Alemanha

A redenção de um troglodita

Já dizia alguém em algum lugar que todo time de futebol deve contar com um troglodita que seja capaz de decidir partidas difíceis, tese com a qual este escriba concorda plenamente. E antes que o termo “troglodita” gere ambiguidades é bom que seu significado seja esclarecido logo no início da coluna. Trata-se daquele centroavante forte, trombador, não necessariamente muito técnico, mas que seja capaz de peitar, cuspir, xingar a mãe do zagueiro adversário e botar a bola nas redes de qualquer jeito.

O melhor exemplo dessa espécie no futebol alemão se chama Mario Gómez, e fez quatro gols nas duas últimas partidas do Bayern Munique. No último sábado, foi às redes três vezes na vitória por 3 a 0 contra o Hannover 96, e nesta terça-feira fez o último gol da vitória dos bávaros por 3 a 2 sobre o Cluj. O triunfo manteve o time alemão com 100% de aproveitamento na Liga dos Campeões, na liderança do Grupo E com nove pontos, seis a mais do que Basel, Cluj e Roma, que dividem a segunda posição.

A “redenção” do centroavante acontece num momento importantíssimo para o clube, que vive um início de temporada turbulento e sofre muito com as contusões de seus principais jogadores. Para se ter uma ideia, os bávaros atuaram contra o Cluj sem Robben, Ribéry, Klose, Olic e Van Bommel, todos machucados. Apenas cinco jogadores compunham o banco de reservas da equipe, e o limitado Andreas Ottl, que quase foi dispensado na pré-temporada, foi “ressuscitado” por Louis van Gaal agora é titular.

Gómez nunca foi um primor de técnica, e basta vê-lo jogar por cinco minutos, talvez um pouco menos, para perceber isso, embora não seja também um grosso completo. Poucos questionavam a capacidade goleadora dele quando o Stuttgart foi campeão alemão em 2006/07, e ele foi eleito o jogador do ano no país. Ainda naquela temporada, estreou na seleção principal, pela qual já soma 40 jogos e 14 gols, e no ano seguinte, foi vice-artilheiro da Bundesliga com 19 gols, atrás apenas de outro troglodita de marca maior, Luca Toni, que fez 25.

A carreira do centroavante, porém, estagnou desde que ele se transferiu para o Bayern Munique na temporada passada, em um negócio que envolveu cerca de 35 milhões de euros, transação mais cara da história do futebol alemão. A adaptação não foi das melhores, a mudança no esquema de Louis van Gaal, a ascensão de Thomas Müller e a boa fase de Ivica Olic na Liga dos Campeões levaram Gómez para a reserva, junto com Miroslav Klose.

É um exagero, porém, dizer que a temporada dele foi totalmente ruim. Em 45 jogos disputados, sendo a maioria deles iniciando como reserva, Gómez balançou as redes adversárias 14 vezes, dez delas na Bundesliga, três na Copa da Alemanha e apenas uma pela Liga dos Campeões. O número, se não chega a impressionar, não pode ser completamente desprezado, embora também possa ser feita a consideração de que trata-se de um atacante que custou muito caro aos bávaros, um investimento que ultrapassou em léguas o limite simbólico de sobriedade dos clubes da Bundesliga.

Seu estilo truculento foi importante em vários momentos, como na vitória por 4 a 1 sobre a Juventus, que classificou o time para a segunda fase da Liga dos Campeões. Nas quartas de final, contra o Manchester United, Gómez foi importantíssimo no jogo de ida, na Allianz Arena, quando, no finalzinho do jogo, saiu driblando a defesa inglesa aos trancos e barrancos e, quando foi desarmado, a bola sobrou para Olic fazer o gol da vitória por 2 a 1 e deixar o time em vantagem para o jogo de volta, em Old Trafford, vencido pelo United por 3 a 2. A classificação, porém, foi comemorada pelos bávaros.

Poucos, porém, lembram da contribuição de Mario Gómez no ano passado. Os gols feitos recentemente, porém, o credenciam a brigar pela posição de titular novamente, seja com Klose ou Olic, e mostram mais uma vez a utilidade de jogadores assim, principalmente em momentos difíceis. Os bávaros agradecem, e pedem por mais gols nesta sexta-feira, contra o Hamburg.

Raúl faz história em Gelsenkirchen; Werder Bremen empata

Sem muitas dificuldades, o Schalke 04 derrotou o Hapoel Telaviv por 3 a 1 nesta quarta-feira, em Gelsenkirchen e se isolou na segunda posição do Grupo B da Liga dos Campeões. O destaque da partida foi Raúl, que, com os dois gols marcados, chegou a 69 na história do torneio e igualou Gerd Müller como o maior artilheiro de competições europeias de todos os tempos.

O bom desempenho na LC, porém, não mascara a performance tenebrosa dos azuis reais na Bundesliga até aqui. No último fim de semana, a equipe empatou em casa por 2 a 2 com o Stuttgart, e chegou a pífios cinco pontos em oito partidas. O Schalke ocupa a anti-penúltima posição, à frente do Köln e do próprio Stuttgart, e o emprego de Felix Magath corre sério risco caso a equipe seja derrotada pelo Eintracht Frankfurt, que conta com o artilheiro Gekas em grande fase.

O Werder Bremen, por sua vez, empatou com o Twente por 1 a 1, fora de casa, e segue na última posição do Grupo A, com um gol de saldo a menos do que os holandeses, que têm os mesmos dois pontos ganhos. Marko Arnautovic, aos 35 minutos do segundo tempo, fez o gol de empate dos Verdes e salvou a equipe de um desastre ainda maior que já se anunciava cinco minutos antes, quando Theo Janssen abriu o placar.

A nota negativa do jogo, mais uma vez, vai para Thomas Schaaf, que novamente se superou, armando um time no 4-3-3 com Frings, Bagfrede e Wesley no meio-campo e Hunt, Pizarro e Hugo Almeida no ataque. Marko Marin, único armador da equipe e jogador da seleção alemã, não pode, em hipótese alguma, ficar no banco de reservas como ficou novamente.

Mainz 05: Fim do sonho, fim da invencibilidade, fim da liderança

A derrota do Mainz 05 por 1 a 0 para o Hamburg, no último sábado, custou, além do fim da possibilidade de quebrar um recorde histórico, a invencibilidade na Bundesliga e a liderança, agora ocupada pelo Borussia Dortmund. O gol marcado por Paolo Guerrero, após uma belíssima jogada de Zé Roberto – que faz um belíssimo campeonato até aqui – deu vida nova aos Rothosen, que agora estão na quinta colocação, com 14 pontos e mostraram um belo poderio ofensivo.

O jogo foi cheio de alternativas, com grandes defesa dos dois goleiros, Wetklo e Horst. André Schürrle, que decidiu algumas das sete partidas anteriores, perdeu alguns gols importantes, assim como Lewis Holtby, que teve chances para abrir o placar, mas falhou. Ainda é cedo, porém, para que se façam comentários oportunistas de que o Mainz seria um “cavalo paraguaio” na Bundesliga. É necessário esperar os próximos jogos e analisar com cautela o futuro de uma equipe que já surpreendeu o mundo.

Quem vive um excelente momento é o supracitado Borussia Dortmund, que venceu o Köln por 2 a 1 e agora ocupa a liderança, pois tem saldo de gols superior ao Mainz. O gol da vitória aconteceu no último minuto e foi marcado por Nuri Sahin, que ratifica cada vez mais a condição de craque desse início de Bundesliga e já atrai o interesse de clubes como Juventus, Milan e o próprio Bayern Munique.

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Equipe Trivela

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