Champions League 2026/27Futebol alemão

Bayern de Munique teve mais sorte que juízo

Em condições normais, o Bayern Munique não perderia a vaga para o Arsenal, jamais. Em condições anormais, também não perderia, assim como não perdeu. Mas escapou fedendo, com muito mais sorte do que juízo. E um resultado inadmissível na Allianz Arena para carregar para as próximas rodadas. Mais do que isso, um grande alerta para o jogo contra a Juventus pelas quartas de final, onde qualquer vacilo poderá ser fatal.

Não, não se trata de volume de jogo, pois o Bayern Munique chutou 23 bolas contra apenas cinco dos ingleses. O problema é que foram apenas cinco dentro do gol, e nenhuma delas entrou. Um time que se propõe a ser o melhor do mundo não pode tomar dois gols com a facilidade que tomou. Os bávaros, em alguns momentos, ficaram muito expostos a contragolpes, e por pouco a tragédia definitiva não ocorreu. Uma eliminação seria pior do que a derrota na final da Liga dos Campeões da temporada passada contra o Chelsea. Seria quase tão desmoralizante quanto ser preso em flagrante mijando na rua.

Ficam algumas lições, e a primeira delas é que Franck Ribéry é essencial ao time. É dos pés do francês que saem as grandes jogadas em velocidade, os grandes estalos de genialidade. Robben, que foi escalado no lugar dele, é um cracaço de bola, sem dúvidas, mas nessa temporada parece sentir os efeitos do que não fez na final de 2011/12. Não acerta o que tenta e está muito abaixo do nível que já mostrou um dia. Além, é claro, de continuar se contundindo com frequência. Xherdan Shaqiri, não se sabe bem o porque, não foi aproveitado. Logo ele, que poderia dar mais velocidade ao jogo.

Outro que fez uma imensa, uma incomensurável falta, foi Bastian Schweinsteiger. Sem ele, machucado, a bola não rodou pelo meio como deveria. Tudo bem, Javi Martínez e Luiz Gustavo são grandes jogadores, e Toni Kroos foi um dos poucos a fazer um bom jogo. Mas faltou aquele toque de qualidade, o dinamismo característico dos bávaros na Bundesliga, e nesse ponto Schweinsteiger é quase inigualável com a bola no pé.

Por fim, vale dizer que a exibição de Mario Mandzukic beirou o ridículo. Discreto, quase não foi notado em campo e deu lugar a Mario Gomez, que se prepara cada vez mais para ganhar a posição. A empatia de Gomez com a Liga dos Campeões é inegável, e o Bayern precisará de um jogador assim para enfim atingir seu objetivo máximo na competição.  E de um zagueiro melhor também, pois quem tem Van Buyten no time titular sempre corre muitos riscos. O belga, que não inspirava confiança quando era novo, manteve o padrão e é bom que Jérôme Boateng volte ao time logo, pois será mais do que necessário.

O sorteio

Bom, sobre o sorteio é fácil dizer: se o Barcelona for o mesmo time que estraçalhou o Milan no Camp Nou, só teremos um grande jogo nas quartas de final: Bayern Munique x Juventus. E os bávaros possuem um leve (levíssimo) favoritismo, pois têm uma equipe que joga junto há mais tempo e está mais acostumada a esses confrontos decisivos na Liga dos Campeões. Mas a Juve conta com Pirlo, e Pirlo joga muita bola. E quando olha os alemães do outro lado, Pirlo parece ter mais vontade ainda de arrebentar com o jogo. Foi assim com a seleção italiana na Copa de 2006 e na Euro 2012.

O Borussia Dortmund, por sua vez, teve sorte: encara o Málaga, o segundo pior entre os oito que se classificaram (o pior é o Galatasaray, que enfrenta o Real Madrid). Mas o Porto achou a mesma coisa quando viu o Málaga pela frente e agora está chupando o chicabon da melancolia, chorando as pitangas da eliminação. Götze, Lewandowski e companhia são realmente favoritos, mas não podem relaxar em hipótese alguma.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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