Bundesliga

Davies: “Quero usar minha plataforma para espalhar a mensagem sobre por que é importante apoiar os refugiados”

Alphonso Davies é um dos principais jovens jogadores da atual temporada europeia. Improvisado na lateral esquerda, encontrou na posição um atalho para a titularidade no Bayern de Munique. Ponta de origem, o garoto, de apenas 19 anos, tem vivido um ascensão meteórica na Bundesliga, mas já experimentou a outra ponta do espectro de sucessos e dificuldades. Nascido em um campo de refugiados, o atleta afirma querer usar sua plataforma para dar visibilidade a pessoas forçadas a deixar sua terra em busca de segurança e de uma chance na vida.

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Davies nasceu em 2 de novembro de 2000 em Buduburam, um campo de refugiados em Gana, para onde seus pais haviam se mudado, fugindo da Segunda Guerra Civil da Libéria. Lá ele viveu até os cinco anos de idade, quando a família se mudou para Windsor, Ontário. Como era muito jovem, a maior parte de suas memórias em Gana é indireta, a partir dos relatos de seus pais, mas ele diz que sua família tenta preservá-lo daquele período.

“Eles falaram sobre isso um pouco, que desde que eu nasci até os cinco anos de idade eu estive em um campo de refugiados. Minha mãe não gosta muito de falar disso, mas é uma parte da nossa história, então eles falaram um pouco disso comigo, mas não com muitos detalhes”, conta o garoto em entrevista ao ex-jogador e hoje comentarista da TV inglesa Gary Lineker.

No último fim de semana, Davies participou de um torneio de Pro Evolution Soccer com outro jogador de futebol que já foi refugiado: Asmir Begovic, do Milan. O objetivo era levantar fundos para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). O canadense revelou a Lineker que é muito importante para ele a chance de virar um embaixador da causa: “Quero usar minha plataforma para espalhar a mensagem sobre os refugiados e por que é importante apoiá-los”.

Em entrevista ao site do ACNUR, Davies falou em mais detalhes sobre as portas que foram abertas a ele e à sua família depois de seus pais serem forçados a deixar a Libéria.

“Como ex-refugiado, sou muito grato pela ajuda que minha família recebeu e pelas oportunidades que isso me abriu e para onde isso me trouxe. Neste momento, há mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo forçadas a fugir de suas casas. São pessoas que, como minha família, fugiram de conflitos para encontrar segurança, e agora a covid-19 as está colocando em maior risco. Espero que, enquanto as pessoas estejam mantendo a si mesmas e suas próprias famílias seguras, elas também possam ajudar a apoiar os refugiados que perderam tudo.”

Além do papo sério sobre a causa dos refugiados, Davies também recordou como foi chegar a um Bayern de Munique repleto de estrelas quando tinha acabado de completar 18 anos, em novembro de 2018. A Lineker, o garoto reconheceu: “Foi muito intimidante”.

“Ver esses caras na TV quando pequeno e agora vê-los pessoalmente… Quando o Robben se apresentou para mim, eu fiquei em choque. Não conseguia acreditar. Não achava que era o homem de verdade. O Robben de verdade, o Ribéry de verdade, os jogadores de verdade. Foi incrível”, recorda o jogador.

Observado ao longo de sua trajetória nas categorias de base no Canadá, Davies tinha apenas 17 anos quando acertou sua transferência para o time bávaro. A lembrança daquela época ainda está fresca na memória do garoto, que descreveu ao comentarista a incredulidade com o interesse bávaro: “Quando eu estava no Montreal, me disseram que um grande clube estava me observando. Obviamente, eu não sabia qual clube era. Então, quando saiu a notícia de que o Bayern de Munique queria me encontrar, me deixou de olhos arregalados. Fiquei tipo: ‘Meu Deus! Sério?'”

Ser notado pelo Bayern foi uma agradável recompensa ao jogador, mas sua presença nos holofotes locais já delineava sua trajetória. Com apenas 16 anos, tornou-se o jogador mais jovem a jogar pela seleção principal do Canadá. Já aos 18, transformou-se no mais jovem a vencer o prêmio de melhor jogador de futebol canadense do ano, em 2018. As marcas pessoais vão se acumulando neste que é o melhor momento da curta vida do garoto.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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