Bundesliga

Após bom início de temporada, Peter Bosz vê queda acentuada lhe custar o emprego no Leverkusen

Após uma sequência insustentável de maus resultados, o Bayer Leverkusen anunciou nesta terça-feira (23) a demissão do técnico Peter Bosz, que estava à frente da equipe desde dezembro de 2018. Hannes Wolf, que até então comandava a Alemanha sub-18, assume o posto até o fim da temporada, com Peter Hermann como assistente.

Durante a primeira metade da temporada, nada parecia mais distante de Bosz do que uma demissão. Seu trabalho havia colocado o Bayer Leverkusen na liderança da Bundesliga, ainda que por duas rodadas, e o futebol apresentado empolgava, com o clube invicto até o início da 13ª rodada.

Ao fim da rodada 12, a equipe liderava com oito vitórias, quatro empates e um ponto de vantagem para o Bayern de Munique. Na 13ª jornada, no entanto, uma derrota justamente para os bávaros já no fim do jogo deu início a uma queda acentuada. Nos últimos 14 jogos, o Leverkusen conquistou apenas três vitórias, empatou outras três vezes e foi derrotado em oito oportunidades.

Os resultados fizeram o time despencar para a sexta colocação, a sete pontos do quarto colocado, o Eintracht Frankfurt, por ora o último classificado à Champions League. Também foi eliminado na Copa da Alemanha pelo modesto Rot-Weiss Essen, da quarta divisão, e não deu conta do Young Boys nos 16-avos de final da Liga Europa. “Dada a evolução do futebol nas últimas semanas, chegamos à conclusão de que a demissão de Peter Bosz não pode mais ser evitada”, explicou Rudi Völler, diretor de futebol do clube.

De certa forma, a demissão de Bosz do Leverkusen guarda semelhança com sua queda no Borussia Dortmund. Contratado em 2017 após o vice-campeonato da Liga Europa com uma jovem equipe do Ajax, o treinador teve um início excelente, com seis vitórias em sete jogos e sem sofrer gols nas primeiras cinco partidas, um recorde para um novo treinador na Bundesliga. Vítima de seu próprio sucesso, viu uma sequência de oito jogos e apenas três pontos conquistados lhe custar o emprego ainda em dezembro de 2017, na primeira metade da temporada.

Curiosamente, as duas campanhas anteriores de Bosz no comando do Leverkusen haviam tido roteiro de certa forma inverso, com início preocupante e recuperação para chegar a posições relativamente boas. Em 2018/19, quando se juntou ao clube na metade da temporada, levou o time de um 9º lugar à 4ª colocação ao fim da campanha. Em 2019/20, teve ele próprio um princípio de campeonato fraco, ocupando a 10ª colocação após dez rodadas, mas dando uma volta por cima para acabar em 5º.

Desde seu trabalho no Ajax, Bosz ficou conhecido como um treinador sem medo de lançar jovens atletas, capaz, mesmo assim, de fazer sua equipe jogar um futebol ofensivo e atrativo. Ainda que deixe o Leverkusen de maneira melancólica, conseguiu manter em parte este perfil ao ter trabalhado sobretudo a evolução de Kai Havertz, vendido por € 100 milhões (incluindo bônus de produtividade) ao Chelsea, e a introdução ao time principal de Florian Wirtz, que, com apenas 17 anos, já impressiona e faz acontecer.

Ao Leverkusen, uma ida à Liga dos Campeões não é impossível, mas, a oito rodadas do fim da temporada, apenas uma improvável reação e uma combinação de resultados externos generosos poderiam desenhar este cenário.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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