Bundesliga

Dortmund entrega os pontos no fim e Werder Bremen arranca para virada incrível

Com três gols em seis minutos, o Werder não desistiu quando esteve muito atrás do placar

Existem muitas formas de se contar a história de uma virada nos minutos finais. Essa circunstância costuma ser fatal para jornalistas que gostam de se antecipar nas tarefas de um relato durante um plantão. Com o texto quase pronto que conta sobre uma econômica vitória do Dortmund, o profissional acompanha atentamente a partida, esperando que sua narrativa se confirme. E quando ela sofre uma grave reviravolta, não há outra maneira de reagir que não com uma gargalhada que mescla a surpresa com o desespero. Foi mais ou menos assim que aconteceu de repente uma vitória do Werder Bremen sobre o Borussia Dortmund, fora de casa, por 3 a 2, neste sábado (20).

Acordo com o coisa ruim

Se alguém do além viesse na sua frente e propusesse algo indecoroso, você aceitaria? Indecoroso como: seu time nunca mais vai golear ninguém, mas em contrapartida, o nível competitivo aumentará em jogos importantes. Se pudesse, o torcedor do Dortmund trocaria facilmente a rotina de caminhões de gols (a favor e contra) por vitórias magras. No fim, a troca nem é tão difícil assim de ser feita. Nos últimos anos, o Dortmund falhou sucessivamente por não ser pragmático como pede a Bundesliga. Ora, se o Bayern empilha títulos mesmo atravessando diversas marés ruins, por que o restante da liga não tenta o mesmo? Esse movimento parece estar acontecendo na casa aurinegra. São só três rodadas do trabalho de Terzic, e a realidade é que o time não encanta, mas por ora, os resultados estão vindo. Dificilmente se ganha um campeonato em dez rodadas, mas com certeza se perde um nesse período.

Diante do Werder, o Dortmund mostrou um futebol mais lento, errático, mas eficiente. Basta notar que os visitantes tiveram superioridade no número de finalizações e chutes ao gol. Contudo, até o minuto 89, o placar premiava quem tinha mais frieza e sorte. Estamos acostumados a ver um Borussia sempre muito agressivo, por vezes até demais. Neste sábado, a defesa local prevalecia e Gregor Köbel acumulava três intervenções, número considerado normal. Do outro lado, Jiri Pavlenka trabalhou menos e ainda falhou na finalização que culminou em gol de Raphaël Guerreiro.

O relato do jogo naturalmente iria favorecer um corajoso Werder que se remontava após voltar da segunda divisão. Os alviverdes não se intimidaram com a inferioridade técnica e com a ensandecida torcida aurinegra: tentaram ficar com a bola, subir ao ataque e desafiar a retaguarda comandada pelo veterano Mats Hümmels. Faltou qualidade. Faltou qualidade até o minuto 89.

Qualidade que sobra, mesmo em dias menos inspirados, no time de Terzic. Julian Brandt, que fazia uma partida bem abaixo da crítica, errando quase tudo que tentava, abriu o placar pouco antes do intervalo, para tranquilizar a Muralha Amarela. Na segunda etapa, mais confortável, o Dortmund amassou e buscou matar o confronto. Fez por onde. Foi aí que, na sobra de uma bola espirrada pelo Werder para fora da área, Guerreiro mandou uma pancada. A bola rasante estava na rota de Pavlenka, mas o goleirão calculou mal o movimento e deixou passar por debaixo de sua mão esquerda.

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Não conte com a vitória antes do apito final

O Werder já não tinha muito a perder nos minutos finais. E quem teria, com 2 a 0 contra? Por esse motivo, se lançou de maneira quase inconsequente ao ataque, para pelo menos ganhar uma dose de confiança. Em uma bela jogada pela esquerda, Romano Schmid recebeu na ponta, encarou Köbel e chutou. O goleiro rebateu, a bola pipocou na área e Nico Schlotterbeck afastou. Sem desistir, Lee Buchanan, que havia entrado pouco antes, achou um chutaço indefensável e diminuiu o estrago. Ainda dava?

Era o que os visitantes precisavam para voltar a acreditar no empate. Que veio com Schmid, no minuto 93′, de cabeça. O Werder teve muito peito para manter o fôlego e a energia para um contragolpe como esse. A bola alçada na área achou Niklas Schmidt, que testou para achar o canto da meta de Köbel livre. Só por isso, o resultado já poderia ser considerado desastroso para os locais. O que eles não esperavam era outro duro golpe na moral: Mitchell Weiser acionou Oliver Burke na direita, em velocidade, e o escocês saiu de cara para Köbel dentro da área para marcar. Inacreditável.

Tudo o que a defesa do Dortmund havia trabalhado bem até o placar estar 2 a 0, a mesma unidade entregou o ouro para os visitantes. Como se pode fazer a melhor partida possível em 89 minutos e depois estragar tudo em pouco mais de cinco? A zaga ruiu completamente e esteve fragilizada, muito por considerar que o jogo estava resolvido nos cinco minutos finais do tempo regulamentar. Que dirá nos acréscimos, quando a virada de fato escalou para o Werder.

Nesses momentos, aquele pacto com o coisa ruim para garantir vitórias magras cairia bem: um pouco mais de frieza e força mental aos mandantes para segurar o placar teriam encaminhado um bom começo para o Dortmund. Terzic, estarrecido pelo que viu no gol de Burke, terá muito trabalho para recuperar a autoestima do elenco depois dessa pancada. Ainda que o resultado não afete consideravelmente os planos, já que estamos falando de um campeonato que está na terceira rodada, a palestra no vestiário após a derrota deve ter sido bastante dura. O que não preocupa e nem causa pena no Werder, que não tem absolutamente nada a ver com isso, celebrando seu retorno à elite com a coragem de quem quer voltar ao topo do país, mas sem nenhuma pressa.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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