Bundesliga

É uma pena ver os anos se esvaindo a Reus, que só deve voltar aos gramados em 2018

Marco Reus experimentou uma sensação nova durante a decisão da Copa da Alemanha. Pela primeira vez desde o seu retorno ao Borussia Dortmund, o atacante teve o gosto de conquistar um título de primeira grandeza. Criado por um tempo na base e torcedor declarado dos aurinegros, o craque tinha se acostumado com as frustrações. E a vitória sobre o Eintracht Frankfurt escancarou o orgulho do camisa 11, sem querer largar a taça em Berlim, eufórico no desfile dos campeões pelas em Dortmund. Uma pena que, justamente no mesmo jogo, o alemão tenha revivido seu pesadelo recorrente. Sofreu mais uma séria lesão nos ligamentos do joelho, que o levou à mesa de cirurgia na última semana. Sua recuperação deve mantê-lo afastado dos gramados até 2018, conforme declarou neste sábado.

O talento de Reus é inquestionável. Do jovem que surgiu como um furacão no Borussia Mönchengladbach ao protagonista do Dortmund rumo à decisão da Champions em 2012/13, a carreira do atacante possui vários grandes momentos. Mas sempre fica a impressão de que poderia ser muito mais. O camisa 11 foi uma das ausências mais sentidas na Copa do Mundo de 2014 e poderia ter abrilhantado ainda mais a campanha da Alemanha rumo ao tetra. Desde então, começou o seu calvário. Exceção da temporada passada, quando teve um pouco mais de sequência, os problemas físicos são recorrentes. Na última campanha na Bundesliga, somou apenas 1.188 minutos em campo, menor quantidade desde que se tornou profissional.

Ainda assim, Reus desequilibrou algumas partidas, sobretudo na reta final da temporada. Três dos resultados mais importantes do Dortmund contaram com o talento do camisa 11: as semifinais da Copa da Alemanha, derrubando o Bayern de Munique, além das vitórias sobre Hoffenheim e Werder Bremen na Bundesliga, que valeram a terceira colocação, assegurando a classificação direta à fase de grupos da Champions. Torneio que, muito provavelmente, o craque só poderá disputar a partir dos mata-matas.

Diante do entrave, o Borussia Dortmund já buscou uma alternativa no mercado. Ousmane Dembélé, Christian Pulisic e André Schürrle eram opções para o lado esquerdo, embora Reus tenha jogado mais centralizado na reta final da temporada. E um dos primeiros anúncios para as próximas campanhas foi justamente Maximilian Philipp, atacante de 23 anos que voou pelo Freiburg. O jovem, que já tinha se saído bem na conquista do acesso, pode cair pelas duas pontas, mas nos últimos meses atuou majoritariamente como segundo atacante centralizado. Uma companhia pertinente a Pierre-Emerick Aubameyang, caso o artilheiro permaneça no Signal Iduna Park.

Agora, Reus terá que passar outra vez por todo o processo de recuperação. Recobrar, sobretudo, a confiança e a mobilidade, tão fundamentais ao seu jogo vertical. Aos 28 anos, vê o tempo escapando pelas mãos, enquanto passa meses e meses no departamento médico. Um craque que poderia ser muito mais do que tem sido. O ponto será adaptar o seu jogo, aproveitando as aptidões enquanto a capacidade física tende a seguir uma curva descendente. Aquele jovem possante de outros tempos cada vez mais se limita ao passado.

Em mensagem dedicada aos fãs neste sábado, ao menos, Reus deixou o seu objetivo bem claro. Apontou para o segundo semestre da temporada sob as ordens de Peter Bosz no Dortmund e, principalmente, à Copa do Mundo de 2018. Uma motivação fundamental em tempos de desesperança. Quem sabe, para garantir ao camisa 11 um retorno triunfal com a camisa do Nationalelf.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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