A luta contra a degola
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Com o título nas mãos do Borussia Dortmund e as vagas para competições europeias definidas – ok, o Bayern Munique ainda pode tomar o vice-campeonato do Bayer Leverkusen – a Bundesliga chega em sua última rodada com uma única disputa ainda em aberto: a batalha contra o rebaixamento. Wolfsburg, Eintracht Frankfurt e Borussia Mönchengladbach lutam para não se juntar ao St. Pauli na segunda divisão na próxima temporada, mas apenas um deles conseguirá o objetivo, o time que ficar na 15ª colocação. O 17º cairá diretamente no abismo enquanto o 16º disputará os play-off para permanecer na elite alemã contra o terceiro colocado da 2. Bundesliga, que será o Bochum ou o Greuther Fürth.
Na disputa, o Wolfsburg é o único que depende de si: com 35 pontos e saldo negativo de sete gols basta derrotar fora de casa o Hoffenheim, que não quer mais nada com a vida em 2010/11 para ficar com aquela sensação de alívio profundo e repaginar tudo para 2011/12. Afinal de contas, como já dizia Falcão, o brega, é muito melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso, e é exatamente isso o que acontecerá com os Lobos se a permanência for confirmada. O fato de provavelmente ficar na primeira divisão não apaga o ano tenebroso que o time com a segunda maior folha salarial da Alemanha teve.
Até por isso, o fato de depender de si próprio talvez não seja muito relevante, embora preocupe menos do que as duas outras equipes. O Wolfsburg já teve trocentas oportunidades de escapar da degola e, na última delas, conseguiu a façanha de ser derrotado em casa pelo Kaiserslautern de virada. Além disso, Edin Dzeko não estará lá desta vez para resolver o problema e a boa fase de Grafite parece ter acabado. Junte-se a isso o mau desempenho de Diego e diversos problemas de vestiário, e temos a receita de uma equipe pronta para mergulhar no caos.
O Borussia Mönchengladbach surpreende por ainda chegar à última rodada com chances de escapar. Com os mesmos 35 pontos dos Lobos e saldo negativo de 17 gols, o time dormiu durante várias rodadas um sono profundo na lanterna do campeonato, até que, de repente, acordou e resolveu vencer partidas em sequência. Nas últimas três rodadas, o clube derrotou o líder Borussia Dortmund, o então terceiro colocado Hannover 96 e o oitavo colocado Freiburg, no fim de semana passado. Se não cair, poderá ser chamado de “mini-Fluminense da Alemanha” e o “mini-Cuca” seria o técnico suíço Lucien Favre, que ajudou a rebaixar o Hertha Berlim na temporada passada.
O zagueiro brasileiro Dante é um dos símbolos dessa reação. Na partida contra o Freiburg, vários torcedores o homenagearam com uma peruca de sua vasta cabeleira em mãos em reconhecimento à entrega e à raça que ele demonstra em campo. Outro destaque do time dentro das quatro linhas é o meia Marco Reus, que já marcou dez gols na Bundesliga, fez sete assistências e já foi especulado algumas vezes no Borussia Dortmund para a disputa da Liga dos Campeões em 2011/12, além de ter sido convocado para a seleção alemã principal. O venezuelano Juan Arango. O adversário da última rodada é o Hamburg, que não sonha com mais nada no torneio.
No Eintracht Frankfurt, a coisa tá feia. A equipe, que fez até um bom primeiro turno, terminando na sétima posição, caiu vertiginosamente de produção e conquistou apenas oito pontos no returno. Agora soma 34 e precisa desesperadamente vencer fora de casa o campeão Borussia Dortmund, mas parece não ter forças para transformar essa necessidade em realidade. De quebra, o clube ainda precisa contar com tropeços de seus dois rivais, ou pelo menos de um deles, para ir ao play-off.
O técnico Christoph Daum, que já foi campeão nacional com o Stuttgart e vice com o Bayer Leverkusen, além de quase ter dirigido a seleção alemã – foi impedido por um escândalo que envolvia seu nome em acusações de uso de cocaína e orgias com prostitutas -, parece já ter jogado a toalha. O time está há seis partidas sem vencer e não é exagero dizer que apenas um milagre o deixaria na elite do futebol alemão em 2011/12. É esperar para ver.
Sahin x Özil: Reencontro em Madrid
Além de um grande negócio para Nuri Sahin e para o Real Madrid – nem tanto para o Borussia Dortmund – a transferência do volante para o futebol espanhol está cercada de outro significado interessante que talvez tenha passado despercebido da maioria dos torcedores merengues ou aurinegros. No clube espanhol, Sahin reencontrará Mesut Özil, seu contemporâneo e “compatriota duplo”, se é que possa existir o termo.
Ambos são descendentes de turco, canhotos, nasceram no mesmo país (Alemanha), no mesmo estado (Renânia do Norte-Vestfália) e dividem o mesmo empresário, Reza Facelli. As semelhanças param por aí. Sahin, nascido em Lüdenscheid, foi revelado no Borussia Dortmund e joga pela seleção da Turquia, onde foi campeão e eleito o melhor jogador da Euro sub-17 em 2005 como meia e camisa 10 do time. Özil, por sua vez, é natural de Gelsenkirchen, começou a carreira no Schalke 04 e foi campeão europeu sub-21 com a seleção alemã em 2009, tendo sido eleito o melhor jogador da final, na vitória por 4 a 0 sobre a Inglaterra.
Em condições normais de temperatura e pressão, há lugar para os dois no meio-campo. Sahin, que provavelmente será reserva no início, tem condições de ganhar a posição e atuar como o coordenador da saída de bola da equipe. Özil, que andou frequentando o banco de reservas por algum tempo, alterna bons e maus momentos e ainda precisa provar que é o supercraque que parece ser quando está inspirado.