Bundesliga

Após goleada sofrida no dérbi, ultras do Hertha exigem saída de investidor e pedem que jogadores tirem suas camisas na saída de campo

Apesar do investimento nos últimos anos, Hertha Berlim corre novamente o risco de ser rebaixado e sua fase recente é péssima

O Estádio Olímpico de Berlim abrigou um dérbi inesquecível neste final de semana, ao menos para a torcida do Union Berlim. Os Eisernen golearam o Hertha por 4 a 1, em seu terceiro triunfo contra os rivais citadinos nessa temporada – incluindo também a classificação na Copa da Alemanha. Enquanto o clube da antiga Berlim Oriental permanece na briga pelas copas europeias, a Velha Senhora corre risco de rebaixamento na Bundesliga. E a tensão interna está exposta. Os ultras pedem a saída do principal investidor do clube, enquanto intimidaram os jogadores depois do clássico, solicitando que tirassem suas camisas – o que alguns deles acataram, sobretudo os mais jovens.

Os ultras do Hertha levaram faixas para as arquibancadas pedindo a saída de Lars Windhorst, acionista majoritário do clube. O empresário chegou prometendo colocar o Hertha na Champions League, mas, desde então, o que se viu foi apenas um clube sem rumo e pessimamente planejado que passou a lidar sempre com o risco de rebaixamento. O próprio magnata já indicou certo arrependimento, embora não admita sua saída no curto prazo.

Já nesta segunda, os ultras dos Harlekins publicaram uma nota contra Windhorst: “Nosso clube faz de si mesmo um motivo de chacota pública. O Hertha agora desempenha um papel fundamental na comercialização do nosso esporte. A situação desportiva leva a uma continuação descontrolada dos desgastes sobre os treinadores e também uma oscilação constante no comando. Infelizmente, o Hertha é o completo oposto da consistência e da calma. Os tons cada vez mais agressivos do investidor, cujas intenções de poder estão cada vez mais aparentes, tornam as coisas ainda mais difíceis”.

“Apesar do dinheiro investido, o Hertha é atingido pela falta de disciplina financeira, pela megalomania e pelo planejamento catastrófico do elenco, a ponto de receber uma ajuda estatal de 7 milhões de euros por causa da pandemia. Essa emergência financeira agora está sendo explorada vergonhosamente pelo investidor para colocar pressão política sobre o clube. Ficou claro desde a passagem de Jürgen Klinsmann que Lars Windhorst não ficará de fora dos assuntos esportivos. Além disso, ele está constantemente na mídia desde o início de seu investimento e traça metas de como chegar à Champions, enquanto os jogadores lutam contra o rebaixamento. Desde o início, Windhorst não escondeu o fato de que queria o poder em nosso clube”, complementa a nota.

Os ultras não chegaram a discutir, porém, o episódio com os jogadores – que gerou repercussão negativa no país. A atitude dos torcedores era no sentido de dizer que os atletas do Hertha “não eram dignos de vestir a camisa do clube”. O caso acabou condenado por membros do clube. Diretor esportivo da Velha Senhora e ex-jogador da agremiação, Fredi Bobic apontou que os ultras “cruzaram uma linha” com a solicitação e que isso não gera bons efeitos.

“Eles cobram muito. Uma linha foi cruzada e não está tudo bem. Nada positivo vem com isso. Os jogadores agradecem os torcedores quando ganham, mas também quando perdem. É isso que o clube quer: que demonstrem respeito e agradeçam por nos apoiar. Não tem problema em vaiar ou xingar os jogadores. Mas há certos pontos que não devem ser excedidos”, afirmou Bobic. “Eu não teria feito isso. Ainda visto a camisa com orgulho. Entendo o descontentamento, mas eles também são atletas”.

Em janeiro, ultras do Hertha Berlim já tinham realizado ameaças aos jogadores durante um treinamento antes do jogo contra o Bayern de Munique. Apesar do novo episódio de intimidação, Bobic ressalta a necessidade de tentar o diálogo. “No geral, temos de ter cuidado sobre qual é o limite. Falamos de esporte. A uma hora de voo temos uma guerra na Ucrânia, temos uma pandemia de dois anos e estávamos realmente ansiosos pelo dérbi. Houve um vencedor que mereceu, precisamos aceitar isso, mas a vida não se resume a isso”, complementou.

Maximilian Mittelstädt, um dos jogadores que tirou a camisa, deu seu ponto de vista: “É difícil explicar. Prefiro não dizer o que foi discutido com os torcedores. Foi apenas um gesto de tirar a camisa. Só ouvi que deveríamos fazer isso. É claro que os torcedores estavam bravos depois do jogo. Por isso tirei. É compreensível que eles estejam zangados. Com o estádio lotado, contra o Union, você espera uma atuação diferente. Humilhante ou não, eu só queria evitar o conflito”.

O Hertha Berlim ocupa a penúltima posição da Bundesliga, na zona de rebaixamento direto. A Velha Senhora está a um ponto de deixar o Z-3. Ainda restam cinco rodadas para a salvação, mas o momento do time é péssimo, com nove derrotas e só uma vitória em seus últimos 12 compromissos pela liga. As próximas três partidas terão importantes confrontos diretos diante de Augsburg, Stuttgart e Arminia Bielefeld – os três adversários logo à frente na tabela.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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