Bayern detona City e deixa a pergunta: quem irá batê-lo?
A partida no Estádio Etihad pintava como a chance de redenção do Manchester City na Liga dos Campeões. Depois de duas campanhas decepcionantes, os Citizens eram colocados à prova contra o Bayern Munique. Uma vitória em casa contra os atuais campeões europeus e a equipe de Manuel Pellegrini poderia finalmente demonstrar seu amadurecimento na competição continental. Porém, os bávaros não permitiram de forma alguma que o resultado dos sonhos dos ingleses se concretizasse.
Afinal, o Bayern deu um verdadeiro show em Manchester na vitória por 3 a 1. Fortíssima em todos os setores, a equipe de Pep Guardiola aproveitou muito bem para mostrar seu repertório. No primeiro tempo, os Roten seguiram a cartilha de seu treinador e mantiveram o toque de bola insistente. Foram quase quatro vezes mais passes certos do que o City, 338 a 85. Já na segunda etapa, os bávaros relembraram os tempos de Jupp Heynckes, agressivos nas subidas ao ataque e aproveitando a velocidade de seus homens nas pontas Os três gols marcados ficaram até baratos aos Citizens.
Por mais que as opções de Guardiola não agradem tanto, é difícil questioná-las diante da exibição do Bayern. Bastian Schweinsteiger, Toni Kroos e Philipp Lahm formam um trio talentosíssimo na meia-cancha, com bom potencial na marcação e na saída de bola. Já na frente, a movimentação de Arjen Robben, Franck Ribéry e Thomas Müller, escalado como falso nove, foi a chave para desnortear a defesa do City.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2013%2F10%2FPep-e-Jupp.png)
Manuel Pellegrini até tentou armar um time que pudesse matar o Bayern nos contra-ataques. Por mais que os visitantes tenham finalizado muito mais no primeiro tempo, o City até conseguiu mantê-los afastados de sua área – dos oito chutes, cinco foram de fora. O problema é que a linha de meio-campo leve dos Citizens não conseguia roubar a bola. E a saída era claramente deficiente, abusando das bolas longas e errando demais diante da pressão exercida pelos jogadores do clube alemão.
O City até tentou se recobrar do prejuízo no segundo tempo, se posicionando mais à frente. O problema é que exatamente neste momento o baile do Bayern se tornou mais evidente. Müller e Robben marcaram dois gols rapidamente, enquanto a trave e Hart salvaram os ingleses do pior. Nos minutos finais, a acomodação dos bávaros foi natural e até permitiu que os Citizens sonhassem com a reação, com o gol de Álvaro Negredo, a expulsão justa de Jérôme Boateng e a bola na trave de David Silva. Nada que diminuísse a vitória contundente do time de Guardiola.
O resultado reforça a máxima de que o Bayern é o time a ser batido nesta Liga dos Campeões. É difícil encontrar um adversário que defenda e que também que ataque com mais eficiência que os bávaros, especialmente com a bola permanecendo nos pés da equipe por muito mais tempo. Quem quiser batê-los, precisará encontrar uma fórmula que ainda parece secreta à maioria – o Borussia Dortmund é o único que deu mostras de poder enfrentá-los.
Enquanto isso, o Manchester City coloca panos quentes em seus planos. O grupo está longe de sugerir uma nova eliminação, com CSKA Moscou e Viktoria Plzen pelo caminho. Todavia, se os ingleses se imaginavam no mesmo patamar dos favoritos ao título, precisam melhorar muito. O crescimento no fim do jogo ainda deu algum alento. Mas a superioridade do Bayern Munique diz muito sobre o equilíbrio de forças nesta Liga dos Campeões.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Arjen Robben. O ponta direita foi o jogador mais ativo no ataque do Bayern, finalizando seis vezes e criando uma ocasião de gol. O holandês foi efetivo principalmente no início do segundo tempo, puxando os contragolpes dos bávaros. E deu uma bela resposta a quem diz que seu repertório é limitado, marcando um gol com um corte para a direita e finalizando com o pé direito.
Momento chave
O início do segundo tempo. Depois do domínio visto na etapa inicial, o Manchester City precisava partir para o tudo ou nada. E os primeiro minutos da etapa complementar refletiram essa postura, com os ingleses buscando o ataque. O problema é que o time de Manuel Pellegrini se expôs demais, deixando espaços para que o Bayern abusasse dos ataques em velocidade. Assim, saíram os dois últimos gols dos visitantes.
Os gols
7’/1T – GOL DO BAYERN! Rafinha vira o jogo para Ribéry na intermediária. O francês passa fácil por Navas e arrisca de fora da área. A bola vai no canto, mas Hart poderia ter espalmado.
11’/2T – GOL DO BAYERN! Da linha central do campo, Dante dá um lançamento primoroso. Müller passa por trás de Clichy e, com o caminho livre, tira de Hart antes de tocar para as redes vazias.
14’/2T – GOL DO BAYERN! Fernandinho tenta sair jogando e é desarmado por Kroos. O meio-campista enfia em velocidade para Robben, que corta a marcação e chuta no canto para marcar.
34’/2T – GOL DO CITY! Erro do Bayern na saída de bola. David Silva aproveita a sobra e toca para Negredo. O centroavante escapa de Boateng e finaliza com precisão, rente à trave.
Curiosidade
Foi a primeira vez que o Manchester City tomou mais de dois gols em casa por competições europeias, excluindo fases qualificatórias. Este foi o 38º jogo em casa dos Citizens.