Bundesliga

Diretor do Gladbach por 13 anos, Max Eberl pede demissão e deixa um alerta sobre o desgaste mental do futebol

Max Eberl deixou o Gladbach no meio da temporada por avaliar que chegou a um limite em sua exaustão e sua relação com o futebol

Max Eberl se colocava entre os principais executivos do futebol alemão desde a última década. Antigo lateral direito do Borussia Mönchengladbach, o defensor assumiu cargos diretivos assim que pendurou as chuteiras. Foi coordenador da base e, a partir de 2008, assumiu o posto de diretor esportivo. Ajudou a liderar uma importante recuperação dos alvinegros, que deixaram de ser um time constantemente ameaçado pela queda, para então figurar na Champions League. Nesta sexta-feira, porém, Eberl deu um passo para trás. Anunciou sua saída do Gladbach depois de 23 anos no clube, 13 como diretor. Também deixará o futebol ao menos temporariamente, numa decisão que apresenta uma dura faceta em relação à pressão psicológica.

O Borussia Mönchengladbach faz uma temporada abaixo das expectativas, mas não é isso que resume a decisão de Max Eberl. O dirigente de 48 anos reconheceu que não era o melhor momento para sair, diante de uma situação na tabela que merece cuidados inclusive pelos riscos de rebaixamento. Contudo, o nível de saturação do diretor com seu trabalho e sua relação com o futebol chegou a um ponto que acelerou sua saída. Segundo suas palavras, pede demissão porque não aguenta mais.

“Não tenho mais forças para fazer esse trabalho da maneira ideal. Não é orgulho ferido, não é frustração, não é nada disso. Estou exausto como pessoa. Estou cansado de tudo isso, estou cansado de vocês [jornalistas] – mas não levem para o pessoal. É por isso que vinha falando com o clube durante os últimos meses para encerrar meus 23 anos no Borussia. Estou encerrando algo que foi a minha vida”, declarou Eberl, às lágrimas. “O futebol era minha vida e minha alegria, mas não é mais muitas dessas coisas. Preciso estabelecer um limite. Não é sobre futebol, é sobre mim. Sou grato ao clube por me deixar fazer isso”.

“O clube tentou de tudo para me convencer. Abriu todas as portas, me deu cada oportunidade para encontrar tempo e espaço. Mas eu encontrei um limite. Fiz uma pausa, mas muita coisa se acumulou e percebi que estava indo na direção errada. Preciso sair, preciso cuidar de pessoas. Se alguém acha que estou fazendo isso porque quero um novo clube, esqueça isso. Só quero sair. As pessoas comentam, julgam e condenam por isso antes mesmo que você diga qualquer coisa”, complementou.

“Quando ampliei meu contrato há 13 meses, não pensei que isso aconteceria. Preciso sair dessa angústia agora. Sou uma pessoa que faz tudo com 100% de dedicação, fiz isso por 23 anos, mas percebi no último ano que esse perfeccionismo esgotava minhas forças”, finalizou. “Só quero sair disso, não quero ter mais nenhuma ligação com o futebol no futuro próximo. Quero ser a pessoa Max Eberl, quero ver o mundo – mas não com um clube de futebol. É por isso que tomei essa decisão incrivelmente difícil, num momento incrivelmente infeliz. Mas não precisam se preocupar. Tentarei aproveitar a vida a partir de agora”.

No final da última temporada, Eberl já tinha conversado com o Borussia Mönchengladbach para encerrar seu contrato, que vigorava até junho de 2026. No entanto, as conversas internas fizeram o diretor permanecer, segundo a revista Kicker. Mas o clima instável dentro do clube, com decisões que não deram resultado e o desempenho ruim dentro de campo, levaram o dirigente a um limite. Apesar de ter seu nome especulado para assumir outros clubes, como o RB Leipzig, ele indica que não retornará ao futebol tão cedo.

Quando Max Eberl assumiu o Borussia Mönchengladbach, a equipe tinha acabado de conquistar o acesso para a primeira divisão. Ainda passou momentos difíceis e escapou da queda apenas nos playoffs em 2010/11. Em compensação, a parceria com Lucien Favre deu certo e catapultou os Potros na tabela, com classificações para a Champions League. O Gladbach permaneceu como um candidato constante às copas europeias, com boas apostas entre técnicos e jogadores. Voltaria a fazer bom papel na Champions com Marco Rose em 2020/21, apesar da queda vertiginosa desde que o treinador anunciou sua saída para o Borussia Dortmund. A atual campanha com Adi Hütter também não decola.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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