)
Harry Kane, novo atacante do Bayern (Divulgação)

  • Estádio: Allianz Arena (75 mil espectadores)
  • Técnico: Thomas Tuchel
  • Posição em 2022/23: Campeão
  • Projeção: Briga pelo título
  • Principais contratações: Harry Kane (A, Tottenham), Kim Min-jae (Z, Napoli), Konrad Laimer (M, RB Leipzig), Raphaël Guerreiro (D, Borussia Dortmund)
  • Principais saídas: Lucas Hernández (D, PSG), Sadio Mané (A, Al-Nassr), Marcel Sabitzer (M, Borussia Dortmund), Yann Sommer (G, Internazionale), Alexander Nübel (G, Stuttgart), Malik Tillman (M, PSV), Daley Blind (D, Girona), João Cancelo (D, Manchester City)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Supercopa: Ulreich, Pavard, De Ligt, Upamecano, Davies; Kimmich, Laimer; Sané, Musiala, Gnabry; Tel.

O Bayern de Munique tem uma grande ameaça à sua hegemonia na Bundesliga: o próprio Bayern. Se a temporada passada colocou em xeque a sequência de títulos que se sustenta há 11 temporadas como nunca antes, a culpa dos problemas partiu sobretudo de inimigos internos. Foi impressionante como o Bayern se boicotou nos últimos meses. As decisões conturbadas tomaram os bastidores do clube, em especial a repentina mudança de técnico ocorrida na Data Fifa de março. Que Julian Nagelsmann não fosse unanimidade, a troca por Thomas Tuchel criou uma tempestade. E afetou vários outros aspectos que não estavam bem.

Primeiro, acima do treinador. A gestão de Hasan Salihamidzic e Oliver Kahn é uma das mais desastrosas da história do Bayern, talvez a mais. O clube manteve sua política de dar cargos de confiança a ex-jogadores, mas desta vez se cercou de dois personagens com duvidosa competência. Kahn pareceu cair de para-quedas como chefe-executivo, sem nenhum tato para o tamanho de suas responsabilidades – a personalidade forte o atrapalhou bem mais do que nos tempos de jogador. Enquanto isso, Salihamidzic não fez um planejamento bom à frente do departamento de futebol e colecionou picuinhas. Os bávaros tinham mesmo que se livrar de ambos o quanto antes.

Mas não que o elenco do Bayern passe incólume dos problemas. Os bávaros voltaram a conviver com a fama de Hollywood FC, de mais conflitos internos que senso de companheirismo nos vestiários. A falta de sinergia do time atravancou as pretensões não apenas na Champions, como deixou a situação na Bundesliga por um fio. Tantas vezes faltou atitude para o Bayern se impor em partidas decisivas, como foi tão costumeiro no atual ciclo vitorioso. Não era um time que sentia a temperatura dos jogos e, no fim das contas, dependeu da sorte. Ao menos, o Borussia Dortmund não negou um favor e salvou uma temporada que poderia ser de fato desastrosa na Baviera com a perda da Salva de Prata.

Thomas Tuchel continua no Bayern. Não tinha motivos para ser demitido agora, embora seu aproveitamento à frente do clube seja ruim. O treinador ainda não conseguiu montar uma equipe suficientemente competitiva e parece muito mais propenso a colecionar declarações bombásticas nas coletivas a acertar a sintonia de seus comandados. Sem dúvidas tem competência para reverter o quadro e também talento à disposição em campo, mas a paciência se esvai ao passo que as interrogações ficam. A estreia da temporada na Supercopa da Alemanha, em definitivo, não o ajudou. O Bayern nem começou mal a partida, mas sentiu a precisão do Leipzig e não soube se encontrar quando o triunfo adversário se desenhou.

A esperança de dias melhores para o Bayern se concentra principalmente nos reforços. E a nova estrela do ataque atende pelo nome de Harry Kane, um negócio recorde do clube e justificável pelas circunstâncias. Era o melhor centroavante à disposição no mercado, numa necessidade evidente desde a saída de Robert Lewandowski. Pelas características de jogo, poderá se combinar muito bem com os companheiros e fazer o time girar ao seu redor. Entretanto, não dá para colocar toda a responsabilidade sobre os ombros do inglês. Alguns dos problemas dos bávaros vão além da presença de um goleador, como bem se viu na Supercopa.

Outro que chega respaldado é Kim Min-jae, entre os melhores zagueiros do mundo na última temporada. O Bayern continua investindo alto em defensores, mas o preço do sul-coreano foi relativamente em conta, diante de uma multa rescisória não tão alta no Napoli. Chegou muito bem na Supercopa e tem uma qualidade nas coberturas, algo importante ao estilo de jogo usual dos bávaros. Konrad Laimer veio ao final de contrato com o RB Leipzig e se soma como o carregador de piano no meio-campo. Já Raphaël Guerreiro também assinou ao término de seu vínculo com Borussia Dortmund e garante variação, na lateral ou no meio.

No geral, o Bayern não optou por fazer uma limpa no elenco, mas jogadores importantes saíram. O principal deles foi Sadio Mané, numa passagem pela Baviera que se torna uma mancha em sua carreira. O senegalês parecia um negócio excelente pelas condições e pelo momento recente, mas ele nunca teve grande sequência e não se firmou como protagonista. Os atritos também pesaram contra e tornaram sua venda bem-vinda. Lucas Hernández foi outro que, pelo preço, entregou menos do que poderia com a camisa alvirrubra nos últimos anos. Marcel Sabitzer é mais um que saiu sem deixar tantas saudades na torcida.

Uma grande questão para o Bayern será lidar com aqueles que têm enorme história no clube, mas geram dúvidas no momento. Manuel Neuer é um deles. O goleiro está em recuperação da fratura sofrida no final do último ano e sua previsão de voltar aos gramados precisou ser postergada. É um problema enorme aos bávaros, especialmente quando Yann Sommer já saiu para a Inter e Alexander Nübel parece não ter mais respaldo, emprestado ao Stuttgart. Vão ter que se virar com Sven Ulreich, como sempre quebrando galhos, enquanto algum outro goleiro renomado poderá vir para os próximos meses.

A defesa é um dos setores mais recheados do time, mas com problemas de encaixe há tempos, como bem se viu na Supercopa. Matthijs de Ligt entregou bem na primeira temporada, como melhor zagueiro da Bundesliga e entre os melhores do time na conquista do título. Kim chega para ocupar a posição ao seu lado, enquanto Dayot Upamecano permanece com oscilações. Benjamin Pavard fica como um curinga, mas até preferia sair. Noussair Mazraoui e Josip Stanisic podem se consolidar na lateral direita, enquanto Alphonso Davies persegue um retorno ao seu melhor nível, com a opção de Guerreiro ao lado.

O meio de campo ganhou Laimer logo de cara como um jogador funcional para atuar no setor e distribuir o jogo. Joshua Kimmich continua como referência técnica, mas cada vez mais indagado sobre sua real capacidade de liderar o time. Não à toa, uma transferência passou a ser discutida de forma mais frequente. Leon Goretzka, outro bem abaixo da sua melhor forma, fica como opção e Ryan Gravenberch ainda não mostrou a que veio, negociável no mercado. A cabeça de área foi um setor que sofreu com a falta de firmeza nas últimas temporadas e, não à toa, pode receber algum reforço na reta final do mercado.

Já no ataque, Kingsley Coman continua como aquele que mais entrega entre os pontas, apesar dos problemas físicos. Serge Gnabry e Leroy Sané oscilam demais e não gozam de tantos créditos mais. Na ligação, Jamal Musiala teve momentos brilhantes na última temporada, sobretudo no primeiro turno. A responsabilidade em seus ombros pareceu pesar depois, em especial após a Copa do Mundo. Já Thomas Müller tem toda sua história no clube e a inteligência ímpar em campo, mas vem de uma de suas temporadas menos confiáveis. Kane precisará transformar o entendimento dos companheiros ao redor. É o jogador mais preparado para protagonizar uma reafirmação do Bayern, mas precisa de colaboração. Ainda tem como estepe Eric-Maxim Choupo Moting, que superou as expectativas quando precisou entrar no ataque, e o garoto Matthys Tel, com boa margem de evolução pela idade.

No papel, o Bayern de Munique continua muito acima de todos os concorrentes. E pode ganhar fácil a Bundesliga mais uma vez. Para tanto, precisa de três fatores principais: ter tranquilidade nos bastidores, conseguir um trabalho coletivo mais claro e recuperar a melhor forma da espinha dorsal de seu elenco. Harry Kane desponta inclusive como um extra nesse contexto, que talvez catalise a melhora do time. Se o Bayern acertar seus rumos, é equipe para sonhar com a Champions mais uma vez. Não pode deixar se afetar pelos temores recentes, como bem se notou na Supercopa.

Borussia Dortmund

Marcel Sabitzer, novo meio-campista do Dortmund (Icon Sport)
Marcel Sabitzer, novo meio-campista do Dortmund (Icon Sport)

  • Estádio: Signal Iduna Park (81,4 mil espectadores)
  • Técnico: Edin Terzic
  • Posição em 2022/23: Vice-campeão
  • Projeção: Briga pelo título
  • Principais contratações: Felix Nmecha (M, Wolfsburg), Marcel Sabitzer (M, Bayern), Ramy Bensebaini (D, Borussia Mönchengladbach)
  • Principais saídas: Jude Bellingham (M, Real Madrid), Ansgar Knauff (M, Eintracht Frankfurt), Mahmoud Dahoud (M, Brighton), Raphaël Guerreiro (D, Bayern), Felix Passlack (D, Bochum), Nico Schulz (D, sem clube), Anthony Modeste (A, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Kobel, Ryerson, Süle, Hummels, Bensebaini; Sabitzer, Can; Malen, Reus, Brandt; Haller.

Dá para confiar no Borussia Dortmund? A pergunta do milhão (e da Salva de Prata) ecoa não apenas na cabeça de quem vê de fora, mas certamente martela na memória de muita gente que convive nos vestiários aurinegros. O trauma da temporada passada foi gigantesco, um dos maiores da história da Bundesliga. Se a fama de falhar na hora decisiva perseguiu o BVB nos últimos anos, nada se compara ao ocorrido no agonizante vice-campeonato de 2022/23. A dúvida é como o Dortmund lidará com tudo isso. E não é que o projeto esportivo sofra grandes cisões em relação ao que aconteceu nos últimos meses.

O mais comum é olhar o copo meio vazio. No papel, o Borussia Dortmund enfraqueceu em relação à temporada passada. Jude Bellingham é uma perda inestimável, como bem se notou na rodada final. Era o melhor jogador da Bundesliga e nem tinha como o BVB segurá-lo mais, diante do desejo expresso de defender o Real Madrid – bem como do dinheiro oferecido aos alemães. Edin Terzic também não se mostrou um treinador totalmente pronto à missão de liderar o BVB, por mais que tenha forte ligação com o clube. Já o impacto psicológico sobre os jogadores, especialmente sobre aqueles que falharam na rodada final, será recordado a cada final de semana no Signal Iduna Park.

Contudo, também dá para ver o copo meio cheio – ou um pouco menos vazio. O elenco do Borussia Dortmund é essencialmente jovem, como de costume, e alguns jogadores podem evoluir. A própria equipe, a despeito da derrapada final, melhorou bastante seu rendimento no segundo turno em relação ao que se viu no primeiro. A defesa se tornou mais confiável na sequência de resultados que consolidou os aurinegros como postulantes ao título e o ataque contou com fases goleadoras de vários atletas no sprint final. Mesmo no mercado, foram boas as reposições – e há quem diga na imprensa alemã que Bellingham não tinha as melhores relações nos vestiários.

Mas não é um Dortmund que sacudiu a poeira em forma de reforços. A janela de transferências atual é até menos agressiva do que a passada. Felix Nmecha é o substituto virtual de Bellingham, mas suas mostras em alto nível com o Wolfsburg foram relativamente pequenas. Marcel Sabitzer vem do próprio Bayern como um jogador de técnica apurada e capacidade de decisão, mesmo que tenha parado no tempo desde que deixou o RB Leipzig. Já na lateral esquerda, Ramy Bensebaini chegou de graça, ainda como um dos melhores defensores da liga, ao final de seu contrato com o Borussia Mönchengladbach. Os dois últimos ocupam os postos de Raphaël Guerreiro e Mahmoud Dahoud, que também optaram por sair no fim dos vínculos.

Resta saber se a relativa confiança depositada em Edin Terzic vai se pagar desta vez. O Borussia Dortmund teve um começo de temporada duro em 2022/23 muito por conta das lesões e dos desfalques. O time melhorou quando conseguiu ter uma estabilidade e o treinador passou a contar mais com a variedade de seu elenco, com muitos jogadores entrando bem do banco de reservas. Derrocada final à parte, a capacidade de resolver partidas até melhorou durante a metade final da campanha. Só que os muitos jovens e jogadores em segunda temporada precisam corresponder com uma curva ascendente, o que a pressão gerada pelo fracasso recente talvez atrapalhe.

Gregor Kobel é um desses que precisará se mostrar forte. O goleiro foi o melhor de sua posição na Bundesliga passada, mas sofreu falhas bastante custosas em momentos-chave. Como um cara que pode garantir pontos cruciais, precisará oscilar um pouco menos. A defesa também tenta encaixar seu melhor. Julian Ryerson foi uma bem-vinda adição na direita, alternando-se com Marius Wolf, numa solução que parece acontecer também com Bensebaini na esquerda. As laterais eram problemas crônicos, mas parecem bem resguardadas pelos titulares. Pelo centro, Niklas Süle esteve entre os melhores do time e Mats Hummels foi bem no geral, apesar da queda e de alguns deslizes. Fica a interrogação a Nico Schlotterbeck, de quem se esperava mais.

O controle do meio-campo deixa certas incógnitas na equipe. Emre Can é um jogador com mais renome que resultados. Curinga na mão de Terzic, ganhou até a braçadeira de capitão. Salih Özcan foi outro que chegou com respaldo e não se firmou. As possibilidades são novas por ali, especialmente após as saídas de Bellingham e do tantas vezes deslocado Raphaël Guerreiro. Nmecha chega para ser o jogador a dominar fisicamente o setor, enquanto Sabitzer é um ganho do ponto de vista técnico. Já a criação pelo meio recai a Marco Reus, que voltou a ser perseguido pelas lesões e fez talvez sua pior temporada pelo clube. Precisará botar a cabeça no lugar, e a decisão de abdicar da braçadeira de capitão demonstra como não ficou bem. Gio Reyna é uma opção de talento, mas também precisando de sequência.

O Borussia Dortmund conta com muita qualidade nas pontas. Alguns dos melhores momentos da temporada passada dependeram do rendimento dos jogadores do setor. Vale destacar o brilho de Julian Brandt, que funciona de tantas maneiras no time e teve uma das temporadas mais consistentes da carreira por seu papel na criação. Donyell Malen conseguiu balançar as redes com frequência e finalmente engrenou, enquanto Karim Adeyemi era um pesadelo por sua velocidade nos momentos saudáveis. Jamie Bynoe-Gittens empolgou como possibilidade saindo do banco, outro que pode crescer mais, e o prodígio Julian Duranville entra na fila de próximas revelações do BVB, trazido anteriormente do Anderlecht.

Já no ataque, Sébastien Haller vai precisar se reerguer. Teve uma baita de uma história ao superar o câncer nos testículos, mas foi quem mais sentiu a rodada decisiva. Estará mais saudável no físico, mas não pode se descuidar do mental. Até por isso o desabrochar de Youssoufa Moukoko será importante ao seu lado, depois de uma temporada crescente.

Pela maneira como o Borussia Dortmund disputou até o fim na temporada passada, sem que o Bayern pareça na sua melhor forma, os aurinegros poderiam até pensar na Salva de Prata. Contudo, depois de tamanho golpe sofrido, talvez seja a hora de começar com pretensões mais modestas e colocar o G-4 como norte. O BVB precisa acalmar o ambiente. Só fica difícil quando as memórias daquela rodada final são insistentemente revisitadas. Nem sempre é simples deixar o passado no passado para reescrever uma nova história. Os aurinegros precisarão de calma, ainda mais agora.

RB Leipzig

Loïs Openda, novo atacante do RB Leipzig (Divulgação)
Loïs Openda, novo atacante do RB Leipzig (Divulgação)

  • Estádio: Red Bull Arena (47 mil espectadores)
  • Técnico: Marco Rose
  • Posição em 2022/23: Terceiro colocado
  • Projeção: Briga pelo título
  • Principais contratações: Loïs Openda (A, Lens), Castello Lukeba (D, Lyon), Christoph Baumgartner (M, Hoffenheim), Benjamin Sesko (A, Red Bull Salzburg), Nicolas Seiwald (M, Red Bull Salzburg), El Chadaille Bitshiabu (D, PSG), Leopold Zingerle (G, Paderborn), Xavi Simons (M, PSG), Fábio Carvalho (M, Liverpool)
  • Principais saídas: Josko Gvardiol (D, Manchester CIty), Dominik Szoboszlai (M, Liverpool), Christopher Nkunku (A, Chelsea), Alexander Sörloth (A, Villarreal), Tom Krauss (M, Mainz), Josep Martínez (G, Genoa), Angeliño (D, Galatasaray), Marcel Halstenberg (D, Hannover), Konrad Laimer (M, Bayern), André Silva (A, Real Sociedad), Abdou Diallo (D, PSG)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Supercopa: Blaswich, Henrichs, Simakan, Orban, Raum; Simons, Schlager, Seiwald, Olmo; Werner, Openda

O RB Leipzig vem de uma temporada vitoriosa e mesmo assim dá para dizer que o time ficou abaixo da encomenda. Não pelo título da Copa da Alemanha, torneio que serve para o clube da Red Bull afirmar sua veia vencedora depois do crescimento estabelecido na elite europeia. O problema do Leipzig foi a maneira como o time competiu menos do que poderia na Bundesliga. Numa edição aberta do campeonato, os Touros Vermelhos lamentaram o mau início de campanha. Domenico Tedesco não sustentou o seu trabalho e a troca de técnico aconteceu no meio do caminho. Marco Rose, ao menos, recuperou o rendimento e garantiu a vaga na Champions com ótima sequência na reta final da temporada. Parece muito mais identificado com o projeto na Red Bull Arena.

As esperanças para o Leipzig residem na continuidade que a primeira temporada completa com Marco Rose poderá impulsionar. É um treinador com boa capacidade ofensiva e conhecedor da liga, depois de seus trabalhos por Borussia Mönchengladbach e Borussia Dortmund. Isso sem falar do passado na própria Red Bull, em especial no Salzburg que o projetou. Tem recursos à disposição para aguentar a maratona dos pontos corridos. E o sinal mais animador ainda veio pela maneira como os Touros Vermelhos encararam o Bayern nos duelos recentes. Já tinham botado os multicampeões no bolso durante a reta final da edição passada da liga, em plena Allianz Arena. Já no último sábado, deram um show de eficiência no ataque e solidez na defesa para emplacar um 3 a 0 na Supercopa que soou o alarme na Baviera.

O Leipzig, no entanto, precisará lidar com o mercado mais movimentado de sua história. Quatro jogadores cabais se despediram do clube, rendendo ao menos um bom dinheiro. Christopher Nkunku era o mais brilhante do ponto de vista individual e parecia certo que ele sairia para o Chelsea. Dominik Szoboszlai fez as malas rumo ao Liverpool depois de elevar seu rendimento, enquanto Josko Gvardiol era objeto de cobiça do Manchester City depois da grande Copa do Mundo. Ainda há Konrad Laimer, com menos cartaz, mas vital ao funcionamento das engrenagens e que se despediu ao final do contrato. E isso para nem ficar naqueles que caíram de nível mais recentemente, como Angeliño ou Marcel Halstenberg – este, ainda bem utilizado, mas que preferiu voltar ao Hannover 96 na reta final de carreira.

O ponto é que, de todos esses quatro, quem parece mais difícil de ser suplantado em termos individuais é Nkunku. A perda de Gvardiol pode ser coberta com mais atenção na parte defensiva e há outras alternativas para o meio, mesmo que Szoboszlai tivesse diferenciais técnicos difíceis de se encontrar. E o ânimo em Leipzig reside no fato de que, além do time ter se mostrado azeitado do ponto de vista coletivo na Supercopa, também ganhou novas alternativas. É um mercado abastado também pelas tantas compras feitas pela Red Bull.

A defesa confia principalmente na chegada de Castello Lukeba, revelação do Lyon, como herdeiro de Gvardiol. A solução para o meio-campo estava no Red Bull Salzburg, com Nicolas Seiwald pronto para evoluir dentro da estrutura da empresa. Christoph Baumgartner é uma boa alternativa para a ligação, vindo do Hoffenheim, assim como os emprestados Fábio Carvalho e Xavi Simons – este, muito bem na Supercopa depois de impressionar no PSV. Já na frente, Loïs Openda desembarca depois de um ano fantástico com o Lens e ainda há Benjamin Sesko, mais um pescado do Salzburg, com potencial para se tornar um dos melhores centroavantes da Europa – é alto, rápido e habilidoso, apesar de ter só 20 anos.

Tal empolgação com o Leipzig se contém um pouco por algumas lacunas. Péter Gulácsi continua lesionado e é desfalque no gol, com Janis Blaswich quebrando um galho por enquanto. Faz milagres, mas também comete deslizes. As laterais precisam de mais capacidade dos dois lados, com Benjamin Henrichs e David Raum abaixo do renome. Já no miolo de zaga, Mohamed Simakan é quem vem em crescimento, com a liderança de Willi Orbán ao lado e a polivalência de Lukas Klostermann no setor.

O meio-campo do Leipzig possui diversos operários. Xaver Schlager chegou muito bem do Wolfsburg e esteve entre os melhores da temporada passada. Kevin Kampl cumpre bem sua missão e é um dos mais rodados, enquanto Amadou Haidara sofre para sublinhar seu potencial. Tanto que Seiwald chegou como titular. Já a ligação conta com uma profusão de nomes. Dani Olmo pode despontar como o craque do time, pela forma como tem se portado em grandes partidas. Sua habilidade é única. Emil Forsberg passou de seu melhor, mas é um dono digno da camisa 10. E os novos tempos apontam para as contribuições de Simons, Baumgartner e Carvalho.

Já na frente, o Leipzig tem pelo menos quatro atacantes de bom nível à disposição de Marco Rose. Openda chega como dono da posição por tudo o que fez na Ligue 1 passada, entre faro de gol e qualidade individual, enquanto Sesko talvez demande um pouco de paciência, mas parece um nome natural para virar titular no futuro. Timo Werner ainda não recuperou a melhor forma que o levou ao Chelsea, mas parece bem mais confiante em si mesmo dentro da Red Bull Arena. Já Yussuf Poulsen fica como uma bandeira de outros tempos, com contribuições esporádicas. Os Touros Vermelhos até preferiram abrir mão de apostas anteriores que não vingaram, como André Silva e Alexander Sörloth.

Obviamente, nem sempre o planejamento dá certo em campo. Isso se notou na temporada passada, quando Domenico Tedesco parecia em melhores condições do que realmente ofereceu. Mesmo assim, os sinais ao redor de Marco Rose são até mais positivos, com muitas opções para o time titular. Absorver as perdas não será algo automático e a temporada tem outros desafios, com a Champions em paralelo. Mas, se a porta está aberta, é hora de sonhar com a Salva de Prata.

Union Berlim

Robin Gosens, novo ala do Union Berlim (Divulgação)
Robin Gosens, novo ala do Union Berlim (Divulgação)

  • Estádio: An der Alten Fösterei (22 mil espectadores)
  • Técnico: Urs Fischer
  • Posição em 2022/23: Quarto colocado
  • Projeção: Briga por Champions
  • Principais contratações: Kevin Volland (A, Monaco), Robin Gosens (D, Internazionale), Diogo Leite (D, Porto), Lucas Tousart (M, Hertha Berlim), Mikkel Kaufmann (A, Copenhague), Benedict Hollerbach (A, Wehen Wiesbaden), Alexander Schwolow (G, Hertha Berlim), Brenden Aaronson (M, Leeds), David Datro Fofana (A, Chelsea), Alex Kral (M, Spartak Moscou)
  • Principais saídas: Sven Michel (A, Augsburg), Paul Seguin (M, Schalke), Levin Öztunali (A, Hamburgo), Kevin Möhwald (M, Eupen), Morten Thorsby (M, Genoa), Tymoteusz Puchacz (D, Kaiserslautern), Niko Giesselmann (D, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Rönnow, Knoche, Diogo Leite, Doekhi; Juranovic, Laïdouni, Rani Khedira, Roussillon; Fofana, Behrens, Becker.

Qual o limite para o Union Berlim? Temporada após temporada, os Eisernen dão um passo a mais em sua consolidação na Bundesliga. A ascensão não teve qualquer retrocesso desde a conquista do acesso inédito há quatro temporadas. Primeiro, o Union se estabeleceu no meio da tabela, longe de correr riscos de rebaixamento. Depois, pintou na Conference League. A vaga na Liga Europa se tornava um feito além. Isso até que a Champions League pintasse no horizonte, dentro do G-4 em 2022/23. É verdade que os berlinenses sonharam até mais alto, figurando na liderança durante o primeiro turno. Mas, dentro da realidade do clube, a classificação ao torneio continental já é imensa.

Urs Fischer faz um dos melhores trabalhos da Europa não é de hoje e o treinador pode ser tratado como o melhor em seu ofício na última edição da Bundesliga. O Union Berlim não oferece um futebol vistoso, de fato. Os Eisernen dependem muito mais do pragmatismo de uma defesa sólida e um ataque perigoso em poucas estocadas, sobretudo nas bolas paradas e contra-ataques. Há evoluções, com mais recursos, nestas quatro temporadas na elite. Tornar-se mais efetivo contra rivais defensivos, para não desperdiçar pontos, talvez seja a próxima meta dos berlinenses nesta consolidação. Mas não se nega a capacidade da equipe, sobretudo por seu nível de concentração e pela entrega dentro de campo. Faz muito com pouco.

Outra coisa que não muda é a atividade intensa do Union Berlim no mercado de transferências. O crescimento do clube não acontece necessariamente por manter uma base, mas sim em apostas amplas em cada janela e encaixe de novos destaques. Não há muito receio num processo de renovação constante e muita gente boa chegou ao Estádio An der Alten Försterei, desde a temporada passada. Um exemplo disso veio com a ótima janela de janeiro, em que Josip Juranovic e Aïssa Laïdouni se somaram após se destacarem na Copa do Mundo. Foram importantes para que os berlinenses se confirmassem dentro do G-4. Se no primeiro turno a sorte esteve ao lado do Union em vários resultados, eles também garantiram mais qualidade.

Com a Champions pela frente, ficou mais fácil para o Union Berlim manter seus destaques. Pouca gente saiu. Nomes como Sven Michel e Niko Giesselmann tiveram alguns momentos importantes, mas longe de serem imprescindíveis. Muito mais ânimo se concentra naqueles que chegam à capital. O melhor exemplo das ambições do Union é Robin Gosens, que deixou a Internazionale e pode acrescentar demais pelo lado esquerdo. O alemão se encaixa no sistema de jogo, sobretudo se recuperar a bola dos tempos de Atalanta. Outro jogador de seleção que desembarca é Kevin Volland, um acréscimo espetacular para o ataque. De certa maneira, sua adição lembra a de Max Kruse, como um atacante extremamente inteligente e menos físico, que faz a engrenagem rodar.

O Union Berlim também garantiu jovens talentos por empréstimo da Premier League, com as cessões de David Datro Fofana e Brenden Aaronson. São dois garotos que empolgam, sobretudo pelos recursos individuais que adicionam ao ataque. Além do mais, o clube foi bem ao aproveitar os espólios dos rebaixados na Alemanha. Alex Kral veio por empréstimo após passar pelo Schalke. Já o Hertha Berlim perdeu a preço de banana Lucas Tousart e Alexander Schwolow, dois que ficaram devendo no Estádio Olímpico, mas podem se recuperar no An der Alten Försterei. Vale mencionar ainda Benedict Hollerbach, destaque no acesso do Wehen Wiesbaden na terceirona, com faro de gol e velocidade.

O Union Berlim mantém seus predicados na defesa. Frederik Rönnow decidiu várias partidas na temporada passada e se confirmou como um baita goleiro. Agora terá a sombra de Schwolow, distante do sucesso que fazia no Freiburg. A defesa conseguiu a permanência de Diogo Leite, um nome importante. Danilho Doekhi foi outro reforço da temporada passada que saiu melhor que a encomenda, com muitos gols nas subidas ao ataque. Da mesma maneira, Robin Knoche esteve entre os melhores do time e se firmou como uma liderança.

As laterais contam com muita qualidade. Josip Juranovic precisou de pouquíssimo tempo para se tornar ídolo na direita, com gols e assistências. Tanto é que desbancou o veterano Christopher Trimmel, ainda capitão e dono de muita qualidade nos cruzamentos. Já na esquerda, Jérôme Roussillon agradou em sua chegada e ganha uma baita companhia com Gosens. Na faixa central, há muitas soluções com bons nomes à disposição desde antes – Rani Khedira, Janik Haberer, Aïssa Laïdouni, András Schäfer. Khedira, em especial, foi além das expectativas na temporada passada e se multiplicou em campo – agora pode dizer sem medo que é o melhor dos irmãos na atualidade. As opções aumentam com Alex Kral e Lucas Tousart. Brenden Aaronson serve de trunfo para jogar por dentro, na armação.

Já na frente, Urs Fischer tem testado um sistema com três atacantes. Há mais qualidade para atacar pelos lados. Sheraldo Becker carregou o time em partidas importantes, mas terá outra ótima companhia com a adição de David Datro Fofana, que funciona em diferentes posições. O garoto empolgou por sua explosão e capacidade ofensiva nas primeiras aparições. E Kevin Volland se torna a solução como homem de referência. Jodan Pefok não emplacou e Kevin Behrens é mais um reserva útil. Chegaram ainda os jovens Mikkel Kaufmann e Benedict Hollerbach, que anotaram seus gols nas divisões de acesso.

A Champions League coloca a régua do Union Berlim num patamar acima. Até pelo pote dos alemães no sorteio, as chances de pegar uma sequência de pedreiras será enorme. A exigência é bem maior do que se viveu na Liga Europa e na Conference. Entretanto, por aquilo que o time vem produzindo nos últimos anos, parece bem palpável continuar na briga pelo G-4 da Bundesliga. Poucos trabalhos são tão consistentes quanto o de Urs Fischer, enquanto o elenco segue em constante evolução.

Freiburg

Christian Streich, técnico do Freiburg (Icon Sport)
Christian Streich, técnico do Freiburg (Icon Sport)

  • Estádio: Europa-Park (34,7 mil espectadores)
  • Técnico: Christian Streich
  • Posição em 2022/23: Quinto colocado
  • Projeção: Briga por Champions
  • Principais contratações: Junior Adamu (A, Red Bull Salzburg), Florian Müller (G, Stuttgart)
  • Principais saídas: Kevin Schade (A, Brentford), Mark Flekken (G, Brentford), Jeong Woo-yeong (M, Stuttgart), Nils Petersen (A, fim de carreira), Jonathan Schmid (D, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Atubolu, Sildillia, Ginter, Lienhart; Doan, Röhl, Eggestein, Sallai; Höller, Gregoritsch, Grifo.

Começa temporada, termina temporada, o Freiburg é um dos clubes mais bem geridos e treinados da Alemanha. O sucesso recente do time da Floresta Negra, muito acima de seu patamar histórico, começa pela boa administração nos bastidores. Não à toa, a equipe conta com um dos estádios mais modernos do país e indica um crescimento sustentável que aproveita os bons resultados. Enquanto isso, Christian Streich está há mais de uma década garantindo competitividade ao time profissional – fora o tempo de base. Mais uma vez, o elenco do Freiburg não é dos melhores da liga, mas ninguém duvida que poderá ambicionar mais uma participação nas copas europeias.

Durante a última temporada, o Freiburg flertou inclusive com a Champions League. Ocupou o G-4 durante grande parcela do campeonato e até mesmo se avizinhou da liderança no primeiro turno. O elenco mais modesto sentiu o baque bem no momento decisivo, sobretudo pelas derrotas nos confrontos diretos contra RB Leipzig e Union Berlim. Mas não que a quinta posição seja um demérito, considerando inclusive o investimento mais robusto de outros tantos concorrentes na tabela. Ainda deu para descolar uma campanha até as semifinais da Copa da Alemanha, bem como às oitavas da Liga Europa.

E a ambição do Freiburg não precisa necessariamente se transformar em gastos descontrolados no mercado ou em mudanças bruscas de direção. Christian Streich tem o elenco nas mãos. É um treinador que possui uma relação bastante próxima com os jogadores, sobretudo aqueles que vêm da base, e consegue aprimorá-los aos poucos na primeira divisão. A equipe também se destaca por um bom nível ofensivo, a despeito de qualquer limitação. O porém ficou para as falhas nos confrontos com os principais times da tabela, não apenas pelas derrotas, mas também por algumas goleadas sofridas. O desafio de Streich é tornar o Freiburg mais confiável nos maiores duelos.

Isso será feito com a manutenção da base, não necessariamente com ações no mercado. Mesmo a presença na Liga Europa por mais uma temporada não rendeu movimentos arrojados na janela de transferências. Florian Müller vem para ser uma opção no gol e Junior Adamu é um potencial destaque no ataque, após surgir no Red Bull Salzburg. Até mais sentida é a saída de Mark Flekken, goleiro importante nas últimas campanhas. O holandês será companheiro no Brentford de Kevin Schade, vendido em definitivo ao fim do empréstimo. Uma era também se encerrou na Floresta Negra com a aposentadoria de Nils Petersen, grande símbolo do ciclo recente em campo, mas com gols menos frequentes nos últimos tempos.

A base do Freiburg começa com um novo goleiro, Noah Atubolu. O jovem de 21 anos é titular nas seleções de base da Alemanha e ganhará respaldo, com a companhia de Florian Müller. A defesa continua centrada em Matthias Ginter, cria do clube que decidiu voltar para fazer parte de um projeto maior, já pensando no futuro como dirigente. É um setor competente também pela presença de Philipp Lienhart, outro ótimo valor. Keven Schlotterbeck volta de empréstimo do Bochum e se torna uma alternativa a mais. Também vale ficar de olho no jovem Kiliann Sildillia, que pode fazer as vezes de zagueiro pela direita num sistema com três homens ou entrar na lateral.

As laterais também são importantes para o Freiburg. Christian Günter é o capitão e uma liderança também técnica, pela qualidade no apoio pela esquerda. Pela direita, Lukas Kübler é uma figura frequente. Mas Streich tem garantido mais força ofensiva pelo setor, inclusive escalando pontas por ali quando opta por três zagueiros. Roland Sallai e Ritsu Doan estão entre os jogadores mais agressivos do elenco, bem como oferecem um rol de qualidades importantes, sobretudo pela individualidade. Na faixa central, Maximilian Eggestein e Nicolas Höfler são as principais peças, num setor que talvez precise de reforços.

Já o ataque ainda pode variar bastante, especialmente considerando Sallai e Doan. O craque do time é Vincenzo Grifo, que vem de mais uma temporada superlativa. Bate na bola como poucos na Bundesliga. Michael Gregoritsch contribuiu com bons números na temporada passada, enquanto Lucas Höler é mais um para jogar como referência na frente. Há garotos como Junior Adamu e o ponta Noah Weisshaupt. Quem também pode ajudar é Daniel Kofi-Kyereh, reforço da temporada passada que pouco atuou por conta de uma séria lesão ligamentar.

No papel, mais uma vez, o Freiburg não é time para constar nas cabeças da tabela. Porém, está mais do que provado como isso não é tão importante, pela forma como o rendimento com Christian Streich sempre é acima do esperado. Pode haver uma pontinha de decepção pelo repetido “quase” nos últimos anos, sem que a equipe da Floresta Negra chegasse à Champions ou conquistasse a Copa da Alemanha. Entretanto, esse é um daqueles problemas bons que certamente nem existiriam se não houvesse uma estrutura tão competente ao redor do time. E uma hora o aguardado feito pode acontecer, diante do que são passos firmes.

Bayer Leverkusen

Granit Xhaka, novo meio-campista do Leverkusen (Divulgação)
Granit Xhaka, novo meio-campista do Leverkusen (Divulgação)
  • Estádio: BayArena (30,2 mil espectadores)
  • Técnico: Xabi Alonso
  • Posição em 2022/23: Sexto colocado
  • Projeção: Briga por Champions
  • Principais contratações: Victor Boniface (A, Union St. Gilloise), Granit Xhaka (M, Arsenal), Jonas Hofmann (A, Borussia Mönchengladbach), Arthur (D, América Mineiro), Matej Kovar (G, Manchester United), Alejandro Grimaldo (D, Benfica)
  • Principais saídas: Moussa Diaby (A, Aston Villa), Mitchel Bakker (D, Atalanta), Kerem Demirbay (M, Galatasaray), Paulinho (A, Atlético Mineiro), Daley Sinkgraven (D, Las Palmas), Karim Bellarabi (A, sem clube), Callum Hudson-Odoi (A, Chelsea)
  • Brasileiros no elenco: Arthur
  • Escalação na Copa da Alemanha: Hradecky, Frimpong, Kossounou, Tapsoba, Grimaldo; Xhaka, Palacios; Hofmann, Wirtz, Adli; Boniface

O Bayer Leverkusen é uma das equipes que mais geram expectativas na Bundesliga. E isso tem a ver não apenas com os talentos no elenco, mas também com seu treinador. Xabi Alonso assumiu os Aspirinas na temporada passada e precisou de pouquíssimo tempo na Alemanha para mostrar sua aptidão na casamata. É seu primeiro trabalho à frente de uma equipe profissional, desde já bastante animador. Não à toa, clubes de peso sondaram o espanhol nesta pré-temporada. Ele preferiu reiterar seu compromisso com o Leverkusen, no que se indica pelo menos como um projeto de médio prazo na BayArena.

Um dos motivos que levam a crer no sucesso de Xabi Alonso é a guinada que o Leverkusen protagonizou na temporada passada. Tudo bem que os riscos de rebaixamento eram irreais pela qualidade à disposição e mesmo para o que vinha sendo o trabalho de Gerardo Seoane na temporada anterior. Fato é que a chegada do novo técnico auxiliou os Aspirinas a virarem a chavinha. Logo passaram a emendar vitórias e ganharam fôlego na tabela. Conseguiram brigar pelas vagas nas copas europeias e descolaram um lugar na Liga Europa. Se houvesse mais tempo, dava para sonhar com a Champions, mesmo com os muitos empates na reta final.

Algo importante para o sucesso do Leverkusen foi a relação de Xabi Alonso com seus jovens. O treinador fez alguns talentos evoluírem nesses últimos meses, assim como outros bons jogadores retornaram de lesão. As esperanças se tornam maiores especialmente pelo potencial de Florian Wirtz, que poderá ser muito mais decisivo numa temporada saudável. Dá para dizer que, se não fossem os desfalques, o desempenho dos Aspirinas poderia ser bem mais linear.

Uma dificuldade é imposta pelo mercado de transferências. Moussa Diaby foi o principal jogador do Leverkusen nas últimas temporadas e a proposta do Aston Villa era irrecusável. Também saíram jogadores que não ofereceram tudo o que se imaginava ao clube mais recentemente, como Mitchell Bakker, Kerem Demirbay e Karim Bellarabi. Porém, muito mais animadoras são as compras, com vários achados.Só assim para explicar a vinda de Granit Xhaka, depois de sua melhor temporada pelo Arsenal, para liderar o meio-campo. O veterano optou por um contrato de longo prazo e pela volta à Alemanha. Outro baita negócio foi tirar Jonas Hofmann do Gladbach, mais um que vinha de momentos brilhantes. A lateral esquerda ganha Alejandro Garnacho, que escolheu a BayArena ao final de seu vínculo com o Benfica, enquanto Arthur é uma aposta na direita pelo que fez na seleção sub-20. O ataque ainda buscou Victor Boniface, destaque na sensação recente causada pela Union St. Gilloise na Bélgica.

O conjunto do Bayer Leverkusen é bastante completo. Lukas Hradecky usa a braçadeira de capitão, embora não seja mais o goleiro de defesas espetaculares de outrora. A defesa conta nas laterais com Grimaldo e especialmente Jeremie Frimpong, talvez o jogador que mais cresceu com Xabi Alonso, voando na direita. Soa até como um milagre se ele não sair nesta janela de transferências. Os zagueiros são jovens e com muita capacidade de desenvolvimento: Edmond Tapsoba, Piero Hincapié, Odilon Kossounou. Ainda há o mais rodado Jonathan Tah como liderança. Pela qualidade das opções, fica até fácil variar o sistema com três homens.

Xhaka desembarca como titularíssimo no meio-campo, mas não está sozinho. Exequiel Palacios fez uma temporada de afirmação na faixa central, lembrando seus melhores tempos de River Plate. Robert Andrich não tem tanta badalação, mas se encaixou muito bem na BayArena. Já na criação, Wirtz deve ganhar bem mais minutos em campo e se apresentar como o cérebro do Leverkusen, o que não teve condições de fazer na temporada passada pelas lesões.

Jonas Hofmann é outro que vem bastante credenciado pela forma recente na Bundesliga, com o rótulo de jogador de seleção. Garantiu muitos gols e assistências nos tempos recentes. Amine Adli ganhou espaço com Xabi Alonso e deu indícios animadores, enquanto Adam Hlozek é um trunfo que pode se desenvolver em seu segundo ano na Bundesliga. Os Aspirinas só precisam de atenção com seu centroavante. Boniface veio para ser o dono da posição e é um jogador de muita explosão na linha de frente. É para ser um setor melhor servido, mas Patrik Schick e Sardar Azmoun começam a temporada no estaleiro.

Não é de hoje que, por elenco, o Leverkusen deveria ser time para se manter firme no G-4 da Bundesliga. Muitas vezes o planejamento não se desdobra em campo, até pela característica do clube em apostar muito em jovens. Contudo, as promessas animadoras também se alinham com aquilo que é feito no banco de reservas. Xabi Alonso poderá desenvolver um trabalho mais completo depois da pré-temporada e, quem sabe, acelerar um pouco mais essa curva de evolução que já teve um crescimento exponencial em 2022/23.

Eintracht Frankfurt

Ellyes Skhiri, novo meio-campista do Frankfurt (Divulgação)
Ellyes Skhiri, novo meio-campista do Frankfurt (Divulgação)

  • Estádio: Deutsche Bank Park (58 mil espectadores)
  • Técnico: Dino Toppmöller
  • Posição em 2022/23: Sétimo colocado
  • Projeção: Briga por Liga Europa
  • Principais contratações: William Pacho (D, Royal Antuérpia), Hugo Larsson (M, Malmö), Junior Dina Ebimbe (M, PSG), Ansgar Knauff (M, Dortmund), Jessic Ngankam (A, Hertha Berlim), Philipp Max (D, PSV), Nnamdi Collins (D, Dortmund II), Robin Koch (D, Leeds), Ellyes Skhiri (M, Colônia), Omar Marmoush (A, Wolfsburg)
  • Principais saídas: Djibril Sow (M, Sevilla), Diant Ramaj (G, Ajax), Ragnar Ache (A, Kaiserslautern), Evan Ndicka (D, Roma), Daichi Kamada (M, Lazio), Jérôme Onguéné (D, Servette), Almamy Touré (D, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Tuta
  • Escalação na Copa da Alemanha: Trapp, Koch, Pacho, Hasebe; Buta, Dina Ebimbe, Skhiri, Max; Götze, Lindström; Kolo Muani.

O Eintracht Frankfurt chegou ao ápice há duas temporadas, quando conquistou a Liga Europa. Durante o último ano, as Águias direcionaram suas energias para a participação na Champions League depois de mais de seis décadas de ausência e deixaram boas impressões, especialmente com a classificação para os mata-matas. A próxima fronteira seria estabelecer o clube dentro do G-4 da Bundesliga. Contudo, essa foi uma barreira que a SGE não conseguiu superar. Repetidas vezes, quando parecia ter forças suficientes para fincar o pé da zona de classificação à Champions, isso não aconteceu.

O melhor momento do Frankfurt na temporada passada aconteceu na virada dos turnos, quando a equipe alcançou o G-4 durante algumas rodadas. O rendimento caiu bastante no segundo turno, com uma sequência sem vitórias, e somente os triunfos na reta final garantiram a vaga na Conference League. Ficou um clima de fim de feira, especialmente pela saída de Oliver Glasner. O treinador excedeu os prognósticos quando conseguiu faturar o título da Liga Europa, mas seu trabalho no Deutsche Bank Park seria relativamente curto.

O Frankfurt realizou uma aposta para substituí-lo. O novo comandante da equipe é Dino Toppmöller, jovem de 42 anos que terá sua maior experiência na carreira. Chegou a dirigir o Dudelange na epopeia até a Liga Europa na década passada e ficou os últimos anos como assistente de Julian Nagelsmann, tanto no RB Leipzig quanto no Bayern. Todavia, ainda precisará se provar. Ao menos possui um cordão umbilical com as Águias, já que seu pai, Klaus Toppmöller, chegou a ser treinador do clube nos anos 1990 – antes de fazer seu principal trabalho, vice da Champions com o Bayer Leverkusen em 2001/02.

Há uma transição também no elenco do Frankfurt. O mercado de transferências viu diversos jogadores importantes se despedirem, alguns deles ao final de seus contratos. Daichi Kamada deixa uma lacuna imensa na ligação do ataque, enquanto o meio-campo sentirá falta da imposição de Djibril Sow na cabeça de área. Na zaga, Evan Ndicka é mais um que se despede, importante no ciclo recente.

Os reforços se concentram em jovens, com muitas novidades. O Frankfurt buscou o promissor zagueiro William Pacho no Royal Antwerp campeão belga, enquanto Hugo Larsson veio com moral do Malmö para o meio-campo. O ataque ganha a opção de Jessic Ngankam, centroavante das seleções de base rebaixado com o Hertha. Há ainda negócios inteligentes, com as vindas sem custos de Ellyes Skhiri para o meio e Omar Marmoush no ataque, bem como o empréstimo de Robin Koch junto ao Leeds. A SGE trabalhou para garantir a permanência de alguns emprestados, entre eles Junior Dina Ebimbe, Ansgar Knauff e Philipp Max.

Apesar das mudanças, o Eintracht Frankfurt segue com um elenco forte em todos os setores. Kevin Trapp retornou ao clube para se recolocar entre os melhores goleiros da Alemanha. A zaga muda um bocado, mas Tuta e Makoto Hasebe terão boas companhias com as chegadas de Koch e Pacho. Toppmöller mantém de início o sistema com três zagueiros, dando liberdade a Aurélio Buta, Angsar Knauff e Philipp Max nas alas. É um estilo de jogo que se consagrou em Frankfurt desde os tempos de Adi Hütter e que não sofreu grandes alterações desde então.

O meio-campo se torna um dos setores mais interessantes, especialmente pela adição de Skhiri. É um jogador aclimatado à Bundesliga e que pode se tornar de cara o termômetro do time. Quem também segue em alta no setor é o capitão Sebastian Rode, um dos melhores da última temporada. Têm a companhia de Kristijan Jakic, Dina Ebimbe e Hugo Larsson. Na ligação, Mario Götze teve bons momentos na volta à Bundesliga e Jesper Lindström pode produzir mais do que se viu na última temporada. Tecnicamente, são muito bons. E a dúvida no comando do ataque fica para a permanência de Randal Kolo Muani, de longe o melhor do time na temporada passada. É um centroavante que marca gols e, principalmente, contribui demais com sua movimentação. Sem ele, há outras alternativas como Rafael Santos Borré, Marmoush e Ngankam. Ninguém com a qualificação do francês.

A temporada tende a ser mais tranquila para o Eintracht Frankfurt, sem se preocupar com a Champions League. É um elenco montado essencialmente para o torneio, que continua recheado apesar das despedidas importantes. Isso pode ser fundamental para a regularidade no topo da tabela. Antes disso, as Águias precisam mostrar que a linha de trabalho segue mantida. Dependerá do impacto inicial de seu novo treinador e também dos serviços prestados por quem assumir o papel de protagonista.

Wolfsburg

Lovro Majer, novo meio-campista do Wolfsburg (Divulgação)
  • Estádio: Volkswagen Arena (30 mil espectadores)
  • Técnico: Niko Kovac
  • Posição em 2022/23: Oitavo colocado
  • Projeção: Briga por Liga Europa
  • Principais contratações: Lovro Majer (M, Rennes), Joakim Maehle (D, Atalanta), Vaclav Cerny (A, Twente), Moritz Jens (D, Lorient), Tiago Tomás (A, Sporting), Rogério (D, Sassuolo), Cédric Zesiger (D, Young Boys)
  • Principais saídas: Micky van de Ven (D, Tottenham), Felix Nmecha (M, Borussia Dortmund), Marin Pongracic (D, Lecce), Tim Siersleben (D, Heidenheim), Omar Marmoush (A, Eintracht Frankfurt), Paulo Otávio (D, Al-Sadd), Josuha Guilavogui (M, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Rogério
  • Escalação na Copa da Alemanha: Casteels, Maehle, Lacroix, Zesiger, Rogério; Gerhardt, Svanberg, Cerny, Kaminski; Wind, Nmecha.

O Wolfsburg contratou bastante nas últimas temporadas, mas não necessariamente colheu bons resultados. Os Lobos não se classificaram para as copas europeias nas duas últimas edições da Bundesliga, e isso depois de retornarem até à Champions League. Na temporada passada, todavia, os alviverdes até flertaram com um lugar nas competições secundárias. O time chegou a ter uma série de vitórias excelente no final do primeiro turno, que o colocou na zona de classificação à Liga Europa e à Conference. O problema veio nas rodadas finais, com duras derrotas, incluindo um 6 a 0 do Borussia Dortmund.

Apesar dos objetivos que ficaram pelo caminho, a direção preferiu dar um voto de confiança a Niko Kovac no comando. É um treinador bastante experiente na Bundesliga, acostumado às principais brigas na tabela. A personalidade forte muitas vezes não ajuda, assim como o pragmatismo. Contudo, dentro das opções possíveis aos alviverdes, não é que o mercado oferecesse grandes substitutos. Terá tempo para desenvolver ainda mais seu trabalho, principalmente em relação a alguns jovens que permanecem na Volkswagen Arena.

O Wolfsburg fez um bom lucro no mercado de transferências, com duas vendas principais. Micky van de Ven mostrou ótima capacidade na marcação e seguiu para o Tottenham, enquanto Felix Nmecha precisou de poucos meses em alto nível para virar aposta do Borussia Dortmund. Os ganhos seriam reinvestidos em vários setores, e com qualidade. O conjunto dos Lobos até parece fortalecido diante das trocas, mesmo considerando a perda de graça de Omar Marmoush ao final de seu contrato.

Lovro Majer é uma reposição até melhor ao meio-campo do Wolfsburg, com sua experiência no Rennes e na Croácia. Está bem mais pronto que Nmecha para encabeçar a faixa central. A lateral terá Joakim Maehle, excelente no apoio pela Atalanta e pela Dinamarca, que poderá se encaixar no estilo da Bundesliga. Há alguns jovens badalados desde cedo que chegam, como Vaclav Cerny, Moritz Jens e Tiago Tomás. O Brasil também volta a contar com um representante na Volkswagen Arena, com a compra do lateral Rogério, titular do Sassuolo por cinco temporadas. Suplanta Paulo Otávio, que seguiu ao Al-Sadd, do Catar.

A escalação do Wolfsburg abre com Koen Casteels, um goleiro até subestimado pelo alto nível que entrega há anos no clube. A defesa continua bem servida mesmo com o adeus de Van de Ven. Maxence Lacroix é um dos melhores do time e vem de uma ótima temporada. Sebastiaan Bornauw pode acompanhá-lo, enquanto Moritz Jens e Cédric Zesiger foram reforços à zaga. Já nas laterais, Maehle consegue funcionar de ambos os lados e Rogério tende a ser o titular na esquerda. A direita ainda pode contar com Ridle Baku, muito forte no apoio e tantas vezes escalado como ponta.

Se Lovro Majer é a novidade no meio, por lá também permanece Maximilian Arnold. É o capitão e o maestro do time, sempre entre os protagonistas independentemente do resultado na tabela. Mattias Svanberg é outro bom nome no setor, bem como o rodado Yannick Gerhardt. Mais à frente, os Lobos contam com pontas muito jovens, a exemplo de Jakub Kaminski e Patrick Wimmer. Vaclav Cerny se soma ao setor, com bons números na temporada recente pelo Twente e boas doses de habilidade. O elenco também reúne qualificados homens de referências, embora jovens que não estouraram como o esperado. É o caso de Lukas Nmecha e Jonas Wind, que pelo menos terão a sombra de Tiago Tomás, com seus lampejos pelo Stuttgart.

O potencial do Wolfsburg é claro, e isso não vem apenas da atual temporada. Problema maior é a distância entre a força no papel e aquilo que se nota em campo. As circunstâncias atuais, de qualquer maneira, parecem prevalecer para um pouco mais de otimismo. O elenco, mesmo com perdas, pode aproveitar bem mais os muitos ganhos garantidos no mercado. Enquanto isso, Niko Kovac terá mais alguns meses para mostrar como tem capacidade para liderar um salto, tal qual o promovido em sua passagem pelo Eintracht Frankfurt.

Mainz 05

Bo Svensson, treinador do Mainz (Foto: Icon Sport)
Bo Svensson, treinador do Mainz (Foto: Icon Sport)

  • Estádio: Mewa Arena (33,3 mil espectadores)
  • Técnico: Bo Svensson
  • Posição em 2022/23: Nono colocado
  • Projeção: Meio de tabela
  • Principais contratações: Tom Krauss (M, Leipzig), Daniel Batz (G, Saarbrücken), Sepp van den Berg (D, Liverpool)
  • Principais saídas: Angelo Fulgini (M, Lens), Marcus Ingvartsen (A, Nordsjaelland), Alexander Hack (D, Al-Qadsiah), Marlon Mustapha (A, Como), Aaron Martin (D, Genoa), Ronaël Pierre-Gabriel (D, Nantes), Finn Dahmen (G, Augsburg), Anderson Lucoqui (D, Hertha Berlim)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Zentner, Kohr, Fernandes, Bell; Da Costa, Stach, Barreiro, Caci; Lee, Ajorque, Onisiwo.

O Mainz 05 é mais um clube que supera os prognósticos nas temporadas recentes. Os alvirrubros até pareciam condenados ao rebaixamento, quando Bo Svensson assumiu o comando em janeiro de 2021. O antigo jogador do clube aumenta a lista de bons técnicos formados pelos alvirrubros. A equipe não apenas escapou do descenso, como também vem de duas temporadas na metade de cima da tabela. O elenco é bem mais modesto que outros times próximos na classificação, mas a entrega coletiva está acima da média e garante os bons desempenhos.

A temporada passada serviu de exemplo sobre as ambições do Mainz 05, que por vezes até pintou na zona de classificação às copas europeias. O time teve um desempenho regular tanto fora quanto em casa, além de apresentar um ataque relativamente efetivo. A lista de grandes resultados incluiu vitórias sobre RB Leipzig e Bayern de Munique. Não fosse a queda de desempenho na reta final, daria para descolar um lugar na Conference. Os alvirrubros conquistaram só um ponto nas últimas cinco rodadas. Foi aquele ponto que tirou o título do Borussia Dortmund no Signal Iduna Park.

A expectativa de bons resultados está mesmo na continuidade de Bo Svensson. O treinador se mantém fiel ao time armado no 3-5-2, mas sabe fazer adaptações pontuais conforme os desafios e se colocou como uma dor de cabeça às potências locais. Só não pode contar muito com acréscimos no mercado. A janela de transferências do Mainz tem pouquíssimas movimentações até o momento. Tom Krauss é um bom nome para o meio, mas pouco. Até porque saíram vários jogadores experientes, que participaram ativamente da última campanha – o zagueiro Alexander Hack, o lateral Aarón Martín e o centroavante Marcus Ingvartsen.

Robin Zentner é o titular absoluto no gol, com bom nível e também a braçadeira de capitão. A linha de três zagueiros conta com alguns jogadores experimentados, a exemplo de Edimilson Fernandes, Stefan Bell e Dominik Kohr. Sepp van der Berg chega à rotação emprestado pelo Liverpool, onde o norueguês Andreas Hanche-Olsen também se valoriza depois de chegar bem na última janela de inverno. Não são jogadores que enchem os olhos, mas há uma base clara para manter as perspectivas de aparecer no meio da tabela.

A base do meio-campo do Mainz esteve na dupla de volantes formada por Leandro Barreiro e Anton Stach, dois jogadores jovens e que garantem bom dinamismo à equipe. A chegada de Tom Krauss também pode auxiliar nesse sentido, com boas atuações apesar do rebaixamento do Schalke.  Já nas laterais, Danny da Costa oferece força pelo lado direito e, na esquerda, Anthony Caci é a alternativa principal.

Na frente, mesmo que Ingvartsen tenha saído, o Mainz está bem abastecido de centroavantes. Ludovic Ajorque incomodou muitas defesas e teve ótima sequência no segundo turno. Jonathan Burkardt vinha de uma boa temporada em 2021/22, mas a lesão sofrida em 2022/23 atrapalhou bastante. E, no apoio, dois dos melhores do time. Lee Jae-sung fez uma temporada muito boa e Karim Onisiwo viveu seu melhor ano desde que chegou à Mewa Arena. Também entregam gols.

Nome por nome, o Mainz é inferior a todos os times acima na tabela e parte dos que ficaram abaixo. Mas há atalhos que auxiliam na classificação e que o time vem aproveitando muito bem. Pelas limitações, não seria uma surpresa se os alvirrubros tivessem alguma ameaça do rebaixamento. Mas não é a tendência, pelo trabalho construído por Bo Svensson há quase três anos. Vai ser um osso duro de roer para qualquer adversário.

Borussia Mönchengladbach

Gerardo Seoane, novo treinador do Borussia Mönchengladbach (Icon Sport)

  • Estádio: Borussia Park (54,1 mil espectadores)
  • Técnico: Gerardo Seoane
  • Posição em 2022/23: Décimo colocado
  • Projeção: Meio de tabela
  • Principais contratações: Tomas Cvancara (A, Sparta Praga), Franck Honorat (A, Brest), Julian Weigl (M, Benfica), Fabio Chiarodia (D, Werder Bremen), Robin Hack (A, Arminia Bielefeld), Maximilian Wöber (D, Leeds), Grant-Leon Ranos (A, Bayern II)
  • Principais saídas: Jordan Beyer (D, Burnley), Jonas Hofmann (A, Leverkusen), Marcus Thuram (A, Internazionale), Ramy Bensebaini (D, Dortmund), Lars Stindl (M, Karlsruher)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Omlin, Scally, Friedrich, Wöber, Netz; Itakura, Weigl; Honorat, Plea, Ngoumou; Cvancara

O Borussia Mönchengladbach se vê estagnado há três temporadas. Marco Rose fez um trabalho muito bom nos Potros, mas, desde que anunciou sua saída para o Borussia Dortmund, o caldo entornou no clube. Os alvinegros pareciam em boas mãos com Adi Hütter, mas não saíram do marasmo. O mesmo aconteceu com Daniel Farke, que até ofereceu parcos momentos animadores no início da Bundesliga, que não se sustentaram. Mais uma vez, o Gladbach recorre a um novo treinador. Vai ver se consegue encontrar algum rumo com Gerardo Seoane.

O novo técnico ganha uma segunda chance na Bundesliga, depois da demissão na temporada passada. Seoane fez um bom trabalho no Bayer Leverkusen em 2021/22, que resultou na classificação do time para a Champions League. Entretanto, se viu enroscado com a briga contra o rebaixamento na temporada seguinte e perdeu o seu emprego rapidamente. É uma alternativa interessante, considerando essa experiência inicial na Alemanha. O que deixa desconfiança é que as condições no Borussia Park não parecem boas.

O mercado de transferências depenou o Gladbach. O clube perdeu muitos jogadores importantes de uma só vez. Marcus Thuram e Ramy Bensebaini decidiram não renovar os seus contratos, depois de temporadas boas no Borussia Park. Já o capitão Lars Stindl se despediu da torcida, ao decidir uma volta para casa, ao assinar com o Karlsruher na segunda divisão. E um golpe até inesperado veio de Jonas Hofmann. Na surdina, o ponta acertou sua mudança para o Bayer Leverkusen, graças ao baixo valor de rescisão. Era uma pancada que os alvinegros não precisavam, do melhor do time na campanha passada.

Naturalmente, o Gladbach precisou gastar em reforços. Não traz nomes tão badalados. A principal figura é Julian Weigl, que fica em definitivo ao final de seu empréstimo. Maximilian Wöber veio cedido pelo Leeds após o rebaixamento. De resto, muitos jogadores sem tanto cartaz. O maior investimento é no centroavante Tomas Cvancara, entre os destaques do Sparta Praga na conquista do Campeonato Tcheco. Franck Honorat também veio do Brest para a ponta direita, com bons números ofensivos pela Ligue 1. Ainda assim, parece pouco.

Jonas Omlin assumiu o gol do Gladbach após a saída de Yann Sommer e virou capitão com seis meses de Borussia Park. O miolo de zaga continua com jogadores reconhecidos no clube, em especial Nico Elvedi, com o apoio de Marvin Friedrich e Tony Jantschke, além do recém-chegado Wöber. Nas laterais, Joe Scally ganha sequência diante da ausência de Stefan Lainer, com um linfoma, e Luca Netz é a opção principal na esquerda.

O meio-campo é bom, apesar dos desfalques. Christoph Kramer e o ascendente Manu Koné estão lesionados. Julian Weigl fica como referência, enquanto Ko Itakura pode atuar na cabeça de área ou na zaga com a mesma competência. Florian Neuhaus já teve temporadas muito boas, mas caiu bastante recentemente. Já no setor ofensivo, o grande talento é Alassane Plea. O francês fica como face de tempos que se distanciam no Borussia Park. Patrick Herrmann também tem muita rodagem no clube, sem a mesma influência de outrora. É ver a contribuição que Cvancara e Honorat poderão garantir.

A situação do Gladbach é para ligar o sinal de alerta. O clube possui uma boa estrutura e ainda destaques pontuais. No entanto, o impacto dos jogadores que saíram é muito grande. Talvez o fim de ciclo se reflita inclusive em temores contra o rebaixamento, numa situação que os Potros viviam há uma década. É ver se os novos tempos se refletem numa mudança de postura, se distanciando da acomodação notada com Hütter e Farke. Mas é fato que Seoane terá um material humano pior para trabalhar.

Colônia

11 Steffen Baumgart, treinador do Colônia (Icon Sport)
Steffen Baumgart, treinador do Colônia (Icon Sport)

  • Estádio: Rhein Energie (49,7 mil espectadores)
  • Técnico: Steffen Baumgart
  • Posição em 2022/23: 11° colocado
  • Projeção: Meio de tabela
  • Principais contratações: Julian Chabot (D, Sampdoria), Jacob Christensen (M, Nordsjaelland), Leart Paqarada (D, St. Pauli), Philipp Pentke (G, Hoffenheim), Jonas Nickisch (G, RB Leipzig), Luca Waldschmidt (A, Wolfsburg), Rasmus Cartensen (D, Genk)
  • Principais saídas: Ondrej Duda (M, Verona), Ellyes Skhiri (M, Eintracht Frankfurt), Kingsley Schindler (A, Samsunspor), Nikola Soldo (D, Kaiserslautern), Tim Lemperle (A, Greuther Fürth), Jonas Hector (D, fim de carreira), Timo Horn (G, sem clube), Sebastian Andersson (A, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Dimitrios Limnios (filho de brasileira)
  • Escalação na Copa da Alemanha: Schwäbe, Schmitz, Hübers, Chabot, Paqarada; Huseinbasic, Martel, Kainz; Olesen; Selke, Waldschmidt

Tradição não falta para o Colônia dentro da Bundesliga. Os Bodes também tiveram alguns momentos de brilho recentes, mesmo que a vaga na Liga Europa tenha se seguido por um rebaixamento. Nos últimos anos, a estabilidade se nota no meio da tabela. Steffen Baumgart faz um trabalho tão bom que levou os alvirrubros até para a Conference League. São campanhas seguras, dentro do nível de investimento do Effezeh. A questão é que a falta de dinheiro também limita as perspectivas no Estádio Rhein Energie.

A temporada passada do Colônia foi razoável, não mais do que isso. A briga pelas copas europeias durou apenas algumas rodadas, sem ir além do bom início. Os Bodes se acostumaram bem mais com a monotonia do meio da tabela. E preocuparam algumas goleadas sofridas. O Dortmund chegou a fazer 6 a 1, enquanto Mainz e Gladbach meteram cinco gols nos Bodes. Não foi o time mais confiável, ainda que tenha tentado colocar água no chope do Bayern de Munique durante a rodada final – e, em certo momento, até parecia propenso a conseguir.

Será uma temporada de renovar as lideranças no Colônia. Muitos jogadores importantes saíram. Jonas Hector se aposentou como uma figura essencial para os Bodes na última década. Timo Horn não tinha o mesmo moral de antes no gol e não teve contrato renovado, assim como Sebastian Andersson, que não correspondeu com o faro de gols visto no Union Berlim. Também é penosa a despedida de Ellyes Shkiri, motor no meio-campo, que não quis renovar. A lista de reforços é modesta, até por uma punição no mercado em suspenso, que atrapalha os planos. Os únicos gastos foram em Julian Chabot, que já estava emprestado. Nomes como o volante Jacob Christensen e o lateral Leart Paqarada vieram a custo zero. Já Luca Waldschmidt é quem anima um pouco mais, emprestado.

Marvin Schwäbe é um dos destaques do time, provando-se um bom goleiro a ponto de escantear o ídolo Horn. A zaga teve alguns dos melhores do time na temporada passada, em especial pelo rendimento de Timo Hüber e Julian Chabot no setor. Nas laterais, Benno Schmitz é o dono da posição na direita e Paqarada tentará suplantar Hector na esquerda, trazendo consigo grande bagagem da segunda divisão. É um setor que preocupa também pela falta de opções mais confiáveis na rotação.

O meio-campo terá que se virar sem Skhiri, o melhor do time na última temporada, e com a lesão de Dejan Ljubicic. Garotos como Eric Martel e Denis Huseinbasic começam o campeonato com mais espaço. O mesmo vale para Mathias Olesen, que vira aposta na armação. Baumgart deve apostar suas fichas nos citados novatos. Mais tarimbado, Florian Kainz é figura central e garante capacidade técnica no meio ou na ponta. Vai ser a fonte de inspiração dos Bodes.

Já o ataque do Colônia parece aberto a possibilidades, inclusive de outros jovens como Linton Maina e Jan Thielmann. O Effezeh abriu a temporada com Davie Selke, de bom rendimento no segundo turno da Bundesliga, se combinando com Luca Waldschmidt – alguém que anda devendo, para quem despontava como um futuro jogador de seleção. Steffen Tigges seria outra opção, mas está lesionado. Mark Uth e Sargis Adamyan também são dois medalhões.

As reticências sobre o Colônia foram confirmadas na Copa da Alemanha, com dificuldades para eliminar o Osnabrück durante a prorrogação. Se a tendência dos últimos anos foi trabalhar com os pés no chão, a ausência de reforços mais qualificados não deixa de ser preocupante. É mais um time que se agarra a um treinador acima da média para corrigir os problemas. Ao menos nas temporadas anteriores, Steffen Baumgart cumpriu a missão e criou uma relação bastante intensa com a torcida.

Hoffenheim

Attila Szalai, novo zagueiro do Hoffenheim (Divulgação)
Attila Szalai, novo zagueiro do Hoffenheim (Divulgação)

  • Estádio: PreZero Arena (30,1 mil espectadores)
  • Técnico: Pellegrino Matarazzo
  • Posição em 2022/23: 12° colocado
  • Projeção: Fugir do rebaixamento
  • Principais contratações: Attila Szalai (D, Fenerbahçe), Marius Bülter (A, Schalke), Wout Weghorst (A, Burnley), Julian Justvan (M, Paderborn), Florian Grillitsch (M, Ajax)
  • Principais saídas: Christoph Baumgartner (M, RB Leipzig), Stefan Posch (D, Bologna), Munas Dabbur (A, Shabab Al-Ahli), Jacob Bruun Larsen (A, Burnley), Sebastian Rudy (M, sem clube), Angeliño (D, Leipzig), Kasper Dolberg (A, Nice), Thomas Delaney (M, Sevilla)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Baumann, Vogt, Kabak, Brooks; Kaderabek, Stiller, Prömel, Grillitsch, Bülter; Weghorst, Kramaric

Os tempos de Champions League parecem ter ficado para trás ao Hoffenheim. As últimas temporadas da equipe foram limitadas ao meio da tabela, sobretudo desde a saída de Julian Nagelsmann. Os alviazuis chegaram a fazer algumas apostas interessantes entre seus técnicos, mas sem muita continuidade. É um momento conturbado do Hoffe, em que a própria gestão de Dietmar Hopp andou sendo contestada. A fórmula de contratar jovens talentos se tornou batida e os olheiros do clube não se mostram tão certeiros.

A campanha passada foi no mínimo estranha. O Hoffenheim parecia até capaz de lutar por Champions League, com quatro vitórias nas primeiras seis rodadas. A tabela auxiliou de início e o time não segurou a bronca quando as dificuldades aumentaram, sobretudo na virada do ano. Os alviazuis despencaram na tabela e trocaram de técnico, com André Breitenreiter dando lugar a Pellegrino Matarazzo. O novo comandante ainda levou um tempo para engrenar e o Hoffe pintou na zona de rebaixamento. Só melhorou os resultados no sprint final, pelo menos evitando o descenso.

Pellegrino Matarazzo ganhou um voto de confiança à frente do Hoffenheim. É um treinador conhecido por uma mentalidade ofensiva e métodos inovadores, que trabalhou na Pre Zero Arena anteriormente quando dirigiu as categorias de base e atuou como auxiliar de Julian Nagelsmann. O comandante chegou a 100 partidas à frente do Stuttgart, mas foi um período de altos e baixos, quando suas exigências por vezes pareceram pouco condizentes para as condições dos suábios. Até ficou mais tempo do que se imaginava, pelo desempenho.

Para a próxima temporada, o Hoffenheim não contará com um de seus principais talentos. Christoph Baumgartner aproveitou uma proposta do RB Leipzig para brigar na parte de cima da tabela. Hopp, pressionado, reinvestiu o dinheiro num mercado de bons negócios – mas com jogadores rodados para resolverem o quanto antes. Attila Szalai chegou a ser cobiçado por clubes maiores, mas acabou na Pre Zero Arena e é um excelente zagueiro. Já Wout Weghorst volta à Alemanha para se reencontrar com a fome de gols perdida desde que saiu do Wolfsburg. Vieram outros jogadores competentes, como Marius Bülter e Florian Grillitsch. Mas é um elenco que passa longe da reputação de revelador do Hoffe.

Oliver Baumann é um goleiro de ótima capacidade para o Hoffenheim e está entre as grandes figuras da história do clube. A defesa também possui bons jogadores. Attila Szalai se soma a um grupo de beques que inclui os rodados Kevin Vogt e John Anthony Brooks. Ozan Kabak tenta recuperar as promessas do passado, enquanto Stanley Nsoki é outro jovem à disposição. Destaque também para Kevin Akpoguma, entre os melhores do time na Bundesliga passada. Nas laterais, enquanto Pavel Kaderabek é nome certo na direita, a esquerda perdeu Angeliño e Bülter começou a temporada quebrando um galho por ali como ala.

O meio-campo do Hoffenheim tem jogadores interessantes, mas ninguém fora de série. Diadié Samassékou, Dennis Geiger, Angelo Stiller e Grischa Prömel garantem as opções, além do recém-chegado Grillitsch. Robert Skov é outro presente que nunca engrenou. Já no ataque, a tendência é usar dois homens de frente. Andrej Kramaric continua como uma das lideranças do Hoffe e anotou gols fundamentais na última campanha. Ihlas Bebou segue por lá, mas perde espaço especialmente com a chegada de Weghorst. Houve uma limpa no setor, com vários nomes que saíram – incluindo Kasper Dolberg, Jacob Bruun Larsen e Munas Dabbur.

Mesmo que o saldo do mercado do Hoffenheim seja positivo, ainda falta muito para acreditar num salto tão consistente na tabela. É verdade que, em partes das últimas temporadas, os alviazuis conseguiram render até acima do que se projetava. Mas o resultado final, invariavelmente, acabou sendo a parte intermediária da tabela – no melhor dos cenários. Ter um treinador arrojado, neste caso, não parece necessariamente a solução.

Werder Bremen

Naby Keïta, novo meio-campista do Werder Bremen (Divulgação)
Naby Keïta, novo meio-campista do Werder Bremen (Divulgação)
  • Estádio: Weserstadion (42,1 mil espectadores)
  • Técnico: Ole Werner
  • Posição em 2022/23: 13° colocado
  • Projeção: Meio de tabela
  • Principais contratações: Senne Lynnen (M, Union St. Gilloise), Naby Keïta (M, Liverpool), Dawid Kownacki (A, Fortuna Düsseldorf)
  • Principais saídas: Niklas Schmidt (M, Toulouse), Fabio Chiarodia (D, Borussia Mönchengladbach), Lee Buchanan (D, Birmingham), Maximilian Philipp (A, Wolfsburg)
  • Brasileiros no elenco: Leonardo Bittencourt (filho de brasileiro)
  • Escalação na Copa da Alemanha: Pavlenka, Veljkovic, Pieper, Stark; Burke, Bittencourt, Stage, Jung; Schmid, Füllkrug, Ducksch.

O Werder Bremen conseguiu ter uma campanha relativamente segura na Bundesliga depois de voltar da segundona. Os Verdes não necessariamente honraram sua tradição, mas evitaram riscos mais claros de uma nova queda. Há um investimento em Ole Werner, um dos treinadores mais promissores da Alemanha, e o elenco possui seus destaques, sobretudo no ataque. A Copa da Alemanha, contudo, indicou que a temporada talvez se torne mais difícil do que o esperado. Os Papagaios foram eliminados logo de cara em 2023/24, no duelo contra o Viktoria Colônia – um time tradicional, mas que atualmente disputa a terceirona.

Na última edição da Bundesliga, o Werder Bremen se satisfez com a segurança do meio da tabela. O começo até saiu melhor do que a encomenda, incluindo bons resultados contra adversários fortes. A diferença em relação ao Schalke 04, outro que vinha da segundona, já indicava como o trabalho dos Papagaios era bem feito. Alguns baques vieram no fim do primeiro turno, com derrotas por 6 a 1 para o Bayern e 7 a 1 para o Colônia. Ao menos, a gordura acumulada permitiu ao time olhar à distância a briga de foice contra o descenso. Mas não que a única vitória nas últimas 12 rodadas tranquilize.

Será um desafio para Ole Werner achar um caminho. O treinador de 35 anos mostra bons recursos desde os tempos de Holstein Kiel e cumpriu as primeiras missões no Werder Bremen, desde que assumiu o trabalho na segunda divisão. Entretanto, há um risco de ver uma equipe muito previsível, pela maneira como acaba bastante pautada em seus dois principais atacantes. É preciso pensar em variações táticas, o que ele tentou e não deu muito certo contra o Viktoria Colônia.

O mercado de transferências garantiu um grande negócio para o Werder Bremen, até inesperado: Naby Keïta escolheu seguir ao Weserstadion após o fim de seu contrato com o Liverpool. Volta à Bundesliga, onde viveu os melhores dias de sua carreira pelo RB Leipzig. Mas é basicamente isso, com a aposta também no jovem Senne Lynen, nome que se projetou na Union St. Gilloise. O lado bom é que a base está mantida, sem perdas substanciais.

Jiri Pavlenka permanece como o goleiro titular do Werder Bremen, com uma grande bagagem no clube. O sistema defensivo reúne usualmente três zagueiros. Niklas Stark e Amos Pieper vieram em boa forma na temporada passada, geralmente acompanhados pelo sérvio Milos Veljkovic. Ainda há a alternativa de Marco Friedl. Mitchell Weiser foi o mais utilizado na ala direita e providenciou muitas assistências, enquanto Anthony Jung serviu de opção principal na esquerda. Contra o Viktoria Colônia, Ole Werner improvisou o atacante Oliver Burke como ala, de volta de empréstimo ao Millwall.

As contratações de Keïta e Lynen fazem sentido, para qualificar um pouco mais a cabeça de área. Muitos nomes rodaram no setor na temporada passada: Jens Stage, Ilia Gruev, Christian Gross. Também há os mais ofensivos Leonardo Bittencourt e Romano Schmid, mas não são unanimidades. As duas grandes certezas do Bremen se encontravam no ataque. Niclas Füllkrug empilhou gols especialmente no primeiro turno e garantiu a permanência na elite, além de sua vaga na Copa do Mundo. Marvin Ducksch foi seu fiel escudeiro, com boa combinação entre tentos e assistências. O problema é depender demais de ambos. Dawid Kownacki chega do Fortuna Düsseldorf pra dar um respiro aos dois homens de frente, com bons números pela segundona.

A eliminação na Copa da Alemanha tem suas desculpas, como a ausência do lesionado Keïta e a presença de Weiser apenas no banco. Contudo, não é isso que reduz o tamanho da preocupação, para quem já vinha mal no segundo turno. A permanência na primeira divisão foi possível quando se tem uma dupla bem afinada como Füllkrug e Ducksch, a ponto de garantirem sonhos até maiores no início da última Bundesliga. Mas está claro também como a dependência da dupla de frente não basta.

Bochum

Bernardo, novo defensor do Bochum (Divulgação)
Bernardo, novo defensor do Bochum (Divulgação)

  • Estádio: Vonovia Ruhrstadion (27,6 mil espectadores)
  • Técnico: Thomas Letsch
  • Posição em 2022/23: 14° colocado
  • Projeção: Fugir do rebaixamento
  • Principais contratações: Moritz-Boni Kwarteng (M, Magdeburgo), Maximilian Wittek (D, Vitesse), Bernardo (D, Red Bull Salzburg), Matus Bero (M, Vitesse), Felix Passlack (D, Dortmund), Lukas Daschner (M, St. Pauli), Noah Loosli (D, Grasshoppers), Niclas Thiede (G, Verl)
  • Principais saídas: Jannes Horn (D, Nuremberg), Silvère Ganvoula (A, Young Boys), Vasilios Lampropoulos (D, OFI Creta), Gerrit Holtmann (A, Antalyaspor), Paul Grave (G, Wuppertaler), Konstantinos Stafylidis (D, sem clube), Jacek Goralski (M, sem clube)
  • Brasileiros no elenco: Bernardo e Danilo Soares
  • Escalação na Copa da Alemanha: Riemann, Masovic, Bernardo, Ordets; Passlack, Stöger, Losilla, Antwi-Adjei; Daschner; Hofmann, Asano.

O Bochum é um sobrevivente na Bundesliga, e pela segunda temporada consecutiva. Desde que retornaram à primeira divisão, os alviazuis foram apontados como candidatos ao descenso. Conseguiram escapar em ambas as oportunidades. Houve um pouco mais de folga em 2021/22, é verdade, mas isso não tira os méritos da escapada de 2022/23. A concorrência do Bochum era pesada. A equipe deixou Schalke e Hertha caírem, enquanto evitou até os playoffs, nos quais o Stuttgart sobreviveu.

Ao longo de boa parte da temporada, o Bochum parecia desenganado. A equipe só ficou duas rodadas do primeiro turno fora do Z-3, a maior parte na lanterna. O time só somou um ponto nas oito primeiras rodadas, o que permitiu uma reação com ares de milagre no fim do primeiro turno. Durante a segunda metade do campeonato, os alviazuis não se livraram totalmente dos riscos e frequentaram ocasionalmente a zona vermelha. Mas não deixa de ser um feito a permanência, com sete pontos conquistados dos últimos nove, inclusive segurando o empate na visita ao Hertha em pleno Estádio Olímpico.

A permanência entra na conta de Thomas Letsch. O treinador assumiu em outubro, depois da sequência inicial derrubar Thomas Reis. Mesmo goleado pelo Leipzig logo de cara, conseguiu encontrar um caminho.A defesa do Bochum ainda foi muito vulnerável, mas o ataque garantiu resultados sobretudo pelo rendimento dentro de casa. O experiente comandante, com uma carreira construída sobretudo na base do Red Bull Salzburg, tentará garantir uma permanência mais tranquila na primeira divisão.

Letsch é bastante ligado ao Vitesse, onde trabalhou por dois anos até aceitar a proposta do Bochum. E o passado nos aurinegros garantiu dois bons reforços vindos do clube, o lateral Maximilian Wittek e o meio-campista Matus Bero. Os alviazuis buscaram também alguns jogadores com experiência na Bundesliga, a exemplo do zagueiro Bernardo e do lateral Felix Passlack. Outra novidade é o meia Moritz-Broni Kwarteng, que se destacou pelo Magdeburgo. E os destaques da última temporada foram mantidos.

O goleiro Manuel Riemann fez uma temporada mais errática em 2022/23, depois do espetacular 2021/22, mas merece o respeito por sua importância ao clube. A defesa tem Erhan Masovic e Ivan Ordets como seus dois principais zagueiros, dois nomes cumpridores, enquanto Bernardo permite inclusive a escalação de um sistema com três homens. Já nas laterais, se Passlack chega para assumir o lado direito, Danilo Soares está entre os brasileiros de destaque na Bundesliga. O lateral esquerdo está no clube desde 2017, com ótima reputação junto à torcida, mas terá a concorrência de Wittek no setor.

O meio-campo do Bochum possui alguns jogadores conhecidos. Kevin Stöger foi o principal pilar da sobrevivência na última temporada. O veterano Anthony Losilla também continua dando equilíbrio aos alviazuis. Matus Bero aumenta as opções. Mais à frente, Philipp Förster teve papel essencial na ligação. Por fim, o ataque do Bochum dividiu bastante os gols. Takuma Asano e Christopher Antwi-Adjei deram gás na ligação pelos lados, com destaque ao japonês depois da Copa do Mundo. Já o artilheiro da equipe foi o centroavante Philipp Hofmann, com a sombra de Simon Zoller. Não são nomes espetaculares, mas permitem acreditar na permanência pela terceira temporada consecutiva.

O Bochum se despediu cedo da Copa da Alemanha. Os alviazuis enfrentaram o Arminia Bielefeld e caíram nos pênaltis. Não é um resultado tão inspirador, mas, nesse caso, não preocupa tanto. Todo mundo no Ruhrstadion sabe que a briga do clube será mais uma vez pela continuidade na primeira divisão. O time trouxe reforços e precisará de um pouco mais de equilíbrio. Tem chances de ser de novo aquela equipe na qual ninguém presta atenção e, no fim, confirma a permanência no momento decisivo.

Augsburg

Mergim Berisha, atacante do Augsburg (Icon Sport)
Mergim Berisha, atacante do Augsburg (Icon Sport)

  • Estádio: WWK Arena (30,7 mil espectadores)
  • Técnico: Enrico Maassen
  • Posição em 2022/23: 15° colocado
  • Projeção: Briga contra o rebaixamento
  • Principais contratações: Mergim Berisha (A, Fenerbahçe), Tim Breithaupt (M, Karlsruher), Phillip Tietz (A, Darmstadt), Sven Michel (A, Union Berlim), Patric Pfeiffer (D, Darmstadt), Masaya Okugawa (M, Arminia Bielefeld), Finn Dahmen (G, Mainz)
  • Principais saídas: Ricardo Pepi (A, PSV), Maurice Malone (A, Basel), Felix Götze (M, Rot-Weiss Essen), Rafal Gikiewicz (G, Ankaragücü), André Hahn (A, sem clube), Daniel Caligiuri (A, sem clube), Tobias Strobl (M, fim de carreira), Julian Baumgartlinger (M, fim de carreira)
  • Brasileiros no elenco: Iago
  • Escalação na Copa da Alemanha: Dahmen, Engels, Pfeiffer, Winther, Colina; Breithaupt, Dorsch, Maier, Vargas; Michel, Demirovic.

O Augsburg nunca foi rebaixado na Bundesliga. Os bávaros completam mais de uma década na primeira divisão, desde a estreia em 2011/12. Nas quatro primeiras temporadas, a equipe chegou a ficar duas vezes na metade de cima da tabela e até se garantiu na Liga Europa. Contudo, desde então, o time nunca passou do 12° lugar. Cada vez parece mais ameaçado pelo rebaixamento e a sequência na elite mais uma vez fica em xeque. O clube parece fazer hora extra, sem acrescentar muito nos últimos anos e sem indicar grandes investimentos para mudar a situação.

O Augsburg passou apenas duas rodadas na temporada passada dentro da zona de rebaixamento, e logo no início do campeonato. O time não ultrapassou a metade da tabela também, mas conseguiu vitórias a conta gotas que preservaram seu respiro acima do Z-3. E o curioso é como muitos desses triunfos vieram em jogos improváveis. Durante o primeiro turno, os bávaros venceram Bayern de Munique e Bayer Leverkusen, além de empatarem com Leipzig e Union Berlim. Já no returno, derrotaram Leverkusen e Union, enquanto venderam caro as derrotas para Bayern e Leipzig. Não foi um time brilhante, mas teve sua dose de competência para somar pontos acima dos temores.

Diante do desempenho, o técnico Enrico Maassen ganha mais um ano no cargo. O treinador era uma incógnita, ao conseguir uma chance depois de despontar com o Borussia Dortmund II. Seu aproveitamento na Baviera foi não mais que razoável na primeira temporada, suficiente para evitar o descenso. Contudo, pelas condições que foram dadas, dificilmente conseguiria fazer muito melhor. A missão estava cumprida e ele pode buscar uma evolução.

O maior gasto do Augsburg na temporada foi a contratação em definitivo de Mergim Berisha, bem em seu empréstimo do Fenerbahçe. Sven Michel também chegou do Union Berlim. De resto, a maior parte dos reforços se sobressaiu na segunda divisão. É o caso de Phillip Tietz e Patric Pfeiffer, que subiram com o Darmstadt. Por outro lado, muita gente importante na história recente do clube saiu. Grande figura dos bávaros na elite, André Hahn vinha sofrendo com as lesões e não teve seu contrato renovado. Paul Caligiuri também saiu, enquanto Tobias Strobl e Julian Baumgartlinger penduraram as chuteiras. A diretoria também se desfez de Ricardo Pepi, que nunca vingou na WWK Arena e gerou prejuízo, mesmo revendido ao PSV.

Tomas Koubek terminou a temporada como titular no gol, mas Finn Dahmen pode assumir a posição, trazido do Mainz. A defesa ainda conta com Felix Uduokhai e Maximilian Bauer como zagueiros de destaque, enquanto as lesões de Reece Oxford e Jeffrey Gouweleeuw diminuem um pouco as opções. Nas laterais, Robert Gumny é o titular na direita e o brasileiro Iago continua como um nome recorrente na esquerda, com a companhia de Mads Pedersen.

O meio-campo do Augsburg possui boas alternativas com Niklas Dorsch, Arne Maier e Elvis Rexhbecaj – três jogadores jovens e com bons serviços prestados na Alemanha. O garoto Arne Engels, de 18 anos, começou a ganhar espaço e chama atenção. Por fim, o ataque é o setor mais talentoso, com muitos jogadores de seleção. Mergim Berisha fez mágica em muitas atuações e Ermedin Demirovic também entregou seus gols. Rubén Vargas é um dos mais criativos à disposição, enquanto Dion Beljo ganhou rodagem na temporada passada e é mais um em vias de estourar. Sven Michel e Tietz oferecem mais alternativas.

A temporada começou ruim para o Augsburg. A equipe foi eliminada logo na primeira fase da Copa da Alemanha, diante do Unterhaching, da terceira divisão. A escalação não estava completa e tinha muitos desfalques sobretudo na defesa, embora isso não justifique os 2 a 0 dos oponentes no placar. É uma mostra extra de que o Augsburg será ameaçado pelo rebaixamento outra vez. Se ganhar mais pontos contra os oponentes diretos na parte inferior da tabela, porém, pode seguir como um figurante na elite, como de praxe.

Stuttgart

Alexander Nübel, novo goleiro do Stuttgart (Divulgação)
Alexander Nübel, novo goleiro do Stuttgart (Divulgação)

  • Estádio: MHPArena (60,4 mil espectadores)
  • Técnico: Sebastian Hoeness
  • Posição em 2022/23: 16° colocado
  • Projeção: Fugir do rebaixamento
  • Principais contratações: Serhou Guirassy (A, Rennes), Jeong Woo-yeong (A, Freiburg), Jovan Milosevic (A, Vojvodina), Alexander Nübel (G, Bayern), Deniz Undav (A, Brighton), Maximilian Mittelstädt (D, Hertha Berlim)
  • Principais saídas: Florian Müller (G, Freiburg), Antonis Aidonis (D, Aris), Tiago Tomás (A, Sporting), Tanguy Coulibaly (A, sem clube), Luca Pfeiffer (A, Darmstadt)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Nübel, Stenzel, Anton, Zagadou, Ito; Endo, Karazor; Silas, Millot, Führich; Guirassy

O Stuttgart está em sua quarta temporada consecutiva na primeira divisão. Depois de uma década de dois rebaixamentos, os suábios não querem ver o filme se repetir de novo. O desempenho foi bom na volta em 2020/21, com a nona colocação. Porém, o time precisou de uma fuga agonizante em 2021/22 e se safou apenas nos playoffs contra o descenso em 2022/23. Tais traumas parecem assimilados pelos alvirrubros, não apenas pela manutenção de seu bom técnico, como também pela lista encorpada de reforços visando uma escalada na tabela.

O Stuttgart atravessou uma temporada dramática, em que ficou a maior parte da Bundesliga dentro do Z-3. Hertha Berlim e Schalke 04 foram mais incompetentes na queda, mas os suábios também tiveram seus méritos na reta final. O time demorou a se achar. Foram quatro treinadores na campanha, com a sobrevida de Pellegrino Matarazzo de início, sem vencer nas nove primeiras rodadas, antes das passagens pouco frutíferas de Michael Wimmer e Bruno Labbadia. O time só tomou um jeito quando Sebastian Hoeness chegou para os oito compromissos finais. Somou 13 pontos em 24 possíveis, com só uma derrota, e sobrou nos playoffs contra o Hamburgo. Foram duas vitórias que nem pareciam retratar os problemas dos alvirrubros.

Até por isso, existe uma esperança natural de que Sebastian Hoeness consiga um salto maior em sua primeira temporada completa no Stuttgart. Depois de apagar o incêndio, terá mais sossego para desenvolver sua filosofia. É um treinador jovem, com ótimas experiências nas bases de RB Leipzig e Bayern, além de uma passagem razoável de duas temporadas no Hoffenheim. Mesmo nessa fogueira com os suábios, conseguiu um aproveitamento maior do que nos alviazuis.

E a diretoria contribui para que Sebastian Hoeness aumente o sarrafo. Serhou Guirassy anotou gols decisivos e continuará lá, contratado em definitivo do Rennes. O ataque também conta com Deniz Undav trazido do Brighton e Jovan Milosevic chegando do Vojvodina, enquanto Jeong Woo-yeong vem do Freiburg para auxiliar na ligação. Maximilian Mittelstädt é opção na lateral, enquanto Alexander Nübel desembarca como um goleiro de nível alto. Sem espaço no Bayern, vem após empréstimo pelo Monaco. Já entre os que saem, a grande perda é a venda de Wataru Endo para o Liverpool. Era o capitão e a alma do time, mas ganha uma oportunidade rara na carreira.

A escalação do Stuttgart terá um baita cartão de visitas com Nübel, que toma a posição que não teve um dono absoluto na temporada passada. O miolo de zaga possui Kostas Mavropanos como um dos esteios na permanência dos suábios na elite, ao lado de boas alternativas como Hiroki Ito e Waldemar Anton. Dan-Axel Zagadou é outro por ali, mas pouco confiável. Hoeness terminou a temporada passada com três zagueiros, o que libera os alas. Josha Vagnoman jogou muito bem na reta final da temporada e, aos 21 anos, chegou à seleção. Na esquerda, Borna Sosa tem um reconhecimento ainda maior pelo histórico com a Croácia.

A presença de Wataru Endo seria um fator decisivo na cabeça de área, pela combatividade e pela contribuição também no ataque. Sem o capitão, a responsabilidade se torna maior sobre Atakan Karazor e a necessidade de reforços fica mais clara. Já a ligação está mais qualificada, com Jeong podendo contribuir em conjunto com Enzo Millot. No ataque, Guirassy se provou como uma arma fatal e Undav pode render bem na nova equipe, dado seu histórico na Bélgica. Há outras opções pelos lados do campo, com destaque a Silas pela direita e especialmente a Führich na esquerda, outro de boas apresentações na última temporada.

Desta vez, o Stuttgart parece menos restrito a jovens promessas e consegue ganhar tarimba em seu elenco. O time permanece com algumas lacunas importantes, especialmente no meio, e não dá para dizer que a atividade no mercado é completa. Mas é um horizonte bem melhor do que pareceu em momentos da temporada passada. Com um técnico e novos recursos, talvez os alvirrubros não precisem agonizar até as partidas finais.

Heidenheim

Frank Schmidt, técnico do Heidenheim (Icon Sport)
Frank Schmidt, técnico do Heidenheim (Icon Sport)

  • Estádio: Voith-Arena (15 mil espectadores)
  • Técnico: Frank Schmidt
  • Posição em 2022/23: Campeão da segundona
  • Projeção: Fugir do rebaixamento
  • Principais contratações: Marvin Pieringer (A, Schalke), Tim Siersleben (D, Wolfsburg), Benedikt Gimber (M, Jahn Regensburg), Nikola Dovedan (A, Áustria Viena), Omar Traoré (D, Osnabrück), Eren Dinkci (A, Werder Bremen)
  • Principais saídas: Dzenis Burnic (M, Karlsruher), Andreas Geipl (M, Jahn Regensburg), Marvin Rittmüller (D, Eintracht Braunschweig), Merveille Biankadi (M, Arminia Bielefeld), Mert Arslan (M, Lokomotive Leipzig)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Müller, Busch, Mainka, Siersleben, Föhrenbach; Maloney; Dinkci, Beck, Best; Kleindienst, Pieringer

A Bundesliga terá um estreante na próxima temporada. E o Heidenheim fez por merecer sua ascensão, de quem figurava na quinta divisão no início do século e sequer tinha um regime totalmente profissional até 2009. A equipe conseguiu subir os degraus com segurança e acumulou nove edições na segundona. Já tinha rondado a promoção algumas vezes e até perdido nos playoffs, para o Werder Bremen. Desta vez, não deixou dúvidas sobre o seu merecimento, graças a uma rodada final insana. Não apenas conseguiu subir pela primeira vez à elite, como também terminou com o troféu da segunda divisão – além de infligir o drama ao Hamburgo.

A campanha do Heidenheim na última edição da segunda divisão não foi um voo tão tranquilo. O time passou a maior parte do campeonato na terceira posição, até se firmar dentro do G-2 na reta final. A equipe manteve um ritmo forte no momento decisivo, algo importante diante da perseguição do Hamburgo. Mesmo assim, a confirmação da promoção só aconteceu no último compromisso. A vitória por 3 a 2 sobre o Jahn Regensburg fora de casa virou um épico instantâneo, em virada que dependeu de dois gols nos acréscimos do segundo tempo. É uma entrada cheia de estilo na elite, ainda mais por frustrar a torcida do Hamburgo, que celebrava o acesso até receber a notícia do desastre que relegou os Dinossauros aos playoffs.

Logo de cara, o Heidenheim chega com o técnico mais longevo das grandes ligas europeias. Frank Schmidt está no comando do clube desde 2007. Atuava no time da cidade natal quando, ao final de sua carreira nos gramados, recebeu o convite para assumir a equipe que auxiliou na promoção à quarta divisão. Virou um revolucionário, pela maneira como liderou o crescimento paulatino que resultou na estreia na primeira divisão. É uma “saga de Football Manager” da vida real, próximo das 600 partidas à frente da agremiação.

O elenco do Heidenheim é bastante fechado com Frank Schmidt, elogiado por sua capacidade de gestão e de comunicação. Nenhum dos heróis do acesso quis deixar os rubroazuis. Enquanto isso, a atividade no mercado de transferências rendeu muitos reforços. Ninguém de tanta fama, com um pouco mais de destaque ao centroavante Marvin Pieringer, que vem de boa temporada do Paderborn, mas pertencia ao Schalke. Chama atenção como o elenco é substancialmente formado por jogadores alemães, embora muitos deles com dupla nacionalidade.

O goleiro Kevin Müller disputou todos os minutos da campanha de acesso e continua à disposição. Já a defesa contou com um quarteto titular bastante claro. O capitão Patrick Mainka e Tim Siersleben formam a parceria no miolo de zaga. Siersleben, inclusive, teve sua contratação em definitivo firmada junto ao Wolfsburg. Nas laterais, Marnon Busch e Jonas Föhrenbach preservam seus lugares. Ambos também foram bastante importantes na promoção.

O meio-campo conta com o equilíbrio de Lennard Maloney na cabeça de área. Outros jogadores importantes auxiliaram na ligação, entre eles Denis Thomalla, Kevin Sessa e Adrian Beck. Já os dois protagonistas na campanha da segundona foram claros. Jan-Niklas Best voou baixo na ponta esquerda, com direito a 12 gols e 13 assistências. Ainda assim acabou eclipsado pelo artilheiro Tim Kleindienst, autor de 25 gols na segundona. O camisa 10 terá uma segunda chance na elite, depois de naufragar em sua passagem pelo Freiburg. Nos rubroazuis, em compensação, é rei. Fez dois gols na estreia pela Copa da Alemanha, num 8 a 0 sobre o modesto Rostocker que não serve tanto de parâmetro.

O objetivo primordial do Heidenheim é a permanência na primeira divisão. Existe uma distância muito grande em relação à estrutura dos demais clubes e, mesmo na segunda divisão, os rubroazuis tinham um orçamento mediano. No entanto, a agremiação deixou claro que não dá passos para trás, sem sofrer descensos há mais de 20 anos. Frank Schmidt tentará manter a marca e provar que tamanha longevidade na casamata não é ao acaso. Dependerá de uma legião de desconhecidos em campo para protagonizar o que, por si, já seria um conto de fadas. O estilo de jogo, de transições rápidas e fisicalidade, pode inclusive auxiliar na empreitada.

Darmstadt

Torsten Lieberknecht, técnico do Darmstadt (Icon Sport)
Torsten Lieberknecht, técnico do Darmstadt (Icon Sport)

  • Estádio: Merck-Stadion am Böllenfalltor (17,6 mil espectadores)
  • Técnico: Torsten Lieberknecht
  • Posição em 2022/23: Vice-campeão da segundona
  • Projeção: Fugir do rebaixamento
  • Principais contratações: Christoph Klarer (D, Fortuna Düsseldorf), Fraser Hornby (A, Stade de Reims), Fabian Nürnberger (M, Nuremberg), Andreas Müller (M, Magdeburgo), Matej Maglica (D, Stuttgart), Luca Pfeiffer (A, Stuttgart)
  • Principais saídas: Phillip Tietz (A, Augsburg), Patric Pfeiffer (D, Augsburg), Keanan Bennetts (M, Wehen Wiesbaden), Yassin Ben Balla (M, Sandhausen), Steve Kroll (G, fim de carreira)
  • Brasileiros no elenco: Nenhum
  • Escalação na Copa da Alemanha: Schuhen, Klarer, Riedel, Zimmermann; Nürnberger, Holland, Mehlem, Karic; Honsak, Manu, Hornby.

O Darmstadt volta à Bundesliga depois de seis temporadas na segunda divisão. Aquela passagem pela primeira divisão não rendeu grandes feitos, mas valeu pelo espírito de luta e pelas boas histórias contadas pelos alviazuis nas arquibancadas, depois de mais de três décadas longe da elite. Já na segundona, a equipe voltou a ser competitiva e a rondar o acesso com frequência. Estava claro como uma hora voltaria, em conquista que se consumou com certa segurança na temporada passada.

Ao longo da segunda divisão, o Darmstadt passou quase todo o tempo na zona de acesso direto. Mais especificamente, na primeira colocação. Os alviazuis tiveram uma sequência invicta que durou por 21 rodadas e resistiram até mesmo à perseguição de clubes mais tradicionais. Mesmo que as derrotas tenham se tornado mais frequentes na reta final, nem isso atrapalhou a promoção comemorada por antecipação. O único lamento ficou para a perda do título, com a derrota por 4 a 0 para o Greuther Fürth na rodada final, que beneficiou o Heidenheim em seu épico paralelo.

Até pela estabilidade na última edição da segunda divisão, o Darmstadt parece em condições de lutar pela permanência. O comando da equipe fica sob as ordens de Torsten Lieberknecht, que terá sua segunda chance na primeira divisão. O comandante de 50 anos chegou a levar o Eintracht Braunschweig à elite, num trabalho que durou dez anos. Passaria depois pelo Duisburg e está entrando em sua terceira temporada no comando do Darmstadt. O contrato até 2027 demonstra confiança nos planos traçados em Böllenfalltor, num time de futebol muito intenso e vertical.

O Darmstadt só não teve sucesso em preservar seu elenco para a primeira divisão. O Augsburg levou dois destaques do acesso, o centroavante Phillip Tietz e o zagueiro Patric Pfeiffer. As reposições se concentraram no zagueiro Christoph Klarer, destaque do Fortuna Düsseldorf, e no centroavante Fraser Hornby, que marcou seus gols no Oostende, embora pertencesse ao Stade de Reims. Outro bom negócio foi o centroavante Luca Pfeiffer, trazido do Stuttgart e que teve boa passagem anterior por Böllenfalltor. De resto, os alviazuis fizeram outros negócios pontuais de jogadores que estavam na segundona ou em ligas menores.

O goleiro Marcel Shuhen foi o melhor da última edição da segunda divisão e chega à elite como um pilar. A defesa conta com os zagueiros Christoph Zimmermann e Jannik Müller como opções principais, agora sem mais a companhia de Pfeiffer no trio central. Klarer fez sua estreia na Copa da Alemanha. Matthias Bader e Fabian Holland foram importantes nas laterais durante a segundona, especialmente pela força no apoio, com as opções também de Emir Karic e Frank Ronstadt.

Dono da braçadeira de capitão, Holland também auxiliou como volante em parte da campanha. Costuma formar dupla com Marvin Mehlen, enquanto o veterano Tobias Kempe garantiu muitas assistências no acesso. No ataque, Braydon Manu continua como principal força na ligação, outro de grande campanha na segunda divisão. Seus companheiros rodaram bastante por ali, enquanto a ausência de Tietz no comando de ataque confirma Hornby como opção principal em sua chegada. O escocês se destaca pela estatura, com 1,95 m.

O cartão de visitas do Darmstadt na Copa da Alemanha foi péssimo. Os alviazuis perderam do Homburg, atualmente na quarta divisão, por inapeláveis 3 a 0. Os deslizes na reta final da temporada, somados a esse resultado, indicam que o time não parece tão pronto à missão pesada de sobreviver na primeira divisão. Diferentemente do que se nota no Heidenheim, a condução do trabalho do Darmstadt é mais recente e sem ideias tão enraizadas. Durar mais na elite do que na passagem anterior já será um baita desafio.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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