Bundesliga

Em uma sofrida vitória sobre o Schalke, Javi Martínez foi a boa notícia para o Bayern

Depois de uma estreia extremamente tranquila, o Bayern de Munique encontrou suas primeiras dificuldades na Bundesliga. A segunda rodada guardou um desafio maior, visitando o Schalke 04 na Veltins Arena. Porém, ainda que os Azuis Reais apareçam mais consolidados que na última temporada e tenham dado um trabalho imenso, os bávaros conquistaram a vitória: 2 a 0, com gols marcados depois dos 35 minutos do segundo tempo. Resultado que serviu para ressaltar a importância de Javi Martínez, o jogador mais caro da história do Bayern, mas que nem sempre desfrutou de tamanha relevância nas últimas temporadas.

Imprescindível em seu primeiro ano na Baviera, com a conquista da tríplice coroa sob as ordens de Jupp Heynckes, Martínez perdeu espaço posteriormente. O espanhol sofreu com diferentes lesões, especialmente nos joelhos. Assim, jogou pouco com Pep Guardiola e nunca conseguiu se firmar como titular. Não à toa, nos últimos três anos, somou 64 partidas pelo clube, em média inferior a 22 aparições por temporada. E as fragilidades físicas cobraram o seu preço também no segundo semestre de 2015/16.

Fora da Eurocopa, Martínez ao menos pôde se fortalecer na pré-temporada completa. E ganhou uma brecha entre os titulares justamente na ausência de Jérôme Boateng, formando dupla de zaga com o recém-chegado Mats Hummels. Nesta sexta, o espanhol foi o melhor em campo em Gelsenkirchen. Durante um primeiro tempo equilibrado, o Bayern manteve a posse de bola, mas o Schalke até conseguiu finalizar mais. Diante do ímpeto dos adversários, o zagueiro aparecia bem ao lado de Hummels, oferecendo segurança principalmente pelo alto. A trinca de meias dos Azuis Reais (formada por Choupo-Moting, Goretzka e Konoplyanka) ameaçava bastante. Do outro lado, apesar da influência de Thiago Alcântara na posse de bola, o Bayern era pouco incisivo. Renato Sanches, titular pela primeira vez, era discreto.

Aos 10 minutos do segundo tempo, o Schalke teve o seu melhor lance. Huntelaar chutou de longe e Neuer desviou a bomba com a ponta dos dedos, em bola que ainda explodiu na trave. Um susto que fez o Bayern acordar. Pouco depois, Carlo Ancelotti promoveu as entradas de Douglas Costa e Arturo Vidal nos lugares de Franck Ribéry e Xabi Alonso. As mudanças melhoraram os bávaros, que passaram a explorar melhor as pontas e abriam a bem montada defesa dos Azuis Reais. As chances se tornaram mais frequentes. Lewandowski era quem mais aparecia no bombardeio de cruzamentos e chegou a perder um gol debaixo da trave. Até que, aos 35, ele balançou as redes justamente a partir de uma jogada de Javi Martínez. Saindo de trás, o espanhol deu ótimo lançamento entre a zaga, para o polonês sair na cara do gol e fuzilar. Já aos 46, quando o Schalke vinha no desespero pelo empate, Kimmich fechou a conta em contragolpe fulminante.

Em uma noite não tão boa para o Bayern, muitos dos méritos vão para o Schalke 04, pela maneira como não deu espaços aos adversários em sua área durante a maior parte do tempo e também pela pressão que exerceram. Por um triz não saíram em vantagem. No fim, pesou a capacidade coletiva e as alternativas do elenco bávaro. E mesmo que Lewandowski aumente sua produtividade, com um gol e uma assistência, Javi Martínez merece o devido reconhecimento, assim como a confiança para, enfim, voltar a ter uma sequência na Baviera.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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