Bundesliga completa exatos 50 anos em grande forma
Hoje é dia de festa na Alemanha. Há exatos 50 anos, jogadores de 16 times tocaram na bola pelos campos do país com a certeza de que receberiam algum dinheiro ao final do mês. Em 24 de agosto de 1963, acontecia a rodada inaugural da Bundesliga, atualmente um dos mais importantes campeonatos da Europa. Mas nem sempre foi assim.
No início da Liga dos Campeões (1955/56), o domínio era de espanhóis (Real Madrid), portugueses (Benfica) e italianos (Milan e Inter). O único time alemão a disputar o caneco nas primeiras 18 temporadas havia sido o Eintracht Frankfurt, em 1959/60, humilhado por 7 a 3 pelo Real Madrid, com quatro gols de Puskás e três de Di Stéfano. Algo normal naquela época, pois o futebol alemão era semi-profissional, ao passo que os países mais importantes já pagavam salários a seus jogadores. Os germânicos sequer tinham liga nacional, apenas torneios regionais desmembrados, o que resultava na perda de jogadores para os vizinhos e baixa organização.
Conversas sobre a introdução de uma competição central existiam desde 1950, mas o estopim para o presidente da federação alemã à época, Hermann Gösmann, introduzir a Bundesliga em 28 de julho de 1962 foi justamente a derrota de 1 a 0 da Alemanha pela Iugoslávia, nas quartas de final da Copa do Mundo do Chile (primeiro mata-mata). O pontapé inicial foi dado em 24 de agosto de 1963 (temporada 1963/64), com oito confrontos no mesmo horário.
1ª rodada da Bundesliga 1963/64 (24-08-1963)
Werder Bremen 3×2 Borussia Dortmund
Hertha Berlim 1×1 Nürnebrg
Preussen Münster 1×1 Hamburg
Eintracht Frankfurt 1×1 Kaiserslautern
Saarbrücken 0x2 Köln
Kalrsruher 1×4 Meidericher
1860 Munique 1×1 Eintracht Braunschweig
Schalke 04 2×0 Stuttgart
Na partida entre Werder Bremen e Borussia Dortmund, o primeiro gol da Bundesliga foi marcado a favor dos visitantes, pelo atacante Friedhelm “Timo” Konietzka (jogou pela Alemanha Ocidental e faleceu em 2012, aos 73 anos), logo a um minuto de bola rolando. 32 mil espectadores estavam no Weserstadion e puderam acompanhar mais quatro gols, na virada do Werder por 3 a 2 – o Köln, conhecido como Colônia no Brasil, que era um timaço, foi o primeiro campeão.
Com o passar dos anos, os clubes alemães foram conquistando espaço em nível internacional, principalmente com Bayern Munique, de Beckenbauer e Gerd Müller (tricampeão da Liga dos Campeões entre 1973/76), Borussia Mönchengladbach (vice da Liga dos Campeões em 1976/77 e vencedor da Copa da Uefa em 1978/79) e Hamburg (campeão da Liga dos Campeões em 1982/83). O dinheiro já corria nos cofres nacionais, não tanto como na Itália e na Espanha, mas o suficiente para atrair estrangeiros. Numa rápida comparação, o Bayern de 1975/76 contava apenas com o dinamarquês Johnny Hansen, enquanto o Borussia Dortmund de 1996/97 tinha três forasteiros, destaque para o suíço Stephane Chapuisat.
Os bons resultados dos clubes nos torneios continentais também ajudavam no crescimento da liga, graças ao Ranking da Uefa. Até 1996/97, apenas o campeão jogava a competição, o que mudou para dois times com o título do Borussia. Até 2008, a Alemanha contou com duas equipes, que passaram a ser três na temporada seguinte. Atualmente, o país é o terceiro na classificação da Uefa, atrás de espanhóis e ingleses, podendo levar quatro clubes para a Liga dos Campeões e outros três para a Liga Europa.
Mas o atual sucesso da Bundesliga e dos clubes locais não ocorre apenas dentro das quatro linhas. A federação alemã tem papel importante, principalmente no que diz respeito à introdução de regras financeiras. Na Alemanha, todos os clubes precisam enviar à entidade informações financeiras, como contas bancárias e documentos de transferências, a fim de conseguirem autorização para jogar na temporada seguinte. Se algum time ficar no vermelho, pode perder pontos e só comprar um jogador se vender outro no mínimo pelo mesmo valor. E, claro, ao contrário da permissão de milionários russos e do Oriente Médio em times ingleses, na Alemanha um dono individual não pode ter mais de 49% de um time – as exceções são Wolfsburg e Bayer Leverkusen, times ligados a empresas desde o início.
Medidas sérias e muito importantes para o futuro do futebol nacional, que se ainda não é o que mais movimenta euros (os times da Premier League gastaram € 488 milhões na atual temporada, contra € 241 da Bundesliga, a quinta que mais torrou cifras), tem um grande futuro pela frente. Ou alguém em sã consciência crê que a final entre Bayern e Borussia na temporada passada foi apenas um golpe de sorte?
Curiosidades
– O estrangeiro mais caro a atuar na Bundesliga é o francês Frank Ribéry, que vale € 42 milhões. O polonês Lewandowski, do Borussia, está cotado por € 39 milhões. Entre os brasileiros, Luiz Gustavo, agora no Wolfsburg, vale € 18 milhões, pouco à frente de Dante, do Bayern Munique (€ 15 milhões). O brasileiro há menos tempo na Bundesliga é o meia-atacante Bruno Nazário, 18 anos, atleta de Eduardo Uram e com passagens por Figueirense e América Mineiro. Ele chegou ao Hoffenheim em 22 de agosto de 2013.
– Inglaterra e Espanha (das cinco principais ligas na Europa) são os destinos mais comuns de atletas germânicos, com oito cada. Mesut Özil (Real Madrid) é o mais bem avaliado, € 40 milhões. Na Inglaterra, o meia André Schürrle, recém-contratado pelo Chelsea, vale € 25 milhões.



