Bundesliga

É impressionante como o Bayern não passa confiança: em Munique, só empatou com o Wolfsburg

Parecia um daqueles jogos que o Bayern de Munique vence empurrando com a barriga. O Wolfsburg está distante do time que causou problemas há três temporadas e, desde que o elenco vice-campeão alemão se desmanchou, voltou a se tornar presa fácil – com seis vitórias dos bávaros nos seis confrontos anteriores a esse, além de 22 gols marcados e apenas dois sofridos. Ao final do primeiro tempo, o time de Carlo Ancelotti se prontificou a ampliar as estatísticas, abrindo dois gols de vantagem mesmo sem jogar bem. Mas impressiona a falta de confiança deste Bayern, capaz de se complicar praticamente sozinho. Foi assim que os Lobos arrancaram um surpreendente empate por 2 a 2 na Allianz Arena, que faz o Borussia Dortmund sorrir, diante da possibilidade de disparar na liderança da Bundesliga.

O Bayern entrou em campo apostando em sua “velha guarda” na linha de frente, com trinca formada por Thomas Müller, Arjen Robben e Franck Ribéry. Depois de alguns minutos de pressão no início do jogo, os bávaros criavam pouco para o domínio que tinham da posse de bola. Estavam distantes das exibições vorazes de outros anos. E dependeram de uma cobrança de pênalti (cuja marcação foi bastante contestável) para abrir o placar aos 31, com Robert Lewandowski chutando para as redes. Já aos 42, Robben pareceu encaminhar a vitória por osmose, em chute prensado que venceu o goleiro Koen Casteels.

A vantagem acomodou o Bayern. Lewandowski e Ribéry mal apareciam, e só Robben estava suficientemente disposto a fazer algo pelo ataque. Sozinho, não conseguiu fazer a diferença. E o primeiro aviso do Wolfsburg veio aos 11 minutos, em cobrança de falta de Maximilian Arnold. O chute era de longa distância, mas o meio-campista resolveu arriscar. Não pegou bem na bola, acertando o meio do gol. Pois Sven Ulreich aceitou, em uma falha grotesca. Foi todo errado para a bola e, com uma mão só, não conseguiu espalmar. O antigo arqueiro do Stuttgart pode até possuir seus predicados, mas não transmite segurança na meta dos bávaros. Independentemente disso, deverá seguir no posto até 2018, considerando a lesão de Manuel Neuer.

O gol acordou um pouco mais o Bayern, que passou a atacar em velocidade. Ainda assim, dependia demais dos lampejos de Robben e via a falta de pontaria minar as suas melhores chances. O Wolfsburg continuava na espreita e por vezes chegava com perigo, como em um desarme preciso de Mats Hummels dentro da área. Já a carta na manga do técnico Martin Schmidt foi Daniel Didavi. O meia saiu do banco e, aos 38, empatou a partida ao escorar o cruzamento de Paul Verhaegh. Logo na sequência, Ancelotti queimou suas duas últimas alterações, colocando James Rodríguez e Kingsley Coman nas vagas de Robben e Ribéry. Contudo, o que os bávaros ganharam em energia, perderam em calma. Na base do chuveirinho, até poderiam ter virado. Faltou acertar o alvo. Ao final, o empate era amargo.

A ausência de alguns dos novos contratados do Bayern era compreensível pelo desafio que terão pela frente na próxima quarta, visitando o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões. Todavia, não dá para aceitar um tropeço como o que ocorreu nesta sexta em Munique, contra um adversário mediano e em uma partida que estava nas mãos. Pior é olhar para a tabela. Após seu segundo tropeço na campanha, os bávaros ficam com 13 pontos. Podem ver o Dortmund abrir três de vantagem, caso os aurinegros derrotem o Borussia Mönchengladbach no Signal Iduna Park. Além disso, Hoffenheim e Hannover 96 ainda têm a chance ultrapassar o time de Carlo Ancelotti. Daqueles jogos que podem fazer falta na somatória de pontos ao final do campeonato.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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