Bundesliga

Em seu ato final, Bonucci oferecerá experiência de Champions ao Union Berlim

Bonucci acabou dispensado pela Juventus, interessada em aliviar seu salário, e será um reforço tarimbadíssimo ao Union Berlim na Champions

O Union Berlim será um estreante para se observar na Champions League. Os Eisernen cresceram degrau após degrau desde o acesso na segunda divisão da Bundesliga: depois de disputarem Conference e Liga Europa, chegam ao torneio principal. A primeira participação guardará confrontos muito esperados, sobretudo contra Real Madrid e Napoli. E os berlinenses terão doses cavalares de experiência com a adição de um especialista na Liga dos Campeões: Leonardo Bonucci. Dispensado pela Juventus de uma maneira até desrespeitosa com sua idolatria, o beque flertou com o Union ao longo das últimas semanas e assinou nesta sexta, no fechamento da janela de transferências. Será sua primeira (e única) experiência fora da Itália.

Bonucci acerta com o Union Berlim sem custos de transferências, diante da maneira como a Juventus liberou o final de seu contrato. Aos 36 anos, o zagueiro já tinha anunciado esta como a última temporada de sua carreira profissional. Não vinha mais em sua melhor forma há alguns anos e a despedida era mais do que compreensível. Entretanto, se abriu a mais uma empreitada, das mais divertidas. Pela qualidade dos defensores à disposição do Union, Bonucci pode nem ser titular – Robin Knoche, Diogo Leite e Danilho Doekhi formam uma excelente trinca principal. Ainda assim, o elenco precisava mesmo de opções. O esquema de jogo do clube o deixa menos exposto e sua experiência será muito importante dentro dos vestiários, diante do nível dos jogos na Champions.

A despedida amarga da Juventus

Leonardo Bonucci havia anunciado a aposentadoria para o final da temporada 2023/24, num momento de claro declínio de seu jogo. Porém, mesmo com um ano de contrato com a Juventus, o defensor acabou desprezado pelo clube. A Velha Senhora decidiu dispensar o veterano de seu elenco e forçou sua saída nesta janela de transferências. O zagueiro passou a treinar separado e não apareceu na lista de inscritos para a Serie A. Os juventinos agiam de uma maneira insensível para um ídolo de seu tamanho. Nesta semana, inclusive, Massimiliano Allegri declarou que um jogador deve saber a hora de parar. O multicampeão, entretanto, não queria pendurar as chuteiras desta maneira.

A Juventus tinha argumentos técnicos para tirar Bonucci de sua defesa. O rendimento do zagueiro caiu drasticamente nos últimos anos e Allegri não fazia questão de contar com o veterano em seu sistema defensivo. Entretanto, esse não era o único motivo que regia a decisão dos bianconeri. Bonucci também estava entre os maiores salários do elenco, num momento em que o clube faz uma limpa diante dos problemas financeiros. Dispensá-lo seria uma forma de aliviar a folha de pagamentos, tal qual aconteceu com Ángel Di María e Juan Guillermo Cuadrado recentemente. Não queriam sequer se comprometer com o ano final do beque.

A decisão da Juventus em dispensar Bonucci não surpreende por aquilo que se vê nas quatro linhas. Porém, simbolicamente, é uma atitude que pode ser contestada. O clube resolveu abrir mão do capitão no que é um interesse guiado também por questões financeiras e não demonstrou respeito por quem é seu ídolo. Antigos jogadores da Juve manifestaram desgosto com a atitude, inclusive o eterno parceiro Giorgio Chiellini. Bonucci também estudava uma ação judicial contra os bianconeri pela maneira como foi tratado.

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Os medalhões do Union

Os primórdios do Union Berlim na Bundesliga se pautaram na chegada de alguns veteranos. Obviamente, ninguém da estatura de Bonucci. Em sua primeira temporada na elite, os Eisernen buscaram três medalhões para auxiliar o técnico Urs Fischer: Neven Subotic, Christian Gentner e Anthony Ujah. O trio nem teria vida tão longa no Estádio An der Alten Försterei, mas deu respaldo ao início da passagem na primeira divisão. Mais importante foi a chegada de Max Kruse na segunda temporada, não apenas pela bagagem do atacante, mas também pela forma como ele liderou a classificação rumo à Conference.

Nesta temporada, o Union Berlim faz um bom mercado por também trazer jogadores com passagem pela seleção da Alemanha. Kevin Volland deverá ser uma nova referência no ataque, enquanto Robin Gosens começou voando na ala esquerda. De qualquer maneira, Bonucci possui uma história incomparável. São 121 partidas pela seleção da Itália, com destaque à conquista da Eurocopa. O beque ainda soma 113 partidas por competições europeias, sendo 84 delas pela Champions League. Disputou duas vezes a decisão continental, apesar das duas derrotas sofridas com a Juventus. É uma vivência inestimável.

A grande dúvida sobre Bonucci é sobre seu rendimento em campo. A queda física é inegável, assim como o melhor momento técnico ficou para trás desde sua malfadada transferência para o Milan. Durante os últimos anos, o zagueiro até participou de campanhas importantes com a Itália e com a Juventus. Todavia, a última temporada o relegou à reserva da Velha Senhora, com diferentes lesões e pouca relevância no 11 inicial. Não dá para o Union Berlim contar com Bonucci em todos os jogos. Entretanto, será uma alternativa interessante por sua experiência. E o sistema de jogo do time, com uma defesa bem encaixada, pode deixá-lo mais protegido. Talvez ajude o italiano a mostrar seu melhor no último ano de carreira.

O mercado do Union Berlim

O Union Berlim faz um dos melhores mercados da Europa nesta janela de transferências. Bonucci é o 11° reforço do clube. Kevin Volland (Monaco) e Robin Gosens (Internazionale) chamam mais atenção pela história na seleção da Alemanha. O clube também buscou jovens talentos por empréstimo, com as chegadas de Brenden Aaronson (Leeds) e David Datro Fofana (Chelsea). Além disso, os Eisernen aproveitaram os espólios das equipes rebaixadas, com Alexander Schwolow e Lucas Tousart vindo do Hertha Berlim, enquanto Alex Kral foi emprestado do Spartak Moscou após ser rebaixado do Schalke 04. Ainda vale mencionar o zagueiro Diogo Leite, comprado em definitivo do Porto após boa temporada em 2021/22. Também vêm como apostas os centroavantes Mikkel Kaufmann (Copenhague) e Benedict Hollerbach (Wehen Wiesbaden).

A janela de inverno do Union Berlim já tinha deixado o time melhor, especialmente pelas compras de Josip Juranovic, Jerome Roussillon e Aïssa Laïdouni. Esse mercado, de qualquer maneira, é ainda superior. Os berlinenses trouxeram vários potenciais titulares e rechearam bem seu elenco para rodar o time na empreitada continental. A ascensão dos últimos anos se pautou em mercados bastante movimentados a cada temporada. Algo que se intensifica desta vez, e que pode auxiliar na consolidação dentro do G-4.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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