Bundesliga

Ailton sobre sucesso no Werder Bremen: “Pizarro e Júlio César me ajudaram mais que o técnico”

Campeão e artilheiro da Bundesliga pelo Werder Bremen, Ailton se tornou ídolo e conta como sua história mudou no clube com a parceria com Pizarro e Júlio César

Ailton é um jogador que marcou época no futebol no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000, especialmente para quem acompanhava o futebol alemão. O atacante brilhou intensamente pelo Werder Bremen, pelo qual conquistou o título da Bundesliga de forma surpreendente em 2003/04. Em uma carreira de altos e baixos, conseguiu aproveitar as chances para chegar ao alto nível do futebol europeu. Ele contou sobre a sua trajetória em entrevista ao site de aposta esportiva Betway.

A carreira de jogador não era algo que Ailton imaginava quando jovem. Em Mogeiro, no interior da Paraíba, ele considerava o futebol apenas diversão. “Eu disse que não queria ser profissional, que queria jogar apenas por diversão na minha cidade. Ele acabou me levando a força. E minha mãe o ajudou, porque dizia que eu tinha um dom que eu precisava aproveitar”.

No começo da carreira, Ailton ouviu palavras bastante desabonadoras. Ele começou no Estudantes de Timbaúba, passou pelo Mogi Mirim e foi para o Ypiranga de Erechim, no Rio Grande do Sul. “Cheguei lá, e o treinador disse que eu não jogava nada, que não tinha como ser jogador de futebol. Falou que eu só podia ser jogador de empresário”, conta o atacante.

A crise com o treinador era grande. Foram quatro jogos sem sequer entrar em campo. Pediu para sair, mas o empresário afirmou que ele tinha que ficar e cobrou do clube. “Por incrível que pareça, o atacante titular (Paulo Gaúcho) se machucou. O treinador continuou me deixando no banco, mas teve um jogo em Erechim em que ele precisou colocar um atacante, porque a torcida o estava xingando de burro. Ele me colocou faltando 15 minutos, eu fiz dois gols e virei o jogo. Aí não teve como me deixar mais no banco”, contou Ailton.

Com 16 gols, Ailton foi artilheiro do Campeonato Gaúcho de 1995, superando Jardel. A carreira começaria a decolar. Passou por Internacional, Sport e chegaria ao Guarani em 1996. Foi lá que ele brilhou e despertou interesse da Europa. Mas antes de chegar ao Werder Bremen e fazer história, ele fez uma parada em outro lugar.

“A história é muito interessante. O Werder Bremen estava interessado em um atacante, que não era eu. Eles foram assisti-lo jogar, justamente contra o Guarani. Só que a estrela da partida fui eu. Eles desistiram do atacante e passaram a tentar me levar para lá. Acabou dando certo, mas antes fiz uma breve escala no futebol mexicano”, contou o ex-jogador.

Ele chegou por € 2,75 milhões, um valor que era alto para o clube na época, em 1998 – até hoje, o Werder Bremen tem como recorde de valor pago por um jogador € 13,5 milhões por Davy Klaassen, em 2018. “Fui contratado como um dos atletas mais caros da história do clube, e quase não entrava. Era criticado, falavam que foi dinheiro jogado no lixo. Mas não tinha culpa. O Felix Magath, treinador na época, nem falava comigo. Ele sequer observava meus bons momentos em treinamentos”.

A primeira temporada foi apagada, com poucos jogos e gols: em 13 partidas (e só quatro como titular), apenas dois gols. Ailton quis sair, mas o técnico interino, que entrou no lugar de Magath, pediu que ele tivesse paciência. Ele ficou e na temporada seguinte, a história mudou completamente. Menos por causa do técnico, mais por quem chegou ao clube: o atacante peruano Claudio Pizarro e o zagueiro brasileiro Júlio César.

“Esses dois me ajudaram mais que o Thomas Schaaf [técnico]. Formamos um trio com muita sintonia. Fiquei mais confiante, passei a me sentir em casa. E ao ver minha evolução, o treinador apenas me deu espaço pra jogar, e liberdade para eu fazer o que quisesse dentro de campo”, contou Ailton.

A temporada 1999/2000 mudou as coisas para Ailton. Em 45 jogos, marcou 16 gols, com 14 assistências. Na Bundesliga, foram 12 gols em 29 jogos, com ainda 10 assistências. Os números foram melhorando: 17 gols na temporada 2000/01, 20 em 2001/02 e 17 em 2002/03. Aí veio uma temporada mágica, em 2003/04. Foram impressionantes 34 gols em 43 jogos de todas as competições. Só na Bundesliga, foram 28 gols em 33 jogos, que terminou com o título dos Papagaios, Ailton artilheiro e o Werder Bremen campeão. O atacante entrava para a história da liga alemã e marcava seu nome no coração dos torcedores.

No final daquela temporada, porém, em julho de 2004, o atacante decidiu deixar o Werder Bremen. Ao final do seu contrato, assinou com o Schalke 04 e deixou os Papagaios. “Até hoje, depois de tantos anos, ainda não sei responder porque saí”, conta. O jogador conta que ele queria renovar, mas o clube achava que não se classificaria para a Champions League e o salário do brasileiro era alto demais. Não houve acordo.

“Aí o Schalke 04 veio, conversou comigo, e em uma hora de papo deixamos tudo acertado. Não assinamos, mas sou um homem de palavra”, contou o ex-jogador. “Antes mesmo do fim do torneio, eles queriam que eu mudasse de ideia e ficasse. Mas meu pai me educou a cumprir com o combinado, então acabei saindo”.

A temporada pelo Schalke foi boa nos números: foram 20 gols em 44 jogos e uma campanha que levou o time à final da Copa da Alemanha, derrotado pelo Bayern. Só que sua passagem pelo clube acabou durando apenas um ano. Ele se desentendeu com um técnico que é hoje bastante conhecido: Ralf Rangnick. Ailton jogaria até 2013, quando decidiu se aposentar. Ganhou um jogo de despedida do Werder Bremen, onde será eternamente lembrado por ter sido a estrela daquele título alemão que nunca mais se repetiu para os verde

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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