Bundesliga

A volta de Ginter é um dos melhores negócios possíveis ao Freiburg e reforça a ambição do clube

Ao final de seu contrato com o Gladbach, mesmo tendo outras boas propostas na mesa, Ginter decidiu voltar para sua cidade natal e para seu primeiro clube sem custos

O Freiburg sabia que não teria a presença de Nico Schlotterbeck por muito tempo em seu elenco. O zagueiro de 22 anos virou o melhor de sua posição na Bundesliga e atraía o interesse de clubes maiores. Seu contrato também só vigorava até janeiro de 2023 e, sem perspectiva de renovação, a venda era necessária para render algum dinheiro. O Borussia Dortmund pagará €20 milhões, em negócio anunciado nesta semana. Dentre as reposições possíveis, porém, o técnico Christian Streich não se limitará a lapidar outro garoto. Nesta quarta, o Freiburg anunciou um novo reforço para o miolo da zaga, ganhando outro atleta de seleção. Matthias Ginter não tem o potencial de Schlotterbeck, mas também permanece entre os melhores defensores da liga e vem de boas temporadas com o Borussia Mönchengladbach. O retorno do beque ao seu clube formador, sem custos, é um acerto excepcional que indica a ambição de um clube que luta por vaga na Champions League.

Ginter estava no último ano de seu contrato com o Borussia Mönchengladbach. A passagem pelos Potros fez bem à sua carreira. O zagueiro não cumpriu as expectativas no Borussia Dortmund e, dando um passo para trás, restabeleceu-se no Gladbach. Foram cinco bons anos com os alvinegros, participando com regularidade dos desempenhos destacados da equipe e se recolocando como um dos melhores defensores da Bundesliga. Todavia, num momento em que há sinais de estagnação no Borussia Park, Ginter decidiu não renovar, até por problemas de relacionamento com o técnico Adi Hütter. Vai voltar para casa a partir da próxima temporada.

Ginter, entretanto, não tinha mercado apenas na Bundesliga. Segundo informações da revista Kicker, clubes como o Atlético de Madrid, o Sevilla, a Internazionale, a Roma, a Fiorentina e o Aston Villa chegaram a procurá-lo. Também negociaram Bayer Leverkusen, Wolfsburg e Hoffenheim. O Freiburg, dentre todas essas agremiações, não será a que pagará o salário mais gordo. Em compensação, oferecerá condições que o defensor considerou favoráveis à sua carreira e à sua vida.

Os laços com o clube certamente pesaram na escolha de Ginter. O zagueiro é nascido em Friburgo e chegou às categorias de base do clube aos 11 anos de idade. O prodígio foi treinado por Christian Streich nos juvenis e depois seria lançado pelo treinador na equipe principal, a partir de 2012. Foram duas boas temporadas com o time, provando-se como um dos defensores mais promissores da Alemanha, até ser vendido para o Dortmund em 2014, por €10 milhões. Todavia, a afirmação no Signal Iduna Park não aconteceu e os caminhos de sua carreira levaram Ginter de volta ao Freiburg com 28 anos.

“Eu queria fazer algo especial na minha carreira e não tem nada mais especial que voltar ao meu primeiro clube e à minha cidade. O desenvolvimento do clube todo, o potencial do time e a maneira como conversamos com os responsáveis pela agremiação nas últimas semanas: encontrar tudo isso na minha cidade é algo que posso descrever como um golpe de sorte. Esse pacote todo é perfeito”, comentou Ginter, no anúncio.

O técnico Christian Streich, por sua vez, não escondeu a empolgação: “Quando eu ouvi que Ginter poderia voltar, até pensei que pudesse ser uma mentira. Mas então aconteceu relativamente rápido e precisamos de poucas conversas. É ótimo, ele realmente queria voltar. Você pode ver que ele conquistou coisas incríveis nos últimos dez anos. Eu conheço sua energia, seu poder, sua ambição maluca, seu alto nível de disciplina e o alto nível de qualidade técnica. Ele é ótimo para iniciar o jogo, para desarmar e para disputar bolas aéreas. Estamos muito felizes por Matthias voltar”.

Não dá para dizer que a escolha pelo Freiburg é uma depreciação em relação ao que Ginter vinha atravessando. O clube da Floresta Negra, hoje, é mais estável que o Borussia Mönchengladbach – tanto é que aparece no G-4 e está na final da Copa da Alemanha. Há uma boa estrutura à disposição, com potencial de crescimento a partir da inauguração recente do Estádio Europa Park. Além disso, não é o tipo de opção que afastará Ginter das convocações. Reserva na Copa de 2014, quando ainda estava no clube, o beque foi titular na Euro 2020 e continua chamado regularmente por Hansi Flick. É um nome forte para constar no elenco da Mannschaft para a Copa de 2022, a terceira de sua carreira.

Pelas outras propostas na mesa, até considerando destinos como Atlético de Madrid e Internazionale, Ginter abre mão de uma experiência vitoriosa no exterior. Sua vontade, contudo, é a de retornar para as suas raízes e dar uma boa contribuição para o clube de sua infância. Acaba sendo um caminho raro no futebol atual, mas compreensível diante daquilo que o Freiburg pode oferecer. É a chance de se tornar um ídolo histórico e até de seguir atrelado à agremiação mesmo depois de pendurar as chuteiras. Não parece um passo a esmo, pela qualidade do trabalho já executado na Floresta Negra.

Ao Freiburg, sem dúvidas, o acréscimo de Ginter eleva o status da equipe. O time traz um zagueiro com longo tempo em alto nível pela frente, entre os melhores do país e que desembarca sem custos. Pode ser uma liderança imediata e uma fonte de segurança a mais na azeitada formação de Christian Streich. Difícil pensar em um negócio melhor para a agremiação, dadas as suas limitações e a própria política de contratações. O Freiburg ainda não sabe se estará na Liga Europa ou na Champions League durante o próximo ano. Seja qual for o resultado, já terá um defensor para impor respeito no cenário continental e para construir bem mais dentro do clube.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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