Alemanha

Bundesliga: a hora do show

Placares com sete, oito, nove gols tornaram-se rotina nas primeiras rodadas da atual temporada da Bundesliga. Uma mudança que acontece de forma gradativa, mas que, aos poucos, substitui a ultrapassada filosofia do “futebol de resultados” pela organização ofensiva e o futebol tratado como “espetáculo”.

Muito desta iniciativa de mudança tática, que começou no final da década de 90, encontrou terreno fértil na nova geração de treinadores que se tem comprometido mais com a qualidade e principalmente com a idéia de transformar a Bundesliga em um campeonato que atraia cada vez mais o público europeu em geral e não só o alemão.

Um bom exemplo destas últimas goleadas aconteceu no último final de semana, na partida entre Werder Bremen e Hoffenheim que foi, principalmente para quem acha que o bom futebol precisa de bola na rede, um espetáculo que terminou com uma vitória por 5 a 4 da equipe comandada por Thomas Schaaf. Até mesmo o desastroso (para os bávaros) empate entre Bochum e Bayern de Munique terminou com um saldo final de seis gols.

Os números sustentam a tese. Até a sétima rodada foram 194 gols, vinte a mais do que na temporada anterior. E as estatísticas mostram que se a média for mantida, a expectativa é que a atual edição termine com mais de 940 gols, um número bem maior do que o do ano passado quando as redes alemãs balançaram 860 vezes, e que já havia superado 2006/07 com total de 837.

No ranking dos ataques mais poderosos, o Werder Bremen lidera, seguido por Leverkussen, Hoffenheim, Bayern e Wolfsburg, equipes que se revezam na formação com dois ou três atacantes. Em contrapartida, a postura tática rígida de equipes como Energie Cottbus ou Eintracht Frankfurt anda em baixa e deixa as equipes mais conservadoras na parte inferior da tabela.

Porém, a obsessão por gols vai além de se ter um meio campo criativo e veloz ou uma farta opção de jogadores ofensivos. A preferência por zagueiros técnicos, eficientes no desarme e que se aproximam do ataque, ficou evidente desde que o Wolfsburg desembolsou € 14 milhões por Andréa Barzagli ou na valorização de Andreas Beck pelo Hoffenheim.

Pode até ser coincidência, mas Bruno Labbadia, Jürgen Klinsmann, Martin Jol, Felix Magath, Jürgen Klopp, Thomas Schaaf, Armih Veh e Fred Rutten têm boa parte da culpa pelo fim do zero a zero no atual futebol alemão.

O primeiro a cair

A derrota por 2 a 1 do Borussia Mönchengladbach para o Colônia foi o fim da linha para o contestado técnico Jus Luhukay. Esta é a primeira mudança de comando da temporada 2008/09.

Após uma boa temporada na 2.Bundesliga sob o comando de Jupp Heynckes, Luhukay assumiu a equipe em fevereiro de 2007 e a queda de produção foi notória.

Mesmo sob desconfiança, a expectativa era que o Gladbach conseguisse manter-se na divisão principal. Mas, na última posição da tabela e com apenas uma vitória (contra o Werder Bremen), a situação ficou complicada.

Com um saldo negativo de nove gols, a defesa é o setor mais problemático da equipe e a principal falha creditada ao ex-treinador. Jus também pecou por não definir uma formação tática oscilando entre um 4-4-2, 4-5-1 ou 4-3-3 e dependente demais do talento de Marko Marin, que em muitos momentos se mostrou inexperiente demais para assumir tal responsabilidade.

Mirko Slomka, ex-Schalke e Hans Meyer, que já passou pelo clube entre 1999 e 2003 são as soluções comentadas, além de Christian Ziege, ex-seleção alemã, atual diretor de futebol, que poderia iniciar uma carreira no banco de reservas.

Mais um desafio para Low

O treino aberto com a presença de mais de 20 mil torcedores aumentou a responsabilidade e o técnico Joachim Low terá pouco tempo para resolver suas diferenças com o capitão Michael Ballack, antes de enfrentar a seleção da Rússia, em Dortmund.

O comando, em campo, de Ballack, que já havia se desentendido com Oliver Bierhoff após a Eurocopa, vem sendo realmente questionado, além de sua condição física já não ser das melhores.

Para a partida, Low poderá contar com Friedrich, Frings e Mertesacker. Mas até agora, apenas Klose, que marcou três gols na partida contra a Finlândia, parece ter seu lugar confirmado, pior para o artilheiro Patrick Helmes, que merece uma oportunidade. O único “desfalque” é o do lateral Marcell Jansen.

Confira os convocados:

Goleiros: Enke (Hannover), Adler (Leverkusen), Wiese (Werder Bremen).

Defesores: Lahm (Bayern), Jansen (Hamburgo), Fritz (Werder Bremen), Tasci (Stuttgart), Westermann (Schalke), Mertesacker (Werder Bremen), Friedrich (Hertha Berlin)

Meio campistas: Ballack (Chelsea), Hitzlsperger (Stuttgart), Rolfes (Leverkusen), Frings (Werder Bremen), Schweinsteiger (Bayern), Trochowski (Hamburgo), Jones (Schalke)

Atacantes: Klose (Bayern), Gomez (Stuttgart), Kuranyi (Schalke), Helmes (Leverkusen), Podolski (Bayern)

Mais futebol na TV

A DFL (Deutsche Fussball Liga) já negocia os direitos de transmissão dos jogos para a próxima temporada. A intenção é valorizar ao máximo o produto e tudo leva a crer que os alemães terão à disposição ainda mais futebol na televisão, principalmente em pay-per-view.

A proposta é pela transmissão de uma partida às sextas-feiras, cinco jogos aos sábados e três aos domingos. A 2.Bundesliga também entrará no pacote e mais dois jogos terão transmissão ao vivo. O acerto deve render a Bundesliga um considerável aumento de receita que pode chegar a € 205 milhões.

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Equipe Trivela

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