Alemanha

A um passo da história

Depois das sete vitórias em sete rodadas, o Mainz 05 tem uma oportunidade única de fazer história neste sábado, no Stadion am Bruchweg, que certamente estará lotado. Se vencer o Hamburg, o clube baterá o recorde que já divide com o Bayern Munique de 1995/96 e com o Kaiserslautern de 2001/02, registrando o melhor início da história da Bundesliga.

O feito, que já seria espetacular se fosse protagonizado por alguma equipe tradicional, ganha dimensões ainda maiores em função do Mainz disputar apenas a sua quinta temporada na elite alemã. E o fato do clube representar uma cidade de apenas 197 mil habitantes na Bundesliga aproxima a instituição do torcedor, que certamente vive um momento único de euforia, como foi visto nas comemorações das últimas vitórias, em que o técnico Thomas Tuchel entoou as músicas da torcida com um megafone.

Tuchel, de apenas 37 anos, é apontado como o grande responsável por esse momento e já recebeu da diretoria do Mainz a oferta de um contrato vitalício. Apontado como um grande estrategista, ele muda a equipe a cada partida, de acordo com as características do adversário. Montou um time experiente na defesa e jovem no ataque, com jogadores sem muito nome, alguns deles desacreditados no próprio clube, outros contratados a baixíssimo custo ou por empréstimo.

É o caso, por exemplo, de Lewis Holtby, que figura entre os melhores jogadores da atual Bundesliga. O meia, que disputou o Mundial Sub-20 em 2009, não tinha espaço no Schalke 04, pois Felix Magath preferia escalar o limitadíssimo Hao. Emprestado ao Bochum na temporada passada, ele já havia demonstrado qualidades, mas a “explosão” veio só nesse ano. Nas sete partidas, foram dois gols e seis assistências.

Holtby, que é filho de mãe alemã com pai inglês, já declarou que torce para o Everton e sonha jogar por lá. Há também a possibilidade dele optar por atuar pela seleção inglesa, o que já fez com que Fabio Capello o sondasse, e Joachin Löw acenasse com a possibilidade de convocá-lo em um futuro próximo.

Outro que enche os olhos nesse início de temporada é André Schürrle, artilheiro da equipe no torneio com quatro gols, mesmo tendo começado a maioria das partidas na reserva. Rápido, habilidoso e eficiente na finalização, Schürrle já chamava a atenção desde a temporada passada, mas também cresceu de rendimento em 2010/11, a ponto de despertar o interesse do Bayer Leverkusen, que rapidamente fechou sua contratação para o ano que vem.

Holtby e Schürrle têm o auxílio luxuoso de dois atacantes que chegaram ao clube nesse ano numa situação de semi-anonimato: o húngaro Adam Szalai e o tunisiano Sami Allagui, que também causam uma boa impressão despertam o interesse de clubes maiores da Bundesliga para os próximos anos.

Szalai, que veio do Real Madrid B, atuou por empréstimo no Mainz na temporada passada, mas não causou tanto impacto: em 15 partidas, marcou apenas um gol, menos do que os três que já fez em apenas sete jogos em 2010/11. Alto e forte, ele chega até a mostrar habilidade com os pés, mas se destaca de fato pelo poder de finalização e poderá, junto com nomes como Vladimir Koman e Krisztián Németh, comandar a nova geração do futebol húngaro.

Allagui, por sua vez, é uma surpresa ainda maior. Nascido em Düsseldorf, ele adotou a nacionalidade tunisiana, mas fez toda a carreira na base na Alemanha antes de ir à Bélgica para atuar pelo Anderlecht, onde teve uma frustrante passagem de dois anos. Depois, atuou pelo K.S.V. Roeselare, da segunda divisão belga, Carl Zeiss Jena, da terceira divisão alemã, e Greuther Fürth, da 2. Bundesliga, onde marcou 27 gols em 64 partidas, e se credenciou para disputar a elite alemã. Poucos esperavam, porém, que ele assumisse a titularidade e protagonizasse lances espetaculares, como o gol de letra marcado na vitória por 2 a 1 contra o Bayern Munique.

Há também o meia Marcel Risse, que se destacou pelo Nürnberg na temporada passada e já balançou as redes adversárias uma vez em dois jogos pelo Mainz, se contundiu, mas certamente será importante durante o campeonato. Risse, que pertence ao Bayer Leverkusen, também atua na seleção alemã sub-21 e tem potencial para suprir com eficiência eventuais ausências de Holtby ou Shcürrle. O meia Eugen Polanski, que pintou como promessa no Borussia Mönchengladbach e teve passagem discreta pelo Getafe, é outro que cresceu muito com a boa fase da equipe.

Entre os mais experientes, destaque para o colombiano Elkin Soto, que comandou a virada espetacular por 4 a 3 sobre o Wolfsburg, na segunda rodada. Campeão da Taça Libertadores da América de 2004 com o Once Caldas, Soto está no Mainz desde 2007 e é o responsável por dar consistência ao meio-campo do time. Além disso, exerce boa liderança sobre os companheiros, embora o capitão seja o zagueiro macedônio Nikolce Novevski, que atua no clube há seis temporadas.

Todos eles têm a chance de colocar de vez a cidade de Mainz numa posição de destaque no mapa do futebol europeu, e a probabilidade estatística de que essa oportunidade nunca mais apareça é grande. É, portanto, a possibilidade de um dia histórico na vida de todos os envolvidos na campanha.

Seleção segue 100%

Em um jogo muito mais tranquilo do que o esperado a Alemanha venceu a Turquia por 3 a 0 na última sexta-feira e se isolou na liderança do Grupo A das Eliminatórias para a Euro 2012. Klose, duas vezes, e Özil, que foi o melhor em campo, marcaram os gols da partida e decepcionaram a metade turca que foi ao Estádio Olímpico, em Berlim.

Com a vitória pelo mesmo placar contra o Cazaquistão na terça-feira – gols deKlose, Mario Gómez e Podolski – e a derrota dos turcos para o Azerbaijão, a liderança foi ainda mais consolidada. Os germânicos agora somam 12 pontos contra sete da Áustria, que empatou com a Bélgica por 4 a 4 e está na segunda posição.

Individualmente Miroslav Klose foi quem mais lucrou. Com os três gols marcados em dois jogos, ele chegou a 58 em 105 partidas pela seleção alemã e já vê como real a possibilidade de superar Gerd Müller, maior artilheiro da história do Nationalelf, com 68 gols em 62 partidas. Aos 32 anos, Klose provavelmente disputará a Euro 2012 e, se for bem, poderá continuar na seleção até a Copa do Mundo de 2014, onde terá a oportunidade de quebrar o recorde de Ronaldo.

Bayern Munique: Beckenbauer joga a toalha

Ao declarar que dificilmente o Bayern Munique será campeão alemão em 2010/11, Franz Beckenbauer pode ter dado a impressão de que jogou a toalha cedo demais. Afinal de contas, a Bundesliga teve apenas sete rodadas disputadas e ainda há tempo para a recuperação. Os bávaros estão em 12º lugar, com apenas oito pontos, e são, em tese, favoritos para o duelo contra o Hannover 96 neste sábado. Os acontecimentos que cercam o time desde a pré-temporada, porém, parecem dar razão ao Kaiser.

O clube convive com lesões desde antes do início da Bundesliga. O primeiro a se machucar, naturalmente, foi Arjen Robben, que gerou uma controvérsia entre os bávaros e a seleção holandesa. Depois, foi a vez de Frank Ribéry ir para o departamento médico. Recentemente, Bastian Schweinsteiger também se contundiu desfalcou a seleção alemã nos jogos contra Turquia e Cazaquistão, dos quais Miroslav Klose também saiu lesionado. De quebra, Mark Van Bommel também está fora de combate, após sofrer lesão no jogo entre Holanda e Suécia, pelas Eliminatórias para a Euro 2012.

O time parece sofrer diretamente as consequências do desgastante final da temporada 2009/10 e do bom desempenho das seleções alemã e holandesa na Copa do Mundo. O elenco, que já era enxuto, não parece ter sido adequadamente reforçado, e a equipe agora se vê dependente dos garotos Toni Kroos e Thomas Müller, que terão de contar com o auxílio de jogadores como Mario Gómez e Tymoshchuk. Ambos foram contratados a peso de ouro em 2009, mas ainda não conseguiram se firmar.

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Equipe Trivela

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