Bundesliga

A rodada na Alemanha será marcada por protestos de clubes e torcidas contra os desmandos dos cartolas

A noção de coletividade tem grande importância no futebol alemão. É relativamente comum que clubes e torcidas unam forças entre si, para lutar por aquilo que entendem como os seus interesses. E a rodada da terceira divisão da Bundesliga será marcada por protestos paralelos, mas que se unem justamente para se manifestar contra os desmandos dos cartolas. Enquanto os jogadores ficarão um minuto de braços cruzados até o apito inicial, as torcidas deverão levar faixas e cartazes às arquibancadas, além de boicotarem os jogos por 45 minutos em greve de silêncio.

No caso dos clubes, o protesto está relacionado ao projeto da DFB em reformar a quarta divisão do Campeonato Alemão, que é regionalizada. A ideia inicial da federação era a de reduzir o número de ligas regionais, de cinco para quatro. Assim, a terceirona sofreria um aumento no número de rebaixados, de três para quatro, permitindo que todos os campeões regionais da quarta divisão subissem diretamente – até a temporada passada, eram realizados mata-matas para se definir o acesso. O problema é que a reforma empacou e a DFB não anunciou o retorno ao antigo sistema de promoção.

Desta maneira, nesta temporada, haveria até mesmo um sorteio para se definir um dos quatro promovidos à terceira divisão. Os clubes da terceirona, então, se manifestarão para que apenas três sejam rebaixados e o modelo anterior retorne. O grupo de trabalho responsável pelas reformas na quarta divisão chegou mesmo a ser dissolvido, aumentando o impasse. Diante das notícias, representantes dos clubes da terceirona se reuniram nesta semana, deixando clara sua crítica à DFB, algo que se concretizará com as greves de um minuto.

“Um quarto clube não deve ser penalizado pela óbvia falta de vontade para se encontrar uma solução nas ligas regionais”, declararam os clubes da terceira divisão. “Sem a gente, a bola não vai rolar. E sem a gente, o futuro da terceira divisão não pode ser designado por outras pessoas. Dizemos aqui: parem! Não vamos continuar desta maneira”. Vale ressaltar que os clubes da terceirona haviam entrado em acordo pelo aumento do número de rebaixados, mas apenas mediante as promessas de reforma da quarta divisão. A mudança do cenário é que provoca o levante, sem que eles tenham sido consultados sobre o remanejamento na forma de acesso e descenso.

Já os protestos dos torcedores afetarão a terceira divisão, mas não apenas ela. Recentemente, a DFL (a liga alemã) anunciou que, a partir da temporada 2021/22, não realizará mais os polêmicos jogos da primeira divisão às segundas-feiras – motivo de ampla e expressa insatisfação nas arquibancadas. Agora o interesse das torcidas é que as segundas-feiras também sejam riscadas do calendário nas divisões de acesso. Por isso, ultras da primeira à quinta divisão irão participar do boicote. Diversos grupos já assinaram a sua carta de compromisso.

“Os protestos na primeira divisão foram um grande sucesso. Eles mostram como os torcedores podem conquistar seus direitos unindo forças e dando sinais claros de seus interesses. Mas este passo é apenas o começo. Temos que continuar mostrando nossa solidariedade. A abolição nos jogos da elite ainda não é suficiente. Rejeitamos os jogos de segunda em qualquer liga”, escrevem as torcidas, em carta conjunta. Será um final de semana marcante pelo país.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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