Bundesliga

Brilhantes nas últimas semanas, Sancho e Dortmund renovaram os votos de um casamento que andava conturbado

Ainda buscando a classificação para as oitavas de final da Borussia Dortmund foi até o Camp Nou, em 27 de novembro, enfrentar o Barcelona sem Jadon Sancho no time titular. O chá de banco era uma punição ao ponta por mais uma vez se atrasar a um compromisso do clube. Àquela altura, a relação com os aurinegros estava bastante deteriorada, e fontes próximas ao jogador indicavam que sua saída do time alemão era questão de tempo. Por sua vez, a equipe em si vivia momento ruim, com o técnico Lucien Favre balançando no cargo. Avancemos três semanas, e Sancho é um dos nomes mais badalados deste fim de ano no futebol europeu, empilhando gols e assistências à vontade – e sendo parte fundamental de um Dortmund revitalizado por um novo esquema tático.

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No frenético confronto contra o líder RB Leipzig na terça-feira (17), Sancho fez um gol e deu uma assistência no empate em 3 a 3 do Dortmund, no Signal Iduna Park, estendendo para sete jogos a sua sequência de partidas balançando as redes adversárias pelos aurinegros. No período, são ao todo oito gols e cinco assistências, em uma recuperação espantosa que se confunde também com o próprio ressurgimento do Dortmund na temporada.

Os primeiros problemas públicos entre Sancho e o clube começaram em 19 de outubro, quando o jogador não foi sequer relacionado para o duelo contra o Borussia Mönchengladbach, uma medida tomada pelo técnico Lucien Favre para punir o jovem por se apresentar com atraso ao clube após compromisso pela seleção inglesa.

Menos de um mês depois, chegou atrasado a uma reunião de Favre com a equipe e, mesmo tendo marcado e dado uma assistência na partida anterior, contra o Paderborn, começou o jogo contra o Barcelona no banco de reservas. Ao site The Athletic, uma fonte próxima do jogador revelou que havia “guerra em todas as direções” entre o jogador e o clube. A situação parecia irreversível, Sancho estaria pronto para sair, e cresciam rumores de que o Dortmund estava disposto a ouvir propostas pelo inglês já em janeiro. Mas foi naquela noite no Camp Nou mesmo que a reação do atleta começou de vez.

Pelo segundo jogo seguido, balançou as redes: um golaço em chute potente, vencendo Marc-André ter Stegen e diminuindo a derrota para o Barcelona para um 3 a 1. O tento era um pequeno lembrete do que Sancho era capaz de fazer, mas apenas um prelúdio do que viria pela frente.

Antes do duelo com o Barcelona, Lucien Favre havia sido apoiado pela diretoria do Borussia Dortmund em meio a críticas pelo começo claudicante na temporada. Depois de três vitórias nos quatro primeiros jogos da Bundesliga, a equipe havia empatado três partidas seguidas e, mais tarde, sido arrasadoramente derrotada por 4 a 0 pelo Bayern de Munique. O empate em 3 a 3 com o lanterna Paderborn, tendo que recuperar uma desvantagem de 3 a 0 já no primeiro tempo, apontava o início do fim.

Mesmo o amparo público do diretor de futebol do Dortmund, Michael Zorc, vinha com ressalvas e com a sugestão de que era melhor o treinador vencer seus próximos dois jogos, contra os catalães e o Hertha Berlim.

Após o fracasso no Camp Nou, a resposta começou na capital alemã, justamente com gol de Sancho, no triunfo por 2 a 1 e uma novidade: a equipe, costumada a atuar em um 4-2-3-1, passava a jogar em um 3-4-3, com Thorgan Hazard e Jadon Sancho nas pontas, apoiados por Raphaël Guerreiro e Achraf Hakimi e com Reus flutuando à frente no ataque.

Borussia Dortmund tem três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos de Bundesliga, com 14 gols marcados, uma média de 3,5 por partida.

O ajuste tático de Favre foi certeiro, o ataque desandou a fazer gols, e, individualmente, Sancho é o jogador a tirar maior proveito particular do novo momento. Ao 2 a 1 contra o Hertha se seguiram duas goleadas, contra Düsseldorf (5×0) e Mainz (0x4), além de um triunfo contra o Slavia Praga entre as duas partidas.

Completando a série positiva recente, nesta terça, Jadon Sancho deu passe para gol e fez o seu próprio tento em uma boa atuação ofensiva do Borussia Dortmund contra o líder RB Leipzig que poderia perfeitamente ter sido uma vitória convincente, não fossem os erros individuais e coletivos da defesa aurinegra.

22/11: 1 gol e 1 assistência contra o Paderborn
27/11: 1 gol contra o Barcelona
30/11: 1 gol contra o Hertha Berlim
07/12: 2 gols e 1 assistência contra o Düsseldorf
10/12: 1 gol e 1 assistência contra o Slavia Praga
14/12: 1 gol e 1 assistência contra o Mainz
17/12: 1 gol e 1 assistência contra o RB Leipzig

Ainda que o empate buscado pelo Leipzig tenha sido um banho de água fria, o nível mostrado em boa parte do duelo referendam o renascimento do Dortmund na temporada – e também o de Sancho.

De quebra, o inglês ainda se tornou o jogador mais jovem a alcançar 22 gols na história da Bundesliga, aos 19 anos e 267 dias, batendo um recorde que datava de mais de 50 anos, quando Horst Köppels, em 1968, chegou ao número aos 19 anos e 269 dias.

Com a relação renovada, Zorc, diretor do Dortmund, é rápido em afirmar: “Ele segue nos nossos planos, é um jogador muito importante. Não vejo nenhum cenário em que ele nos deixe”. Uma declaração que, verdadeira ou não, ao menos reforça o poder de barganha revigorado dos aurinegros em uma possível negociação.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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