Bundesliga

A Bundesliga estreou a rodada de segunda e os protestos nas arquibancadas foram massivos

Nesta temporada, a Bundesliga inaugura uma novidade em seu calendário. A partir desta rodada, a competição passa a contar com um jogo final às segundas-feiras, algo aprovado pelos 18 clubes. Resta saber até quanto. Afinal, a estreia do horário acaba muito mais marcada pelos protestos contrários à mudança. Eintracht Frankfurt e RB Leipzig se enfrentaram na Commerzbank-Arena. Em uma noite de climas aflorados, com vitória das Águias por 2 a 1, a partida encarou diferentes interrupções e atrasos por conta das manifestações massivas nas arquibancadas. Algo que deve se manter também nos próximos compromissos marcados às segundas.

As justificativas da Bundesliga para ampliar o leque de opções na programação de TV é compreensível. A competição cria novas possibilidades comerciais, pode abarcar novos mercados e consegue atingir um público diferente no horário extra. O problema é que, em um país como a Alemanha, as discussões do tipo quase sempre dependem do que se vive nas arquibancadas. E os torcedores que frequentam estádios se sentem prejudicados. Ao contrário do Brasil, por exemplo, por lá a voz da multidão ressoa. Os aficionados não se sentem confortáveis em ir às partidas na noite de uma segunda-feira, dia útil e véspera de outros compromissos. Apesar disso, não desejam abandonar o seu clube. Assim, a maneira que encontram para fazer a opinião valer é por meio de protestos.

Nesta segunda, as manifestações na Commerzbank Arena começaram antes mesmo do pontapé inicial. Dezenas de faixas questionando o novo horário surgiram nas arquibancadas e as pessoas se vestiam de preto. Então, no setor atrás dos gols, ontem ficam os ultras, os torcedores passaram a se amontoar à beira do campo, atrás das placas de publicidade. Tudo de maneira pacífica, mas que levou o atraso do início do jogo por alguns minutos. Já quando a bola rolou, uma parte considerável do primeiro tempo foi acompanhada por um “apitaço”. O barulho estridente tomava a atmosfera quando o RB Leipzig tinha a bola, enquanto o silêncio imperava durante a posse do Eintracht Frankfurt. Parte da torcida visitante também apoiava a ação.

A primeira etapa foi movimentada, talvez afetada pelo ambiente tumultuado. O RB Leipzig abriu o placar aos 13 minutos, com Jean-Kevin Augustin. Já entre os 22 e os 26, o Eintracht Frankfurt buscou a virada. Timothy Chandler e Kevin-Prince Boateng anotaram os gols. O time da Red Bull ainda teve uma reclamação de pênalti negada pelo VAR, por conta de um impedimento. Por fim, na saída de campo houve um princípio de confusão, com jogadores de ambos os lados quase saindo no braço.

A volta para o segundo tempo também não seria tranquila. E nem por culpa dos times. Os torcedores voltaram a causar. O gol visitante ficou cheio de serpentinas, enquanto centenas de bolas de tênis foram atiradas no gramado. A equipe do estádio tentou retirar os artigos do protesto, mas a chuva amarela continuava na Commerzbank-Arena. Em ritmo mais lento, o jogo não contou com mais gols na etapa complementar, com o Eintracht Frankfurt celebrando a vitória. Só mesmo nas arquibancadas é que os torcedores não pareciam tão dispostos a comemorar.

A próxima rodada deve contar com protestos tão marcantes quanto. A partida de segunda acontece no Signal Iduna Park, onde o Borussia Dortmund recebe o Augsburg. Conhecendo o engajamento dos aurinegros, a participação tende a ser massiva. Enquanto isso, a discussão se amplia por diversos clubes da elite alemã. É de se compreender o esforço para tornar a liga mais rentável, em um momento de monopólio do Bayern de Munique e desempenhos ruins dos demais nas copas europeias. Mas a que preço? Os torcedores não querem colocar em jogo o próprio acesso. É uma discussão longa, mas em um país que sempre lota os estádios, a vontade das arquibancadas também importa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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