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Arsenal ganha novo impulso ao quebrar a banca e confirmar Aubameyang

Uma das maiores novelas da atual janela de transferências, enfim, começa a se desenrolar. Na dança das cadeiras que envolve três clubes de peso da Europa, o primeiro a arranjar seu lugar foi o Arsenal. Logo nas primeiras horas desta quarta-feira, dia de fechamento de mercado, os Gunners confirmaram a contratação de Pierre-Emerick Aubameyang. Um negócio de peso não apenas para tentar impulsionar o time de Arsène Wenger na Premier League, diante dos resultados inconsistentes e da perda de Alexis Sánchez, como também para oferecer uma resposta às críticas da torcida sobre a economia de dinheiro. Deverá compor um quarteto ofensivo de respeito ao lado de Henrikh Mkhitaryan, Alexandre Lacazette e Mesut Özil.

Durante as últimas semanas, a transferência de Aubameyang ao Arsenal parecia certa. Já não existia mais clima para o artilheiro no Signal Iduna Park, diante dos seguidos episódios de indisciplina e de suas mostras de insatisfação no clube. Assim, o Arsenal aproveitou o poderio econômico, a vontade do jogador e a necessidade de venda dos aurinegros para buscar seu reforço. As conversas se desenrolaram por um tempo, até que chegassem a termos comuns. Segundo a Sky Sports, os londrinos desembolsaram £60 milhões pela compra, quebrando seu recorde na aquisição de um jogador – registrado anteriormente na vinda de Lacazette, no início da temporada.

Apesar da confusão causada na Alemanha, não se nega a importância que Aubameyang teve ao Dortmund ao longo dos últimos quatro anos e meio. Foi o que enfatizou o diretor esportivo Michael Zorc: “Tirando os eventos pouco prazerosos das semanas recentes, gostaríamos de relembrar que a Auba teve uma história de sucesso no Dortmund. Ele fez grandes coisas pelo clube, marcou muitos gols importantes e era parte do time que conquistou a Copa da Alemanha em 2017. Desejamos a ele o melhor em seu futuro com o Arsenal”.

Comprado junto ao Saint-Étienne em 2013, Aubameyang se transformou em um atacante reconhecido internacionalmente graças aos aurinegros. Suplantou a ausência de Robert Lewandowski com relativo sucesso e se manteve entre os principais goleadores do futebol europeu. O ápice veio na temporada passada, faturando a artilharia da Bundesliga com média próxima a um gol por jogo, além de ser decisivo na conquista da Copa da Alemanha. Nos últimos meses, porém, os gols não bastaram. O time sofreu um vertiginoso declínio e, além das chances perdidas, a postura do gabonês não ajudou o Dortmund. Vai respeitado por seus melhores momentos, mas sem necessariamente deixar saudades, como já se viu em protestos recentes nas arquibancadas. O jeito é botar ordem na casa com um centroavante menos midiático, Michy Batshuayi, e seguir com os pés no chão para ao menos voltar à Liga dos Campeões em 2018/19.

O Arsenal, por sua vez, ganha uma arma e tanto para tentar retornar ao Top Four. Por já ter disputado as competições europeias nesta temporada, o centroavante não poderá participar dos mata-matas da Liga Europa. Assim, vai concentrar o seu jogo na Premier League e na Copa da Liga Inglesa, quem sabe para registrar a sua primeira conquista em Londres – apesar do desafio contra o Manchester City. Por sua versatilidade, pode se encaixar bem na linha de frente dos Gunners, seja como homem de referência, acompanhando por outro atacante mais centralizado ou até mesmo deslocado à ponta, como atuou durante muito tempo. É ver como será a sua adaptação ao futebol inglês, mas qualidade não deve faltar à nova aposta de Wenger.

Aliás, será bastante interessante acompanhar o Arsenal neste restante de temporada. Sim, os Gunners possuem muitas preocupações, sobretudo defensivas. Mas não se pode negar que o ataque ganha muita potência com as últimas incorporações. Se tradicionalmente os londrinos já possuem um time leve, que busca atuar de maneira veloz e trabalhando os passes, a verticalidade tende a ser intensificada. Mkhitaryan e Aubameyang aproveitam o entrosamento dos tempos de Dortmund, enquanto Lacazette não deve ter problemas a se juntar à dupla. Além disso, Özil e quem mais se dispor terá a quem municiar. E caso os quatro não sejam escalados juntos com tanta frequência, a rotação se beneficia bastante, especialmente pela dupla frente nos próximos três meses, pensando que a Liga Europa também pode ser um atalho para a Champions – além, é claro, de um título europeu que há décadas não se vê no norte de Londres.

As movimentações do Arsenal, inclusive, geram uma onda positiva no Emirates. Nas últimas horas, a imprensa inglesa tem noticiado a possível renovação do contrato de Mesut Özil, satisfeito com a resposta dada pelos Gunners no mercado. Seria um bom sinal para o futuro, considerando o que o alemão ainda pode representar. No papel, não há dúvidas, os londrinos dão um salto de qualidade. Resta saber se esses astros, que também conviveram com oscilações e questionamentos nos últimos tempos, conseguirão mudar os rumos de um clube que parecia caminhar a outra temporada decepcionante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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