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Clube a clube, este é o Guia Trivela da Bundesliga 2022/23

Analisamos cada uma das equipes, com detalhes sobre o desempenho recente e as projeções

A Bundesliga abre mais uma temporada nesta sexta-feira, e com perspectivas que prometem animar a competição. Não, o Bayern não deixa de ser o favorito absoluto, ainda mais depois do decacampeonato. Os bávaros perderam Robert Lewandowski, mas indicam capacidade para fortalecer o conjunto. O que garante mais ânimo são as situações melhores de alguns concorrentes, como o Borussia Dortmund e o RB Leipzig. Além disso, o mercado é bastante movimentado na Alemanha, num nível até atípico. Ocorreram diversas mudanças no comando técnico, enquanto alguns times buscaram várias novas alternativas para o elenco – a exemplo do que fizeram Eintracht Frankfurt e Freiburg.

Sem mais delongas, oferecemos o nosso guia da Bundesliga. Analisamos cada um dos 18 clubes com detalhes. O material está logo abaixo. Aproveite:

Sadio Mané (Alexander Hassenstein/Getty Images/One Football)

Bayern de Munique

Estádio: Allianz Arena (75 mil torcedores)
Técnico: Julian Nagelsmann (desde julho de 2021)
Posição em 2021/22: Campeão
Participações na Bundesliga: 58
Projeção: Campeão
Principais contratações: Matthijs de Ligt (D, Juventus), Sadio Mané (A, Liverpool), Mathys Tel (A, Rennes), Ryan Gravenberch (M, Ajax), Noussair Mazraoui (D, Ajax)
Principais saídas: Robert Lewandowski (A, Barcelona), Chris Richards (D, Crystal Palace), Marc Roca (D, Leeds), Omar Richards (D, Nottingham Forest), Lars Lukas Mai (D, Lugano), Niklas Süle (D, Borussia Dortmund), Corentin Tolisso (M, Lyon)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na Supercopa: Neuer, Pavard, Upamecano, Hernández, Davies; Sabitzer, Kimmich; Gnabry, Müller, Musiala; Mané

O Bayern de Munique viverá uma temporada de ruptura. A saída conturbada de Robert Lewandowski é o que mais representa essa divisão. O centroavante marcou seu nome na história do clube e liderou o domínio recente na Bundesliga, mas preferiu botar um ponto final nessa história. A maneira como o craque forçou sua venda, além do mais, faz os bávaros desejarem demarcar esse recomeço. Não só por isso, mas também como uma evolução coletiva, para que não se perca a dinastia que se constrói há uma década.

Não é apenas a lacuna deixada por Lewa que precisa ser resolvida, afinal. A temporada passada do Bayern foi bem menos empolgante do que poderia. A eliminação para o Villarreal na Champions serve de ponto mais baixo, isso sem falar no vexame dos 5 a 0 contra o Borussia Mönchengladbach na Copa da Alemanha, mas a decepção vai além. A equipe fez atuações bastante arrastadas na Bundesliga, sobretudo durante o segundo turno. Ocorreram derrotas para times como Bochum e Mainz, bem como vitórias opacas. No entanto, a gordura acumulada e os problemas maiores da concorrência facilitaram mais uma conquista.

Julian Nagelsmann tende a ser mais cobrado em seu segundo ano. O treinador procurou fazer modificações de sistema que não se encaixaram tão bem e também lidou com desfalques que atrapalharam o desenvolvimento de seu trabalho. Na Baviera, de qualquer forma, a régua é bastante alta e o nível de apresentação precisa ser melhor. Passada a temporada de estreia e de aclimatação, a entrega de qualidade dos bávaros deverá ser maior.

A boa notícia é que, mesmo sem Lewandowski, não é de se duvidar que esse objetivo seja atingido. O Bayern tem mais recursos para crescer coletivamente. Basta ver como essa janela de transferências anima. A equipe também perdeu nomes pontuais como Corentin Tolisso e Niklas Süle, mas essas ausências são mais tranquilas de preencher. A começar na defesa, onde Matthijs de Ligt tentará retomar a curva ascendente de sua carreira. Até mais providencial é a chegada de Noussair Mazraoui, sem custos, que poderá auxiliar no redesenho tático da equipe com alas. Ryan Gravenberch é um excelente jovem para o revezamento no meio. E no ataque, enquanto Mathys Tel é uma imensa esperança para o futuro, Sadio Mané se torna o novo craque. Uma estrela reconhecida mundialmente que não é muito o padrão de contratação dos bávaros, mas veio em ótimas condições.

E a visão ampla do elenco permite crer que o Bayern voltará a aumentar seu aproveitamento na Bundesliga. Manuel Neuer ainda é indiscutível entre os melhores goleiros do mundo. Já a linha de zaga aproveita muitos jogadores versáteis, como Benjamin Pavard e Lucas Hernández, que deverão servir dentro da rotação. Dayot Upamecano é outro que tende a ser mais cobrado, depois de um primeiro ano abaixo. Enquanto isso, Alphonso Davies pode corresponder mais numa possível combinação com Mazraoui e as ideias de Nagelsmann num 3-5-2 até o ajudam.

O meio-campo depende de um pouco mais de continuidade. E isso tem sido um problema, com a nova lesão de Leon Goretzka. Além da chegada de Gravenberch, quem também pode ajudar é Marcel Sabitzer, outro a não atingir o nível esperado no último ano. E se Joshua Kimmich permanece como o principal atleta na organização, o status de Jamal Musiala subiu muito. O garoto foi, Lewa à parte, o principal talento dos bávaros na campanha passada. Apresentou sua versatilidade e facilitou vitórias com seu talento.

Mais à frente, o Bayern possui alternativas para atuar com dois atacantes ou com um sistema que use pontas. Neste caso, Kingsley Coman segue como um dos mais desequilibrantes da equipe. Leroy Sané, que teve seus brilhos de início, segue sem cair nas graças. E há a motivação de Serge Gnabry, de contrato renovado e mais central nos planos, quem sabe para recuperar o melhor futebol. Thomas Müller é um ás na manga, sempre excepcional pelas chances criadas. Por fim, holofotes sobre os novatos. Nem tanto sobre Mathys Tel, muito embora o garoto de 17 anos tenha chegado sob uma chuva de elogios. Mais sobre Mané, que assume o protagonismo por sua estatura no futebol mundial e também como o mais apto a atuar centralizado no ataque. As mostras até agora são animadoras, pela entendimento rápido no sistema.

Será um Bayern com um padrão de jogo diferente e com mecanismos a repensar. Talvez seja o empurrão necessário para o trabalho de Nagelsmann decolar, por aquilo que o treinador também possui de virtudes. Os bávaros nunca deixam de ser favoritos, e agora investem numa nova etapa dessa hegemonia. O artilheiro saiu, mas não dá para dizer que os multicampeões estão mais fracos só por causa disso. Pelo contrário, o mercado garantiu outras possíveis respostas.

Marco Reus, do Dortmund (Boris Streubel/Getty Images)

Borussia Dortmund

Estádio: Signal Iduna Park (81,4 mil torcedores)
Técnico: Edin Terzic (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 2° colocado
Participações na Bundesliga: 56
Projeção: briga pelo título
Principais contratações: Sébastien Haller (A, Ajax), Nico Schlotterbeck (D, Freiburg), Karim Adeyemi (A, Red Bull Salzburg), Salih Özcan (M, Colônia), Niklas Süle (D, Bayern), Marcel Lotka (G, Hertha), Alexander Meyer (G, Jahn Regensburg)
Principais saídas: Erling Braut Haaland (A, Manchester City), Steffen Tigges (A, Colônia), Axel Witsel (M, Atlético de Madrid), Roman Bürki (G, St. Louis City), Marwin Hitz (G, Basel), Dan Axel Zagadou (D, sem clube), Marcel Schmelzer (D, aposentado), Reinier (M, Real Madrid), Marin Pongracic (D, Wolfsburg)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Kobel, Meunier, Süle, Schlotterbeck, Guerreiro; Bellingham, Dahoud; Adeyemi, Reus, Malen; Moukoko.

O Borussia Dortmund tinha motivos para se empolgar na última temporada. Erling Braut Haaland continuava no clube. Marco Rose era um treinador com credenciais para recuperar o bom futebol. O Signal Iduna Park voltaria a ter portões abertos (teoricamente) em todos os jogos. Porém, as esperanças de um ano melhor também fizeram os aurinegros quebrarem a cara. O trabalho de Marco Rose foi pífio e os tantos problemas de antes se repetiam. Haaland, mesmo se lesionando, carregou o time em vários jogos – nada suficiente para sequer ameaçar a hegemonia do Bayern. Até por isso, a sensação é de alívio em poder recomeçar para 2022/23.

Por outras vias, o Dortmund também cria outras esperanças neste início de Bundesliga. A começar pela atuação no mercado de transferências – já coordenado pelo novo chefe-executivo, o ídolo Sebastian Kehl. Haaland não ficou por mais um ano e a saída é tratada como natural. Por outro lado, nota-se um BVB bem mais forte no conjunto através das aquisições. Niklas Süle e Nico Schlotterbeck chegam como os dois melhores zagueiros da última Bundesliga. Salih Özcan dá nova capacidade ao meio. Karim Adeyemi está entre os principais jovens atacantes da Alemanha. E ainda há Sébastien Haller, que por enquanto foca no tratamento do tumor descoberto nos testículos durante a pré-temporada.

O mercado excelente do Dortmund até o momento se complementa pela chegada de um novo técnico. Marco Rose não tinha motivos para continuar. A diretoria preferiu uma solução caseira, com o retorno de Edin Terzic. O jovem comandante conhece muito bem o clube e continuava trabalhando nos bastidores após dar lugar ao próprio Marco Rose. Possui uma Copa da Alemanha no currículo e uma consciência maior da identidade dos aurinegros. A missão é árdua, mas ele deu sinais positivos naquele teste anterior.

Agora o Borussia Dortmund precisa arregaçar as mangas para resolver alguns problemas que vêm há muito tempo. Um deles está na defesa. A preocupação no gol já não é mais tão grande, com a boa temporada de Gregor Kobel. O trabalho será ajustar a parceria novíssima entre Schlotterbeck e Süle, já que Manuel Akanji não atrai amores mesmo vindo de uma temporada melhor e Mats Hummels entra em declínio. Outra questão está em ganhar mais consistência nas laterais. Raphaël Guerreiro e Thomas Meunier já tiveram momentos com mais moral. Na cabeça de área, se Axel Witsel partiu, Salih Özcan repõe bem o setor. Mahmoud Dahoud continua sendo útil, mas o destaque por ali é Jude Bellingham. O inglês fez uma temporada de afirmação mesmo rodeado de problemas e se mostra cada vez mais pronto aos grandes momentos.

Já o ataque vai ter que ser repensado sem mais a dependência de Haaland, assim como com o desfalque inesperado de Haller. Por enquanto, Youssoufa Moukoko serve de centroavante. Marco Reus sente o peso do tempo, mas continua como uma referência técnica na armação. O veterano tem a sombra de um Gio Reyna, que pode ajudar bastante se superar a sequência de lesões. A responsabilidade, todavia, recai sobre outros dois jogadores. Adeyemi, pela importância em sua chegada, considerando o talento e também o faro de gol. Donyell Malen, para poder corresponder mais do que no primeiro ano, e bola ele tem. Ambos começaram jogando abertos pelas pontas, mas podem ser alternativas centralizados também.

Em campo, precisarão vir as respostas. A começar dentro da própria Bundesliga. Mesmo se mantendo no segundo lugar durante quase toda a campanha, o Dortmund deixou muito a desejar em 2021/22. Até dentro do Signal Iduna Park foi uma equipe vulnerável na defesa e com derrotas em excesso, sobretudo no segundo turno. Também há uma conta a se pagar na Champions, após a decepcionante eliminação na fase de grupos, com derrotas duríssimas e bailes sofridos. Nem Liga Europa ou mesmo Copa da Alemanha salvaram, vide as eliminações diante de Rangers e St. Pauli.

Atitude será essencial para o Borussia Dortmund começar a se reerguer desse ano perdido. Algo visto, mesmo que numa escala limitada, durante a estreia na Copa da Alemanha 2022/23. Foi uma postura que se espera contra o Munique 1860, da terceirona, com uma vitória por 3 a 0 que poderia ter sido maior. Resta saber como se desenvolverá na Bundesliga, com um ciclo vicioso que atravanca o BVB.

Jogadores do Leverkusen comemoram (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Bayer Leverkusen

Estádio: BayArena (30,2 mil torcedores)
Técnico: Gerardo Seoane (desde julho de 2021)
Posição em 2021/22: 3° colocado
Participações na Bundesliga: 44
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Adam Hlozek (A, Sparta Praga)
Principais saídas: Lucas Alario (A, Eintracht Frankfurt), Mitchell Weiser (D, Werder Bremen), Lennart Grill (G, Union Berlim), Sadik Fofana (D, Nuremberg)
Brasileiros no elenco: Paulinho
Time na estreia da Pokal: Hradecky, Frimpong, Tapsoba, Kossounou, Bakker; Andrich, Aránguiz; Diaby, Azmoun, Hlozek; Schick.

O Bayer Leverkusen é um clube que tantas vezes possui bons elencos e nem sempre corresponde em campo. A temporada passada, entretanto, até demandava certas ressalvas em meio a uma troca no comando dos Aspirinas. A resposta veio com a terceira colocação na Bundesliga, o melhor desempenho do clube em seis anos. Valeu a vaga na Champions e também um impulso num momento em que Rudi Völler, histórico também no papel de executivo, deixa o cargo.

Simon Rolfes é quem distribui as cartas no mercado. O seu trabalho acaba facilitado porque, à beira do campo, Gerardo Seoane deu bastante certo na BayArena. Entre as muitas trocas de técnicos da temporada passada na Alemanha, o suíço acabou saindo melhor do que vários colegas badalados. Explorou a veia ofensiva do clube e obteve ótimos resultados, que garantiram a participação na Champions League sem muitos riscos.

O Bayer Leverkusen terminou a Bundesliga passada com 80 gols. Esse número é importante não apenas no contexto da temporada, como terceira melhor marca, mas também por estabelecer um novo recorde para os Aspirinas na primeira divisão – superando inclusive os tempos em que disputavam a salva de prata. Muitas goleadas engrossam a conta, especialmente os 7 a 1 sobre o Greuther Fürth, mas foi uma equipe capaz de fazer cinco no Dortmund. Os jogos animados, de quem vai de peito aberto mesmo fora de casa, podem voltar a ser uma atração.

Isso porque o Bayer Leverkusen manteve seu elenco para a próxima campanha. Lucas Alario até saiu, mas era uma perda dada como certa faz tempo e sem tanta influência na produtividade. Bem mais notáveis foram as permanências de Florian Wirtz e Patrik Schick, muito valorizados após preencherem totalmente a lacuna deixada por Kai Havertz. Os Aspirinas, em compensação, mal contrataram. Adam Hlozek é um baita acerto, até pelos olhares que atraía no Sparta Praga, mas parece pouco a um clube que vai disputar também a Champions.

O setor mais suscetível é a defesa. Lukasz Hradecky é ótimo no gol, mas a zaga se alterna entre jogadores bastante jovens e laterais não tão estáveis. Jonathan Tah continua no clube, mas Edmond Tapsoba e Odilon Kossounou pedem passagem, enquanto Piero Hincapié foi uma grata revelação especialmente por sua versatilidade. Na cabeça de área, Robert Andrich é um jogador de boa chegada e Charles Aránguiz permanece como um condutor, mas é o crescimento de Exequiel Palacios que pode dar um gás maior ao time.

O legado negativo da temporada passada é a séria lesão de Florian Wirtz, que fez o time até mudar sua maneira de jogar. O prodígio deve retornar em setembro. Sem ele, o papel de Moussa Diaby se torna mais importante na ligação, e o francês faz por merecer também um rótulo entre os protagonistas. Paulinho foi mais participativo na reta final da temporada, mas sua continuidade é uma dúvida. Os gols ficam na conta de Schick, na melhor fase da carreira, e Sardar Azmoun pode auxiliar mais nisso, depois de chegar em janeiro já se encaixando como um atacante mais móvel. Hlozek pode entrar também centralizado por ali ou na ponta, como vem jogando.

Para a Bundesliga, o Bayer Leverkusen continua como um postulante ao G-4. Todavia, a história pode ser diferente com o desgaste que a Champions proporciona – em torneio no qual a vaga nas oitavas de final já estará de ótimo tamanho. O entrave é que a margem à manobra parece mais apertada. E os temores ficaram mais expostos depois da péssima participação na Copa da Alemanha, com o time inferior ao modesto Elversberg, da terceira divisão. Os Aspirinas tiveram muitos problemas na defesa e sequer reagiram. Precisarão de muito mais nos demais compromissos de 2022/23.

Christopher Nkunku, do RB Leipzig (Foto: Emilio Andreoli/Getty Images/One Football)

RB Leipzig

Estádio: Red Bull Arena (47,1 mil espectadores)
Técnico: Domenico Tedesco (desde dezembro de 2021)
Posição em 2021/22: 4° colocado
Participações na Bundesliga: sete
Projeção: briga por título
Principais contratações: David Raum (D, Hoffenheim), Xaver Schlager (M, Wolfsburg), Janis Blaswich (G, Heracles)
Principais saídas: Tyler Adams (M, Leeds), Hwang Hee-chan (A, Wolverhampton), Brian Brobbey (A, Ajax), Nordi Mukiele (D, Paris Saint-Germain), Eric Martel (M, Colônia), Noah Ohio (A, Standard de Liège), Tom Krauss (M, Schalke), Yvon Mvogo (G, Lorient), Josep Martínez (G, Genoa)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na Supercopa: Gulácsi, Orban, Simakan, Halstenberg; Klostermann, Kampl, Laimer, Henrichs; Szoboszlai, Forsberg, Nkunku.

O RB Leipzig viveu duas temporadas diferentes em uma só. Os Touros Vermelhos conheceram o caos na desastrada passagem de Jesse Marsch, que chegou como uma boa escolha, mas perdeu a confiança do time muito cedo e não conseguiu resultados. Muito melhor foi a equipe de Domenico Tedesco na metade final de 2021/22. O RasenBallsport pegou embalo na Bundesliga para ainda conseguir uma vaga na Champions League que parecia perdida e pôde comemorar o primeiro título de sua história, com a conquista da Copa da Alemanha – sem ignorar ainda a caminhada até as semifinais da Liga Europa.

Pelo que foi o primeiro semestre de 2022, o RB Leipzig consta entre os candidatos ao título da Bundesliga. A equipe acumulou 11 vitórias no segundo turno, com apenas três derrotas, e chegou a emplacar cinco triunfos com pelo menos quatro gols anotados. A ofensividade volta a preponderar, num sistema com alas que parece se casar melhor com as peças que os Touros Vermelhos têm à disposição. É um time mais agressivo, também pela pressão sem a bola. Mas não que competir com o Bayern de Munique será fácil. Basta ver a diferença na Supercopa da Alemanha, em que o placar de 5 a 3 não dimensiona a superioridade dos bávaros em grande parte do duelo.

Domenico Tedesco, ainda assim, parece ter recursos para crescer e conseguir novos feitos depois de seis meses melhores que as projeções. O jovem treinador de 36 anos chegou a ter problemas de continuidade no Schalke 04, declinando repentinamente, mas não se nega que o contexto é outro. O Leipzig oferece bem mais recursos e também um tipo de respaldo que o coloca como uma das faces do projeto.

Prova disso é que o RB Leipzig fez uma ótima janela de transferências. A melhor notícia possível ao clube esteve na renovação de Christopher Nkunku, melhor da Bundesliga na temporada passada. Entretanto, também há boas novas entre os que chegam. A começar por David Raum, melhor lateral esquerdo do país e que vem por uma bolada. Não fica tão atrás a aquisição de Xaver Schlager pelo meio, um atleta experimentado na Bundesliga e que garante potência à faixa central. Do outro lado, só a venda de Nordi Mukiele é que exige mesmo algum tipo de reposição. A Red Bull aproveitou para fazer dinheiro com vendas de jogadores sem tanto espaço, a exemplo de Brian Brobbey e Hwang Hee-chan, que renderam €68 milhões no total.

O equilíbrio do RB Leipzig permanece para ter o G-4 como objetivo básico na próxima Bundesliga. A defesa continua apresentando jogadores excelentes. Antigas referências como Péter Gulácsi, Willi Orbán e Lukas Klostermann continuam. Valem ainda mais as ascensões de Mohamed Simakan e principalmente Josko Gvardiol, pelo qual a Red Bull recusou propostas nababescas nas últimas semanas. Aos 19 anos, pode crescer ainda mais. Já no meio permanece a dúvida em relação à permanência de Konrad Laimer, especulado no Bayern. Caso vá, o setor ainda tem o resguardo de Kevin Kampl e Amadou Haidara, além do próprio Schlager.

David Raum entra na ala esquerda, mas com cartaz para ser protagonista. Quem perde a vez é Angeliño, que caiu de nível na temporada passada e está de saída. Raum será uma combinação importante para Nkunku, o dono do ataque. O francês fez de tudo um pouco na temporada passada, principalmente arrebentar as defesas adversárias, com média de gols mais assistências superior a um por partida. Dani Olmo e Dominik Szoboszlai ainda podem ser diferenciais pela qualidade técnica, enquanto André Silva ganha uma nova oportunidade após ficar devendo um pouco no último ano. E isso sem deixar de considerar os “veteranos” do projeto desde o acesso, como Yussuf Poulsen e Emil Forsberg.

Um problema para o Leipzig é o confronto direto com o Bayern de Munique. Os Touros Vermelhos amargam uma freguesia que atrapalha as ambições. Melhorar esse tipo de resultado é o que realmente pode colocá-los como candidatos à taça, quando a regularidade já foi recuperada por Domenico Tedesco. A impressão é que o RasenBallsport entra no campeonato com um conjunto mais forte e que se entrosa mais sob as ordens do comandante.

Jogadores do Union Berlim comemoram com a torcida (Martin Rose/Getty Images)

Union Berlim

Estádio: An der Alten Försterei (22 mil torcedores)
Técnico: Urs Fischer (desde julho de 2018)
Posição em 2021/22: 5° colocado
Participações na Bundesliga: 4
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Jordan Siebatcheu (A, Young Boys), Jamie Leweling (A, Greuther Fürth), Morten Thorsby (M, Sampdoria), Diogo Leite (D, Porto), Danilho Doekhi (D, Vitesse), Janik Haberer (M, Freiburg), Paul Seguin (M, Greuther Fürth), Milos Pantovic (M, Bochum), Tim Starke (A, Darmstadt), Lennard Grill (G, Leverkusen)
Principais saídas: Taiwo Awoniyi (A, Nottingham Forest), Marcus Ingvartsen (A, Mainz), Leon Dajaku (A, Sunderland), Lennart Moser (G, Eupen), Grischa Prömel (M, Hoffenheim), Bastian Oczipka (D, Arminia Bielefeld), Anthony Ujah (A, Eintracht Braunschweig), Andreas Luthe (G, Kaiserslautern), Pawel Wszolek (A, Legia Varsóvia)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Rönnow, Jaeckel, Heintz, Knoche; Trimmel, Haberer, Khedira, Haraguchi, Giesselmann; Siebatcheu, Becker.

Pela terceira vez, quando parecia bater em seu teto, o Union Berlim se superou. A permanência na Bundesliga já soava improvável, quando a equipe veio dos playoffs de acesso, mas o nível de desempenho alto garantiu o objetivo com sobras na temporada de estreia. Já no segundo ano, quando muitos falavam sobre o risco de queda, veio a vaga na Conference. E mesmo o calendário cheio não impediu um passo além no terceiro ano de elite, com a vaga na Liga Europa. Pois as bases continuam as mesmas para se ambicionar mais no Estádio An der Alten Försterei.

Urs Fischer é o segundo treinador mais longevo da Bundesliga, um mérito tremendo. O suíço conseguiu estabelecer uma identidade muito forte no Union Berlim, que não depende diretamente das mudanças no elenco. Pelo contrário, até aproveitou o crescimento dos últimos anos para adicionar mais recursos. Embora seja uma equipe mais física e combativa, os Eisernen até melhoraram no trato com a bola ao longo da jornada. Isso se reverte em melhores números.

Durante a temporada passada, o Union Berlim conseguiu 16 vitórias, quatro a mais que na campanha anterior. O desempenho dentro de casa continua muito forte, mas fora também deu para arrancar pontos importantes. Mesmo com suas oscilações, os berlinenses fecharam o campeonato em alta. Venceram seis dos últimos sete confrontos, num caminho que incluía rivais diretos como RB Leipzig e Freiburg. Foi também uma prova de ambição do time que não foi tão bem na Conference, sucumbindo no grupo mais duro do torneio, mas ainda alcançou as semifinais da Copa da Alemanha.

Como em outras temporadas recentes, o Union Berlim é um dos clubes mais movimentados da Alemanha na janela de transferências. O sucesso gerou a venda lucrativa do artilheiro Taiwo Awoniyi, embora Grischa Prömmel seja uma perda importante ao final de seu contrato. Mesmo assim, os Eisernen repuseram e rechearam mais o seu elenco, também aproveitando negócios sem custos. A principal figura é Jordan Siebatcheu, centroavante que fez muitos gols pelo Young Boys nas duas últimas temporadas. Jamie Leweling é outro que pode se destacar no ataque. Danilho Doekhi se torna um verdadeiro achado para a zaga, saindo de graça do Vitesse após destaque até como capitão. Já o meio-campo ganha uma barca de adições. Morten Thorsby, Janik Haberer e Milos Pantovic chegam como peças de peso na rotação.

Até pela quantidade de jogadores, o mais provável é que o Union Berlim aproveite bastante esse leque de opções para se alternar entre Bundesliga e Liga Europa. Frederik Rönnow toma conta do gol com a saída de Andreas Luthe. A zaga já tinha em Robin Knoche um de seus principais jogadores, especialmente após a saída de Marvin Friedrich e o tumor de Timo Baumgartl. Outra posição muito importante são as laterais, com Christopher Trimmel ocupando uma posição de lenda e Nico Giesselmann também destacável na esquerda. Genki Haraguchi e Rani Khedira seguem com relevância no meio. Já na frente, sem Awoniyi, cresce o protagonismo de Sheraldo Becker, assim como do útil reserva Andreas Voglsammer.

O Union Berlim está preparado para manter o patamar ou ainda dar outro passo além? Pelo que se nota de trabalho de bastidores e também de treinamento, os méritos dos Eisernen estão mais que expressos. O perigo desta vez, porém, ronda ao lado, com oponentes mais fortalecidos. Até por isso, dar um passo para trás e ficar no meio da tabela não seria nenhum problema. O que não dá é para duvidar da capacidade desse clube.

Christian Streich, do Freiburg (Alex Grimm/Getty Images/One Football)

Freiburg

Estádio: Estádio Europa-Park (34,7 mil torcedores)
Técnico: Christian Streich (desde dezembro de 2011)
Posição em 2021/22: 6° colocado
Participações na Bundesliga: 23
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Ritsu Doan (A, PSV), Daniel-Kofi Kyereh (M, St. Pauli), Matthias Ginter (D, Borussia Mönchengladbach), Michael Gregoritsch (A, Augsburg)
Principais saídas: Nico Schlotterbeck (D, Dortmund), Luca Itter (D, Greuther Fürth), Ermedin Demirovic (A, Augsburg), Janik Haberer (M, Union Berlim)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Flekken, Kübler, Lienhart, Ginter, Günter; Höfler, Eggestein; Doan, Jeong, Grifo; Gregoritsch.

Não é exagero dizer que o Freiburg atravessou a melhor temporada de sua história. O clube da Floresta Negra realizou sua melhor campanha na história da Copa da Alemanha e brilhou na Bundesliga, retornando à fase de grupos das competições continentais depois de nove anos. Alguns podem até apontar certo anticlímax, pela maneira como a vaga na Champions League escapou, bem como pelo vice diante do Leipzig na Pokal. Entretanto, a impressão é de um crescimento sustentável, não só de um ponto fora da curva.

O Freiburg é um dos clubes mais bem geridos da Alemanha. Possui um orçamento mais modesto, mas faz um trabalho sensacional no mercado de transferências. As possibilidades financeiras aumentam com a inauguração de seu moderno estádio, o Europa-Park. E o dinheiro das competições continentais também pinga para tornar o conjunto mais competitivo. Resultou numa janela de transferências muito boa na Floresta Negra.

Não se nega o peso de perder Nico Schlotterbeck. O zagueiro foi com certas sobras o melhor de sua posição na Bundesliga e tende a ser titular da Alemanha na Copa do Mundo. Porém, os outros destaques do elenco ficaram e novos chegaram. Matthias Ginter decidiu retornar à velha casa aos 28 anos e vem como uma reposição inimaginavelmente boa para o miolo da zaga. Daniel Kofi-Kyereh foi um dos melhores jogadores da última segundona com o St. Pauli e Ritsu Doan se destacou no PSV. A cereja do bolo ficou para Michael Gregoritsch, num grande negócio com o Augsburg.

Um obstáculo no caminho do Freiburg é a exigência que a temporada trará. A Liga Europa atual possui um nível bem acima da época em que o time pintou na fase de grupos em 2013/14. Além disso, outra questão foi a queda de rendimento exatamente nos jogos finais da temporada passada. Quando estava no G-4 é que a equipe despencou nas duas últimas rodadas, enquanto a atuação na final da Pokal esteve aquém das possibilidades.

Todavia, o Freiburg possui boas ferramentas para superar seus entraves. Sobretudo, por contar com um dos melhores técnicos do futebol alemão. Christian Streich completou uma década à frente da equipe principal, em mais de 25 anos de clube. Possui muitos recursos táticos, sabe lapidar jovens jogadores, monta equipes equilibradas. A quantidade de sucessos na Floresta Negra ao longo desta década tem uma razão clara no banco de reservas. E seu moral segue elevado pela forma como o conjunto se restabeleceu, mesmo vendendo jogadores importantes antes da última temporada.

Não é o caso desta vez, com o grupo preservado em sua maioria. Além de Ginter, outros dois jogadores de seleção na defesa são o goleiro Mark Flekken e o lateral Christian Günter – sem contar Philipp Lienhart, convocado com menos frequência pela Áustria. No meio, Nicolas Höfler foi um dos melhores do time nessa última temporada, enquanto Maximilian Eggestein restabelece seu talento em novo nível. O gol na final da Copa da Alemanha pode ajudar em sua ascensão.

Mais à frente, é interessante notar como o Freiburg pode montar seu setor ofensivo de diferentes maneiras. Vincenzo Grifo é um jogador mais técnico e muito identificado, enquanto Roland Sallai continua imparável em diferentes funções. Os demais nomes são bons complementos, indo do ídolo Nils Petersen ao bastante promissor Kevin Schade. Doan, Gregoritsch e Kofi-Kyereh acrescentam ainda mais na maneira de pensar esses encaixes conforme a situação.

O Freiburg ainda tem algumas carências para um calendário mais cheio, especialmente quando se prometeu uma reposição a Schlotterbeck além de Ginter. Entretanto, ganha mais fôlego para fazer uma boa campanha na Liga Europa e tentar repetir os feitos da temporada passada. Não é pouco, especialmente quando se compara em história e recursos a maior parte dos concorrentes pelas primeiras colocações da Bundesliga.

O Colônia comemora (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images/One Football)

Colônia

Estádio: Estádio Rhein-Energie (49,7 mil torcedores)
Técnico: Steffen Baumgart (desde julho de 2021)
Posição em 2021/22: 7° colocado
Participações na Bundesliga: 51
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Luca Kilian (D, Mainz 05), Sargis Adamyan (A, Hoffenheim), Steffen Tigges (A, Dortmund), Eric Martel (M, Leipzig), Linton Maina (A, Hannover), Kristian Pedersen (D, Birmingham), Denis Huseinbasic (M, Kickers Offenbach)
Principais saídas: Salih Özcan (M, Dortmund), Louis Schaub (M, Hannover), Jannes Horn (D, Bochum), Tomas Ostrak (M, St. Louis City)
Brasileiros no elenco: Dimitrios Limnios (dupla nacionalidade)
Time na estreia da Pokal: Horn, Schmitz, Hübers, Chabot, Pedersen; Ljubicic, Skhiri, Kainz; Uth; Modeste, Adamyan

O Colônia operou muito acima das expectativas na última temporada. Com um elenco relativamente modesto e campanhas mornas nas temporadas anteriores, desde que tinha voltado da segunda divisão, a equipe conseguiu um salto na tabela. Tinha jogado os playoffs de rebaixamento em 2020/21 e conseguiu vaga na Conference em 2021/22. A montanha-russa, todavia, deixa a impressão de que os Bodes tendem mesmo a sofrer uma perda de posições durante a próxima campanha.

A explicação principal para o sucesso do Colônia está no banco de reservas. É difícil encontrar um treinador que crie tamanha sinergia com o clube em tão pouco tempo. Steffen Baumgart assumiu a prancheta na campanha passada, depois de um longo trabalho à frente do Paderborn. Com sua carismática boina, seria capaz de alterar o espírito ao redor do Estádio Rhein-Energie e promover tamanha melhora nos resultados, especialmente quando o elenco não sofreu mudanças tão drásticas após os riscos de degola no ano anterior.

O Colônia se mostrou uma equipe extremamente competitiva na Bundesliga 2021/22. Era um time de muita agressividade sem a bola e força no jogo pelo alto. O Effzeh até passou pela metade inferior da tabela no primeiro turno, prejudicado pelo excesso de empates. Compensou com uma guinada na reta final da competição, incluindo uma sequência de quatro vitórias consecutivas em abril. Foi o que valeu um lugar na Conference League, mesmo com adversários mais incensados logo abaixo.

A frente continental deveria significar um mercado mais movimentado para o Colônia, mas não é isso que se nota. O elenco não ganhou tanta profundidade assim. Os esforços se concentraram na aquisição em definitivo de Luca Kilian para a zaga, além das chegadas de Sargis Adamyan e Steffen Tigges para o comando do ataque. Parece pouco, especialmente quando esse sucesso recente custou a saída de Salih Özcan, o termômetro da equipe, rumo ao Borussia Dortmund.

Por aquilo que tem em mãos, o Colônia mais uma vez terá que se superar na campanha. O goleiro foi outro trunfo, Marvin Schwäbe, que apresentou muita qualidade ao desbancar o ídolo Timo Horn. A principal figura na defesa é Jonas Hector, de volta à lateral esquerda e ainda com a braçadeira de capitão, com o lado direito também forte graças à presença de Benno Schmitz. Timo Hübers ainda se destaca na zaga. Sem Özcan, a importância de Ellyes Skhiri e Dejan Ljubicic na organização do time pela faixa central aumenta. Já o setor ofensivo possui boa capacidade de variação ao incluir nomes como Florian Kainz, Mark Uth e os novos reforços. Ninguém com a estatura de Anthony Modeste, a grande figura dos Bodes que voltou a exibir seu melhor, com 23 gols.

Entretanto, o Colônia não pode ignorar o sinal de alerta que já soou. A equipe foi eliminada pelo Jahn Regensburg logo na primeira fase da Copa da Alemanha, derrotada nos pênaltis e com Modeste lesionado. A Conference também começa nas preliminares e talvez pregue alguma peça. Vale lembrar o que aconteceu na última temporada em que os Bodes pintaram além das fronteiras: apesar da empolgação com a Liga Europa, o desempenho na liga seria medonho e culminou no rebaixamento.

O Mainz comemora (DANIEL ROLAND/AFP via Getty Images/One Football)

Mainz 05

Estádio: Mewa Arena (34 mil torcedores)
Técnico: Bo Svensson (desde janeiro de 2021)
Posição em 2021/22: 8° colocado
Participações na Bundesliga: 17
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Angelo Fulgini (M, Angers), Maxim Leitsch (D, Bochum), Marcus Ingvartsen (A, Union Berlim), Delano Burgzorg (A, Heracles), Dominik Kohr (M, Frankfurt, Anthony Caci (D, Strasbourg), Danny da Costa (D, Frankfurt), Aymen Barkok (M, Frankfurt).
Principais saídas: Moussa Niakhaté (D, Nottingham Forest), Jeremiah St. Juste (D, Sporting), Luca Kilian (D, Colônia), David Nemeth (D, St. Pauli), Dimitri Lavalée (D, Mechelen), Jonathan Meier (D, Dynamo Dresden), Kevin Stöger (M, Bochum), Jean-Paul Boëtius (M, sem clube), Daniel Brosinski (D, sem clube)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Zentner, Bell, Leitsch, Hack; Widmer, Lee, Kohr, Stach, Martin; Burkardt, Onisiwo.

Durante um tempo, o Mainz 05 parecia um clube condenado ao rebaixamento. Os alvirrubros vinham de uma sequência de temporadas ruins e rondavam a zona da degola. O destino se sugeria fatal em 2020/21, depois de um primeiro turno horrível, em que a equipe parecia disposta a brigar pela lanterna. Eis que uma reviravolta aconteceu na segunda metade daquela campanha, com a volta de nomes importantes do clube na direção e no comando técnico. A guinada garantiu a salvação e um honroso oitavo lugar, a melhor colocação em seis anos.

O principal responsável por essa melhora é Bo Svensson. Antigo jogador do clube, o dinamarquês segue a linha dos grandes treinadores do Mainz – que já teve Jürgen Klopp e Thomas Tuchel, além de outros bons profissionais como Martin Schmidt e Sandro Schwarz. Foi o comandante que conseguiu mudar as perspectivas sem precisar promover necessariamente uma revolução de nomes no elenco.

Durante a temporada passada, o Mainz não ficou abaixo do 11° lugar nenhuma vez e frequentou a zona de classificação às copas europeias durante parte importante do primeiro turno. Foi uma das equipes mais fortes como mandante, a ponto de sapecar 3 a 1 sobre o Bayern de Munique dentro de casa. Além disso, apresenta uma postura agressiva. Se pleitear um lugar nos torneios continentais não é simples, não parece que uma queda drástica ocorrerá com a manutenção de Svensson.

O que não se mantém totalmente é a capacidade do elenco. Muitos jogadores aproveitaram o reconhecimento no mercado e fizeram as malas. Os maiores problemas claramente ficam para a defesa, com as saídas de Moussa Niakhaté e Jeremiah St. Juste. Até chegaram reposições interessantes, sobretudo Maxim Leitsch do Bochum, para a zaga. Mas foi um mercado em que os alvirrubros mais se preocuparam em assegurar quem já estava emprestado, a exemplo de Marcus Ingvartsen e Dominik Kohr. Para o setor ofensivo, a adição de peso que pode desabrochar é o meia Angelo Fulgini, que preenche a saída de Jean-Paul Boëtius ao fim de seu contrato.

Do que fica no elenco, o goleiro Robin Zentner e os zagueiros Stefan Bell e Alexander Hack são os principais jogadores do sistema defensivo. O padrão de jogo com alas possui uma força em Silvan Widmer e Aarón Martín, algo fundamental ao sucesso recente. Já a faixa central conta com o amadurecimento de Anton Stach, um dos atletas mais promissores do plantel. Não chega, porém, à badalação do centroavante Jonathan Burkardt. O atacante de 20 anos anotou 14 gols na campanha passada, um número expressivo, e apresenta enorme potencial. Consegue se complementar bem com Karim Onisiwo, tendo ainda Ingvartsen como alternativa no banco.

Conseguir escalar um pouco mais a tabela é um desafio difícil para o Mainz 05, mas não surpreenderia pelo crescimento ocorrido ao longo do último ano. Seria um feito imenso para Svensson, que o colocaria realmente numa prateleira de melhores técnicos da liga. E talvez abrisse portas para promessas como Stach e Burkardt.

Christoph Baumgartner, do Hoffenheim (Alex Grimm/Getty Images/One Football)

Hoffenheim

Estádio: PreZero Arena (30,1 mil espectadores)
Técnico: André Breitenreiter (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 9° colocado
Participações na Bundesliga: 15
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Stanley Nsoki (D, Club Brugge), Ozan Kabak (D, Schalke), Grischa Prömel (M, Union Berlim), Finn Ole Becker (M, St. Pauli), Eduardo Quaresma (D, Sporting)
Principais saídas: David Raum (D, Leipzig), João Klauss (A, St. Louis City), Sargis Adamyan (A, Colônia), Mijat Gacinovic (M, AEK Atenas), Konstantinos Stafylidis (D, Bochum), Kasim Adams (D, Basel), Florian Grillitsch (D, sem clube), Harvard Nordtveit (D, sem clube)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Baumann, Vogt, Hübner, Posch; Kaderabek, Prömel, Baumgartner, Samassekou, Skov; Bruun Larsen, Kramaric.

O Hoffenheim já teve momentos e elencos bem mais interessantes do que a atualidade. Os alviazuis até beliscam vagas nas copas europeias vez por outra, mas se acostumam a uma sequência de campanhas sem tanta empolgação na zona intermediária da tabela. Parece pouco a um clube que já teve ambições maiores e emendou duas participações na Champions League com Julian Nagelsmann. O Hoffe não consegue encontrar uma linha de trabalho desde então.

A campanha passada não começou boa, mas o Hoffenheim teve um gás na virada dos turnos. Chegou a derrotar adversários de peso e até a se projetar para dentro do G-4. Porém, as sequências ruins voltaram a se suceder e os alviazuis despencaram. O final do campeonato foi bem ruim, com nove rodadas sem ganhar um jogo sequer. Sebastian Hoeness não manteria seu emprego ao final do segundo ano no Hoffe, mesmo depois de chegar com cartaz à PreZero Arena por aquilo que fazia no Bayern II.

Assim, o Hoffenheim terá novo técnico nesta temporada. Escolhe André Breitenreiter, com bem mais experiência em alto nível que o antecessor. Seu grande mérito na carreira foi levar o estreante Paderborn à liderança da Bundesliga, mas também dirigiu Schalke 04 e Hannover. O moral de sua escolha, todavia, se explica pela boa temporada à frente do Zurique. Conquistou o Campeonato Suíço com uma equipe que passava longe de constar entre as favoritas, apesar da tradição. Em vez de disputar a Champions, preferiu assumir o Hoffe.

Por enquanto, o Hoffenheim não faz nada tão digno de empolgação no mercado de transferências. Os gastos se concentram para reforçar a zaga, que foi a quarta pior da última temporada. Stanley Nsoki e Ozan Kabak são jovens com potencial, enquanto Eduardo Quaresma chega por empréstimo. Já no meio, Grischa Prömel e Finn Ole Becker entram na rotação após chegarem ao final de seus contratos. O problema é perder o melhor jogador do time, David Raum. O lateral esquerdo rende uma boa grana, mas deixa uma lacuna importante. O setor será uma das prioridades até o fechamento da janela, com Angeliño especulado como reposição numa troca com o Leipzig. Florian Grillitsch é outro entre os melhores da equipe que partiu.

O elenco do Hoffenheim possui bons elementos, mas é inferior a outros clubes de mesmo patamar. Oliver Baumann é goleiro de seleção, enquanto a defesa tem a rodagem de nomes como Benjamin Hübner e Kevin Vogt. O meio pode render mais com Diadié Samassekou, Dennis Geiger e Sebastian Rudy, além da adição valiosa de Prömel. Christoph Baumgartner é o jogador mais talentoso na ligação e provavelmente o melhor prospecto do Hoffe na atualidade. Já o setor ofensivo reúne jogadores com mais fama que entrega recente. A lista é longa, com Andrej Kramaric, Munas Dabbur, Robert Skov e Jacob Bruun Larsen. Ihlas Bebou está lesionado, com expectativas um pouco maiores apenas no jovem Georginio Rutter, que rendeu bem aos 20 anos.

Dá para montar um time eficiente, mas o trabalho coletivo é fundamental diante das individualidades que não se sobressaem tanto assim. É ver se Breitenreiter terá o mesmo efeito que conseguiu no Zurique. Depois de passagens não mais que razoáveis de Alfred Schreuder e Sebastian Hoeness, encontrar um comandante que realmente recobre um bom nível parece a prioridade do Hoffe.

O Gladbach comemora em Munique (Sebastian Widmann/Getty Images/One Football)

Borussia Mönchengladbach

Estádio: Borussia Park (54,1 mil torcedores)
Técnico: Daniel Farke (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 10° colocado
Participações na Bundesliga: 55
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Ko Itakura (D, Manchester City), Oscar Fraulo (M, Midtjylland)
Principais saídas: Breel Embolo (A, Monaco), László Bénes (M, Hamburgo), Matthias Ginter (D, Freiburg), Andreas Poulsen (D, Aalborg)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Nicolas, Scally, Itakura, Elvedi, Bensebaini; Neuhaus, Kramer; Hofmann, Stindl, Plea; Thuram

O Borussia Mönchengladbach vem de uma temporada frustrante. O anticlímax tinha ficado expresso em 2020/21, pela maneira como o time desandou a partir da notícia de que Marco Rose sairia. E a passagem de Adi Hütter seria decepcionante. O treinador vinha com ótimas credenciais do Eintracht Frankfurt, mas simplesmente não aconteceu no Borussia Park. Os Potros foram uma sombra de outros tempos, mesmo preservando jogadores importantes.

Para se ter uma ideia, o Borussia Mönchengladbach não chegou a aparecer acima da nona colocação da Bundesliga em nenhum momento na última temporada. O início da campanha foi menos pior, com direito a uma vitória contra o Borussia Dortmund no reencontro com Marco Rose. Depois, uma decepção tremenda, incluindo duas derrotas por 6 a 0 – contra Freiburg e o próprio Dortmund. Nem os 5 a 0 sobre o Bayern na Copa da Alemanha provocaram uma mudança de rumos. O anúncio de que Adi Hütter não continuaria até pareceu deixar o clima mais leve.

A princípio, a nova aposta do Gladbach é boa. Daniel Farke não chegou a trabalhar na elite da Alemanha, limitado ao Borussia Dortmund II. Mesmo assim, foi um técnico relevante na Inglaterra. Conquistou dois acessos com o Norwich, em períodos de estilos distintos dentro de campo, que só não deram certo com os rebaixamentos sonoros na Premier League. Não é isso que o desqualifica totalmente, até por encontrar condições melhores no Borussia Park. Talvez a preocupação seja na quebra do padrão: depois de técnicos mais diretos, Farke aplica um jogo de posse.

O mercado de transferências do Borussia Mönchengladbach é pouco movimentado. Breel Embolo é a principal perda, uma referência no ataque que vinha de bom desempenho individual, enquanto Matthias Ginter deixa uma lacuna técnica na zaga. Contudo, não são jogadores totalmente insubstituíveis. Alguns atletas pareciam propensos a sair, como Yann Sommer, e continuam no Borussia Park. Já os reforços são poucos. Ko Itakura vem de ótima segundona para ocupar o buraco na zaga, enquanto Oscar Fraulo é uma aposta de médio prazo ao meio.

A questão para o Gladbach é manter o elenco saudável e em seu máximo para voltar a ser mais competitivo. Mas o talento está ali, presente. Yann Sommer fez mais uma grande temporada, apesar da peneira que foi a defesa no geral, com frequentes desfalques. Marvin Friedrich é um zagueiro que pode crescer no clube, enquanto as laterais estão bem resguardadas com Ramy Bensebaini e Joe Scally. No meio, se por um lado Denis Zakaria saiu em janeiro, Kouadio Koné e Florian Neuhaus ainda são excelentes peças para construir o jogo aos Potros.

Por fim, o ataque do Gladbach tem nível para empurrar o time às copas europeias. Marcus Thuram e Alassane Plea podem render mais do que no último ano, especialmente o primeiro. São dois jogadores explosivos e que se entendem com perfeição. Lars Stindl se lesionou, mas continua como um veterano útil para momentos pontuais. E o melhor jogador do time no último ano foi Jonas Hofmann, em fase excelente que se desdobra até na seleção, com muitas participações decisivas.

A teoria do Gladbach é boa, especialmente pensando no histórico de muitos jogadores no clube. Elementos não faltam para repetir o que aconteceu há alguns anos, com grandes resultados e embalo para se colocar nas copas europeias. A conexão interna é que precisa ser restabelecida, especialmente quando o estilo de jogo tende a mudar e os reforços não são numerosos. A goleada por 9 a 1 neste início na Copa da Alemanha, mesmo contra o semi-amador Oberachern, pelo menos oferece um bom sinal.

Filip Kostic (Alex Grimm/Getty Images)

Eintracht Frankfurt

Estádio: Deutsche Bank Park (51,5 mil torcedores)
Técnico: Oliver Glasner (desde julho de 2021)
Posição em 2021/22: 11° colocado
Participações na Bundesliga: 54
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Jens Petter Hauge (A, Milan), Lucas Alario (A, Leverkusen), Mario Götze (M, PSV), Kristijan Jakic (M, Dinamo Zagreb), Hrvoje Smolcic (D, Rijeka), Randal Kolo Muani (A, Nantes), Jérôme Onguéné (D, Red Bull Salzburg), Aurélio Buta (D, Royal Antuérpia), Faride Alidou (A, Hamburgo), Marcel Wenig (M, Bayern)
Principais saídas: Sam Lammers (A, Atalanta), Erik Durm, (D, Kaiserslautern), Martin Hinteregger (D, Sirnitz), Stefan Ilsanker (M, Genoa), Aymen Barkok (M, Mainz), Danny da Costa (D, Mainz), Rodrigo Zalazar (M, Schalke), Dominik Kohr (M, Mainz), Steven Zuber (M, AEK Atenas)
Brasileiros no elenco: Tuta
Time na estreia da Pokal: Trapp, Touré, Ndicka, Tuta; Knauff, Sow, Kamada, Kostic; Götze, Lindström; Borré.

O Eintracht Frankfurt disputará a próxima edição da Champions League e essa é a grande expectativa para a torcida no Deutsche Bank Park. São 62 anos desde a última participação, com a derrota na histórica final de 1959/60 contra o Real Madrid. A empolgação das Águias é gigante, com a conquista inapelável na Liga Europa. Porém, também existe alguma esperança de que o elenco reforçado também possa render melhor na Bundesliga, mesmo que o calendário abarrotado gere uma preocupação em relação ao acúmulo de partidas.

Durante a temporada passada, o Frankfurt foi dois times diferentes. A SGE atropelou adversários de peso na Liga Europa, como Barcelona e West Ham. Entretanto, sofreu com a irregularidade na Bundesliga. Foram sete rodadas até a primeira vitória – exatamente contra o Bayern. Depois, a equipe alternou fases boas e momentos de baixa. Isso até reconhecer que o foco era mesmo na competição europeia e a liga nacional estava em segundo plano. Neste sentido, a campanha no meio da tabela foi bastante compreensível. Não teve grandes custos, com a vaga na Champions garantida por outro caminho.

Oliver Glasner permanece à frente do Eintracht Frankfurt. O treinador não deixou de surpreender, por causar tamanho impacto na primeira temporada. O austríaco vinha de um ano muito bom com o Wolfsburg, mas não era unanimidade nos Lobos. Conseguiu se casar bastante com o padrão de jogo das Águias e também entrou em sintonia com a equipe. O que o time protagonizou na Liga Europa era uma prova cabal de que, sim, ele era o homem certo para aquela missão.

Mais importante, o elenco do Eintracht Frankfurt continua praticamente intacto para a próxima temporada. A saída de Martin Hinteregger foi a única perda considerável, até surpreendente pela decisão do zagueiro. Por enquanto, as Águias seguram inclusive destaques que teriam muito apelo no mercado de transferências – sobretudo Filip Kostic, que quase tinha saído há um ano e se valorizou mais com a Liga Europa brilhante. De resto, os nomes que partiram não eram imprescindíveis.

Já as chegadas foram de baciada, até pensando na Champions. No entanto, os gastos de €26 milhões são bem interessantes pela quantidade e pela qualidade das aquisições. Kristijan Jakic e Jens Petter Hauge já estavam no Deutsche Bank Park e ficarão em definitivo. Mario Götze chega com a chancela de ser a nova estrela, recuperado no PSV e com preço baixo. Outro baita negócio foi Lucas Alario, no último ano de contrato com o Leverkusen, além de Randal Kolo Muani e Jérôme Onguéné, que vieram sem custos. Ainda há apostas como Hrvoje Smolcic e Faride Alidou, este de boas aparições no Hamburgo.

O elenco do Eintracht Frankfurt é completo. Kevin Trapp vem de uma temporada esplendorosa. Evan Ndicka e Tuta também jogaram muito, com Onguéné chegando como alternativa. Ansgar Knauff voou baixo na ala direita, ainda emprestado pelo Dortmund, e o sucesso de Kostic dispensa apresentações. A faixa central tem muitas peças com Jakic, Sebastian Rode e Djibril Sow. Na ligação, Daichi Kamada foi decisivo na Liga Europa e Jesper Lindström esteve entre os melhores jovens da Bundesliga, com a companhia agora de Götze. E a ascensão de Rafael Santos Borré como um herói poderá se combinar com outros centroavantes mais físicos, como Alario e Kolo Mouani – este, com potencial de integrar a longa lista de bons atacantes que estouraram na SGE durante os últimos anos, considerando o que apresentava no Nantes.

É óbvio que conciliar Champions League e Bundesliga não será tão fácil ao Eintracht Frankfurt. Mas, se cumprir um papel digno no torneio continental, o clube pode investir mais sua energia no Campeonato Alemão. Depois do sucesso na Liga Europa, talvez o próximo passo no processo seja mesmo fincar o pé dentro do G-4 e não tornar a Champions um evento raro. Durante as temporadas recentes, afinal, as Águias tiveram dificuldades no sprint final rumo à parte mais alta da tabela e agora parecem mais reforçadas para tal.

Maximilian Arnold (C), do Wolfsburg, comemora com Aster Vranckx (Stuart Franklin/Getty Images)

Wolfsburg

Estádio: Volkswagen Arena (30 mil torcedores)
Técnico: Niko Kovac (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 12° colocado
Participações na Bundesliga: 26
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Jakub Kaminski (A, Lech Poznan), Mattias Svanberg (M, Bologna), Bartol Franjic (M, Dinamo Zagreb), Patrick Wimmer (A, Arminia Bielefeld), Kilian Fischer (D, Nuremberg)
Principais saídas: Xaver Schlager (M, RB Leipzig), Kevin Mbabu (D, Fulham), Elvis Rexhbecaj (M, Augsburg), John Anthony Brooks (D, sem clube), William (D, sem clube)
Brasileiros no elenco: Paulo Otávio
Time na estreia da Pokal: Casteels, Baku, Lacroix, Bornauw, Van de Ven; Svanberg, Wimmer; Waldschmidt, Wind, Marmoush; Nmecha

O Wolfsburg foi do céu ao purgatório em apenas uma temporada. A classificação para a Champions League em 2020/21 era excelente notícia para os Lobos, com uma defesa forte e um time consistente. Porém, Oliver Glasner preferiu sair e mesmo um alto número de reforços em 2021/22 não deu resultados. A equipe patinou na Champions e deixou muito a desejar na Bundesliga. O resultado foi uma troca de treinadores, que fez os alviverdes girarem em círculos.

O curioso é que o Wolfsburg até começou bem a temporada passada e ocupou a liderança, mas despencou vertiginosamente e passou todo o segundo turno com um desempenho insosso, até beirando a zona de rebaixamento em alguns momentos. Mark van Bommel era uma aposta para o comando e perdeu o fio da meada. Florian Kohfeldt só teve um respiro no início, antes de emendar uma fase muito ruim. Não tinha sentido mesmo que continuasse por mais tempo, considerando o trabalho fraquíssimo. A demissão era mais que justificada.

O reinício ocorre com Niko Kovac. É um treinador com bons momentos na carreira, especialmente no Eintracht Frankfurt e no início com o Monaco, mas também de decepções como bem se viu no Bayern de Munique. O Wolfsburg parece um clube mais condizente às suas credenciais, e que até pode se encaixar no estilo de jogo proposto pelo croata, pensando naquilo que dava certo com Glasner. Vai montar uma defesa bem protegida e um ataque mais direto. Peças não faltam para isso.

O Wolfsburg atravessa um período de transição mais voltado às lideranças. Wout Weghorst já tinha saído em janeiro, enquanto Xaver Schlager e John Anthony Brooks foram outros atletas importantes que se despediram da Volkswagen Arena. Os Lobos gastam bem na atual janela, com €35 milhões desembolsados, mas em muitos atletas jovens. Bartol Franjic e Mattias Svanberg dão novas opções para a cabeça de área, enquanto Jakub Kaminski e Bartol Franjic se encaixam nas pontas. São atletas para amadurecer no próximo ano.

O Wolfsburg, afinal, pode se dar ao luxo de não ter pressa. O elenco é um dos mais recheados da Bundesliga e tem margem, especialmente com o time fora das competições europeias. A questão é mais o encaixe de bons nomes que não renderam no último ano. A defesa continua com ótimas opções. Koen Casteels está entre os melhores goleiros da Bundesliga. Maxence Lacroix e Sebastiaan Bornauw formam uma das duplas de zaga mais promissoras do campeonato, enquanto Ridle Baku é uma locomotiva na lateral direita. O meio-campo segue com a organização do capitão Maximilian Arnold, além do regular Yannick Gerhardt.

Já o ataque do Wolfsburg pode ser montado de muitas maneiras. Max Kruse é o veterano da turma, com uma qualidade inegável. Jonas Wind chegou muito bem no meio da temporada passada. Lukas Nmecha e Luca Waldschmidt são bons jovens que podem se desenvolver, enquanto Omar Marmoush e Josip Brekalo devem ser mais usados na volta de seus empréstimos. Por fim, Maximilian Philipp e Renato Steffen ainda promovem opções de variação.

No papel, não dá para se duvidar que esse Wolfsburg tem time para descolar pelo menos uma vaga na Liga Europa. Mesmo assim, não seria exagero apostar até numa volta à Champions. Vai depender da química que Niko Kovac estabelecer com o elenco. E também do potencial adormecido de muitos jogadores presentes no time, que oscilaram bastante nos meses recentes.

Jogadores do Bochum comemoram (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images)

Bochum

Estádio: Vonovia Ruhrstadion (27,6 mil torcedores)
Técnico: Thomas Reis (desde setembro de 2019)
Posição em 2021/22: 13° colocado
Participações na Bundesliga: 36
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Philipp Förster (M, Stuttgart), Konstantinos Stafylidis (D, Hoffenheim), Philipp Hofmann (A, Karlsruher), Janner Horn (D, Colônia), Jacek Goralski (M, Kairat Almaty), Kevin Stöger (M, Mainz 05), Jordi Osei-Tutu (D, Arsenal), Ivan Ordets (D, Dinamo Moscou), Saidy Janko (D, Valladolid)
Principais saídas: Armel Bella-Kotchap (D, Southampton), Maxim Leitsch (D, Mainz 05), Sebastian Polter (A, Schalke), Milos Pantovic (M, Union Berlim), Danny Blum (A, Apoel), Jürgen Locadia (A, sem clube), Elvis Rexhbecaj (M, Wolfsburg), Eduard Löwen (M, Hertha)
Brasileiros no elenco: Danilo Soares
Time na estreia da Pokal: Riemann, Gamboa, Lampropulos, Ordets, Horn; Stöger, Losilla; Zoller, Asano, Holtmann; Hofmann.

O Bochum foi a grande surpresa da temporada passada. Mesmo que os alviazuis viessem do título na segunda divisão, parecia muito improvável que conseguissem escapar do rebaixamento com tanta tranquilidade. O que se viu, então, foi uma campanha bastante segura para os parâmetros, e com momentos inesquecíveis. Basta lembrar a aula de futebol nos 4 a 2 sobre o Bayern, depois de sofrerem 7 a 0 no primeiro turno. Ou então os 4 a 3 sapecados diante do Borussia Dortmund em pleno Signal Iduna Park, já durante a reta final.

Até por esse tipo de ponto arrancado, o Bochum conseguiu fazer uma campanha bem distante da zona de rebaixamento. Até frequentou o Z-3 no início do primeiro turno, mas ajeitou-se numa região intermediária da classificação e de lá não saiu mais. Não foi a equipe mais sólida, mas apresentou diversos recursos para construir resultados quando não se esperava tanto. O fator surpresa, todavia, se perde durante o segundo ano na elite.

O responsável pela façanha continua por lá. Thomas Reis fez sua carreira de técnico praticamente inteira entre a base e o cargo de assistente no Bochum. Saiu para dirigir o sub-19 do Wolfsburg, mas voltou em 2019, quando o time era o vice-lanterna da segundona. Em cerca de três anos, não se nega a evolução dos alviazuis também como conjunto, sem basear-se tanto em peças.

Porém, um entrave para a nova temporada é o alto número de titulares que saíram. Vários jogadores vitais fizeram as malas. A zaga perdeu Armel Bella-Kotchap e Maxim Leitsch; o meio não tem mais Elvis Rexhbecaj, Milos Pantovic e Eduard Löwen; e no ataque o lamento fica para o artilheiro Sebastian Polter. Não à toa os alviazuis precisaram contratar muito. São dez novos jogadores, embora os gastos totais fiquem em €750 mil. São atletas medianos, com um pouco mais de destaque ao zagueiro Ivan Ordets e ao meio-campista Kevin Stöger. Mais à frente, Philipp Hofmann possui bons números na segundona.

Sendo assim, a manutenção do Bochum também significará uma reconstrução. Thomas Reis precisará se agarrar naqueles que mostraram serviço no Ruhrstadion durante o último ano. O veterano goleiro Manuel Riemann foi excelente, mesmo nunca tendo jogado antes a primeira divisão. O brasileiro Danilo Soares deu conta do recado na lateral esquerda, assim como Christian Gamboa na direita. O meio tem a liderança de Anthony Losilla, enquanto Gerrit Holtmann é importantíssimo na armação, um dos melhores na campanha passada. Já na frente a esperança é que Simon Zoller esteja totalmente recuperado das sérias lesões.

Olhando nome a nome, o Bochum é muito provavelmente o pior elenco da Bundesliga, também por ser o de menor orçamento. Entretanto, essas diferenças não são novas e o time mostrou como superá-las em campo, até comparando com o que foi a campanha do Greuther Fürth. Thomas Reis terá que negar os fatos mais uma vez, o que faz desde 2019 na casamata.

Dorsch é festejado pelos companheiros (Foto: Joosep Martinson/Getty Images/One Football)

Augsburg

Estádio: WWK Arena (30,7 mil torcedores)
Técnico: Enrico Maassen (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 14° colocado
Participações na Bundesliga: 12
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Arne Maier (M, Hertha Berlim), Elvis Rexhbecaj (M, Wolfsburg), Ermedin Demirovic (A, Freiburg), Maximilian Bauer (D, Greuther Fürth)
Principais saídas: Michael Gregoritsch (A, Freiburg), Jozo Stanic (D, Varazdin), Tim Civeja (M, Ingolstadt), Alfred Finnbogason (A, sem clube), Jan Moravek (M, sem clube)
Brasileiros no elenco: Iago
Time na estreia da Pokal: Gikiewicz, Gouweleeuw, Uduokhai, Bauer; Caligiuri, Rexhbecaj, Maier, Gruezo, Iago; Hahn, Demirovic

O Augsburg está entre os grandes milagres da Bundesliga. Mesmo sendo um clube de pouca tradição e que estreou na primeira divisão apenas neste século, os bávaros não sabem o que é rebaixamento. São 12 temporadas consecutivas na tabela, quase sempre fazendo o suficiente para não cair. É mais uma vez o intuito, algo compreensível pelo orçamento mais baixo na WWK Arena.

A temporada passada guardou seus perigos ao Augsburg. A equipe permaneceu durante metade da campanha na zona dos playoffs contra o rebaixamento. O respiro veio nos últimos meses do campeonato, com vitórias pontuais que garantiram uma gordura. Porém, o técnico Markus Weinzierl deixou o clube ao final do campeonato. Será um novo ciclo nesta constante tarefa de garantir a manutenção dos bávaros.

A missão recai para Enrico Maassen, um treinador estreante na primeira divisão. O jovem de 38 anos começou em clubes nanicos, até dirigir o Borussia Dortmund II nas duas últimas temporadas. Foi o que o referendou, com um acesso para a terceira divisão na conta e um bom aproveitamento num elenco recheado de garotos. As cobranças na Baviera serão diferentes.

O mercado do Augsburg por enquanto é pontual, mas satisfatório. O maior gasto veio com a contratação em definitivo de Arne Maier. O setor também ganha Elvis Rexhbecaj com uma boa experiência na Bundesliga. O centroavante Ermedin Demirovic e o zagueiro Maximilian Bauer são outras adições sem custos. Acabam oferecendo uma renovação em relação a jogadores mais tarimbados que partiram – Michael Gregoritsch ainda vinha de um bom ano, enquanto Jan Moravek e Alfred Finnbogason perdiam fôlego.

Dos jogadores que já estavam no elenco, o Augsburg possui um time para até escapar da queda, mas sem tantas perspectivas além. Rafal Gikiewicz é um bom goleiro, mesmo sem render o que se via no Union Berlim. A zaga tem jovens como Reece Oxford e Felix Uduokhai, enquanto o lateral Iago esteve entre os melhores do time na temporada passada. Arne Maier e Niklas Dorsch formam uma dupla razoável no meio, enquanto Rubén Vargas e Paul Caligiuri são bons curingas na ligação. André Hahn e Florian Niederlechner aparecem como veteranos na frente, mas quem precisa responder é Ricardo Pepi, comprado a peso de ouro da MLS e que não mostrou a que veio.

Sem haver nenhuma barbada entre os candidatos ao rebaixamento, até pelos acessos de dois clubes tradicionais, o Augsburg terá que se cuidar nessa temporada. Entretanto, a especialidade do clube tem sido evitar os perigos com certa competência. Se tal renovação de ares no elenco e no comando realmente der certo, será para mais tempo ainda navegando em águas tranquilas na elite.

Torcedores do Stuttgart comemoram a permanência do time na primeira divisão (Matthias Hangst/Getty Images)

Stuttgart

Estádio: Mercedes-Benz Arena (60,5 mil torcedores)
Técnico: Pellegrino Matarazzo (desde dezembro de 2019)
Posição em 2021/22: 15° colocado
Participações na Bundesliga: 56
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Josha Vagnoman (D, Hamburgo), Konstantinos Mavropanos (D, Arsenal), Luca Pfeiffer (A, PAS Giannina), Hiroki Ito (D, Júbilo Iwata)
Principais saídas: Orel Mangala (M, Nottingham Forest), Pablo Maffeo (D, Mallorca), Philipp Förster (M, Bochum), Erik Thommy (M, Kansas City), Daniel Didavi (M, sem clube), Omar Marmoush (A, Wolfsburg)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Bredlow, Mavropanos, Ito, Anton; Vagnoman, Ahamada, Führich, Endo, Silas; Churlinov, Tomás

Nas duas últimas vezes em que voltou da segunda divisão, o Stuttgart fez boas campanhas na elite. Porém, o nível de desempenho caía logo na sequência. O desafio para os suábios é conseguir essa estabilidade, dentro do que propõem como filosofia no projeto atual. O clube possui o elenco de menor idade dentro da Bundesliga e revelou um bom número de talentos nos últimos anos. Por enquanto, ainda não é suficiente para resgatar a importância histórica dos alvirrubros e livrá-los da confusão na tabela.

Um ponto importante em relação à linha de trabalho do Stuttgart está no comando de Pellegrino Matarazzo. O treinador está à frente dos suábios desde o acesso na segunda divisão e possui respaldo interno. É um comandante jovem e que tem bom trato com as promessas. Parece o nome ideal dentro dos parâmetros estabelecidos e, até por isso, a campanha morna da temporada passada não o afetou. Os alvirrubros, vale lembrar, passaram quase todo o segundo turno na zona de rebaixamento e se salvaram apenas com a vitória dramática sobre o Colônia na rodada final.

O problema do Stuttgart está mesmo em saber até quando os jovens destaques do elenco continuarão na Mercedes-Benz Arena e permitirão um crescimento paulatino. Borna Sosa e Sasa Kalajdzic têm muito moral no mercado, a ponto de serem considerados reforços se ficarem. Quem também melhora as perspectivas é Konstantinos Mavropanos, contratado em definitivo do Arsenal depois de uma excelente temporada. O mesmo dá para dizer de Hiroki Ito, comprado do Júbilo Iwata.

A janela de transferências, afinal, não agrega assim tanta qualidade ao Stuttgart. O clube preferiu gastar em apostas sem tanta experiência em alto nível. O lateral Josha Vagnoman é o negócio mais caro, comprado do Hamburgo. Luca Pfeiffer e Juan José Perea também viram alternativas ao ataque por boas temporadas em clubes menores. Talvez o maior reforço seja mesmo Darko Churlinov, que estava emprestado ao Hamburgo e se saiu bem durante o acesso. Vai repor a saída de Omar Marmoush, que não teve seu vínculo estendido e retornou ao Wolfsburg. Outra lacuna foi deixada por Orel Mangala, um dos melhores jogadores do meio-campo.

Dentro do que o Stuttgart tem à disposição, a equipe pode fazer uma campanha mais segura que a última. A zaga continua bem protegida com Mavropanos e Waldemar Anton, enquanto Florian Müller é um bom goleiro. O meio-campo possui o talismã Wataru Endo, um verdadeiro motor ao funcionamento do setor, e Borna Sosa é o melhor do time mesmo jogando como ala esquerdo. Mais à frente, fica a expectativa por jogadores que caíram de rendimento ou que não causaram o impacto esperado, mas ainda são muito novos – como Silas, Tiago Tomás e Mateo Klimowicz. Até por isso, a permanência de Sasa Kalajdzic se indica importante, mesmo que os alvirrubros tenham se virado com as lesões recentes do centroavante.

O natural seria esperar que o Stuttgart crescesse e melhorasse seus desempenhos ano após ano com uma base tão promissora. O futebol, porém, nem sempre é tão lógico e guarda suas circunstâncias. A realidade se mostra mais dura e a superação para os suábios está em tirar o máximo dentro dessas limitações. Por isso mesmo, o meio da tabela já seria confortável nesta temporada.

O Hertha comemora (ODD ANDERSEN/AFP via Getty Images/One Football)

Hertha Berlim

Estádio: Olímpico de Berlim (74,6 mil torcedores)
Técnico: Sandro Schwarz (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: 16° colocado
Participações na Bundesliga: 40
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Wilfried Kanga (A, Young Boys), Filip Uremovic (D, Rubin Kazan), Jonjoe Kenny (D, Everton), Chidera Ejuke (A, CSKA Moscou), Ivan Sunjic (M, Birmingham)
Principais saídas: Arne Maier (M, Augsburg), Javairô Dilrosun (A, Feyenoord), Jordan Torunarigha (D, Gent), Eduard Löwen (M, St. Louis), Anton Kade (A, Basel), Alexander Schwolow (G, Schalke), Niklas Stark (D, Werder Bremen), Marcel Lotka (G, Dortmund), Santiago Ascacíbar (M, Cremonese), Daishawn Redan (A, Utrecht), Ishak Belfodil (A, sem clube)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Christensen, Kenny, Boyata, Kempf, Plattenhardt; Sunjic, Serdar, Boateng; Lukebakio, Selke, Maolida.

O Hertha Berlim é a maior decepção da Bundesliga nas últimas temporadas, sem sombra de dúvidas. A Velha Senhora gastou quase €170 milhões em contratações nos últimos três anos e prometeu brigar por vaga na Champions League. A realidade foi um time patinando na parte inferior da tabela e que deu muita sorte de não amargar o rebaixamento em 2021/22. A salvação só aconteceu com a reviravolta diante do Hamburgo nos playoffs. Depois de ter mais sorte que juízo, a equipe da capital resolveu mudar sua estratégia.

Obviamente, os problemas do Hertha não se concentram no plano esportivo. O magnata Lars Windhorst criou seus tumultos, mesmo sem ter o controle do poder decisório. A direção também fez um trabalho ruim e até a presidência mudou. Tudo parecia contaminar um ambiente nos vestiários que não era bom, com jogadores badalados longe de render o mínimo esperado e uma equipe claramente sem energia dentro de campo. Diferentes tipos de treinadores foram experimentados e nada deu certo, nem com Pál Dárdai que acumulava quase 25 anos trabalhando no clube. Felix Magath evitou o pior, mas não que tenha ido bem na breve suspensão de sua aposentadoria.

Até por isso, a principal aposta do Hertha para 2022/23 está em seu comando. Os berlinenses garantiram um bom treinador com Sandro Schwarz. O jovem de 43 anos faz parte da excelente linhagem do Mainz 05 e realizava um trabalho acima das expectativas no Dynamo Moscou, até deixar o grupo por conta da guerra na Ucrânia. Volta para a Alemanha para dirigir um clube que, por recursos, é o maior de sua carreira. Mas sem tantas certezas assim.

O Hertha Berlim, afinal, desmancha o elenco de potenciais estrelas. Nomes como Matheus Cunha e Mattéo Guendouzi deixaram o clube faz um tempo. Outros como Lucas Tousart e Krzysztof Piatek não sustentam o mesmo moral. O mercado atual foi de vender muita gente que rendia bem abaixo do esperado no Estádio Olímpico, e mesmo alguns ainda com espaço, como Ishak Belfodil e Niklas Stark. Já as contratações são sem qualquer extravagância. O reforço mais caro até o momento é Wilfried Kanga, centroavante geralmente reserva do Young Boys. Chegaram outras apostas de baixo risco, como o lateral Jonjoe Kenny e o volante Ivan Sunjic.

No papel, o Hertha parece contar com um time médio, abaixo das projeções de quem pensava em Champions. A defesa pode se beneficiar da volta de Omar Alderete, enquanto jogadores rodados como Dedryck Boyata e Marvin Plattenhardt são razoáveis. O meio ainda tem bons valores como Suat Serdar e Vladimir Darida, mas ainda se vale de um medalhão como Kevin-Prince Boateng. Já o ataque depende de nomes que pararam no tempo, como Dodi Lukebakio e Davie Selke – isso sem contar a alternativa de Stevan Jovetic, na descendente.

Se por um lado o Hertha não inspira grande confiança, por outro também não deveria estar na draga há tanto tempo. O equilíbrio deverá vir das mãos de Schwarz, mas ainda é preciso ter calma no processo. O início da temporada já é ruim, com a eliminação nos pênaltis para o Eintracht Braunschweig na Copa da Alemanha, depois do empate por 4 a 4 nos 120 minutos. Mostra de que, mesmo com uma nova filosofia, os fantasmas da mediocridade não deixaram de atormentar a Velha Senhora.

Terodde é carregado pela torcida (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images/One Football)

Schalke 04

Estádio: Veltins Arena (62,3 mil torcedores)
Técnico: Frank Kramer (desde julho de 2022)
Posição em 2021/22: campeão da segundona
Participações na Bundesliga: 54
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Thomas Owuejan (D, AZ), Rodrigo Zalazar (M, Eintracht Frankfurt), Sebastian Polter (A, Bochum), Tobias Mohr (A, Heidenheim), Florent Mollet (M, Montpellier), Tom Krauss (M, RB Leipzig), Alexander Schwolow (G, Hertha), Cédric Brunner (D, Arminia Bielefeld), Leo Greiml (D, Rapid Viena), Maya Yoshida (D, Sampdoria), Ibrahim Cissé (D, Gent), Alex Kral (M, Spartak Moscou)
Principais saídas: Ko Itakura (M, Borussia Mönchengladbach), Darko Churlinov (M, Stuttgart), Salif Sané (D, sem clube), Ozan Kabak (D, Hoffenheim), Rabbi Matondo (A, Rangers), Can Bozdogan (M, Utrecht), Hamza Mendyl (D, Leuven), Victor Pálsson (M, DC United), Martin Fraisl (G, sem clube), Marvin Pieringer (A, Paderborn), Reinhold Ranftl (M, Austria Viena)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Schwolow, Brünner, Yoshida, Kaminski, Ouwejan; Kral; Drexler, Krauss, Zalazar, Mohr; Polter.

Pelo caos atravessado pelo Schalke 04 ao longo de seus últimos meses na primeira divisão da Bundesliga, dava para esperar um sofrimento até maior na segundona. Os Azuis Reais quebraram recordes negativos e se viam afetados também pela bagunça nos bastidores, com controvérsias de seus dirigentes e o grande impacto financeiro causado pela pandemia. No fim das contas, o objetivo do acesso imediato acabou cumprido e permite um recomeço ao clube de Gelsenkirchen na elite, mas sem deixar de ter os pés no chão.

O próprio desempenho na segunda divisão, afinal, não ofereceu tanta gordura assim. O Schalke alternou fases positivas e negativas durante um longo tempo, o que segurou a equipe na zona intermediária da tabela até metade do segundo turno. O impulso aconteceu depois que Dimitrios Grammozis deixou o comando e Mike Büskens elevou o desempenho da equipe com uma guinada impressionante. Foram oito vitórias nas últimas nove rodadas. Em uma competição acirrada, foi o suficiente para jogar os Azuis Reais da quinta colocação até o topo da tabela, levando a salva de prata.

Büskens deixou de ser o técnico principal, mas continua como assistente – transitando nas comissões técnicas do clubes desde quando ainda era jogador, a partir de 2000. O escolhido para coordenar essa retomada, aliás, indica tal sobriedade em Gelsenkirchen neste momento: Frank Kramer, que livrou o Arminia Bielefeld da queda em 2020/21, apesar de não evitar o mesmo destino em 2021/22. É um técnico, que além do mais, possui boas experiências com jovens – coordenou a formação do Red Bull Salzburg e dirigiu as seleções de base da Alemanha.

O Schalke mudou bastante nos últimos 12 meses. Apenas cinco jogadores presentes no rebaixamento continuam no elenco. Alguns já sem muito cartaz, como Amine Harit e Ralf Fährmann. Os Azuis Reais preferiram montar um grupo praticamente novo para disputar a segundona. E muitos rostos também mudam nesta retomada na elite. São nada menos que 14 reforços, com destaque a jogadores que estavam no grupo e foram comprados em definitivo – como o lateral Thomas Ouwejan e o meia Rodrigo Zalazar. Uma pena que o mesmo não tenha ocorrido com Ko Itakura e Darko Churlinov, até pela importância de ambos na arrancada final, saindo ao término de seus empréstimos.

O fluxo intenso não significa gastos elevados do Schalke, todavia. Nenhum jogador custou mais do que €2 milhões, com investimento total na casa dos €9 milhões. O sistema defensivo aproveitou várias oportunidades de mercado. Alexander Schwolow e Alex Kral vieram por empréstimo, enquanto Maya Yoshida e Cédric Brunner se somaram ao final de seus contratos. O dinheiro seria gasto mais à frente, mas sem exagero, em nomes de clubes modestos como Sebastian Polter e Tobias Mohr.

Por aquilo que se viu na Copa da Alemanha, com os 5 a 0 sobre o fraco Bremer, o Schalke vai mudar bastante na defesa. Yoshida chegou com a braçadeira de capitão e Schwolow é um excelente goleiro, especialmente se superar o trauma recente no Hertha. Também está presente Malick Thiaw, o mais promissor do grupo atual. Mais à frente, um pouco mais de continuidade, com a importância de Dominick Drexler e Rodrigo Zalazar na ligação. As maiores atenções, de qualquer forma, se concentram em Simon Terodde. O centroavante é um monstro na segundona e vem de temporadas assombrosas. Entretanto, nunca correspondeu tão bem na elite e terá mais uma oportunidade de reverter essa sina. Markus Bülter é uma alternativa rodada por ali.

Considerando os encaixes que ainda precisam acontecer, o Schalke poderá ter problemas nesse início de campanha. Mas continua com um elenco melhor que o de outros concorrentes para evitar o descenso. Precisará de uma maturidade para lidar com a pressão que não se viu na época da queda.

Jogadores do Werder Bremen comemoram o acesso à Bundesliga (Joosep Martinson/Getty Images)

Werder Bremen

Estádio: Weserstadion (42,1 mil torcedores)
Técnico: Ole Werner (desde novembro de 2021)
Posição em 2021/22: vice-campeão da segundona
Participações na Bundesliga: 58
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Jens Stage (M, Copenhague), Niklas Stark (D, Hertha Berlim), Amos Pieper (D, Arminia Bielefeld), Oliver Burke (A, Sheffield United), Lee Buchanan (D, Derby County), Mitchell Weiser (D, Bayer Leverkusen)
Principais saídas: Ömer Toprak (D, Antalyaspor), Simon Straudi (D, Austria Klagenfurt), Oscar Schönfelder (A, Jahn Regensburg), Park Kyu-hyun (D, Dinamo Dresden)
Brasileiros no elenco: Leonardo Bittencourt (dupla nacionalidade)
Time na estreia da Pokal: Pavlenka, Pieper, Friedl, Veljkovic; Weiser, Schmid, Gross, Bittencourt, Buchanan; Füllkrug, Ducksch

O Werder Bremen era isoladamente o time com mais participações na Bundesliga, mas o rebaixamento recente quebrou essa marca, agora dividida com o Bayern de Munique. O lado bom para os Papagaios é que o retorno aconteceu de maneira imediata, algo valoroso ainda mais pela concorrência que existia na segundona passada. Os Verdes nem pareciam que subiriam, com uma campanha de meio de tabela ao longo do primeiro turno. Entretanto, uma guinada aconteceu na metade final da campanha e a consistência se tornou inegável, mesmo com alguns deslizes na reta final. Nada suficiente para custar o embalo, com o vice-campeonato rendendo o acesso direto.

O principal responsável pela mudança de ares no Werder Bremen tem nome e sobrenome: Ole Werner. O treinador é respeitado nas divisões de acesso da Alemanha por um trabalho excelente pelo Holstein Kiel, com o qual disputou os playoffs para a elite – acabou derrotado pelo Colônia em 2021. Os Papagaios, então, providenciam a chance para que trabalhe pela primeira vez na Bundesliga. É um nome bastante promissor, aos 34 anos, também pelo estilo de jogo mais agressivo que aplica com seu costumeiro 3-5-2.

Desde que Ole Werner assumiu o Werder Bremen, a equipe conquistou 14 vitórias e sofreu apenas duas derrotas em 20 partidas, com expressivos 46 gols anotados. O nível do desafio na segundona era outro, mas em oito oportunidades a equipe terminou a partida com pelo menos três gols anotados. Isso inclui os 4 a 1 na reta final diante do Schalke 04 e os 3 a 2 no clássico contra o Hamburgo. Dá para esperar um time que parta para cima dos rivais mais frágeis, embora seu desempenho defensivo não seja tão impressionante assim.

O mercado de transferências do Werder Bremen é positivo. A principal perda foi a do capitão Ömer Toprak, que saiu para o Antalyaspor. O time só gastou €4 milhões em adições até agora, mas isso inclui muitos atletas que chegam sem custos. A zaga é quem mais ganha, com as adições de Niklas Stark e Amos Pieper, dois beques com experiência na primeira divisão. Também vale salientar a assinatura definitiva de Mitchell Weiser, ala de muita capacidade ofensiva. Todo o montante seria investido em Jens Stage, meio-campista de 25 anos que vem de boas temporadas com o Copenhague.

Porém, ainda que a equipe conte com muitos remanescentes do último rebaixamento, há outros tantos destaques antigos que preferiram não permanecer na segunda divisão. A diretoria fez um bom dinheiro com as vendas de jovens como Milot Rashica, Josh Sargent e Maximilian Eggestein no verão anterior. O elenco atual possui um perfil menos badalado do que na época do descenso, embora o projeto esportivo se indique mais consistente com a presença de Ole Werner.

Mesmo assim, há uma boa espinha dorsal à disposição do Werder Bremen. Jiri Pavlenka é um goleiro rodado na primeira divisão. A defesa preserva jogadores como o capitão Marco Friedl, que pode render mais pelo que se viu na segundona. Pelo meio, o jovem Romano Schmid vem em ascensão e Leonardo Bittencourt por vezes oferece um toque de desequilíbrio. Já na frente, há uma dupla com presença física e tarimba mesmo sem ser tão refinada, formada por Marvin Ducksch e Niclas Füllkrug – que, juntos, anotaram 39 gols no campeonato passado.

Para quem vem de uma temporada disputada na segunda divisão, a mera permanência já soa como algo valioso para o Werder Bremen. Mas talvez o objetivo nem seja cumprido com tanto sofrimento no Weserstadion. Existe uma margem de crescimento, especialmente olhando para a capacidade de Ole Werner.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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