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Alemanha e o pioneirismo na luta contra a homofobia no futebol

O futebol é reduto para diversos tipos de preconceito, como racismo e xenofobia, e aquele contra os homossexuais é um dos que mais enfrenta dificuldades em ser combatido. Enquanto há campanhas e mais campanhas (mesmo que tímidas) contra os dois primeiros, poucas entidades dão a cara a bater para inibir comportamento homofóbicos nos estádios e no jogo em si. Neste quesito, a Alemanha começa a dar uma pequena lição ao restante do mundo, e a Deutsche Fussball Liga, responsável pelas duas principais divisões do país, assinou a Declaração de Berlim, termo para combater a homofobia no futebol.

Alguns clubes alemães já haviam assinado a declaração em julho, mas a DFL havia se recusado a assinar. O documento vinha acompanhado de um guia chamado “Futebol e homossexualidade”, e todos os clubes das principais divisões receberam cópias. Reinhard Rauball, presidente da DFL, havia afirmado então que “o futebol não estava pronto para jogadores gays”. Provavelmente a entidade percebeu a irresponsabilidade de sua decisão, assumindo agora o compromisso de auxiliar no combate à discriminação.

“A associação dá um sinal claro contra a homofobia ao se juntar à Declaração de Berlim. Mente aberta e tolerância têm de ser marcas registradas da Bundesliga. Isso inclui também uma declaração clara contra a homofobia. A orientação sexual, assim como a cor da pele ou a religião, não deve ser um pretexto para exclusão ou negação”, escreveu a Deutsche Fussball Liga em nota oficial.

“Juntos contra a homofobia. Por diversidade, respeito e aceitação no esporte”, lê-se o lema da Declaração de Berlim. É uma postura muito louvável por parte das entidades alemãs. A homofobia é atualmente a forma de discriminação que mostra mais resistência no futebol. Com algumas raras exceções, como a torcida Gay Gooners, que é bem aceita pelo Arsenal e tem até mesmo um setor reservado no estádio Emirates, pessoas homoafetivas enfrentam muita dificuldade em conseguir seu espaço no futebol. No Brasil, por exemplo, a criação da torcida Gaivotas Fiéis gerou revolta em alguns corintianos e piadas por parte de rivais. Até mesmo ameaças foram feitas por parte de torcedores do Corinthians, que não queriam vê-los no estádio. E mesmo no caso dos Gunners, o fato de precisar ter um espaço reservado mostra também que, até nos casos positivos, a situação ainda está longe do ideal.

O caso de maior aceitação que podemos pegar como modelo é o da torcida do St. Pauli. Na época em que o norte-americano Robbie Rogers assumiu sua homossexualidade e afirmou que não era possível continuar no esporte, a torcida do clube germânico, logo no dia seguinte, protagonizou uma bela manifestação anti-homofóbica em suas arquibancadas. Que a atitude dos alemães possa se espalhar por aí, mesmo que aos poucos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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