Bundesliga

40 gols que dimensionam por que Gerd Müller era um dos centroavantes mais letais da história

Neste 2021 de despedida, selecionamos uma coleção de gols que mostram diversas virtudes da lenda

O nome de Gerd Müller esteve nas manchetes algumas vezes ao longo de 2021. Infelizmente, o veterano de 75 anos faleceu em agosto, após uma longa luta contra o Alzheimer. No entanto, sua história também foi honrada por Robert Lewandowski. O centroavante do Bayern de Munique conseguiu quebrar recordes da lenda que permaneceram intactos por meio século. Que demonstram a excelência daquele que é considerado um dos maiores jogadores da história e, segundo palavras do próprio Franz Beckenbauer, foi o ídolo que verdadeiramente mudou os rumos do Bayern.

Gerd Müller tinha um porte físico peculiar, comparado com o de um halterofilista, que fazia muita gente olhá-lo com desdém. Porém, bastava a bola chegar dentro da área que o artilheiro mostrava uma combinação de virtudes para se tornar fatal. Tinha explosão, impulsão, força. Fazia um pivô muito difícil de se romper e blindava a bola em seus pés. Contava com um equilíbrio excepcional nos giros e nos dribles curtos. A técnica se exibia nos domínios e nas fintas. Seus arremates precisos eram teleguiados, com os dois pés ou com a cabeça. E isso com uma frieza imensa, de quem parecia ter um tempo só seu, que nenhum zagueiro conseguia acompanhar. Resultado: centenas e centenas de gols.

Para exaltar a memória de Gerd Müller neste 2021 de adeus, selecionamos uma coleção de gols que mostram diferentes qualidades do craque. Os vídeos de seus tentos são um tanto quanto escassos, mas foram analisados mais de 200 para se formar uma lista de 40. Nem todas as fases de sua carreira estão contempladas da mesma forma, já que os vídeos do Bayern nos anos 1960 são raros, mesmo em competições continentais. De qualquer maneira, a coleção serve para conhecer um pouco melhor o arsenal de uma lenda.

1965 Karlsruher

Gerd Müller tinha apenas 19 anos e marcava seu sexto gol na Bundesliga. O talento, mesmo assim, ficava evidente em dois toques. A matada é cheia de categoria, para fazer a bola dormir em seu peito. Sem deixar a pelota cair, mesmo com a área congestionada, o craque manda o chute certeiro no canto. Nem o zagueiro posicionado na trave bastou para salvar. Belo cartão de visitas.

https://www.youtube.com/watch?v=JJKwzAlPpv8&t=107s

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1967 Karlsruher

A furada do adversário facilitou? Tudo bem. Mas fazer o jogo parecer tão fácil num pasto não é tão simples assim. O gramado na verdade era um lamaçal, por conta da chuva. Apesar disso, Gerd Müller parecia flutuar. Escapou da marcação cerrada ao conduzir com a canhota e, quando o goleiro estava fora de posição, o chute manso garantia a explosão. Fazia muito mesmo em péssimas condições.

1969 Escócia

Cobrança de falta frontal. Franz Beckenbauer lança rápido o companheiro. Cercado, Müller domina na coxa e deixa o marcador no vácuo com seu giro. Porém, a arte desse gol é a frieza imensa na definição, mesmo com três oponentes à espreita. O artilheiro finge que vai bater de direita, recua e dá um biquinho com a canhota. Nessa, todo mundo fica igual bobo e a bola só para no barbante.

1969 Áustria

O raciocínio de Gerd Müller era rápido. Impressionantemente rápido. É isso que explica a maneira como ele recebe um passe improvisado e, logo no domínio, aplica um chapéu no marcador dentro da área. O espaço era mínimo e o tempo de reação também dependia de frações, mas a categoria imediata se expressa. Como ele já está na pequena área, mais fácil saltar e definir de cabeça. Dentro, sempre.

1969 Schalke

Final da Copa da Alemanha, casa cheia para ver o Bayern x Schalke. A vitória dos bávaros por 2 a 1 tem dois gols de Müller. E os lances são muito parecidos pela técnica que se repete, o primeiro sendo mais difícil. A disputa dentro da área é grande e a bola espirra para o artilheiro. O gatilho rápido vira um chute potente e instantâneo de canhota. Não dá nem para o goleiro reagir direito. São dois canhões, um em cada pé.

1970 Peru

Gerd Müller costumava colocar a bola onde bem entendesse. E isso valia também para os lances de cabeça. Não era tão alto, mas compensava com senso de posicionamento e impulsão. Melhor ainda, os movimentos nas testadas costumavam ser perfeitos. Foi o que ocorreu na sua tripleta contra o Peru, em seu sétimo gol na Copa de 1970. Sozinho, encobriu o indefeso goleiro Luis Rubiños.

https://youtu.be/zBNJ1lmWLGY?t=29

1970 Itália

O Jogo do Século, o incensado Itália 4×3 Alemanha Ocidental, teve dois gols de Gerd Müller. Aquela Copa não teve tentos vistosos do artilheiro, mas apresentou um jogador sempre atento para decidir. E não tinha bola perdida para o craque, mesmo quando o lance parecia dominado pela defesa. Foi assim, na raça, que ele venceu Enrico Albertosi a primeira vez naquela tarde. Terminaria o Mundial como artilheiro, com dez gols.

1971 México

A área podia estar cheia de gente que, ainda assim, Gerd Müller encontrava uma fresta mínima para o gol. Foi o que aconteceu no amistoso contra o México. O giro sobre a bola de início deixa o primeiro adversário tonto. O segundo também cai numa finta seca. Poucos segundos pareciam horas ao goleador, que percebe o canto aberto e manda o goleiro buscar no fundo da meta.

1971 Borussia Dortmund

O famoso Bayern 11×1 Dortmund teve quatro gols de Gerd Müller. O mais bonito foi o terceiro. Dominou já escapando do pênalti, sem cair mesmo com o carrinho por trás. Menos de um metro na frente, outra enxadada de zagueiro que o matador viu ser fincada no gramado, quando ele muda de direção. Com o goleiro sendo um mero condenado à sua frente, a paulada morre no alto da meta.

1972 Kaiserslautern

Gerd Müller dificilmente era parado quando tinha a bola dominada e resolvia mudar de direção. A vítima da vez era o marcador do Kaiserslautern, que, quando percebeu o corte, já estava muito atrasado. O goleiro também tentou fechar o ângulo, mas não conseguiria fazer muito. Tomou um toquezinho por cobertura, como se o craque fizesse tudo parecer uma pelada.

1972 Eintracht Frankfurt

O centro de gravidade baixo de Gerd Müller, que garantia um equilíbrio absurdo, faz muita diferença aqui. São dois toques para dois dribles, com dois defensores errando o bote. E o problema é que, quando não aplicava o drible, o centroavante também podia enganar. Foi isso que fez na conclusão, com um chute em falso que paralisou os zagueiros e fez o goleiro cair, antes que o arremate de verdade fosse certeiro.

1972 Steaua Bucareste

A inteligência de Gerd Müller na cobrança de falta ensaiada. O atacante corre como quem fosse chutar, mas nessa escapa por trás da barreira e surge livre na área. O passe chega em cima, com o goleiro também pronto para abafar. Então, é só deixar a inércia agir e permitir que o arqueiro passe lotado, com um balãozinho. O matador ainda completa em cima da linha, só pra conferir.

1972 Inglaterra

Na simbólica vitória pelas quartas de final da Euro 1972, a pá de cal foi dada por Gerd Müller. Siggi Held faz uma grande jogada, mas a perfeição do arremate é do artilheiro. Bastaram dois toques. O domínio acontece de costas e o centroavante nem precisa olhar para executar o chute cirúrgico. Parece que tudo já estava gravado na sua mente. A bola beija a trave de Gordon Banks e sacramenta os 3 a 1 no placar.

https://youtu.be/H8h37NSQTKw?t=5027

1972 União Soviética

Num amistoso, Gerd Müller guardou três gols em cima da União Soviética. O primeiro é um estalo de craque. O passe veio um pouco espetado, mas o atacante se estica todo para dominar na ponta da chuteira. O marcador está em cima? Tome-lhe uma caneta. O caminho fica aberto para o gol e, aí, o matador nunca se afobava. Bastava bater onde o goleiro não iria alcançar. Nem precisava gastar energia.

1972 União Soviética

Menos de um mês depois, outro jogo contra a União Soviética. Este, para coroar a conquista da Euro 1972, na qual Gerd Müller fez dois gols nas semifinais contra os belgas e mais dois na decisão diante dos soviéticos. O último tento mostra o craque muito além da área, vindo buscar a bola no círculo central. Arranca e tabela, para disparar e nenhum defensor marcá-lo. Está sozinho na área para confirmar a taça alemã-ocidental.

https://youtu.be/PQASKhfs9Cs?t=46

1972 Suíça

Os suíços tomaram quatro gols de Gerd Müller naquele amistoso. E não tinha como pará-lo, nem com falta. O segundo tento mostra isso. O centroavante toma uma pancada na área em que cai com o zagueiro. Mas só ele se levanta de imediato, sem desistir do lance. Diante do gol, com o goleiro longe, nem é preciso tomar distância. Abre o compasso com a canhota e bate de chapa no canto, na caixa.

https://youtu.be/VqrPCRj1P7E?t=58

1973 Hamburgo

Mais um sinal de que Gerd Müller tinha um radar acoplado em alguma parte de sua chuteira. O centroavante recebe o passe dentro da área e, como de costume, não tem muito tempo para executar sua ação. Faz o giro. Arremata a bola como quem conhece todos os atalhos e sabe que o melhor lugar para guardá-la é na gaveta, no ângulo. Tiro teleguiado que não dá chances aos adversários.

1973 Áustria

Gerd Müller tratava sempre os marcadores com desdém. Pouco se importava com o que eles tentavam fazer. E o pivô do centroavante era muito difícil de ser rompido, por conta de sua força física. O domínio acontece e, em vão, o beque tenta bater a carteira do adversário. No fim, ele que ficou no bolso. Com um segundo a mais para resolver o lance, a finalização fica simples.

1973 Kaiserslautern

O canhão acoplado na perna de Gerd Müller fazia muitas vítimas. Ganhar no pé de ferro do centroavante era muito difícil. Nesse lance, por exemplo, até seu companheiro parece presente para disputar a bola. E o pobre beque que tenta a dividida até se desequilibra, deitado no gramado. De alguma fora, a bola insistia em ficar com o artilheiro, de frente para a meta. O de sempre: gol.

1973 Borussia Mönchengladbach

O Borussia Mönchengladbach era o único oponente que conseguia bater de frente com o Bayern de Munique durante o auge de Gerd Müller. Mas nem eles encontravam uma fórmula de controlar a fera. Até mesmo quando o matador parecia perder a bola, aos trancos e barrancos, ele conseguia desferir um chute mortal. Estava fora da passada e pressionado, mas a bola obedecia e só entrava no canto.

1973 Hertha

Boa parte dos adversários era impotente contra Gerd Müller. Aqui, talvez cones oferecessem uma dificuldade maior, mas o vão esforço dos oponentes torna tudo mais lúdico. O marcador parece uma criança de cinco anos, ao chutar o ar diante do drible. E com a finalização que só entrava muito longe do alcance, não restou nada além ao goleiro do que cair de costas no chão, desiludido.

1974 Atlético de Madrid

Gerd Müller arrebentou com o Atlético de Madrid no jogo-desempate da final da Champions de 1974, que deu o primeiro título ao Bayern. Foram dois gols dele e dois de Uli Hoeness. No primeiro, o craque doma o cruzamento com a ponta da chuteira, como quem gruda a bola num imã. O ângulo é péssimo, na lateral da pequena área. Seus chutes resolviam qualquer parada, com a violência da batida que resvala na trave e não tem defesa.

1974 Atlético de Madrid

Outro gol contra o Atlético de Madrid na final da Champions, outro golaço. A zaga comete um vacilo imenso, ao deixar o centroavante sozinho na área com todo o espaço possível. Ainda assim, ele consegue fazer algo que muita gente não imaginou. O goleiro está no meio do caminho, quando o chute por cobertura faz a parábola perfeita. Ganha as alturas e cai meteórico, para que o salto em vão de Miguel Reina deixe a pintura mais plástica.

1974 Iugoslávia

Dizer que Gerd Müller fazia gol até deitado não é figura de linguagem. Isso realmente acontecia, e até em jogo decisivo de Copa do Mundo. O domínio é difícil e o centroavante precisa dar um carrinho para se antecipar ao zagueiro. Com o goleiro batido, levantar por que se o gol está aberto? Assim, deitado, o craque chuta como dá para garantir logo. Também sobrava raça.

https://www.youtube.com/watch?v=PbbWhs86oIo

1974 Holanda

O último gol de Gerd Müller pela seleção. O gol que deu o bicampeonato mundial à Alemanha Ocidental, o segundo na vitória por 2 a 1 sobre a Holanda. Um gol com a assinatura do camisa 13. A bola parece até escapulir no domínio, ao espirrar para trás. O que seria péssimo para qualquer um, para Müller era vantagem. Os holandeses pareciam acreditar que o perigo tinha passado, quando o artilheiro resolve finalizar na recuperação. Todo mundo ao redor só assiste sua glória, em seu 14° tento em Mundiais, o maior goleador do torneio por 32 anos.

1974 Schalke

O eixo da Terra talvez parasse quando Müller se centrava no seu eixo para um giro. Foi isso que aconteceu contra o Schalke. E o terremoto do artilheiro fazia os zagueiros desabarem, como se imaginassem que tivessem algum poder para tentar impedir as jogadas. Dessa vez, mais uma finalização caindo, desequilibrado, que deixava o goleiro inerte.

1974 Kickers Offenbach

Gerd Müller também tinha o poder da câmera lenta. As jogadas aconteciam no seu tempo, não no tempo dos oponentes. O zagueiro tenta montar nas costas do centroavante, sem que dê qualquer sinal de que pode romper a proteção. E quando tudo corre vagarosamente, e o goleiro se acha esperto por abafar, eis o estalo: a bola colada ao pé escapa num chute que ninguém antecipa o ato, mas todos assistem frame por frame.

1974 Magdeburgo

Jogo de Champions, Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental. Nem isso intimidava Gerd Müller, rumo ao bicampeonato. Foram quatro gols nos dois jogos. O centroavante até dava falsas esperanças ao beque. Parecia existir um espaço do lado, quando na verdade o artilheiro só ajeitava o corpo ao domínio. Tudo saía dentro de seu controle. E a zaga, dominada, só assiste a batida rente à trave sem que ninguém possa evitar o tento.

1975 Leeds

A leitura de jogo de Gerd Müller era excepcional. E isso acontecia não somente nos lances em que ele aguardava no ponto exato da área onde a bola chegaria. O centroavante também atacava o espaço. Fez isso na final da Champions de 1975, para concluir a vitória sobre o Leeds. Quando todo mundo esperava, ele passou de surpresa para se antecipar ao cruzamento e fechar o placar em 2 a 0.

https://youtu.be/G8uTFlnHvAU?t=2172

1976 Banik Ostrava

Gerd Müller não precisava estar onde todo mundo estava para se dar melhor. E sua explosão ajudava nisso. Mesmo com seu porte físico robusto, o centroavante tinha uma impulsão fantástica. Foi isso que permitiu anotar esse gol de cabeça contra o Banik Ostrava. Ele ficou dois passos atrás e, ainda assim, pulou no terceiro andar para o peixinho estratosférico. Ganhou do zagueiro e meteu no ângulo, como de praxe.

1976 Hamburgo

Gerd Müller fazia o jogo orbitar ao seu redor tantas vezes. Era como se tivesse um GPS que localizasse tudo, para que permanecesse no controle. Dentro da área do Hamburgo, o centroavante era como um pião de brinquedo. Girou duas vezes, para um lado e para o outro, com os dois zagueiros que o marcavam sem ver a cor da bola. Mais um goleiro cai no erro de tentar antecipá-lo e só nota o vacilo com a bola dentro do gol.

1976 Real Madrid

Gerd Müller quase sempre fazia seus gols de dentro da área, por questão de posicionamento e inteligência no movimento. Porém, tinha tudo para ser um grande finalizador de média distância, por precisão e potência. Quando precisava lançar mão desse recurso, também destruía os adversários. Na meia-lua, o chute de primeira saiu indefensável, no alto, em jogo que botou o Bayern em sua terceira final de Champions seguida.

1976 Cruzeiro

Nem a neve conseguia travar Gerd Müller na área. Pior para o Cruzeiro, que também sofreu com o poder de fogo do atacante. Foram necessários três toques para aquietar o passe e transformá-lo em gol. A direita apara, a esquerda ajeita e a direita volta à cena para disparar. Tudo isso em átimos de segundo, que não dão tempo para a marcação se recuperar ou para Raul evitar o pior.

1976 Anderlecht

O domínio, tantas vezes, era meio caminho do gol. Neste jogo de Supercopa contra o Anderlecht, ele abriu uma avenida. Gerd Müller recebe e já dá o tapa na frente na hora de controlar. Aceleração máxima para deixar o zagueiro na saudade. Da velocidade máxima, a tranquilidade também em seu ápice, com a cutucadinha diante do goleiro que cai à toa, sem ter o que fazer.

https://youtu.be/IZWFy_QNedQ?t=57

1976 Duisburg

Gerd Müller domina e a bola sobe. É o que faz o marcador achar que pode dar uma voadora, na tentativa de bloquear o chute. Na realidade, ele só está sendo um bobo que chutará o ar, quando o toquinho do artilheiro serve para preparar o terreno. Mais uma ajeitada, antes do chute do jeito que ele gostava: exato, no canto inferior onde o goleiro não chegaria.

1976 Werder Bremen

Gerd Müller por vezes desafiava as improbabilidades, a lógica, a física. Desafiava a descrença de quem via o lance e pensava que não daria em muita coisa. O passe chegou muito forte, a bola passou, o ângulo era ruim. Ele teve que se esticar e bater como se estivesse recolhendo a perna. Na verdade, veio uma tacada de sinuca que passou paralela ao goleiro e até pareceu dar um piquezinho na grama para mudar de direção, mais precisa no canto.

1976 Tennis Borussia Berlim

Num jogo de cinco gols, tem muito de arte de Gerd Müller. O primeiro é o mais refinado, ao matar no peito, fintar o zagueiro rapidamente e chutar no canto. O terceiro também tem seu requinte, ao fingir o chute para o zagueiro dar o carrinho, antes de fazer tudo com calma para anotar. Mas o último é o mais singular. Estica-se para controlar a bola, ajeita já caindo e nem termina de pousar quando arremata, tudo instantâneo. Se era difícil acompanhar os movimentos, pior ainda era o raciocínio.

1977 Borussia Mönchengladbach

Gerd Müller não precisava necessariamente tomar a iniciativa, tantas vezes ele preferia deixar os adversários se decidirem antes. O domínio não é dos mais fáceis, com o beque mostrando as travas da chuteira. Dois cercam, mas o centroavante deixa que eles titubeiem antes. Meio passo para trás, na hora em que o matador chuta ninguém está nem perto de chegar. E nem o goleiro de evitar.

1977 Saarbrücken

Não parecia existir diferença entre bola boa e bola ruim para Gerd Müller. Essa ele matou no peito, mas a sequência até dá a impressão de que não vingaria. O centroavante faz quase um espacate para arrematar na orelha da bola, com a parte de fora do pé. E pergunta se alguém consegue adivinhar o movimento imprevisível? Só rola prever o depois, com o goleiro buscando a bola dentro da meta.

https://www.youtube.com/watch?v=R1VgW2Gz5Zs

1978 Ajax

Era só um amistoso, mas pobre do Ajax. O primeiro gol já é uma maravilha, num chutão de Sepp Maier que cai dentro da área. O gramado amortece e o bate-pronto de Gerd Müller vai no ângulo. E, quando ele queria, também sabia humilhar os goleiros. Desta vez teve o drible com um só toque e de novo no zagueiro, quando esse esboçou bloquear o caminho. A calmaria do gol certo é uma constante da lenda.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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