Mesmo após o progresso experimentado nos últimos anos, revelar-se homossexual ainda é uma decisão difícil, que implica lidar com barreiras levantadas pelo preconceito. Fazê-lo no mundo do futebol, no entanto, é ainda mais penoso, e o ambiente atual não permite que jogadores de alto nível deem esse passo de maneira segura. É justamente isso que Albin Ekdal, volante da seleção sueca e da Sampdoria, quer mudar.

Em entrevista ao periódico esportivo sueco Sportbladet, Ekdal fez um forte discurso pedindo que colegas de profissão se juntem no combate à homofobia no esporte. O sueco afirma que, mesmo tendo jogado em duas das maiores ligas do mundo e participado de Eurocopa e Copa do Mundo, nunca esteve no mesmo gramado que um jogador abertamente homossexual.

“O problema não pode ser mostrado mais claramente do que isso. O futebol de elite afasta os homossexuais – ou coloca pressão nos garotos para que não falem nada sobre algo tão natural quanto quem eles amam”, ressalta Ekdal.

Para o experiente atleta sueco, que acumula passagem por Juventus e Hamburgo e está presente na seleção de seu país desde 2011, não deveria ser responsabilidade do jogador homossexual desafiar o status quo se revelando homossexual. Mas, sim, de todos os outros envolvidos com o esporte em criar um ambiente receptivo, em que não seja preciso coragem para se assumir quem é.

Presidente da Fundação John Blankenstein, que auxilia jogadores de elite gays na Europa, Karin Blankenstein, ex-árbitra abertamente homossexual, reforçou o coro de Ekdal e disse que sua associação, que trabalha em conjunto com a FIFPro, que representa jogadores profissionais, já teve contato com atletas gays que nunca tiveram coragem de falar sobre sua sexualidade.

Blankenstein então compara a questão dos jogadores homens com a das atletas mulheres, muitas delas publicamente em relacionamentos com outras mulheres, como Megan Rapinoe, destaque da seleção dos Estados Unidos. Para a ex-árbitra, esse contraste torna claro o problema: “Ainda é basicamente impossível ser um jogador de futebol masculino abertamente gay em uma divisão de alto nível. Concordo com Albin Ekdal que isso é uma responsabilidade de todos. Todos nós criamos o problema”.

É um passo importante ter um jogador da estatura de Ekdal, atuando em uma liga forte e em um futebol conservador como o italiano, se posicionando sobre a questão e chamando outros atletas à luta por um ambiente mais acolhedor a pessoas de qualquer orientação sexual.

Confira a fala completa de Albin Ekdal ao Sportbladet:

“Homens homossexuais não jogam futebol, eles dizem. Como deixamos chegar a isso?

Meu nome é Albin Ekdal, e eu já joguei futebol em duas das maiores ligas do mundo. Participei da Eurocopa e da Copa do Mundo. Mas, ainda assim, nunca estive no mesmo gramado que um jogador abertamente homossexual.

O problema não pode ser mostrado mais claramente do que isso. O futebol de elite afasta os homossexuais – ou coloca pressão nos garotos para que não falem nada sobre algo tão natural quanto quem eles amam.

Precisamos apoiar o garoto que, neste exato momento, está pensando em desistir (do futebol) para não ser zombado. Que pode ter ouvido a palavra “bicha” ser usada como um insulto no vestiário.

Porque não é responsabilidade do garoto, sozinho, desafiar isso. É dever meu, seu e de todos garantir que isso (se assumir homossexual) não seja algo que exija coragem. Deveria ser fácil e divertido dizer a alguém que você está apaixonado.

Não posso fazer nada além de dar as boas-vindas a todos no mundo do futebol, e você também não. Porém, se todos fizermos isso juntos, em todas as arquibancadas, todas as viagens de ônibus, em cada jogo fora de casa e em cada vestiário, então em breve não teremos mais esse problema.”