Bundesliga

Como os gols podem levar a Bundesliga a ganhar o mundo

Um gol atrás do outro, não que isso fosse uma surpresa. O Bayern de Munique passeava sobre o Hamburgo na abertura da Bundesliga 2015/16. E, a cada gol dos vermelhos da Baviera, os dirigentes da liga tinham motivos para sorrir. Não que haja uma torcida institucional a favor do atual tricampeão nacional. Mas a cada vez que a bola tocava na rede, os alemães sabiam que estavam justificando a campanha que tenta internacionalizar o campeonato.

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A Espanha tem a força de um Barcelona x Real Madrid, que podem ser individualizado no duelo Messi x Cristiano Ronaldo. A Premier League tem clubes que se projetaram globalmente há mais tempo e carregam o charme e a história do futebol inglês. Mas a Alemanha tem gols, muitos gols, e estádios explosivos. Por isso, abrir a temporada com um placar de 5 a 0 e um desfile de um time cheio de craques da seleção campeã mundial veio sob medida.

Isso ficou evidente no evento realizado em Berlim pela Bundesliga em parceria com a Fox Sports para apresentar o torneio à mídia internacional. Na ocasião, a liga deixou evidente que pretende explorar o que há de mais positivo no estereótipo sobre o futebol alemão – estádio cheio, sem filas, organizado e limpo – para alcançar novos mercados, com enfoque especial aos Estados Unidos. E, de alguma forma, fazer isso sem que isso cause rejeição aos torcedores ou prejudique a qualidade do jogo.

O slogan da campanha de divulgação vai direto ao ponto: “More goals, more pasion. This is Bundesliga” (Mais gols, mais paixão. Esta é a Bundesliga). Diz o que precisa sem rodeios. O minimalismo da frase, carregando a força que um toque alemão (“Bundesliga”) dá a qualquer frase, até lembra o “Das Auto” que a Volkswagen usou em todo o planeta para vender a ideia de qualidade e robustez para seus carros.

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Liz Dolan, chefe de marketing da Fox disse que a frase foi escolhida pensando no mercado norte-americano. “Sabemos como nos Estados Unidos as pessoas gostam de esportes com placares altos e muitos gols. Eles não gostam de empates ou de 0 a 0. E a Bundesliga é o campeonato europeu com a maior média de gols por jogo, então decidimos explorar isso.”

É fácil reforçar esse discurso com estatísticas, outra coisa à qual o público americano está acostumado. Com média de 2,75 gols por partida na temporada passada, o Campeonato Alemão ficou à frente de Itália (2,69), Espanha (2,66), Inglaterra (2,57), Portugal e França (2,49) como torneio mais goleador. A última edição teve placares como Bayer Leverkusen 4 x 5 Wolfsburg, Eintracht Frankfurt 4 x 4 Hertha Berlin ou Hoffenheim 4 x 3 Hannover. Jogos que poderiam ser pouco atrativos pelas ausências de Bayern de Munique ou Borussia Dortmund, mas que a organização vê como ótimos chamarizes para promover o torneio.

A primeira rodada da temporada 2015/16 confirmou essa expectativa. Os 5 a 0 do Bayern de Munique sobre o Hamburgo foi seguido por vários outros jogos cheio de gols, como Borussia Dortmund 4 x 0 Borussia Mönchengladbach, Darmstadt 2 x 2 Hannover e Stuttgart 1 x 3 Colônia. A média ficou em 3,11 gols por partida. Após duas rodadas, a Premier League está com 2,7 e a Ligue 1 passa vergonha com 1,65.

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Para levar todos esses gols às casas de torcedores, a liga fechou com a Fox uma parceria global, em que o campeonato será prioridade para os canais de Rupert Murdoch. Nos Estados Unidos, a primeira rodada foi vista não apenas no canal de esportes da emissora, mas também naqueles destinados ao entretenimento. A Fox ainda irá avaliar a possibilidade de repetir a dose com outras partidas.

O Youtube também teve transmissões em uma estratégia para seduzir jovens que estão conectados a todo momento. A mesma linha de raciocínio que motivou a Bundesliga a criar uma série de vídeos voltados ao público norte-americano, mostrando um grupo de publicitários se atrapalhando ao tentar criar uma campanha para vender o futebol alemão aos Estados Unidos.

Essa aliança entre a liga e a Fox vale para outros países, da Ásia à Espanha, da Inglaterra ao Brasil. Poderia ser a deixa para realizar jogos em horários exóticos para atender aos fusos das diferentes regiões do planeta. No entanto, a Bundesliga seguirá privilegiando seu torcedor local. Com média de público de 42.685 na última temporada, o Campeonato Alemão teve a melhor presença de torcedores e melhor ocupação de estádio de toda a Europa. “Não vamos fazer algo só porque a Inglaterra ou outro país faz. O que é interessante para eles, talvez nem sempre sirva para nós. Temos os estádios cheios, vão crianças e famílias. Se mudamos os horários e perdemos essas pessoas, estamos abrindo mão de gente que conquistamos com um trabalho muito árduo”, avalia Christian Seifert, CEO da Bundesliga.

O plano está pronto. A Bundesliga é um sucesso diante de seu público. Agora é momento de tentar conquistar o mundo. A briga com ingleses e espanhóis será dura, mas é inegável que os alemães têm seus trunfos. E fazem questão de mostrar isso para todos.

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Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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