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A zebra passeia solta na Liga dos Campeões… da África

A zebra passeou nesse fim de semana da Liga dos Campeões da África. Atual e maior campeão da competição, com oito títulos, o Al Ahly foi eliminado na segunda fase do campeonato pelo Al-Ahly Benghazi, da Líbia. Outro gigante que tropeçou foi o Kaizer Chiefs, da África do Sul, que caiu para o ASV, do Congo. As eliminações dos dois clubes refletem dois fatores: a falta que os egípcios sentem do mito Mohamed Aboutrika, que se aposentou depois do Mundial de Clubes do ano passado, e o momento ruim do futebol sul-africano, seja nos clubes, seja na seleção.

O Al Ahly foi eliminado por uma equipe sem tradição no continente e que conquistou apenas quatro títulos nacionais na Líbia. O Benghazi, até passar pelos Red Devils, nunca tinha chegado a fase final da CAF Champions League. E a eliminação foi categórica, com os egípcios perdendo os dois jogos: 1 a 0 fora de casa e 3 a 2 em seus domínios.

No entanto, apesar da eliminação de um dos clubes mais tradicionais do continente, a classificação do Benghazi é sensacional, não apenas pela zebra e pelo feito em si, mas também pela superação de um momento difícil.

A equipe da Líbia tem enfrentado vários problemas nos últimos anos, e eliminar o tradicional Al Ahly na Liga dos Campeões é um prêmio e uma alegria para a sua torcida e o povo líbio em tempos tão sofridos. Por conta da guerra no país, a Libyan Premier League foi paralisada em 2011 e não foi disputada em 2012. O Campeonato Líbio só retornou em setembro de 2013 com uma fórmula diferente para a temporada 2013/14: dois grupos de oito times. Além da instabilidade doméstica, o Al-Ahly Benghazi teve outro problema. O time está mandando suas partidas da Liga dos Campeões da África na Tunísia, ou seja, não está jogando em casa. No entanto, nem isso foi problema para a equipe, que não conquista um título desde 1996, eliminar o Al Ahly.

Outro fator que torna ainda mais emblemático o avanço do time líbio, é a semelhança com a torcida do rival. Assim como o homônimo egípcio, o Benghazi tem uma torcida fanática, que muitas vezes é violenta, se envolve em brigas e que também lutou, como a torcida dos Red Devils, contra o regime de seu país.

É interessante observar também o momento ruim do Al Ahly. Na fase anterior, os Diabos Vermelhos suaram sangue para eliminar o inexpressivo Young Africans, da Tanzânia, na prorrogação. O time não está jogando bem e a fase ruim também é vista no Campeonato Egípcio, onde o Al Ahly é apenas o quarto colocado, sete pontos atrás do líder Smouha SC. A equipe, definitivamente, sente muita falta de Aboutrika.

A outra zebra da rodada, envolvendo o Kaizer Chiefs, foi “menos feia” que a dos atuais campeões. O time sul-africano venceu por 2 a 0 em casa, o resultado, porém, não foi suficiente para reverter o 3 a 0 sofrido no Congo, quando os Amakhosi cometeram vários deslizes defensivos. A eliminação do Chiefs e o fato de a África do Sul não ter representantes na fase final da CAF Champions League reflete o momento ruim do futebol do país, com uma liga fraca, times que não vão bem em torneios do continente e uma seleção cada vez mais decadente.

Tudo bem que o Orlando Pirates foi finalista da última CAF Champions League, mas foi um fato isolado. A última vez em que um time sul-africano chegou à final do torneio, antes de 2013, foi em 2001, e antes disso, apenas em 1995. E essas foram as únicas três oportunidades em que um time do país esteve na decisão da Liga dos Campeões.

Futuro

No entanto, a segunda fase da CAF Champions League não teve apenas zebras. Times conhecidos como o Zamalek, o Espérance de Tunis (também chamado de ES Tunis e Tunis Espérance) e o Mazembe avançaram à fase final e são os grandes favoritos ao título.

Oito clubes estão classificados para a fase final e formarão dois grupos de quatro times, com os dois melhores de cada chave avançando às semifinais. Os grupos ainda serão definidos por sorteio. Estão classificados: Al-Ahli Benghazi, ASV Club, Al Hilal (Sudão), Sfaxien (Tunísia), Espérance de Tunis (Tunísia), Sétif (Argélia), Mazembe (Congo) e Zamalek (Egito).

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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