Max Meyer surgiu no Schalke 04 como uma grande promessa. O meio-campista combinava qualidade técnica e visão de , logo se tornando um dos favoritos da torcida. Ao lado de Leon Goretzka, apontava a um excelente futuro pela frente. Foi mais um que driblou a renovação de com os Azuis Reais, mas, em vez de priorizar a escolha de um clube de peso à sua carreira, preferiu cobrar o maior salário possível e acabou assinando com o Crystal Palace. A passagem por Londres acabou há poucos dias, menos três anos depois de seu desembarque, com o vínculo rompido para aliviar a folha de pagamentos das Águias. E, aos 25 anos, o meia com convocações para a seleção principal da Alemanha vira solução ao Colônia na tentativa de se salvar do rebaixamento.

Sem muitas dúvidas, Meyer é um bom negócio ao Colônia. Os Bodes contratam um jogador jovem e que ainda pode render em seu melhor nível. O meio-campista chegou de graça, ainda que seu novo contrato só dure até o final da temporada, e tem condições de elevar o nível de jogo da equipe. Diante das dificuldades apresentadas pelo Colônia, especialmente pelo péssimo desempenho ofensivo, o novato garante uma qualidade a mais no setor de criação. Pode auxiliar na permanência do tradicional clube na primeira divisão.

Para Max Meyer, entretanto, os últimos dois anos e meio pareceram tempo perdido em sua carreira. O jovem atravessou cinco temporadas como titular do Schalke. Apesar da pouca idade, era uma referência técnica aos Azuis Reais. Formava uma “ala jovem” muito talentosa na Veltins Arena com Leon Goretzka, Julian Draxler, Pierre-Emile Höjbjerg e Leroy Sané. No fim das contas, nenhum deles duraria tanto em Gelsenkirchen. E a saída de Meyer acabou sendo uma das mais conturbadas, com o meio-campista já sem clima em sua última temporada e caindo de rendimento. Apesar disso, já era um atleta valorizado pelo título no Europeu Sub-21 de 2017, pela prata nas Olimpíadas de 2016 e pelas aparições com a seleção principal até antes disso.

Na corrida pela contratação livre do jovem, os interessados não foram poucos. O Bayern de Munique, claro, era mencionado nas especulações. Mesmo na Inglaterra havia gente de peso na disputa, incluindo e Arsenal. O problema é que, sem a taxa de transferência, os queriam um salário suntuoso ao garoto de 22 anos. Clubes como e Hoffenheim cogitaram quebrar a banca. Mesmo assim, o destino final seria outro. O Crystal Palace não parecia sequer se casar com o estilo de jogo de Meyer, mas oferecia um salário alto até para os padrões da Premier League – cerca de £170 mil semanais, entre os 20 mais bem pagos da competição. Os dois lados faziam suas apostas. Mas a verdade é que o rendimento foi muito abaixo das cifras.

Em seu primeiro ano na Inglaterra, em 2018/19, Max Meyer não produziu muito e terminou a temporada frequentando o banco. Depois, seria totalmente reserva em 2019/20, sem ser aproveitado num time que sempre se valia do físico. E, limitado a apenas uma aparição em 2020/21, a rescisão contratual era o melhor caminho. Roy Hodgson ainda elogiava o profissionalismo do alemão, mas a diretoria estava disposta a cortar custos o quanto antes. Não conseguiu vendê-lo, então preferiu dispensá-lo. Além do preço alto, Meyer ficou aquém de seu potencial – sobretudo se comparado com Goretzka, nascido no mesmo ano e que deixou o Schalke 04 para defender o Bayern de Munique na mesma época. Tudo bem que Meyer já estava abaixo do colega nos últimos meses em Gelsenkirchen, mas a diferença atual é gritante.

Diante da má gestão de sua carreira e da falta de rendimento recente, Meyer não seria mais opção aos clubes da primeira prateleira na Alemanha. Assina com o Colônia, um time histórico, mas que oferecerá um semestre de teste ao meio-campista, para que ele recupere seu valor e os ajude na permanência. “Para mim, a perspectiva de poder jogar é crucial. Quero aproveitar a chance no Colônia para me apresentar no nível mais alto e ajudar o clube a se manter na divisão”, declarou Meyer, em sua apresentação.

Segundo o próprio diretor dos Bodes, Horst Heldt, Meyer aceitou reduzir sua pedida salarial para poder mostrar serviço na equipe. Sinal dos tempos, de quem ficou sem mercado por sua atitude impensada em 2018. As condições no Rhein Energie não terão nada de glamour, mas talvez ofereçam um ambiente mais favorável que no Crystal Palace. Bola nunca faltou ao jovem e dá para recuperar um pouco do tempo perdido. Todavia, os milhões a mais na conta bancária se provam bastante frívolos, diante de tudo o que se colocou em xeque.