Bundesliga

As últimas minas de carvão da Alemanha fecharão e o Schalke fez uma ode àquelas que são suas origens

A história do Schalke 04 está diretamente ligada às minas de carvão mineral, principal atividade econômica de Gelsenkirchen desde o Século XIX. O clube foi fundado em 1904 por estudantes, aprendizes nas minas, e logo passou a ser abraçado pelos demais trabalhadores – sobretudo por imigrantes. Muitos de seus jogadores eram mineiros ou filhos de mineiros, incluindo alguns dos maiores ídolos. Da mesma maneira, os proletários enchiam as arquibancadas e, durante o sucesso da equipe nos anos 1930, as raízes populares ajudavam a conquistar ainda mais torcedores pelo país. A relação é tamanha que um dos principais instrumentos de trabalho nas minas passou a ser representado no escudo dos Azuis Reais. E se as referências a esta história são constantes, a quarta-feira reservou uma grande homenagem na Veltins Arena. Diante do encerramento das atividades nas duas últimas minas de carvão da Alemanha, marcado para a próxima sexta, o clube exaltou estas origens.

Logo na entrada dos vestiários da Veltins Arena, desde 2014, há a simulação de uma mina de carvão. E desta vez as lembranças tomaram o gramado. Durante a entrada dos times, a bola foi colocada em “carvões ardentes”. No centro do campo, surgiu a imagem de um martelo e uma picareta incandescentes, rodeados por fogos de artifício. Já nas arquibancadas, um grande mosaico foi erguido, com a imagem de um trabalhador carregando o escudo do Schalke 04 em um pequeno vagão típico da atividade. Em um dos cantos, ainda apareciam proletários trocando as roupas de serviço pelo uniforme do clube. Ao fundo, os demais torcedores seguravam papéis negros, simulando carvões. Por fim, juntamente com um coral de mineiros presente no gramado, a torcida entoava a chamada ‘Steigerlied’ – canção que serve de hino aos trabalhadores das minas.

As camisas usadas pelo Schalke 04 na rodada da Bundesliga foram singulares. No lugar do patrocinador, levavam os nomes das 26 minas de carvão mineral mais importantes da história da Alemanha. Também estavam presentes no uniforme o martelo e a picareta, que compõem um escudo especial utilizado pelo clube em suas redes sociais e em outras ações nesta semana. Produtos com o símbolo são vendidos pela agremiação.

A ação mais legal, de qualquer forma, aconteceu nas arquibancadas. O Schalke 04 convidou 2 mil funcionários das minas que fecharam, para que pudessem assistir ao jogo. É a segunda vez que os Azuis Reais realizam uma ação do tipo, a primeira delas em 2015, quando outra mina importante de Gelsenkirchen encerrou as suas atividades. Na ocasião, um mosaico com a figura de um trabalhador segurando sua lanterna foi exibido. Em retribuição, o clube recebeu de presente a última lanterna utilizada na referida mina – algo repetido nesta quarta.

Uma pena que, apesar de tudo, o Schalke 04 não correspondeu em campo. Os anfitriões perderam o duelo diante do Bayer Leverkusen por 2 a 1. Aleksandar Dragovic e Lucas Alario anotaram os gols dos visitantes, enquanto Haji Wright descontou ao final do primeiro tempo, sem que a reação fosse além. Enquanto o Leverkusen sobe para a décima colocação da Bundesliga, o Schalke é apenas o 14°, um ponto acima da zona de rebaixamento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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